Banco que ganha jogo! Nacho resolve e Atlético praticamente confirma o 1º lugar do Mineiro

Nacho marcou o gol da vitória do Galo! Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

O Clube Atlético Mineiro montou uma equipe para ser dominante na América do Sul, tanto que disputou a semifinal da última Libertadores e venceu todos os outros torneios que disputou de 2021 para cá. Nesta montagem do elenco, o clube, obviamente, deve contratar atletas úteis que fiquem no banco de reservas. E isso ficou claro em Governador Valadares.

O Atlético estava desfalcado de alguns jogadores, porém, mesmo assim, colocou uma escalação muito forte como titular, tendo assim um ótimo time misto. Todavia, o clube só foi marcar o gol da vitória após quatro substituições, onde entraram atletas protagonistas, como o autor do gol Nacho Fernández, e coadjuvantes, como Dylan Borrero.

A equipe, que domina Minas Gerais desde 2020, ganhou tudo no Brasil em 2021 e deseja erguer o título continental, deve ter confiança nos seus reservas. E, aparentemente, estas partidas iniciais estão gerando bons resultados. O Galo não fez uma partida perfeita e é importante destacar que o primeiro tempo foi bem ruim, onde faltou criatividade, mas a etapa final, mesmo antes das substituições, foi muito boa e o time mineiro mereceu mais uma vitória: 1 a 0 para o Atlético contra o Democrata de Governador Valadares, no estádio Mamudão.

A tabela

A torcida gritou que o Galo ganhou mais uma vez e a partida decidida por Nacho Fernández praticamente confirmou a liderança atleticana no estadual. A equipe alvinegra da capital tem 25 pontos, disparou na primeira posição e abriu seis pontos de vantagem para Athletic e Cruzeiro, equipes que ainda possuem duas partidas para realizar.

Como o saldo do Atlético é de 15 gols e o time tem seis e oito tentos de saldo a mais que os rivais, respectivamente, apenas goleadas de Athletic ou Cruzeiro nas últimas rodadas e uma derrota, em casa, do Galo contra a Caldense tiraria o time de Nacho e companhia da liderança.

A verdade é que o Atlético tende a cumprir a sua “obrigação” e encerrar a primeira parte do Mineiro como líder geral, sem grandes problemas.

As mudanças iniciais

A grande curiosidade antes do início da partida foi a escalação, visto que titulares como Everson – devido à pancada com Edu no último jogo – e Hulk – porque está com COVID-19 – sequer viajaram para Governador Valadares. O lesionado Mariano e o suspenso Guga também ficaram fora. Por fim, Dodô estava gripado e não foi relacionado para a partida de última hora.

Além destas ausências e da falta de Zaracho que ainda está retomando a forma física, o técnico Antonio El Turco Mohamed optou por deixar Godín e Nacho Fernández no banco de reservas. Mesmo assim, o time mineiro entrou em campo com três zagueiros de origem e um esquema ousado: 4-2-4.

Como Mariano e Guga ficaram fora, Turco escolheu Nathan Silva pela direita, a fim de contar com um lateral mais defensivo. Nathan teve a companhia de Igor Rabello e Réver, além de Rafael na meta, substituindo Everson. Logo, o Atlético entrou em campo neste jogo com Everson; Nathan Silva, Igor Rabello, Réver e Arana; Allan e Jair; Ademir, Vargas, Sasha e Keno. Ao olhar as peças, um esquema com três zagueiros se torna o assunto, mas não foi a realidade.

É crucial destacar que nos momentos ofensivos e na construção, Nathan ficou mais preso, participando do trio de zaga na saída de bola, mas o zagueiro, de forma improvisada, teve a mesma liberdade dada para Mariano e Guga, laterais de origem. Portanto, foi uma partida que o Atlético jogou com três zagueiros de origem, porém seguiu com a mesma ideia tática. Além disso, vale ressaltar que Nathan Silva fez uma boa partida.

Faltou qualidade!

Foi um jogo complicado no primeiro tempo, mas a dificuldade foi enfrentada pela audiência, visto que faltou qualidade no Mamudão. É claro que o gramado do campo em Governador Valadares é uma possível justificativa para o problema na organização de jogadas, já que a bola não estava rolando. Entretanto, é necessário destacar a marcação do Democrata e a baixa criação atleticana.

O time mineiro finalizou três vezes nos 45 minutos iniciais. No início, Vargas tocou para Sasha e o atacante rolou para Keno, atacante que abriu para Arana cruzar. A única boa trama ofensiva atleticana no primeiro tempo acarretou um cruzamento do lateral e Sasha cabeceou para fora.

A próxima finalização aconteceu após novo cruzamento. Ademir recebeu de Vargas, cruzou para a área e Keno não conseguiu cabecear. Na sobra, Sasha arriscou, não pegou bem e a bola foi no meio do gol. A outra finalização aconteceu em falta de longa distância cobrada por Arana – o chute acertou a defesa do Democrata.

A falta de criatividade do Atlético na etapa inicial passou muito pela falta de um criador. Allan e Jair estavam bem marcados pelo Democrata e os quatro atacantes até se movimentaram, mas não conseguiram organizar grandes jogadas. Enquanto isso, no primeiro tempo, o time de Governador Valadares finalizou duas vezes e ambas não acertaram a meta de Rafael. Um primeiro tempo sonolento.

Da água para o vinho

O primeiro tempo não teve qualidade e todos os telespectadores ficaram desanimados. No entanto, para a alegria dos atleticanos, a etapa final começou de uma forma bem diferente, mesmo levando um tempo para abrir o placar.

Logo no início, Vargas já mostrou que a equipe estava diferente e arriscou em uma falta de longa distância, porém a cobrança ficou na barreira. Na sequência, Guilherme Arana rolou para Sasha e o chute do camisa 18 obrigou Lucão a fazer uma ótima defesa – ele espalmou para o meio da área e a defesa afastou.

O Atlético quase abriu o placar aos 13, quando Keno fez ótimo cruzamento pela esquerda e encontrou Vargas. O chileno bateu de primeira e Ademir quis completar, mas não finalizou da forma correta e Lucão fez uma grande defesa, tirando a bola em cima da linha. No entanto, este lance já estava corretamente anulado pela arbitragem porque Ademir estava impedido.

Esse quase gol deu mais ânimo para o Galo que acertou a trave duas vezes em sequência. Keno estava com a bola na esquerda e rolou para Sasha arriscar, logo na entrada da área. O chute do camisa 18 foi muito bom e Lucão ficou apenas olhando, mas o azar atleticano foi que a bola explodiu no pé da trave. Logo no minuto seguinte, Keno cobrou uma falta lateral, pela esquerda, e a bola foi caindo até bater no travessão do Democrata, arrancando os gritos de “quase” da torcida.

Portanto, é possível dizer que foi uma mudança da água para o vinho. Após um primeiro tempo fraco, com apenas uma finalização certa – e este chute não levou riscos à meta de Lucão -, o Galo finalizou seis vezes, colocou duas bolas na trave e se impôs dentro da partida.

As mudanças fatais

Enquanto a escalação trouxe mudanças curiosas, o segundo tempo, depois da transformação atleticana em campo, ficou marcado pelas ótimas substituições de Antonio El Turco Mohamed. O técnico mexeu as suas peças ofensivas e venceu o jogo.

Aos 23, Jair e Vargas deixaram o campo para as entradas de Fábio Gomes e Nacho Fernández, respectivamente. Oito minutos depois, Dylan Borrero e Savarino substituíram os já desgastados Ademir e Keno. Quase nos acréscimos, Tchê Tchê entrou na vaga de Sasha, mas, neste momento, o placar já havia sido aberto em uma jogada de gringos que saíram do banco.

Depois do ótimo início atleticano, o time da capital perdeu um pouco de ritmo e só ressurgiu nos dez minutos finais, quando as mudanças surtiram efeito, principalmente pelo lado esquerdo. Enquanto isso, o Democrata até tentou chegar algumas vezes, mas faltou qualidade para levar real perigo à meta de Rafael.

O gol

Aos 35, Nacho cobrou falta e obrigou Lucão a fazer grande defesa, mostrando que estava ligado na partida. Só que no minuto 40, o argentino não deu chances para o bom goleiro do Democrata. Depois de ótimo desarme de Dylan Borrero na área adversária – o colombiano estava corretamente pressionando a saída de jogo do rival -, Nacho Fernández recebeu assistência de calcanhar e bateu forte, de primeira, com a perna esquerda, para balançar as redes de Lucão. 1 a 0 para o Galo e reclamações do Democrata, mas, aparentemente, as divididas de Borrero não foram faltosas e o árbitro acertou.

Dois jogadores que estavam no banco – Dylan e Nacho – resolveram o jogo. Já o outro protagonista que começou como reserva foi Fábio Gomes. O atacante discutiu com um zagueiro do Democrata, o juiz expulsou ambos após a encarada e a briga quase ganhou outras proporções após Fábio se irritar com a ação do adversário no seu pescoço. Logo, as mudanças foram fatais para o entretenimento e, principalmente, para o resultado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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