Há 16 anos, existe uma certeza em Minas: o Atlético na final. E vem aí o clássico na decisão!

A comemoração atleticana! Foto: Pedro Souza / Atlético

Desde 2007, o Campeonato Mineiro e o Clube Atlético Mineiro “possuem uma parceria”. É possível dizer que trata-se de uma cadeira quase cativa. Nas últimas 16 edições, o Galo chegou à final do estadual em todos os anos e confirmou mais uma classificação com outra vitória fácil contra a Caldense.

Foram três partidas seguidas no Mineirão entre Atlético e Caldense e os resultados evidenciam quão dominante o clube da capital foi. Com mais elenco e, obviamente, mais futebol, o Galo dominou a partida da 11ª rodada, ainda na fase inicial, e venceu por 3 a 0, no fim de semana passado. Na última quarta-feira, com dois gols de Hulk, o time mineiro venceu o primeiro jogo da semifinal por 2 a 0 e ampliou a sua vantagem. E, mesmo com a vaga praticamente definida, a equipe de El Turco Mohamed não tirou o pé.

A Caldense encontrou quase 30 mil atleticanos no Gigante da Pampulha e sabia, antes mesmo da bola rolar, que teria uma missão quase impossível, visto que precisaria vencer o atual campeão do Brasil por três gols de diferença. E esta foi a vantagem do Atlético, time que deve ser elogiado pela postura respeitosa.

Mesmo podendo “se poupar” para a final, já que a vaga estava encaminhada, a equipe atacou bastante durante toda a partida, respeitou bastante a Caldense e mostrou a sua qualidade, mesmo sem o seu melhor atacante.

Hulk estava fora por suspensão e os outros atacantes assumiram a responsabilidade. Em ótima partida alvinegra, Ademir, Keno e Sasha marcaram e garantiram a classificação com uma ótima vitória por 3 a 0 contra a Caldense, neste início de noite de 27 de março de 2022. O Galo está na final!

Domingo é dia de clássico!

A classificação atleticana já era esperada pelo atual rendimento deste elenco fortíssimo. Além de ser o atual campeão de todos os títulos nacionais possíveis e bicampeão consecutivo do estadual (2020 e 2021), o Galo frequenta a final do Mineiro há anos. Dentre os maiores clubes do Brasil, apenas o Atlético está jogando a final do estadual há tanto tempo: são 16 edições consecutivas.

Só que duas novidades são destacáveis acerca desta decisão. A primeira é que a final do Campeonato Mineiro será decidida em campo neutro, no próximo sábado, 02 de abril de 2022, às 16:30, e será a primeira decisão após a mudança no regulamento. A partir desta edição, o campeão será descoberto em um jogo único e, em caso de empate, o vencedor do Mineiro será quem vencer nos pênaltis.

E a outra novidade é a notícia que mais chama a atenção de todos: Atlético e Cruzeiro irão decidir o torneio de Minas Gerais. Os clubes mais tradicionais do estado são os maiores campeões do torneio e, claramente, são sempre favoritos, mas a Raposa viu o Galo vencer as duas últimas edições e sequer chegou à final depois do trágico rebaixamento.

A última aparição cruzeirense em uma final havia acontecido em 2019, quando o time azul celeste foi campeão sobre o Atlético. Desta vez, o favoritismo é inteiramente atleticano, visto o farto elenco e a vitória no clássico da fase inicial. No entanto, a atual fase cruzeirense e a dificuldade imposta pela Raposa no jogo realizado no início deste mês faz com que todos os torcedores fiquem apreensivos.

Será uma grande partida. 90 minutos para descobrir o grande campeão do Campeonato Mineiro. Minas Gerais vai parar!

O mesmo Atlético

Já na escalação, o técnico El Turco Mohamed deixou claro qual seria a postura atleticana na partida. O time mineiro estava com nove desfalques, incluindo o artilheiro Hulk, que estava suspenso, e entrou em campo com Rafael; Guga, Igor Rabello, Réver e Rubens; Allan, Jair, Nacho Fernández e Zaracho; Keno e Sasha, ou seja, com força máxima e com a intenção de vencer novamente.

Logo no início, antes de concluir o primeiro minuto, Nacho Fernández deu um lindo passe para Eduardo Sasha e o camisa 18 tentou uma cavadinha, porém Renan Rinaldi fez a defesa. Esses mesmos protagonistas atleticanos apareceram aos 19, quando a posse de bola atleticana foi premiada com o gol que abriu o placar. Em escanteio cobrado por Nacho, Jair ajeitou de cabeça e Sasha estava em posição legal para dar um toque, tirando do goleiro da Caldense. Gol do camisa 18 e 1 a 0 para o Galo.

O Atlético seguiu em cima e até o jovem Rubens arriscou, parando no bom arqueiro Renan Rinaldi. Só que aos 28, o time da capital conseguiu ampliar o placar. Após dividida no meio, Zaracho ficou com a bola e deu assistência para Keno marcar. O ponta atleticano acelerou, deixou a marcação para trás e balançou as redes depois de bater com a perna esquerda na saída do goleiro. Antes dos 30 do primeiro tempo, o Galo já estava repetindo o ótimo placar do jogo de ida.

Mesmo com a vantagem, foi o time de BH que chegou mais próximo de ampliar no fim do primeiro tempo. No minuto 31, Guga cobrou lateral, encontrou Sasha no fundo e o atacante ajeitou para Zaracho arriscar, mas Renan Rinaldi fez a defesa. Dez minutos depois, Nacho roubou a bola, encontrou Keno na área e o camisa 11 driblou a marcação. Cara a cara, Keno teve a oportunidade de ampliar, mas escolheu o canto direito e o zagueiro da Caldense salvou em cima da linha.

A pobre Caldense e o Atlético com mudanças, mas em cima

Ainda no primeiro tempo, a Caldense chegou algumas vezes, só que o jogo do time de Poços de Caldas se resumiu às finalizações de fora da área. Nas estatísticas finais da partida, é possível visualizar que a pobre Caldense finalizou 12 vezes e 11 chutes foram oriundos da intermediária, evidenciando que a marcação atleticana funcionou, já que o adversário conseguiu entrar na área atleticana para finalizar apenas uma vez. A única boa chance da Caldense foi em finalização de Neto Costa, ainda no primeiro tempo, quando Rafael fez uma grande defesa.

Já o Atlético voltou do intervalo sabendo que estava classificado, visto que a Caldense precisava de cinco gols na segunda etapa e isso era impossível pelo domínio atleticano. Por isso, El Turco aproveitou para promover mudanças e mexeu bastante no time na segunda etapa.

Ainda na volta do intervalo, Mariano substituiu Guga. Aos 15, Ademir entrou na vaga de Zaracho. Nove minutos depois, Allan e Keno saíram para as entradas de Otávio e Dylan Borrero, respectivamente. Por fim, aos 34, Fábio Gomes recebeu a chance de retornar à equipe quando Sasha deixou o campo.

E as mudanças surtiram efeito rapidamente. Logo depois de Keno cabecear com perigo e obrigar Renan Rinaldi a fazer ótima defesa – vale destacar a ótima cobrança de escanteio de Nacho Fernández -, o outro ponta alvinegro ampliou para o Galo. Aos 19, Rubens fez um lançamento inacreditável para Ademir e o “Fumacinha” dominou com perfeição nas costas da defesa. Com isso, o ponta estava livre e bateu de direita para balançar as redes da Caldense: 3 a 0 para o Atlético, em ótima assistência do jovem Rubens.

A equipe classificada ainda chegou com perigo aos 28, em ótimo cruzamento de Mariano e finalização de Sasha, a qual não entrou por causa de mais uma grande defesa de Renan Rinaldi. Ademir ainda teve uma oportunidade de marcar o quarto gol, aos 37, após lindo passe de Otávio, só que o ponta estava impedido, fazendo com que o jogo terminasse com o 3 a 0 no placar.

A classificação do melhor time

O Atlético atropelou a Caldense. Com duas vitórias na semifinal, após vencer na fase inicial, o Galo derrotou o time de Poços de Caldas três vezes em oito dias e concluiu a sequência de confrontos com um impressionante agregado de 8 a 0.

Em resumo, a Caldense não deu trabalho, não conseguiu competir e sequer balançou as redes do adversário, enquanto o Galo dominou, teve uma ótima atuação e ainda descobriu uma joia. Rubens foi muito bem nas duas partidas como lateral-esquerdo e deu uma linda assistência, coroando a sua grande oportunidade como titular do time profissional.

O domínio atleticano foi visto durante quase toda a fase inicial. O Atlético venceu as duas partidas mais importantes da primeira fase – os clássicos contra América e Cruzeiro – e tropeçou apenas contra o Villa Nova e URT. O deslize frente à equipe de Nova Lima foi logo na primeira rodada e os ambos os jogos foram com a equipe reserva, ou seja, o time do titular do Galo passou por cima dos adversários.

São 11 vitórias em 13 jogos. São 28 gols feitos e apenas cinco tentos sofridos, sendo este o menor número do Atlético neste formato do estadual, ressaltando quão bem está a defesa. Além disso, em um recorte da temporada, o Atlético saiu de campo vitorioso nas últimas nove partidas, tendo apenas um empate contra o Flamengo em meio a esta sequência, mas o time alvinegro acabou vencendo nos pênaltis.

Para se tornar campeão do Campeonato Mineiro pela 47ª vez, basta dar sequência ao bom momento e vencer o seu maior rival novamente. Seria a quinta taça em menos de um ano para o Clube Atlético Mineiro. Não faltam estímulos!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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