Polêmica, equilíbrio e merecimento: Atlético vence Cruzeiro em clássico de boas notícias

Ademir marcou o gol da vitória e decidiu o clássico, mas uma marcação polêmica do árbitro será bastante discutida. Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

Teve polêmica e teve emoção. Foi equilibrado, mas contou com uma torcida vibrando. Logo, foi um clássico marcante. Atlético e Cruzeiro protagonizaram um bom jogo no Mineirão neste 06 de março e o Galo ganhou por 2 a 1 graças a uma virada no último minuto.

No entanto, além do gol decisivo de Ademir, o clássico ficou marcado por outras razões. Obviamente, a polêmica do pênalti sofrido por Hulk tomará conta das discussões – até porque a marcação é bem discutível e o toque, pelas câmeras disponibilizadas, passa longe de ser evidente -, contudo, o jogo foi bom e carrega boas notícias para ambos os clubes.

Com bastante equilíbrio dentro de campo desde o início, o Atlético viu o Cruzeiro com um elenco claramente inferior, mas com muita determinação e o resultado disso foi uma enorme dificuldade para vencer o jogo – os erros defensivos atleticanos também dificultaram a vitória. Para resolver o jogo, o Galo viu dois jogadores que mereceram vencer: Ademir e Hulk marcaram os gols e demonstraram muita vontade dentro de campo. O merecimento dos três pontos passa pela habilidade de quem saiu do banco e a intensidade de Hulk de sempre estar procurando o jogo.

Já o Cruzeiro saiu de campo sem pontuar e tende a ficar chateado pela marcação do pênalti em Hulk, porém não tem motivos para crer em terra arrasada. O time azul celeste sabia da inferioridade do seu plantel e conseguiu, na entrega, igualar a partida, protagonizando o melhor clássico dos últimos anos. Além disso, o time mineiro viu a estrela de Vitor Roque brilhar e as boas defesas de Rafael Cabral.

Enfim, um bom clássico que irá ser assunto da semana em Minas Gerais por causa da polêmica, do equilíbrio e do merecimento atleticano – leia o tópico sobre merecimento antes de qualquer crítica – na vitória em um clássico que deixou boas notícias.

Um erro recorrente e o empate no placar

O primeiro tempo do clássico contou com boas chances atleticanas, algumas tentativas cruzeirenses e um erro recorrente de ambas as partes.

Tanto o Atlético quanto o Cruzeiro apresentaram problemas durante a temporada de 2022 na saída de bola e demonstraram esta fragilidade principalmente nos 45 minutos iniciais. Os erros da Raposa quase acarretaram um gol atleticano, enquanto a saída ruim do Atlético fez com que o favorito não dominasse o jogo. Teoricamente, o Galo teria o controle da bola, mas a etapa inicial terminou com 51% de posse cruzeirense, ou seja, a saída ruim alvinegra acarretou um equilíbrio no clássico.

Só que o erro cruzeirense quase terminou em gol no início do jogo. Depois de Jair arriscar de fora da área e a bola passar perto da trave direita de Rafael Cabral, o próprio goleiro saiu errado, Keno interceptou e Hulk teve a grande chance da partida. O camisa 7 driblou Rafael Cabral ainda fora da área e bateu de perna direita, mas Hulk estava desequilibrado e acabou errando a finalização, jogando a bola pela linha de fundo.

O time treinado por El Turco Mohamed ainda chegou em finalização perigosa de Savarino, em tentativa de Hulk de bicicleta e em ótimo arremate do artilheiro alvinegro. Já mais próximo do fim do primeiro tempo, Hulk recebeu, girou e chutou. O camisa 7 estava na entrada da área e o chute levou muito perigo, porém Rafael Cabral estava bem posicionado e espalmou para a linha de fundo.

Já o Cruzeiro fez um ótimo primeiro tempo defensivo, deixando poucas brechas para o perigoso rival e marcando de forma intensa e física, mas não conseguiu ser tão incisivo no ataque. Pedro Castro, Edu e Vitor Roque até arriscaram, todavia Everson não fez uma grande defesa. Mesmo assim, por causa da imposição física e equilíbrio notável, os cruzeirenses foram para o vestiário mais satisfeitos que os atleticanos.

Um segundo tempo animado

Em contrapartida à instável primeira etapa, os 45 minutos finais começaram e terminaram com muita emoção. Logo no início, Godín errou a saída de bola e Roque arriscou de fora da área. A bola desviou, mas o jovem já mostrou que estava ligado na partida. Na sequência, a nota infeliz da partida: Everson trombou com Edu e o centroavante teve que sair do estádio por meio de uma ambulância. O camisa 99 está consciente e foi levado ao hospital por precaução.

O Atlético tentou retomar o domínio e chegou bem em ótima jogada de Hulk pela direita, mas Willian Oliveira tirou. Nacho até teve uma grande chance, defendida por Rafael Cabral, porém o impedimento já havia sido marcado. Aos 24, Jair fez boa jogada pelo meio, bateu de perna esquerda e o goleiro cruzeirense fez uma boa defesa no meio do gol. Só que no contra-ataque seguinte, o Atlético foi castigado.

Fernando Canesín acelerou pelo meio, abriu para Bruno José e o ponta cruzou na cabeça de Vitor Roque. O jovem atacante ganhou, com certa facilidade, da dupla de zaga do Atlético e cabeceou para o fundo das redes. Um gol que fez a parte cruzeirense pulsar no Mineirão.

No entanto, o Atlético não desanimou e contou com as boas mudanças de El Turco que colocou Ademir e Vargas aos 19 da segunda etapa, ou seja, minutos antes de Roque marcar. Logo após sofrer o gol de Roque, o Galo chegou em cruzamento do chileno e cabeceio no travessão de Hulk. O camisa 7 ainda arriscou em uma falta e tentou de fora da área, mostrando que estava interessado em empatar para o Galo. E conseguiu.

A virada atleticana

No minuto 38 da segunda etapa, Nacho Fernández, jogador que estava sendo bem contestado, fez um cruzamento pela esquerda e um pênalti contestável foi marcado para o Atlético. Hulk dividiu a bola com Lucas Oliveira e caiu na área. O árbitro Igor Junio Benevenuto marcou pênalti e a torcida cruzeirense, principalmente nas redes sociais, reclamou bastante da marcação. Pela câmera do Premiere, o toque não ficou evidente e existe uma clara dúvida se Hulk foi realmente tocado.

Sem se importar se o lance era polêmico ou não, Hulk pegou a bola, colocou debaixo do braço e marcou o gol de empate. O atacante cobrou no canto direito de Rafael Cabral, goleiro que se adiantou bastante, acertou o canto e mesmo assim não conseguiu evitar o gol atleticano.

Empurrado pela massa atleticana, o Galo chegou mais vezes no fim da partida. Hulk fez lindo passe para Ademir e o atacante quase virou o jogo com a perna esquerda. No entanto, nos longos acréscimos – por causa do atendimento de Edu -, Arana cruzou com perfeição, a zaga cruzeirense ficou olhando e Ademir entrou para chapar com o pé esquerdo para explodir o Mineirão. Virada atleticana e resultado no placar: 2 a 1 para o Galo.

Falar sobre merecimento é complicado, mas…

Na vida, em geral, já é complicado falar sobre merecimento. Nem sempre é realmente merecida tal conquista ou feito. Já no futebol, esta questão é ainda mais discutível, porque dificilmente o futebol é justo. No entanto, a partida desta tarde pode ser vista por duas óticas do merecimento.

O Atlético fez uma partida melhor que o Cruzeiro, levou mais perigo e mereceu vencer porque esteve mais próximo do gol. Até por isso, Rafael Cabral foi um dos destaques da partida. Mas a discussão sobre o pênalti acaba anulando esse discurso de merecimento, visto que torcedores possuem opiniões diferentes acerca do pênalti. Portanto, é complicado falar sobre merecimento da vitória atleticana pela atuação, mas dois atletas alvinegros merecem destaque porque eles realmente mereceram vencer.

O principal nome é Ademir. O jogador começou a partida no banco e ouviu o seu nome ser gritado por 50 mil atleticanos. Antonio El Turco Mohamed atendeu o pedido da massa alvinegra e colocou o “Fumacinha” em campo. E deu certo. Com boas jogadas pela direita, uma grande chance defendida por Rafael Cabral e o gol decisivo, Ademir escreveu um importante capítulo da sua carreira, já que decidiu o grande clássico de Minas Gerais. Ademir batalhou bastante para estar neste nível e mereceu ser o protagonista de um Atlético e Cruzeiro. O “Fumacinha” decidiu!

Já o outro destaque foi Hulk, mesmo perdendo um gol quase feito. A estrela alvinegra foi bastante caçada e foi muito bem marcada pelo sistema defensivo do Cruzeiro, o qual foi muito bem montado. Mas o atacante faz parte deste destaque porque não desistiu e tentou o tempo todo. Mesmo bem marcado, Hulk escapou várias vezes, tentou organizar o desorganizado Atlético, finalizou seis vezes e marcou o gol de empate em cobrança perfeita de pênalti.

Além disso, uma questão rápida: que falta faz Matías Zaracho! Mais uma vez, o meio-campo atleticano sentiu falta do argentino que se recupera de lesão. O camisa 15 é fundamental.

Boas notícias para o Cruzeiro

O resultado não foi bom. O Cruzeiro terminou a rodada do Campeonato Mineiro na terceira posição e ainda tem a missão de garantir a classificação nas últimas rodadas. Mesmo assim, a boa atuação no clássico frente ao poderoso Atlético deixa boas notícias.

O Cruzeiro conseguiu passar por 95 minutos uma segurança defensiva que não havia sido vista em 2022. Só falhou no minuto final, quando Ademir balançou as redes. Mesmo assim, a imposição física cruzeirense acarretou uma grande dificuldade para o rival e atletas, como Rômulo e Lucas Oliveira, fizeram uma grande partida, completando a sua missão de não deixar o adversário ter liberdade. E outros dois nomes merecem destaque.

Obviamente, a estrela de Vitor Roque tem que ser ressaltada. O jovem que completou recentemente 17 anos foi escalado como titular e não sentiu a pressão de estar jogando um clássico deste porte. O camisa 39 procurou o jogo em muitos momentos, incomodou o talentoso Guilherme Arana e abriu o placar. Após a saída de Edu, o atacante foi centralizado e ganhou com facilidade da dupla de zaga do Atlético. Vitor Roque é, sem dúvidas, uma joia a ser lapidada.

Já outro destaque cruzeirense está na meta. Rafael Cabral fez uma ótima partida e se destacou pela primeira vez, podendo assim ganhar confiança no gol da Raposa. O goleiro fez cinco defesas e passou muita segurança, mesmo após errar no primeiro tempo. Obviamente, se Hulk aproveita a falha do arqueiro logo no início do clássico, a história seria diferente, mas com a atuação deste domingo, Rafael Cabral sai “maior” dentro do Cruzeiro do que havia entrado. Uma boa notícia para um setor tão importante.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Teobaldo

“O Atlético fez uma partida melhor que o Cruzeiro, levou mais perigo e mereceu vencer porque esteve mais próximo do gol… Mas a discussão sobre o pênalti acaba anulando esse discurso”.

Excelente síntese do que DEVERIA ser o papel de quem está analisando o jogo, principalmente pelo rádio que tem um alcance mais amplo e imediato.