Brilhou a estrela do contestado Fábio Gomes e o Galo ganhou o jogo do “chuveirinho”

Ele decidiu: Fábio Gomes entrou e fez o gol da vitória. Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

É, o Galo ganhou mais uma vez, mas, desta vez, houve mais emoção do que todos os atleticanos esperavam. O time alvinegro abriu o placar, dominou as ações ofensivas e perdeu muitas chances. Foi castigado. O valente Pouso Alegre aproveitou as oportunidades concedidas pelo Atlético, endureceu a partida e apenas um gol nos acréscimos salvou o novo líder do Campeonato Mineiro.

A estrela de Antonio El Turco Mohamed pode até ter brilhado, pois ele que fez a substituição, mas nada é comparado à estrela de um atacante que está sendo contestado, mesmo poucos dias após a sua chegada.

Fábio Gomes não é unanimidade em meio à exigente massa alvinegra. O novo camisa 9 do Atlético não foi tão bem em algumas partidas e até perdeu espaço, sequer sendo titular entre os reservas. Mesmo assim, a única contratação do ano que o Galo desembolsou um certo valor – um milhão de dólares – decidiu a partida com um belo gol de cabeça e colocou o seu time na liderança do Campeonato Mineiro.

O tento marcado por Fábio decidiu um animado 3 a 2 no estádio Manduzão, neste 26 de fevereiro de 2022, mas a partida do Atlético frente ao Pouso Alegre ficará marcado por ser o jogo do “chuveirinho”.

Todos os gols surgiram a partir da bola áerea. Várias chances perdidas, principalmente pelo Atlético, também tiveram a mesma origem. Os dois clubes estavam calibrados na jogada pelo alto, mas a qualidade do Atlético sobressaiu. De toda forma, para um time que sequer vencer neste Mineiro, o Pouso Alegre ganhou muita confiança e pode se inspirar nesta atuação para sobreviver na elite do estadual.

A estrela de Fábio Gomes

O jogo estava se encaminhando para o fim. Atlético e Pouso Alegre tiveram oportunidades, mas o placar de 2 a 2 – construído pelos dois gols de Eduardo Sasha e os dois gols de Ramon – se arrastou até os 47 do segundo tempo. A grande questão é que dois minutos antes o técnico do Galo havia colocado em campo o “predestinado”.

No minuto 45, Antonio El Turco Mohamed fez a sua última pausa para substituições. O treinador já havia realizado três mudanças em duas pausas e fez uma modificação “controversa” aos 90.

O técnico do Galo tirou Eduardo Sasha, autor de dois gols na partida, e colocou Fábio Gomes, atacante que não é tão querido por uma parcela de atleticanos. A substituição pode até ter sido criticada pelos torcedores do Atlético que estavam assistindo o jogo, mas é indiscutível que deu certo.

Fábio Gomes foi contratado para fazer gols e decidir jogos. Este foi o primeiro. O atacante recebeu ótimo cruzamento de Nacho Fernández – atleta que também saiu do banco de reservas – e marcou. Normalmente, gols que foram originados de escanteio não são tão bonitos, mas o tento marcado por Fábio Gomes foi bem bonito: movimento bem executado com a cabeça que encontrou o ângulo direito do goleiro Cairo e o defensor do Pouso Alegre até se esforçou, mas a bola balançou as redes.

As críticas recebidas por Fábio Gomes, talvez, tenham sido mais duras do que deveriam. O atacante chegou para ser uma opção para o segundo tempo, visto que ninguém imagina que ele vai “roubar” a posição de Hulk, e ele fez o seu papel nesta tarde. Um gol importante que deu três pontos para o Galo. Além disso, o time só se tornou líder do Mineiro por causa do brilho do atacante atleticano. Os torcedores, certamente, querem que ele siga desta forma, resolvendo jogos.

O jogo do “chuveirinho”

Foram 19 cruzamentos do Pouso Alegre e 20 bolas aéreas do Atlético. Não foram números tão exagerados, mas a grande questão que faz com que este jogo seja chamado de “jogo do chuveirinho” é que os times apresentaram grande efetividade na bola aérea e todos os gols surgiram a partir desta jogada.

Cinco gols. Cinco cruzamentos que resultaram em gol. O Atlético abriu o placar em escanteio cobrado por Guilherme Arana e belo cabeceio de Eduardo Sasha. O “substituto” de Hulk ainda viria a marcar o segundo gol, também em jogada aérea, só que antes o zagueiro Ramon, estreante da tarde, empatou a partida, em rebote de escanteio no início do segundo tempo. Depois da zaga atleticana tirar a bola pelo alto, a bola foi levantada novamente e Ramon cabeceou para o fundo das redes.

Depois disso, o Atlético fez com Sasha um gol que parecia replay. Ademir recebeu lançamento pela direita – ótimo passe de Guga – e cruzou para a área com a perna esquerda. A bola encontrou a cabeça de Eduardo Vargas e o chileno cabeceou para o meio, encontrando um companheiro livre para marcar. No último domingo, frente ao Flamengo, o gol foi marcado por Hulk. Desta vez, a possível jogada ensaiada do Atlético resultou em mais um gol de Eduardo Sasha.

Após mais uma bola levantada na área resultar em gol, o Pouso Alegre acreditou que poderia conseguir marcar desta forma novamente. E conseguiu. Depois de tentar levantar a bola na área e não ter sucesso, Foguinho cruzou novamente e Ramon estava livre para testar mais uma vez. Segundo gol do zagueiro em segunda desatenção atleticana.

No entanto, como dito acima, Fábio Gomes estava predestinado a resolver a partida. O atacante aproveitou mais uma bola aérea e testou firme para decidir o jogo do chuveirinho. Sorte do Galo que teve mais efetividade nas tramas, porém o Pouso Alegre também teve méritos de conseguir ir bem nessas jogadas e pode aproveitar esta artimanha para conseguir pontuar contra times mais modestos.

A curiosa distância entre Allan e o gol

Normalmente, o ótimo volante Allan atua bem longe do gol adversário. Como primeiro volante e homem que dita o ritmo do Atlético, o camisa 29 participa ativamente da construção das jogadas, porém raramente está perto das conclusões e é, curiosamente, o único titular de linha que não marcou gols pelo Atlético – Allan tem apenas um gol como profissional.

E assim, o torcedor atleticano nem reclama de Allan não marcar gols, até porque ele é um dos destaques do time e realiza com perfeição a sua função. No entanto, o próprio jogador mostrou no fim de 2021 e neste início de ano que deseja balançar as redes pelo Galo, mas não tem a confiança necessária.


No fim da última temporada, quando o Atlético estava com o Brasileirão quase resolvido, Allan começou a arriscar bastante e quase marcou um gol, pisando na área, frente ao Red Bull Bragantino. Em 2022, nas partidas do estadual, Allan tentou aproveitar de uma forma mais adequada as chances, mas não conseguiu ir bem.

E quase que este “jejum” acabou nesta partida. Após exercer com muita qualidade a pressão no campo adversário, uma das melhores características do volante, Allan roubou a bola e teve uma grande chance, frente a frente com o goleiro do Pouso Alegre. Eduardo Sasha estava livre dentro da área e poderia apenas empurrar para as redes, colocando 2 a 0 no placar, mas Allan optou por tentar marcar o seu gol e parou no goleiro, mais uma vez.

O gol não saiu e está tudo certo. A questão é que a situação se tornou curiosa. No último domingo, Allan, aparentemente, pediu para ser substituído antes das penalidades máximas, porque, certamente, o volante não tem a confiança necessária para marcar gols e era muito importante ir bem nesta cobrança. Só que menos de uma semana depois, Allan optou por finalizar a chance que teve, em vez de tocar para Sasha, mostrando que o gol é importante.

A massa atleticana reconhece que Allan joga muito. Siga tranquilo, camisa 29, o gol sairá em algum momento em meio às suas ótimas atuações!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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JOSE HELDER

Treis lições tiradas deste jogo:
1)É inacreditável como toda bola aérea na zaga do Atlético continua sendo gol do adversário ou real perigo de gol…o Turco tem que resolver isso rápido!
2)Pelo amor de Deus, este menino Guga não tem a mínima condição de vestir a camisa do Galo…a cada oportunidade dada á ele essa comprovação fica mais claro;
3)É inadmissível um jogador do nível do Vargas ERRAR tanto passes num jogo, bem como, perder tanta bola nos pés, por pura e simples displicência do próprio jogador…
Enfim, posso estar sendo exigente demais, mas, a conclusão que chego é que a maioria dos reservas do Galo, como demostraram neste jogo, são jogadores com graves defeitos de falta de RAÇA e muito excesso de ficar muito tempo tentando carregar a bola nos pés ao invés de toques rápidos. Este defeito está fazendo com que o NÚMERO DE PASSES ERRADOS do time do Galo a cada jogo seja cada vez maior.

carlos rodrigues ramos

E o panalty claro não marcado a favor do Pouso Alegre? uma vergonha esta roubalheira a favor das frangas

carlos rodrigues ramos

porque não comentaram o assalto que fizeram com o Pouso Alegre, penalty claro contra o galo não marcado