O Galo ganhou, mas as atuações evidenciam quão crucial é a presença de Zaracho

Matías Zaracho retornou aos treinamentos nesta semana! Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

É, o Galo ganhou. Mais uma vez. Isso é claro ao olhar os resultados. O Atlético está iniciando a sua temporada de 2022 com o “pé direito”: venceu a Supercopa do Brasil, erguendo assim a única taça possível até então, está na liderança do Campeonato Mineiro e bateu os rivais América e Cruzeiro no estadual.

O início de temporada costuma ter algumas irregularidades e os resultados ajudam a sustentar um início de trabalho. Antonio El Turco Mohamed está tendo tranquilidade para começar a sua trajetória no Galo porque conseguiu as vitórias necessárias nestes dois primeiros meses da temporada .Até por isso, este início de 2022 serve para algumas conclusões e algo ficou claro nas últimas semanas.

O Atlético entrou em campo contra o Flamengo e venceu nos pênaltis, mas apresentou problemas na construção de jogadas. O mesmo aconteceu no último domingo, contra o Cruzeiro. O time alvinegro dominou e finalizou mais vezes que o rival, porém não conseguiu ter a intensidade e imposição que costuma ter na organização das tramas ofensivas. E o porquê deste problema é a falta de um argentino.

Matías Zaracho está fora desde o clássico frente ao América – quatro jogos de ausência – e as atuações recentes evidenciam quão crucial é a presença do meio-campista de 23 anos. O camisa 15 do Galo tem uma função tática que o faz ser quase insubstituível e o Atlético sentiu a falta do atleta nas últimas partidas, enquanto ele esteve lesionado.

As partidas

O Atlético venceu os seus dois grandes rivais e alguns torcedores, talvez, não tenham visto problemas nas atuações. No entanto, o potencial do time alvinegro, atual campeão de todas as competições nacionais, faz com que seja cobrado um melhor desempenho – e esta cobrança é positiva para o clube ao pensar no restante do ano.

Frente ao Flamengo, contra o Cruzeiro e até mesmo diante do Pouso Alegre – mas esta partida não teve a mesma importância e a mesma força máxima dos outros jogos -, o Atlético mostrou problemas para construir. A tática utilizada foi a bola aérea em muitos momentos, visto que o time não conseguia construir pelo meio. Os três gols contra o Pouso Alegre, o tento de Hulk frente ao Flamengo e o gol de Ademir no clássico são bons exemplos. Portanto, as únicas exceções são o gol de Nacho na Supercopa e a cobrança de pênalti de Hulk contra o Cruzeiro.

A tática de usar a bola aérea é interessante, contudo não pode ser o único artifício. Obviamente, o Atlético passa por uma transição do trabalho de Cuca para El Turco, porém é importante frisar que a utilização deste mesmo método preocupa, ainda mais ao notar que o time não apresentou facilidade para construir.

Principalmente contra Flamengo, onde os marcadores são de alto nível, e Cruzeiro, onde os adversários estavam muito empenhados em fazer uma ótima marcação, o Atlético não conseguiu se desvencilhar pelo meio com a facilidade que o time tinha no fim de 2021. Talvez o clube consiga alcançar aquele patamar no futuro, mas a cobrança passa justamente porque o time pode mais e uma peça se mostra, cada dia mais, fundamental.

A importância do argentino

O problema de construção de jogadas passa por vários pontos. A falta de Junior Alonso na defesa pode ser entendida como o primeiro problema, visto que o zagueiro paraguaio fazia, com muito talento, a saída de jogo. No entanto, o problema no meio-campo tem um longo nome.

Federico Matías Javier Zaracho, atleta que completa 24 anos na próxima quinta-feira, se lesionou – havia jogado cinco das seis primeiras partidas do Atlético na temporada, ajudando o time reserva, além de ser titular no time principal – e ficou fora dos últimos três jogos. E fez muita falta. O jogador é o famoso “motorzinho” da equipe e está em todos os lugares.

Além de auxiliar na saída de bola, recebendo passes de Allan em muitos momentos, Zaracho chega bastante à área, tendo inteligência para se posicionar no lugar certo. O argentino se aproxima com frequência dos companheiros e se mexe em todos os momentos, dando muita dinâmica ao time. Talvez a falta desta dinâmica tenha feito o Atlético ter mais dificuldades nos últimos jogos.

A ausência de Zaracho evidenciou quão crucial ele é dentro do Atlético. Com a sua saída, Nacho Fernández teve que fazer uma função ainda mais desgastante no meio-campo e o ótimo armador argentino não consegue realizar todas estas funções. Logo, a saída de Zaracho deixa um vácuo porque o Atlético não tem nenhum jogador com característica semelhante. Matías pressiona, constrói, dá ritmo, finaliza e desarma. O camisa 15 é um meio-campista completo e é compreensível a dificuldade do Atlético em o substituir.

A boa notícia

A importância de Matías Zaracho é clara. O meio-campo do Atlético com e sem Zaracho são bem diferentes. E isso é normal, visto todo o talento do meio-campista. Entretanto, para não criar uma dependência do estilo de jogo do camisa 15, o técnico El Turco Mohamed tem a missão de introduzir novos conceitos e encaixar atletas que possam substituir Zaracho.

Todavia, a boa notícia é que, aparentemente, o treinador não terá esta preocupação nas próximas rodadas. Matías Zaracho voltou a treinar com bola na segunda-feira, 07, no dia seguinte ao clássico, e deve estar à disposição de El Turco no próximo sábado, 12, contra o Democrata de Governador Valadares.

O Atlético entra em campo apenas com a intenção de garantir a primeira posição geral do Campeonato Mineiro, visto que está classificado. Possivelmente, o treinador irá colocar em campo um time misto, contudo, após uma semana livre, jogar com os titulares não é um grande problema.

O que é certo é que se tem uma escalação ideal do Atlético para 2022, Zaracho deve estar. A dúvida, obviamente, é quem deixa o time titular. A tendência é que Nacho Fernández e Savarino, levando em consideração a última escalação, briguem por uma vaga. Caso El Turco queira manter o esquema com dois pontas tradicionais, Nacho perde espaço. Porém, se o treinador optar por preencher melhor o meio-campo, assim como Cuca fez no fim de 2021, Zaracho é uma boa opção para o lado direito, já que percorre a ponta e o meio.

Matías Zaracho é um jogador completo. Ver o Atlético sem ele é complicado e o torcedor sente falta. E até mesmo as construções de jogadas sentem a ausência do argentino. O camisa 15 é acima da média!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Comentários

Subscribe
Notify of
guest
1 Comentário
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments
Luciano Cadalora

Zaracho faz muita falta. Mas o problema maior chama-se Natcho Fernandes, muita propaganda e pouca bola. Vc ve ele correr a esmo no campo, seria em tese o armador, mas pouco arma, cansa rapido e o Galo fica com menos um no meio. O Turco tem insistido com ele, mas assim como Tche The no inicio de cuca, tem hora que não da mais.