Quer quebrar um tabu? Chama o Galo! Atlético vence duelo difícil pela Libertadores e ganha moral

Nacho Fernández foi o autor do primeiro gol e foi eleito o melhor em campo. Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

É possível citar diversas façanhas deste Atlético. Desde a última temporada, o forte elenco alvinegro conseguiu façanhas quase inacreditáveis e quebrou alguns tabus. Obviamente, a mais marcante escrita quebrada foi a de 50 anos sem vencer um Brasileirão. Já o tabu quebrado mais recentemente foi o do tricampeonato mineiro, o qual não era conquistado pelo Galo desde a década de 80. No entanto, querendo fazer ainda mais história, a equipe segue quebrando tabus.

Desta vez, o Clube Atlético Mineiro foi contra alguns prognósticos feitos por meio da história. Por exemplo, nenhum clube brasileiro havia vencido o Tolima, em Ibagué, pela Copa Libertadores. Além disso, para deixar o tamanho do feito alvinegro ainda maior, nenhum clube brasileiro havia sequer marcado gols contra a equipe no seu estádio na competição continental. Tudo “foi por água abaixo”.

Com uma atuação mediana, com alguns destaques e alguns pontos negativos, porém com um desempenho muito efetivo, o Atlético pôs fim na “maldição de Ibagué”. O Galo marcou dois gols, não sofreu nenhum tento e venceu o Tolima por 2 a 0, estreando com o “pé direito” na Copa Libertadores da América.

E este foi outro tabu atleticano. Desde 2016, o Atlético não estreava na Copa Libertadores com uma vitória. Depois de vencer o Melgar na estreia de 2016, o Atlético empatou com Godoy Cruz, em 2017, e com o Deportivo La Guaira, em 2021, além da derrota para o Cerro Porteño em 2019.

São três pontos cruciais para a classificação, mas um triunfo ainda mais importante para ganhar moral, pois a dificuldade já era óbvia pelo tabus e ficou evidente dentro de campo.

Quem não faz, leva…

A primeira etapa contou com muitos chutes, mas poucas finalizações que realmente levaram perigo. As equipes tiveram atuações semelhantes nos 45 minutos iniciais, tanto que o Tolima finalizou nove vezes contra oito do Atlético. Já nos chutes corretos, o Galo acertou três vezes o alvo adversário, enquanto o time colombiano só chutou corretamente em duas oportunidades.

A grande diferença da primeira etapa foi o domínio da posse de bola – 65% para o Atlético -, controle que gerou um gol que pode ser descrito por uma velha máxima do futebol: “quem não faz, leva”.

Os dois times atacaram durante a etapa inicial e, até por isso, houveram várias finalizações, mas o “pé não estava na forma”. Aos 15, em cobrança de falta de Hulk, a torcida atleticana deve ter se animado em Minas Gerais. Já o torcedor do Tolima se animou dez minutos depois, quando Cataño encontrou Plata na esquerda e o atacante do time colombiano chegou com perigo. Aproveitando a falta de velocidade de Godín, Plata entrou na área, mas foi muito bem abafado pelo goleiro Everson.

Depois desta jogada, o Tolima se portou de forma mais agressiva no campo de ataque e quase conseguiu aproveitar um deslize atleticano. Aos 34, Junior Alonso errou a saída de jogo e Plata conseguiu acelerar, encontrando a defesa atleticana mal postada. Lucumí recebeu na esquerda e rolou para Rangel marcar, porém, mesmo sem goleiro, o atacante não conseguiu empurrar a bola com um carrinho e o Tolima perdeu a sua melhor chance no jogo.

E o futebol já ensinou: quem não faz, leva. Aos 45, Mariano começou uma ótima jogada pela direita: o lateral tocou para Savarino e o venezuelano, como um pivô, deu uma linda assistência, de primeira, para Nacho Fernández. O argentino estava entrando na área, ajeitou o corpo e tocou com tranquilidade na saída do goleiro. Um belo gol atleticano no apagar das luzes do primeiro tempo.

Brilho de um e estrela do outro

O Atlético mostrou, logo no início da etapa final, que teria uma postura diferente, visto que a necessidade de correr atrás do placar era exclusivamente do Tolima. Mesmo assim, Hulk, Allan e Arana arriscaram algumas vezes de fora da área, mas a grande chance na parte inicial do segundo tempo foi do Tolima.

Após vacilo defensivo, o Atlético concedeu um escanteio e, na cobrança do tiro de canto, a zaga cometeu outro erro. O lateral-esquerdo Hernández ficou bem livre na segunda trave e, depois da bola passar pela área, o camisa 20 aproveitou para finalizar de primeira. O chute foi perfeito e iria no ângulo da meta atleticana, mas Everson estava lá. O goleiro voou na bola e fez uma belíssima defesa. O brilho de Everson salvou o Atlético.

Mesmo assim, o Tolima não se desanimou e seguiu em cima. Aos 27, Marulanda fez um ótimo cruzamento e Ramírez concluiu, porém a bola subiu mais do que ele desejava. Três minutos depois, Otávio rebateu mal dentro da área e Godín falhou ao tirar para o meio da área, contudo Orozco não colocou a bola na trajetória do gol.

Vendo que o Tolima estava em cima e o jogo estava difícil, El Turco Mohamed promoveu mudanças no seu time. Ademir (Savarino), Otávio (Jair), Rubens (Nacho) e Tchê Tchê (Dylan) entraram durante a partida e o último atleta citado, dono da camisa 37, foi responsável pela tranquilidade durante a última modificação, quando Hulk saiu e Sasha entrou, já no fim da partida.

Precisando de um gol para se tranquilizar, o Atlético balançou as redes aos 34. Em escanteio cobrado por Ademir, na esquerda, Alonso cabeceou muito bem e deu uma assistência para Tchê Tchê empurrar. Com a perna direita, o volante balançou as redes, mostrou a sua “estrela” e decretou o placar: 2 a 0 para o Galo.

Um jogo complicado e com mudanças

Não foi fácil. O placar de 2 a 0, fora de casa, em uma sempre tensa estreia de Libertadores, é um resultado significativo, obviamente. No entanto, a vitória não foi fácil por alguns motivos e os principais são: o Galo não foi tão bem e o Tolima é realmente perigoso, principalmente em casa.

O Atlético poderia ter ido melhor e esta cobrança é positiva para o grupo de El Turco Mohamed. Com um elenco poderosíssimo e com atuações recentes que chamam a atenção, o Galo sempre deve ser cobrado a entregar 100% em todas as partidas, mesmo sabendo que isso é uma utopia. Porém, nesta noite, mesmo com uma vitória justa, o clube mineiro errou bastante e passou bem distante dos 100%.

Em vários momentos, o Galo apresentou problemas em trocas de passes simples e erros de fundamentos chamaram a atenção, visto que não é esperado este tipo de erro de jogadores tão qualificados.

Uma justificativa para o desempenho um pouco abaixo do esperado foram as mudanças de El Turco Mohamed. Depois de uma final de estadual, disputada há três dias, o Atlético entrou em campo com quatro jogadores que foram reservas. O time contou com Everson; Mariano, Godín, Alonso e Arana; Allan, Jair e Nacho Fernández; Savarino, Hulk e Dylan Borrero. Estas mudanças, principalmente, na dupla de zaga, mostraram um Atlético desentrosado e que ainda requer ajustes.

E este é o ponto positivo de ter vencido. Além dos três pontos, El Turco levará para Minas Gerais respostas importantes para a sequência do seu trabalho. Vencer e seguir evoluindo deve ser o lema de um time que já é multicampeão e, mesmo assim, almeja mais.

O grupo da Libertadores

América e Atlético estão no mesmo grupo da Libertadores e tiveram estreias opostas. Enquanto a equipe alvinegra venceu fora de casa por 2 a 0, o Coelho recebeu o Independiente del Valle e perdeu por 2 a 0 no Independência. Sendo assim, Atlético e Del Valle lideram o grupo, enquanto América e Tolima sonham com o primeiro ponto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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