Keno muda o jogo e Atlético segue com a rotina de vencer o América

Keno estreou em 2022 e, mesmo não marcando gols, foi decisivo. Foto: Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

O clássico estava sem graça e com muitas faltas até a entrada de um jogador que gosta de chamar a responsabilidade. Mesmo não dando assistência ou marcando gols, Keno mudou o jogo e a sua atuação acarretou a vitória do Atlético no seu primeiro clássico na temporada. Já o América não conseguiu jogar e tentou se defender, mas Arana e Savarino furaram o bloqueio.

O desempenho atleticano nos primeiros 60 minutos e a atuação americana durante toda a partida chamaram a atenção, pelo nível abaixo do esperado, mas a vitória do Atlético não é uma surpresa. Na verdade, está se tornando uma rotina preocupante para o Coelho.

A última vitória do América no clássico aconteceu em maio de 2016, quando Danilo Barcelos marcou dois gols e o time deu um passo importante para ser campeão estadual. Depois disso, Galo e Coelho se encontraram em 19 oportunidades e apenas um lado triunfou. Nesta atual sequência, o Atlético venceu 14 vezes e os clubes empataram cinco clássicos, ou seja, a vitória deste sábado, 12 de fevereiro, deu sequência ao ótimo retrospecto alvinegro.

O Galo está acostumado a vencer o América e ainda contou com o protagonismo de Keno para vencer mais uma. Além disso, em 2022, o Atlético alcançou a terceira vitória em três jogos com os titulares e ainda não sofreu nenhum gol com os seus principais atletas em campo.

Um clássico pegado e com um futebol abaixo do esperado em alguns momentos, mas com uma importante recuperação atleticana que resultou em mais uma vitória do Galo.

Veja aqui mais detalhes do clássico entre Atlético e América!

Faltas e mais faltas

A etapa inicial contou com pouco futebol e muitas faltas. O América teve uma boa chance nos 45 minutos iniciais: Wellington Paulista cabeceou em meio à defesa e Everson fez boa defesa. Enquanto o lance americano foi aos 18, o Atlético só levou perigo aos 49. Em ótima virada de Nacho Fernández, Zaracho bateu de primeira e obrigou Jori a fazer grande defesa. Só teve isso e faltas e mais faltas.

Foram 11 faltas para cada lado apenas no primeiro tempo, ou seja, as 22 infrações mostram que houve uma falta a cada dois minutos, em média. Além disso, foram seis cartões amarelos e várias discussões, principalmente entre Jair e Alê. O jogador americano ainda correu um enorme risco de ser expulso, visto que Alê cometeu uma falta dura minutos depois de receber o cartão amarelo.

O segundo tempo não contou com grandes discussões, até porque o Galo jogou bem e não deu brechas para brigas. Mesmo assim, o número de infrações chamou a atenção. Novamente, os 45 minutos finais de jogo contaram com 22 faltas e o jogo encerrou com 44 infrações, um número muito elevado.

Atlético e América poderiam ter apresentado um futebol melhor durante os 90 minutos, sem tantas faltas. Apenas a metade final do segundo tempo foi vistosa e só o Atlético jogou.

Como decidir um clássico

A etapa final iniciou com pequenas diferenças, já que o Atlético estava buscando mais o gol, mas sem tanta efetividade. Todavia, o time alvinegro se recuperou e é necessário deixar claro que a melhora da atuação atleticana foi consequência da entrada de Keno, atleta que estreou na temporada de 2022 nesta tarde. Com ele em campo, o Galo conseguiu decidir o clássico com amplo domínio e tranquilidade.

Porém, a grande chance desperdiçada do jogo aconteceu aos 16 do segundo tempo, antes mesmo da entrada de Keno. Após interceptação de Zaracho, Nacho Fernández fez ótimo cruzamento e Hulk cabeceou com muita liberdade, mas a bola foi para fora. Ademir tentou de cabeça nos minutos seguintes, porém também não acertou o alvo.

Entretanto, o jogo, a atuação e o placar foram alterados. Três minutos após entrar, precisamente aos 26, Keno recebeu na esquerda, gingou para cima e iniciou a jogada do gol atleticano. O camisa 11 fez o cruzamento e Nacho Fernández mostrou muita inteligência para ajeitar de cabeça para o meio, encontrando Guilherme Arana. O lateral entrou na área e bateu de primeira, impossibilitando a defesa de Jori. Um belo gol atleticano para abrir o placar.

Na sequência, o mesmo Keno mostrou que estava inspirado e encontrou Nacho em ótimas condições, mas o argentino parou em ótima defesa de Jori. A grande questão é que o América “estava nas cordas” e o Galo de Keno chegou novamente. Aos 36, o camisa 11 fez ótimo passe para Arana cruzar. Hulk até finalizou, mas Jori fez a defesa. O rebote foi muito bem aproveitado por Savarino: o venezuelano deu um lindo voleio para decretar o placar de 2 a 0.

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A reviravolta no jogo tem nome

O primeiro tempo e o início da segunda etapa foram bem desanimados, com dois times se defendendo bem, mas com problemas criativos. Os clubes chegaram com perigo em poucas oportunidades e o América sequer conseguiu ser agressivo durante todo o jogo, mas o Atlético contou com uma mudança que provocou uma reviravolta no clássico.

O atleta que mudou o jogo foi o protagonista da grande partida do Brasileirão de 2021: Keno. O camisa 11 entrou em campo aos 23, participou dos dois gols e mostrou toda a sua categoria e entrosamento com os companheiros. O Atlético já estava melhor em campo, visto que estava apresentando uma postura mais conectada em relação à primeira etapa, mas a entrada de Keno na vaga de Zaracho, que pediu para sair após bater a cabeça em um choque com o goleiro americano, foi decisiva.

O ponta-esquerda do Galo estreou na temporada com o brilho que terminou o último ano, mesmo se recuperando da COVID-19 somente nos últimos dias. É claro que Keno jogou por menos de 30 minutos, porém foi muito bem e iniciou as duas jogadas que definiram a partida. O camisa 11 mudou o jogo e mostrou que será uma importante opção de El Turco Mohamed na final do próximo domingo, 20, contra o Flamengo.

As outras importantes mudanças

Além de Keno, Savarino também é uma boa notícia alvinegra neste início de temporada. Acostumado a decidir jogos grandes, o venezuelano marcou um golaço de voleio e está mais confiante neste início de temporada, após o fim de ano apagado. Savarino saiu do banco e marcou o segundo tento atleticano, logo após o sempre brilhante Arana deixar a sua marca em assistência perfeita de Nacho Fernández.

Por fim, é necessário destacar a entrada de Sávio. O jovem de 17 anos teve pouco menos de 10 minutos, mas mostrou a sua habilidade e deve ganhar ainda mais minutos na terça-feira, 15, contra o Athletic.

Em resumo…

O América não fez uma boa partida. O Coelho não conseguiu atacar um time bem mais forte e perdeu as rédeas do jogo quando o rival se ajustou, ou seja, o controle da partida não era americano. Marquinhos Santos deve entender que alguns ajustes devem ser feitos para a partida da Libertadores daqui a 11 dias. O América deve estar preparado para o duelo mais importante da sua história.

Já o Atlético deve ver este clássico com duas visões: os decepcionantes 60 minutos iniciais e os ótimos 30 minutos finais. O time alvinegro começou muito mal e desorganizado, mas conseguiu se encaixar e as mudanças foram cruciais para o Atlético vencer, mais uma vez, o seu rival. É um costume atleticano vencer este adversário, mas nunca é fácil. Uma bela vitória para ganhar confiança e poder visualizar alguns erros cometidos durante a partida, a fim de ir ainda melhor contra o Flamengo no próximo domingo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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