Após aproximar o torcedor com sócios acessíveis, Atlético exagera no preço dos ingressos

O Atlético comemorou, contra o Juventude, em novembro de 2021, a importante marca de 100 mil sócios. Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

O Atlético começou muito bem o ano. O time até tropeçou contra o Villa Nova, em empate fora de casa, mas venceu com uma grande diferença de gols o Tombense e o Uberlândia. Por causa disso, o clube alvinegro assumiu a liderança do Campeonato Mineiro e está cumprindo as expectativas do início de temporada.

O lado esportivo está tudo certo e a grande questão, desta vez, está relacionada ao extracampo, ou melhor, às pessoas que estão ao lado do campo apoiando o time.

Todo mundo sabe da força que a massa atleticana tem. No entanto, de nada adianta colocar altos valores e afastar boa parte da torcida do estádio. E o Galo iniciou o ano desta forma.

Na reta final do Brasileirão, quando o clube estava próximo do título nacional, o preço dos ingressos subiram bastante e a torcida, mesmo assim, compareceu, visto que foram jogos que ficaram na história do Clube Atlético Mineiro. Sabendo da importância, o torcedor gastou um pouco mais e encheu o Mineirão. A situação atualmente é bem diferente e o time não entendeu.

Após aproximar o torcedor alvinegro com programas de sócio-torcedor acessíveis e bem simples, o Atlético exagerou no preço dos ingressos.

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Os sócios

Mesmo sendo consequência do ótimo fim de ano atleticano, o time mineiro se tornou referência em modelo de sócio-torcedor após ir além da marca de 100 mil sócios. Inclusive, o clube, para valorizar a marca dos seus torcedores, comemorou o feito expressivo frente ao Juventude no Brasileirão do ano passado, precisamente em 20 novembro de 2021.

É importante destacar que este novo e exemplar modelo atleticano começou há quase dois anos. Em março de 2020, um pouco antes da pandemia ganhar grandes proporções, o Atlético renovou o seu programa de sócios-torcedores e dividiu o Galo na Veia em quatro modalidades.

  • Galo na Veia Preto: 30 reais por mês;
  • Galo na Veia Prata: 20 reais por mês;
  • Galo na Veia Branco: 10 reais por mês;
  • Galo na Veia Kids: 10 reais por mês;

Devido ao sucesso inicial destes programas de sócio-torcedor, o Atlético criou, em maio de 2021, o Galo na Veia Forte e Vingador, programa que custa 55 reais por mês e possui privilégios que vão além do GNV Preto.

Com isso, o Atlético passou 2021 com cinco modalidades de sócio-torcedor, onde os torcedores com maior poder aquisitivo podiam assinar a modalidade Forte e Vingador, enquanto atleticanos que gostariam de apoiar o seu time, mas sem gastar muito dinheiro, poderiam apoiar pelo simples plano de 10 reais.

Com modalidades simples e acessíveis, as quais combinam com a fala de “time do povo” por parte da diretoria, o Atlético alavancou o número de sócios, passou de 100 mil e chegou a quase 130 mil sócios, um número impressionante em território brasileiro, onde o Galo lidera o ranking de associados.

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Os preços dos ingressos

O Atlético conta com uma enorme quantidade de sócios, porém, a procura pelos ingressos neste início de temporada tende a ser bem menor.

Existem justificativas para a possível pequena procura, visto que o torcedor pode – infelizmente – estar sofrendo com a crise financeira ou o atleticano pode escolher ir em um jogo decisivo no fim da temporada, já que não tem condições de ir em todos. No entanto, o verdadeiro vilão que impede qualquer torcida de comparecer ao estádio é o preço dos ingressos.

É claro que tem mais de 50 mil atleticanos interessados em sentar no Mineirão e assistir o jogo do seu clube contra o Patrocinense no domingo, visto que a audiência via televisão em Belo Horizonte, por exemplo, é muito superior a este público. Entretanto, a torcida prefere ficar em casa em vez de pagar altos valores.

Como exemplo, os torcedores que pagam as duas modalidades mais caras, GNV Forte e Vingador e GNV Preto – 55 e 30 reais mensais – encontrarão ingressos de R$ 44,93, R$ 63,87 e R$ 191,83 para a partida do Atlético contra o Patrocinense neste domingo.

Já o GNV Prata, que paga 20 reais mensais, verá os ingressos de R$ 57,77, R$ 82,12 e R$ 246,64.

Por fim, o GNV Branco, sócio que contribui com 10 reais por mês, pagará R$ 64,18, R$ 91,24 ou R$ 274,04 nos ingressos para o modesto jogo frente ao Patrocinense no Mineirão.

Já os torcedores ou turistas que não são sócios do Atlético pagam R$ 128,37, R$ 182,48 ou R$ 548,08.

Os valores assustam, mas foram divulgados pelo Galo nesta quinta-feira, 03 de fevereiro, para o jogo de domingo, dia 06, contra o Patrocinense, no Mineirão.

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Além do ingresso

Naturalmente, além do ingresso, o torcedor de Belo Horizonte deve se preocupar com o transporte até o local do jogo. Já o atleticano do interior de Minas Gerais vai gastar mais, visto que ele terá que sair da sua cidade, viajar e pensar na gasolina que também está em um preço absurdo.

No entanto, por causa da pandemia que ainda estamos inseridos, o preço da ida aos estádios fica ainda mais cara. Além de mostrar o comprovante de vacinação – que é uma ótima iniciativa para não permitir que as pessoas que não se vacinarem entrem -, o torcedor deve mostrar o teste negativo de COVID-19, segundo a nova determinação da Prefeitura de BH.

Portanto, além do ingresso e transporte, o torcedor deverá providenciar um teste do coronavírus, aumentando ainda mais o preço da ida ao estádio.

Uma simulação

Uma família de quatro pessoas que deseje ir neste jogo, em uma manhã de domingo, pagará, no mínimo, 179,72 reais de ingresso e mais quatro vezes o valor de um teste de COVID-19, além do deslocamento até o Mineirão. O valor vai além do que a maioria das famílias podem pagar em um jogo de Campeonato Mineiro.

Ainda vale destacar que este valor é o do ingresso mais barato do sócio-torcedor mais caro, ou seja, esta família que foi simulada acima deveria ter quatro GNV Preto, ou seja, pagar 120 reais mensais de sócio-torcedor.

Por isso, levando em consideração que a família irá em dois jogos do Atlético em casa por mês, a família de quatro pessoas pagaria quase 360 reais de ingressos, 120 reais de sócio, um valor correspondente a oito testes (quatro para cada partida) de COVID-19 e o transporte para chegar no Mineirão.

A simulação assusta porque os ingressos possuem um preço inadmíssivel.

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Um elogio, mas muitas críticas

O Atlético tem um ótimo programa de sócio-torcedores. Não é fácil aproximar uma torcida de uma mensalidade em meio a uma crise, porém o Atlético conseguiu. São mais de 120 mil sócios e o Galo está fidelizando os seus torcedores.

No entanto, assim como o clube deve ser elogiado pelos sócios, o time mineiro tem que ser criticado pelos valores exorbitantes para ver um jogo de Campeonato Mineiro em uma temporada em que o Atlético jogará mais de 30 partidas em casa.

O preço mínimo de um ingresso para ver o estadual não pode ser 44 reais, ainda mais que este torcedor que paga esse valor já contribui com uma boa quantia mensal.

Para aquele torcedor que tenta ajudar o Atlético, mesmo em meio às dificuldades, com um GNV Branco, o preço mínimo para ver Galo e Patrocinense é 64 reais. Não tem como seguir desta forma.

Alguns torcedores podem até justificar que este valor será acima de 37 reais porque o Atlético está oferecendo o Season Ticket – pacote de ingressos para os 26 jogos em casa da fase inicial do estadual, Libertadores e todo o Brasileirão – pelo valor de 966 reais, tendo assim um valor médio do ingresso de 37 reais, no setor mais simples.

Contudo, é importante que o clube entenda que muitos torcedores não possuem condições de contrair uma dívida de quase mil reais no início do ano com futebol, ainda mais aqueles atleticanos que moram longe de BH.

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Portanto…

Logo, se o Clube Atlético Mineiro for colocar os seus ingressos acima de 40 reais durante todo o ano, devido ao Season Ticket, e o estadual contar com as entradas mais baratas, é certa que a essência da massa atleticana não estará presente no Mineirão alvinegro de 2022.

O Galo precisa ganhar dinheiro e o torcedor quer ajudar, mas o clube não pode extrapolar. O time e o torcedor devem estar lado a lado e nenhum deve ser explorado.

Por isso, o Atlético tem a missão de reorganizar estes valores para não ver o Mineirão vazio, já que a torcida terá razão em não apoiar um elenco muito forte porque as condições financeiras não permitem.

O Clube Atlético Mineiro é feito pela sua massa. O futebol é do povo. Não esqueçam disso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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