Vitor Roque: comparar com Ronaldo é exagero, mas tratar como uma joia é obrigação

Vitor Roque atuando no clássico frente ao Atlético. Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Por Pedro Bueno

Quantas vezes os torcedores de futebol já se iludiram com uma promessa? Milhares de vezes. Esta quantidade é inversamente proporcional ao número de grandes revelações ofensivas dos maiores clubes de Minas Gerais. Atlético e Cruzeiro não tiveram excelentes atacantes saindo da base nos últimos anos e existe uma clara defasagem no processo de formação dos times de BH.

No entanto, o cruzeirense acredita que este cenário está mudando. Com cinco participações em gols nas últimas cinco partidas – marcou quatro gols nos últimos três jogos -, Vitor Roque está dando motivos para o torcedor do Cruzeiro se empolgar. Nascido em 2005, o atacante, cria da Toca da Raposa, acabou de completar 17 anos e está se mostrando uma das grandes promessas do futebol brasileiro.

Ao mesmo tempo que é válido se empolgar com as ótimas atuações de Vitor Roque, o Cruzeiro deve ter cuidado, visto que o início de carreira é, na maioria das vezes, instável e não é uma certeza que o atacante seguirá com esta ótima média de gols durante toda a temporada.

Além da calma para entender que Vitor Roque pode apresentar algumas irregularidades, até porque é normal pela idade, é necessário deixar as comparações com Ronaldo e qualquer outro craque bem distantes do jogador. O melhor para Vitor Roque é ser Vitor Roque.

Mesmo com estas importantes questões, o desempenho do atacante e a sua idade fazem com que o Cruzeiro trate este atleta como uma joia e tenha consciência que ele pode ser crucial dentro de campo e no âmbito financeiro.

As comparações

Quantas vezes, depois do surgimento de Pelé, alguns jogadores criados no Santos foram comparados ao Rei do Futebol? Muitas vezes. E na verdade, poucos jogadores, como Neymar e Robinho, conseguiram ter sucesso. Outros casos de comparação, como o período pós-Zico no Flamengo e outros ídolos que deixaram lacunas, também podem ser utilizados para ter a certeza que estas comparações são exageradas e desnecessárias.

Alguns torcedores comparam Vitor Roque com Ronaldo por dois motivos. O primeiro é que trata-se de um jovem promissor surgindo no Cruzeiro e marcando gols, inclusive no clássico. Ronaldo, em 1993 e 94, e Vitor Roque, em 2022, conseguiram estes feitos com 16 ou 17 anos. A outra questão é ainda mais evidente: como Ronaldo Nazário é o atual dono do clube, a imagem do histórico atacante está em evidência e as comparações são recorrentes.

Entretanto, elas não são tão positivas. Vitor Roque não surgiu para ser um Ronaldo Fenômeno, até porque a carreira construída pelo atual dono do Cruzeiro é impressionante e o coloca como um dos três melhores centroavantes da história, se não for o melhor. Logo, comparar uma jovem promessa com um jogador tão histórico como Ronaldo acaba aumentando muito as expectativas e pode ser prejudicial para a carreira do jovem.

Ronaldo marcou 56 gols em 58 jogos pelo Cruzeiro, um número absurdo. Para ter a mesma média, Vitor Roque teria que marcar gols em todas as partidas deste ano. A média recente é boa, mas conseguir essa façanha seria algo impressionante e o atleta de 17 anos não deve ser cobrado a fazer isso.

Evitar comparações com Ronaldo não é menosprezar Vitor Roque, mas sim deixar que o jovem seja ele mesmo, sem tantas pressões. A qualidade com a bola nos pés irá dizer onde Roque chegará.

Ele tem talento e estrela

As comparações são exageradas e desnecessárias. Isso é claro. Todavia, elas só existem porque o jogador apresentou muita qualidade nas últimas partidas e deu esperança a uma torcida carente de grandes jogadores nos últimos anos.

Vitor Roque nasceu em 28 de fevereiro de 2005, em Timóteo-MG, ou seja, completou recentemente 17 anos. Trata-se de um adolescente que está começando a sua história no futebol. É muito cedo falar até onde Vitor Roque vai, até por isso as comparações são equivocadas. Entretanto, ele já demonstrou talento e estrela suficiente para se colocar como uma joia cruzeirense.

Vitor Roque foi utilizado em cinco jogos em 2021 e não teve grandes atuações. Na sua estreia, o jogador passou por uma situação inusitada porque entrou e saiu na mesma partida, já que ele não conseguiu ir bem fisicamente e sentiu a intensidade do profissional. Melhor preparado, Roque estreou com Paulo Pezzolano em 12 de fevereiro e entrou em campo em todas as partidas seguintes.

Atuando pela direita ou centralizado, Vitor Roque deu uma assistência contra o Tombense, “passou em branco” contra o Uberlândia e desencantou contra o Villa Nova. Depois disso, o atacante marcou dois gols, em um curto espaço de tempo, contra o Sergipe, pela Copa do Brasil, e o seu feito mais impressionante foi no fim de semana passado. Roque marcou o primeiro gol contra o Atlético, no grande jogo de Minas Gerais. Talento para marcar os gols e estrela para aparecer em um clássico deste tamanho.

As características

As atuações de Vitor Roque falam por si só. Nestas cinco partidas que ele esteve em campo, o atacante foi titular apenas duas vezes, mas Paulo Pezzolano sabe que terá que dar mais oportunidades para o jovem atuar. Além dos quatro gols e uma assistência em cinco partidas, as características de Vitor Roque chamam a atenção.

Como um bom atacante, Roque finaliza de qualquer forma, independente da situação. Em um time que apresentou problemas ofensivos em 2021 como o Cruzeiro, ter um “chuta-chuta” é crucial para se aproximar dos gols.

O atleta atuava como centroavante na base, porém, no profissional, teve mais chances como ponta-direita, apresentando esta importante polivalência para o treinador da Raposa. Além disso, com a saída de Moreno e Thiago, Roque é a opção ideal em caso de ausência de Edu. E foi isso que aconteceu no último fim de semana.

Após a lesão do camisa 99, Roque deixou a ponta, foi centralizado e subiu em meio a defesa do Atlético para enlouquecer os cruzeirenses. Um gol em clássico já seria marcante, mas a atuação chamou a atenção, dando evidência a uma importante característica do atacante: a força física. O jogador não teve problemas para disputar algumas jogadas com a forte defesa do Atlético e se impôs. Ele é diferente.

O futuro…

Ninguém pode afirmar qual será o futuro de Vitor Roque.

O atacante pode ser uma das maiores revelações do futebol brasileiro e ser vendido pelo Cruzeiro por milhões de euros para a Europa nos próximos anos. Até por isso e devido ao terrível momento financeiro da Raposa, o time mineiro deve tratar Roque como uma verdadeira joia, visto que uma venda futura, além do desempenho esportivo, é crucial para a equipe.

No entanto, o jovem pode ter uma queda e não apresentar todo o seu potencial. Obviamente, todos esperam que realmente esteja surgindo um grande nome em Minas Gerais, mas o futebol é incerto e cravar como um jogador de 17 anos irá evoluir é muito complicado. Apenas o futuro dirá se Vitor Roque será um jogador marcante, um atleta comum ou apenas uma promessa que não deu certo.

E estas incertezas são positivas para o atleta, visto que ele não precisa ser o novo Fenômeno. Ele deve ser o Vitor Roque e ponto final. As comparações são chatas, exageradas e desnecessárias. O adolescente tem que ser ele e desempenhar o melhor futebol possível.

Enquanto isso, o Cruzeiro e o torcedor ficarão atentos às atuações. Roque se mostrou especial e o futuro pode ser promissor. Vamos aguardar!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Eduardo santiago

Olá pessoal !
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