Cruzeiro vence o Athletic novamente e garante retorno à final do Mineiro depois de 1028 dias

Vitor Roque marcou mais um gol importante para a Raposa. Foto: disponível no Twitter do Cruzeiro

Duas vitórias tranquilas confirmam o fim de um tabu angustiante. O Cruzeiro Esporte Clube, vencedor do Campeonato Mineiro em 38 oportunidades, ficou 1028 dias longe de uma final de estadual. Após conquistar o título em 20 de abril de 2019, a equipe sequer se classificou para a fase final em 2020 e foi eliminada na semifinal em 2021. Porém, quase três anos depois, o Cruzeiro está de volta à final do Mineiro!

O time azul celeste garantiu a vaga com certa tranquilidade e ficou claro que o tabu de não alcançar a fase final não foi sentido pelo remodelado elenco cruzeirense. O Cruzeiro venceu de forma tranquila o Athletic, equipe que foi a sensação do Campeonato Mineiro, mas não conseguiu se impor na semifinal.

Os problemas da equipe de São João del-Rei contra os clubes de Belo Horizonte ficam evidentes ao expor alguns números. O Athletic fez oito jogos contra os times do interior e venceu todas estas partidas. No entanto, contra os elencos mais fortes, a equipe entrou em campo cinco vezes e perdeu quatro jogos, além de um empate frente ao América.

Mesmo assim, o Athletic foi muito bem no Campeonato Mineiro, deixando ainda maior o feito cruzeirense. A Raposa venceu o Athletic com tranquilidade no meio de semana por 2 a 0 e triunfou novamente neste sábado, 26. Com mando de campo do rival, mas com maioria da sua torcida, o Cruzeiro bateu o Athletic por 2 a 1 graças aos gols de João Paulo e Vitor Roque.

Dois anos depois, o Cruzeiro está de volta!

Foram anos complicados para o cruzeirense. O torcedor ficou as duas últimas edições do Campeonato Mineiro longe da final. Além disso, o clube ficou na Série B do Brasileirão nas últimas temporadas e tem o retorno à elite como grande obrigação. Porém, com passos lentos, contudo, aparentemente certeiros, o Cruzeiro está retomando o seu protagonismo dentro das quatro linhas.

A verdade é que esta retomada não cairá do céu. A reconstrução deve ser bem-feita desde a estrutura do time e o torcedor aprendeu isso nos últimos anos. E a felicidade cruzeirense pode ser explicada pela mudança na realidade esportiva em comparação com as temporadas passadas. A classificação deste sábado faz com que o Cruzeiro, finalmente, retorne ao posto que era tão acostumado.

1028 dias depois, o Cruzeiro é finalista do Campeonato Mineiro. Obviamente, ao analisar a questão competitiva, chegar à final não garante nenhuma glória, porém retornar à decisão é se reafirmar no cenário de Minas Gerais. Pelo investimento e elenco, a Raposa não possui a obrigação de conquistar o estadual, mas batalhará por esta taça que pode dar muita confiança ao time no restante da temporada.

O provável adversário cruzeirense carregará o favoritismo. O Atlético tende a se classificar no domingo, às 18 horas, contra a Caldense. Logo, a final do estadual, a qual será disputada no próximo sábado, 02 de abril, às 16:30, sendo esta a primeira final com o novo regulamento de decisão em jogo único, contará com os dois maiores clubes de Minas Gerais, assim como em 2019.

Naquela oportunidade, o Cruzeiro participou pela última vez de uma final e também foi a última taça levantada pelo lado azul de BH. Chegou a hora de retornar às glórias?

Faltas, gols e várias emoções

O jogo começou quente desde os primeiros segundos. Com menos de 15 segundos, Vitor Roque acelerou pela direita e tocou para Waguininho arriscar. O mesmo atacante cabeceou para fora aos 12. Três minutos depois, Rafael Santos cobrou falta e a bola “tirou tinta” da trave. No minuto 20, Waguininho rolou para Machado finalizar e o goleiro Pedro Rocha fez a defesa.

Portanto, a Raposa, mesmo não precisando de marcar gols para chegar à final, começou o duelo de forma bem ofensiva e finalizou oito vezes na etapa inicial, enquanto o Athletic só chutou em três oportunidades. No entanto, foi o número de faltas que chamou a atenção. Com 10 faltas nos 14 primeiros minutos e 21 no total do primeiro tempo, Cruzeiro e Athletic estavam cometendo muitas infrações e, até por isso, todos os gols surgiram a partir de faltas ou pênaltis.

Aos 35, Vitor Roque entrou na área, jogou a bola na frente e recebeu um “pontapé”. O zagueiro Danilo errou, de forma bisonha, o desarme e acertou claramente a panturrilha da promessa cruzeirense. Na cobrança do pênalti, João Paulo rolou com muita tranquilidade no canto esquerdo do goleiro e comemorou.

Porém, cinco minutos depois, o Athletic empatou através de um pênalti também. Raphael Lucas estava dentro da área e tentou chutar. A bola explodiu na coxa de Machado e ainda bateu no braço do camisa 23. É evidente que o braço do volante estava aberto, mas o toque na perna fez com que a marcação do juiz, após verificar o VAR, tenha sido errada. Enfim, pênalti incorretamente marcado, mas Raphael Lucas bateu com perfeição, assim como João Paulo: no canto esquerdo, enquanto o arqueiro adversário foi à direita.

O Athletic empatou a partida, mas a vantagem durou poucos minutos. Em cobrança de falta de João Paulo, Waguininho ajeitou com o ombro – ou no início do braço, mas nada faltoso pela posição natural – na segunda trave e Vitor Roque estava bem posicionado para desempatar a partida. Com a perna esquerda, Roque marcou o segundo gol cruzeirense e saiu para comemorar. Fim de papo em um primeiro tempo movimentado e faltoso.

O Athletic foi parado e o Cruzeiro classificou

A segunda etapa foi tão faltosa quanto o primeiro tempo e teve um alto número de cartões – nenhum cruzeirense está suspenso para a grande final. Entretanto, o cenário foi diferente, visto que o grande protagonista da etapa final foi o goleiro Rafael Cabral. Por causa do arqueiro, a bola não balançou as redes nos 45 minutos finais.

Rafael começou a se destacar com uma defesa simples no meio do gol aos 2, em cabeceio de Sidimar. Depois disso, o arqueiro fez belas intervenções, como em cobrança de falta, no minuto 10, do experiente Ricardo Oliveira. Mais próximo do fim do jogo, na “pressão final” do Athletic, a bola foi levantada na área e o zagueiro Danilo cabeceou, porém Rafael pulou e fez outra grande defesa.

O goleiro ainda foi protagonista de uma jogada aos 47, quando o “Pastor”, como é chamado o atacante Ricardo Oliveira, recebeu ótimo passe pela esquerda, chutou forte e Rafael Cabral fez mais uma grande defesa. A única boa chegada do perigoso, contudo, impreciso Athletic que não contou com participação de Rafael Cabral foi no minuto 39, quando William Oliveira errou passe na defesa e Mococa aproveitou, mas perdeu uma grande oportunidade ao finalizar para fora.

Já o Cruzeiro usou a segunda etapa para fazer mudanças. Os “amarelados” Fernando Canesin, Rômulo, Vitor Roque e Waguininho deixaram o campo para as entradas de Pedro Castro, Geovane Jesus, Vitor Leque e Marcelinho, respectivamente. Já Machado saiu por lesão e possibilitou a entrada de Adriano.

A equipe classificada chegou com perigo apenas duas vezes na segunda etapa. Aos 22, Vitor Leque acelerou pelo meio, teve liberdade e chutou com a chapa do pé de fora da área, mas não acertou o alvo. Já no fim, no início dos acréscimos, Pedro Castro recebeu de João Paulo, finalizou e obrigou Pedro Castro a fazer boa defesa.

Uma classificação merecida

Foram duas vitórias conscientes e tranquilas. É certo que Rafael Cabral apareceu mais do que deveria no segundo tempo do jogo de volta, com três grandes defesas, mas essa não foi a tônica do confronto. A pressão do Athletic só aconteceu porque o jogo estava, praticamente, definido.

Depois de iniciar o confronto sem a vantagem de se classificar com dois resultados iguais, o Cruzeiro se impôs rapidamente e fez três tempos perfeitos, onde garantiu a classificação. Com o 2 a 0 no placar da última terça-feira e o marcador indicando 2 a 1 no intervalo do jogo deste sábado no Mineirão, a Raposa se deu ao luxo de tirar o pé e, por isso, viu Rafael brilhar.

Este jogo terá um significado diferente para o arqueiro, assim como o clássico contra o Atlético teve. É importante destacar que Rafael Cabral tem a complicada missão de substituir o jogador que mais vestiu a camisa azul celeste. Fábio é uma “entidade” dentro do Cruzeiro e o substituir não é fácil, porém o goleiro, após não passar confiança nos jogos iniciais, vem de boas partidas e foi o grande destaque daesta vitória. Pode ser muito bom para a Raposa contar com um goleiro em ótima fase justamente na final do estadual!

O Cruzeiro se classificou com duas vitórias e com boas atuações. A equipe mereceu a vaga na final do Campeonato Mineiro de 2022 e irá entrar em campo no próximo sábado. Serão 90 minutos para definir o dono de Minas Gerais e a Raposa sabe que tem chances reais de retomar o caminho das conquistas. Será uma semana importante!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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