Mesmo correndo riscos desnecessários e com polêmica, Cruzeiro vence e segue em 1º

Bidu marcou um belo gol de falta e comemorou bastante! Foto: reprodução Twitter do Cruzeiro

Por Pedro Bueno

Não parecia ser um jogo complicado, principalmente depois de Matheus Bidu “tirar da cartola” um lindo gol de falta. Após apenas o Cruzeiro jogar, o placar de 1 a 0 ainda no primeiro tempo faria com que o Uberlândia atacasse. E fez. Só que a Raposa errou tanto que deixou o jogo aberto até os minutos finais.

A verdade é que o Cruzeiro correu riscos desnecessários e não conseguiu ampliar a vantagem. No fim das contas, a equipe mineira venceu mais uma vez e segue líder do Campeonato Mineiro, com uma campanha quase perfeita – seis vitórias em sete jogos. No entanto, a atuação da dupla de zaga foi muito preocupante e o desempenho do goleiro Rafael Cabral, em algumas jogadas, chamou a atenção negativamente.

Além dos riscos que poderiam ter sido facilmente evitados pela superioridade do Cruzeiro em relação ao Uberlândia, é importante frisar que houve uma polêmica no segundo tempo. Logo após o segundo gol cruzeirense, a bola claramente bateu no braço de Lucas Oliveira. Entretanto, o árbitro deve ter interpretado que o lance não infringiu a regra e preferiu não marcar o pênalti.

Mesmo com os riscos e a polêmica, o Cruzeiro somou mais um triunfo frente a sua torcida e está confiante. No Independência, o torcedor azul celeste viu seu time bater o Uberlândia por 2 a 1 e ainda presenciou mais um gol de Edu, o goleador do time na temporada. O quarto gol do artilheiro aconteceu minutos após o gol de empate de Naílson, que igualou um placar que havia sido muito bem aberto por Matheus Bidu, em uma cobrança perfeita de falta.

A atuação poderia ter sido melhor, mas o resultado e as respostas podem ser importantes para Paulo Pezzolano e para um Cruzeiro que está muito próximo da fase final do Mineiro.

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Domínio e golaço

Um domínio visível no primeiro tempo desde o minuto inicial. O Cruzeiro encontrou uma equipe que se postou de forma defensiva desde o começo da etapa inicial e teve muitas dificuldades para encontrar espaço. Além disso, o pé do time cruzeirense não estava na “forma”, até que Bidu apareceu.

As primeiras boas chances aconteceram a partir dos 20 minutos com protagonismo de João Paulo. O meia recebeu de Willian Oliveira e bateu de perna esquerda, mas a bola balançou as redes só pelo lado de fora. Na sequência, o mesmo João Paulo fez uma ótima jogada e cruzou para Waguininho quase marcar de peixinho. Depois disso, em um momento em que o Cruzeiro entrou no jogo, Edu recebeu cara a cara e bateu por cobertura, porém a bola foi para fora. Antes da equipe abrir o placar, Waguininho recebeu na esquerda e chutou forte, todavia o arremate explodiu na defesa do Uberlândia.

A posse de bola de 71% colocou o Cruzeiro no ataque, mas as chances foram frustradas: seis finalizações incorretas. Porém, o primeiro chute no alvo foi perfeito e balançou as redes de Rafael Roballo. Em falta lateral pela direita, Matheus Bidu cobrou com a canhota e a sua tentativa foi exemplar: o ala-esquerda colocou a bola no ângulo e o goleiro do Uberlândia nada pôde fazer. Um lindo gol de falta para abrir o placar.

A única boa chegada do Uberlândia no primeiro tempo aconteceu minutos após o time ver o Cruzeiro abrir o placar. Em chute de longa distância, Lucas Coelho assustou Rafael Cabral, goleiro que estava mal posicionado e deu sorte porque a bola foi para fora.

Uma etapa animada

O segundo tempo começou bem mais animado. Após drible seco na entrada da área, Rômulo perdeu uma grande chance aos 8. No minuto seguinte, a defesa do Uberlândia fez belo lançamento e Maurinho acelerou nas costas de Eduardo Brock. O zagueiro cruzeirense ficou para trás e o camisa 7 do Uberlândia bateu, livre, na saída de Rafael Cabral. O chute de Maurinho foi na trave, mas a bola encontrou os pés de Naílson que só empurrou para o fundo das redes.

O Uberlândia empatou logo após o Cruzeiro perder uma grande chance, mas a Raposa não desanimou. No lance seguinte, em bola alçada na área, João Paulo ajeitou de cabeça e Edu dominou livre dentro da área. O centroavante teve tempo para ajeitar o corpo e bater com a perna esquerda no canto de Rafael Roballo, goleiro que sequer chegou na bola – ele falhou.

Mesmo com o 2 a 1 no placar graças a Edu, o time de Belo Horizonte começou a errar bastante e deixou o Uberlândia crescer na partida. Rafael Cabral errou em uma saída de bola, mas o time do Triângulo Mineiro não conseguiu aproveitar a chance e até pediu pênalti, visto que a bola bateu na mão de Lucas Oliveira. Eduardo Brock e Oliveira também erraram passes, porém, por sorte, o Verdão não conseguiu aproveitar. Na reta final, Luanderson arriscou de fora da área e Rafael fez uma defesa estranha.

Contudo, nos últimos minutos, o Cruzeiro voltou a dominar a partida e não correu tantos riscos. Machado tentou duas vezes – em chute dentro da área e em escanteio, tentando o gol olímpico – e Daniel Júnior cabeceou com perigo, após bom chute de Geovane Jesus, mas a bola não entrou mais e o jogo terminou com o placar mostrando 2 a 1, mesmo com os riscos desnecessários que o Cruzeiro correu.

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O goleiro chamou a atenção negativamente

Ele não teve culpa no gol sofrido pelo Cruzeiro. No tento marcado por Nailson, Rafael Cabral abafou corretamente Maurinho e o gol só aconteceu pelo rebote, visto que a bola foi na trave. Logo, o gol marcado por Uberlândia não contou com a responsabilidade do goleiro, porém ele chamou a atenção negativamente em outros lances.

Após o gol de Edu, a Raposa deveria estar tranquila na partida, mas o time iniciou uma sequência de erros, principalmente, depois de um grande equívoco de Rafael Cabral. O goleiro tentou uma saída com os pés, pelo meio, mas acabou colocando Willian Oliveira em uma situação delicadíssima.

O erro de Rafael Cabral fez com que Lucas Coelho ficasse com a bola, todavia o atacante não conseguiu aproveitar corretamente. Em meio às rebatidas dentro da área, a bola bateu na mão de Lucas Oliveira e o toque foi bem claro, mas o árbitro optou por não marcar o pênalti. Como o VAR não é usado, o árbitro não revisou, porém o braço aberto do zagueiro cruzeirense deveria ter sido considerado penalidade máxima, pois não estava na posição natural e interferiu na direção da bola que poderia chegar em um jogador do Uberlândia.

Portanto, Rafael Cabral, em um erro de saída, seria o responsável por gerar um pênalti que poderia fazer com que o Cruzeiro perdesse a liderança. A atuação ruim também contou com uma defesa estranha, onde ele rebateu o chute de Luanderson, a bola bateu no seu joelho e só desta forma saiu pela linha de fundo, passando próximo da sua meta.

As boas atuações de Denivys e os desempenhos contestáveis de Rafael Cabral devem estar pressionando Paulo Pezzolano. Você pode ler mais detalhes desta disputa aqui!

A zaga preocupa

Porém, enquanto a atuação de Rafael Cabral chamou a atenção, mesmo não sendo decisiva, a desatenção da dupla de zaga do Cruzeiro resultou em um gol e a situação poderia ter ficado pior. Com mais sorte do que juízo, Eduardo Brock e Lucas Oliveira concluíram esta primeira partida juntos com uma vitória, mas a atuação não foi nada animadora. Na verdade, foi preocupante.

Na escalação inicial, a dupla de zaga foi formada por Brock e Oliveira porque Sidnei segue fora e Paulo Pezzolano optou por deixar Maicon no banco. Sendo assim, o zagueiro canhoto – Brock – assumiu o lado esquerdo, obviamente, e Oliveira jogou pela direita, porém é possível notar facilmente a desatenção dos atletas quando Brock falha no gol do Uberlândia, pois ele estava pela direita. Logo, a falha foi coletiva, pois Oliveira deveria estar ali e Brock não poderia perder tão facilmente na corrida para Maurinho.

Além disso, Eduardo Brock e Lucas Oliveira chamaram a atenção pela quantidade de passes errados. Na filosofia de Paulo Pezzolano, a saída curta é bem valorizada, visto que é importante construir desde a defesa, porém os zagueiros não ajudaram e colocaram o Cruzeiro em risco.

Assim como a atuação de Rafael Cabral, o desempenho aquém de Eduardo Brock e Lucas Oliveira liga um sinal de alerta, já que o resultado só não foi pior por causa da pequena qualidade do Uberlândia.

Enxergando a atuação ruim da sua zaga, a torcida cruzeirense fica ainda mais preocupada, já que Maicon tem proposta do Santos e ficou no banco nesta partida. Todos sabem que a saída do zagueiro pode colocar em cheque um setor crucial. Olho nisso, Cruzeiro!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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