Mais jogos pela Bolívia do que pelo Cruzeiro: vale a pena manter Marcelo Moreno?

Um dos registros de Marcelo Moreno nesta pré-temporada antes de ir para a Bolívia. Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Por Pedro Bueno

O futebol brasileiro e o seu calendário maluco provoca estatísticas curiosas. A presença de datas FIFA em meio às competições acaba prejudicando clubes que possuem destaques que jogam nas suas respectivas seleções. E o Cruzeiro, mesmo com um elenco modesto e ainda na Série B, enfrenta, de forma constante, um problema internacional.

Marcelo Martins Moreno retornou à Raposa em 2020 para ajudar o clube que o atacante tem mais identificação. Pelo Cruzeiro, o boliviano marcou muitos gols nas suas duas primeiras passagens – 2007 e 2008 e depois em 2014 -, se tornou ídolo da torcida azul celeste e se consolidou como o maior artilheiro estrangeiro da história cruzeirense na temporada passada, alcançando o 51º gol – atualmente ele tem 54 gols pela equipe mineira.

Entretanto, a atual passagem de Marcelo Moreno ficará marcada pelas suas ausências.

No segundo semestre de 2021, por exemplo, o atacante ficou bastante na Seleção Boliviana por causa da disputa da Copa América e Eliminatórias, as quais contaram com três jogos em vez das tradicionais duas partidas – devido ao calendário apertado no futebol de seleções.

Já neste ano, no início do trabalho de Paulo Pezzolano, Moreno rumou à Bolívia novamente e ficará quase um mês sem treinar com os seus companheiros de equipe e com a nova comissão técnica.

Vale a pena manter Marcelo Moreno nestas circunstâncias?

Mais jogos pela Bolívia do que pelo Cruzeiro desde setembro

Para evidenciar a quantidade de partidas que Marcelo Moreno esteve fora pelo Cruzeiro, é possível destacar quantos jogos o atleta fez a partir de setembro de 2021, ou seja, nos últimos meses da temporada passada, na famosa reta final.

Desde setembro, Marcelo Martins Moreno entrou em campo 16 vezes: oito partidas pelo Cruzeiro e oito pela Bolívia. Logo, a equipe que banca o seu salário teve os mesmos oito jogos com o seu centroavante à disposição que a seleção teve.

E estes números irão piorar já que Marcelo Moreno ficará fora deste início de temporada porque representará a sua pátria novamente. O atacante está com a Bolívia desde o dia 13 de janeiro, jogará três partidas pela seleção neste mês – um amistoso e dois jogos pelas Eliminatórias – e alcançará um número maior de partidas pela sua seleção do que pelo Cruzeiro nos últimos meses. Um número que espanta, mas é a realidade de um jogador que se ausentou bastante na reta final de 2021 e já no início de 2022.

Jogar pela seleção não é um problema, mas…

Representar a sua seleção é sempre um motivo de orgulho e Marcelo Moreno merece jogar pelo seu país. Além disso, Marcelo Martins, como é chamado lá, é o maior artilheiro da sua seleção e grande nome boliviano. Até por causa do seu nível perto dos companheiros, Marcelo é o artilheiro das Eliminatórias, estando à frente de Messi, Suárez e Neymar.

Portanto, é importantíssimo destacar que nenhuma pessoa deve ser contra o desejo de Marcelo Moreno de representar o seu país. No entanto, a quantidade de ausências é assustadora. E o problema vai além.

Como destacado anteriormente, com os jogos deste mês pela Bolívia, Moreno ultrapassará a quantidade de partidas jogadas pela seleção em relação ao seu clube nos últimos cinco meses. Além disso, o jogador perderá praticamente toda a pré-temporada cruzeirense, a qual conta com uma nova comissão técnica.

Paulo Pezzolano pode até gostar de Marcelo Moreno e o utilizar no futuro, porém só voltará a contar com o centroavante em fevereiro, quando o Campeonato Mineiro já terá iniciado. Ele terá a mesma confiança que os seus outros companheiros terão? E o entrosamento com a ideia tática do novo treinador? São dúvidas que questionam a permanência de Moreno.

A concorrência

Marcelo Moreno é um jogador que sempre honrou a camisa azul celeste. O boliviano marcou muitos gols, demonstrou muita raça e buscou ajudar o Cruzeiro. Porém, a quantidade de partidas que ele entrou em campo no último ano acarretam perguntas acerca da necessidade de manter Marcelo Moreno.

A sua preparação quase nula neste início de temporada com o time cruzeirense também desperta dúvidas sobre o entrosamento. O Cruzeiro iniciará o Campeonato Mineiro sem o seu centroavante e deve perder ele novamente em março, nas partidas finais do estadual.

Logo, além das partidas inaugurais, Moreno pode ficar fora de uma importantíssima semifinal do Mineiro, onde a Raposa buscará retornar à decisão depois de não participar nas últimas duas edições.

A necessidade de manter Moreno passará pelo desempenho de Edu e Thiago, concorrentes menos renomados. Edu chegou como artilheiro da Série B e terá chances. Thiago fez um bom fim de temporada e a cria da base deve lutar por uma vaga.

Caso os dois atacantes que estão fazendo pré-temporada na Toca da Raposa consigam desempenhar um bom futebol neste Mineiro, manter Moreno, com todas estas ausências e um salário que tende a ser, pelo menos, um pouco maior do que dos seus concorrentes, se torna desnecessário.

Em resumo…

Marcelo Moreno é um ótimo jogador e sempre ajudou o Cruzeiro. Porém, o boliviano só marcou nove gols nestes últimos dois anos e se ausentou bastante, como destacado anteriormente. Com vencimentos mensais que são, provavelmente, acima dos seus concorrentes, o atacante vai perdendo espaço e uma saída não é uma má ideia ao entender o momento cruzeirense.

Com a implementação da SAF e com a chegada de Ronaldo, todos os contratos estão sendo revisados, visto que o clube necessita de uma parte financeira saudável. Por isso e com as poucas partidas que Moreno está à disposição do Cruzeiro, a sua permanência é cada dia mais questionável, mesmo com a sua notória habilidade e faro de gol.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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