A mudança nas regras desvalorizou o 1º lugar do Mineiro, permitindo boas rotações dos elencos

O último Campeonato Mineiro foi conquistado pelo Atlético. Foto: Fotos: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

O Campeonato Mineiro de 2022 conta com um novo regulamento para a fase mais decisiva da competição. Diferentemente dos últimos anos, quando o melhor colocado jogava em casa a última partida da final e ainda tinha a vantagem do empate, o estadual teve as suas regras alteradas e a primeira colocação da fase inicial não é mais tão importante.

A partir deste ano, a decisão do Mineiro é realizada em um jogo único, onde o mando de campo é da FMF e não existe vantagem para o melhor colocado, ou seja, caso os finalistas empatem na decisão de 03 de abril, a taça do estadual será decidida nos pênaltis.

Já que a final do torneio é realizada de uma forma pré-estabelecida e com mando de campo da Federação Mineira de Futebol, a primeira colocação da fase inicial não é algo tão desejado como nas últimas edições. Em um olhar geral, ficar na primeira ou segunda colocação não faz tanta diferença para um time que busca a final – só o adversário da semifinal é alterado.

Por causa desta mudança, que é até considerada boa porque essas vantagens para o líder eram mal vistas por uma parte dos torcedores, os times foram “permitidos” a algo muito importante no início de temporada: promover rotações de elenco, sem medo da possibilidade de ficar longe da liderança da fase inicial.

Além desta possibilidade e das predefinições da FMF para a final única, os números históricos também mostram que não é tão crucial ser líder da primeira fase.

A final única

A grande mudança do regulamento do Campeonato Mineiro foi a redução de um jogo e a partida reduzida foi justamente a final. Para ser uma decisão ainda mais atrativa e ajudar os clubes com menos confrontos no apertado calendário do futebol brasileiro, a FMF optou por uma final única.

A grande curiosidade é que este jogo único será disputado em campo neutro – provavelmente no Mineirão – e com mando de campo da própria FMF, ou seja, como a Federação negociou os seus direitos televisivos com a Globo, a final única terá transmissão da TV aberta, independentemente de quais forem os clubes envolvidos – mesmo se o Cruzeiro, única equipe que negociou com outro veículo de comunicação, for finalista, a TV Globo que irá transmitir.

Além disso, os dois times que chegarem à final estarão na mesma situação no jogo único, visto que qualquer empate no tempo normal leva a decisão para os pênaltis. Logo, não faz diferença ser o primeiro ou quarto colocado do Mineiro na final, já que não há vantagem.

A única diferença de ficar nas primeiras colocações do Campeonato Mineiro é que ainda existe a vantagem de jogar por dois empates na semifinal. Porém, como o primeiro colocado enfrenta o quarto e o dono do segundo lugar confronta o terceiro, apenas a ordem dos rivais é alterada.

A rotação dos elencos

Em resumo, a primeira e a segunda equipe da fase inicial do Mineiro terão o mesmo privilégio – jogar por dois placares iguais na semifinal – e não contarão com mais vantagens na hipotética final. Portanto, não é tão importante se esforçar pela primeira colocação e há possibilidades melhores durante a fase inicial, em vez de pensar apenas nos três pontos. E os grandes clubes mineiros, aparentemente, estão entendendo isso.

Desde o início do Campeonato Mineiro, América, Atlético e Cruzeiro estão trabalhando esta primeira fase do estadual como uma possibilidade de testar algumas peças, pensando no importante 2022 que terão. A Raposa e o Coelho mesclaram alguns reservas em vários jogos e utilizaram atletas da base que foram bem na Copinha em algumas oportunidades, enquanto o Galo, com um elenco mais poderoso, está enviando apenas os reservas e jovens atletas para os jogos no interior de Minas Gerais.

E mesmo assim, os resultados estão sendo positivos e os três clubes da capital lideram o Mineiro, ou seja, mesmo utilizando a fase inicial como uma importante fase de testes, as equipes mais tradicionais tendem a se dar bem. Os resultados estão sendo bem aceitáveis e os clubes estão dando chances a jovens atletas, possibilitando descobertas para o restante da temporada.

A grande briga entre estes clubes na fase inicial deve acontecer nas duas rodadas finais porque, mesmo não importando com a colocação final, é importante evitar um confronto na semifinal contra outro time da capital. Atualmente, o América é o terceiro colocado com a mesma pontuação do Athletic, ou seja, em meio à rotação do elenco, Atlético e Cruzeiro podem pensar em como evitar um confronto frente ao Coelho logo na semifinal.

O retrospecto

Após detalhar questões do novo regulamento do Campeonato Mineiro, as quais desvalorizam a primeira colocação do estadual, e elogiar as importantes rotações do elenco feitas por América, Atlético e Cruzeiro, é importante esmiuçar uma questão histórica.

Nas últimas dez edições (2012-2021), o Campeonato Mineiro contou com o mesmo regulamento: semifinal e final com vantagem de dois resultados para o melhor colocado. A vantagem ajudava bastante, mas não era determinante, deixando claro que ficar na liderança da fase inicial não é preponderante para vencer o estadual.

Por isso, o Blog apurou quais foram as equipes que lideraram a fase inicial e quais clubes foram campeões do Mineiro nestas últimas dez edições. Confira abaixo!

  • 2012 | Líder geral: Atlético | Campeão: Atlético
  • 2013 | Líder geral: Cruzeiro | Campeão: Atlético
  • 2014 | Líder geral: Cruzeiro | Campeão: Cruzeiro*
  • 2015 | Líder geral: Caldense | Campeão: Atlético
  • 2016 | Líder geral: Cruzeiro | Campeão: América
  • 2017 | Líder geral: Atlético | Campeão: Atlético
  • 2018 | Líder geral: Cruzeiro | Campeão: Cruzeiro*
  • 2019 | Líder geral: Atlético | Campeão: Cruzeiro
  • 2020 | Líder geral: Tombense| Campeão: Atlético
  • 2021 | Líder geral: Atlético | Campeão: Atlético*

Marcado por negrito, é possível observar todas as conquistas de clubes que foram líderes da fase inicial, ou seja, em dez edições, cinco times com melhores campanhas se sagraram campeões do Mineiro. No entanto, foram marcadas por um asterisco algumas histórias interessantes.

O Cruzeiro de 2014 e 2018 e o Atlético de 2021 foram campeões após realizarem a melhor campanha e só ergueram a taça por causa da liderança na primeira fase. O resultado agregado destas três edições terminaram em empate e o campeão foi decidido pela vantagem dada pela melhor campanha. Logo, em um regulamento diferente, estas finais teriam ido aos pênaltis e os campeões não necessariamente seriam os mesmos.

Logo, o retrospecto deixa claro que não é tão essencial liderar a fase inicial. O mais importante é entender que o início do Mineiro é uma importante fase de preparação para uma longa temporada no futebol brasileiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Boaventura

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