Futebol Nacional

Sai Alonso e entra Godín: veja o que o Atlético ganha e perde com a mudança

Por Pedro Bueno

É praticamente impossível que um time brasileiro passe ileso de uma janela de transferências logo após levantar três taças.

O Atlético venceu o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Brasileirão em 2021. Obviamente, os olhares do futebol mundial se voltaram para o grande campeão do Brasil. E o clube mineiro acertou a venda de um zagueiro crucial.

O xerife deixou o Atlético. Em uma negociação rápida e boa para todos os lados, o Galo negociou Junior Alonso com o Krasnodar, time russo, e perdeu o seu zagueiro titular. No entanto, aparentemente, a diretoria atleticana tem três boas respostas para esta venda.

A primeira é que os 8,2 milhões de dólares que o time russo desembolsou pelo defensor de 28 anos foram vistos como irrecusáveis.

A segunda questão é que algumas fontes dizem que Junior Alonso será o único titular negociado nesta janela de transferências – Diego Costa, Franco, Nathan e Hyoran saíram, mas não eram titulares da equipe.

A terceira e mais impactante resposta à venda foi a reposição. O Atlético buscou um dos grandes zagueiros do século XXI e repôs à altura.

Diego Roberto Godín Leal é o novo zagueiro atleticano. O ex-defensor do Atlético de Madrid, que também é capitão do Uruguai, conseguirá entregar o ótimo futebol apresentado por Alonso? Só o tempo dirá.

Mesmo assim, já é possível afirmar o que o Atlético ganhou e perdeu nesta mudança de zagueiros. Confira abaixo!

Financeiramente

Quase todos os atleticanos sentiram a venda do capitão das conquistas de 2021. Junior Alonso chegou ao Atlético durante a pausa do futebol devido à pandemia em 2020 e foi titular indiscutível desde julho daquele ano. O zagueiro canhoto tem uma regularidade impressionante e, praticamente, só perdeu partidas por causa das convocações para a Seleção Paraguaia. Alonso era um dos “queridinhos” da massa alvinegra pelo seu estilo de jogo e raça. No entanto, o dinheiro falou mais alto com razão.

O Atlético contratou, em 2020, por 3 milhões de euros, um zagueiro que estava emprestado ao Boca Juniors. Um ano e meio depois, o defensor que está prestes a completar 29 anos, recebeu uma proposta da Rússia de 8,2 milhões de dólares, ou seja, em reais, o Galo conseguiu uma valorização de quase 30 milhões. Era realmente irrecusável e a diretoria tomou a decisão certa.

Portanto, o Galo ganhou financeiramente com esta mudança, visto que a venda de Alonso foi muito lucrativa e Diego Godín rompeu com o Cagliari da Itália e assinou “sem custos” com o clube mineiro.

No entanto, já que ainda estamos analisando a parte financeira, é importante destacar que, certamente, existe uma diferença salarial entre Godín e Alonso e, por isso, a contratação foi sem custos apenas entre aspas. O zagueiro uruguaio é um dos grandes defensores da última década e marcou época na Espanha, ou seja, possui um status bem superior e os seus vencimentos mensais tendem a serem maiores que Junior Alonso – vale ressaltar que os salários de Godín não foram divulgados pelo Atlético.

Mesmo com as ressalvas, a troca foi muito positiva no âmbito financeiro.

Fisicamente

Talvez a grande dúvida em torno de Diego Godín seja a parte física. O zagueiro completará 36 anos no próximo mês e não é o mesmo jogador intenso que fez história na Espanha. Pelo Atlético de Madrid de Diego Pablo Simeone, o defensor uruguaio jogou nove temporadas, se tornou o estrangeiro com mais jogos pelo time espanhol e ergueu oito taças, sendo capitão e líder da melhor década da história do Atlético.

Chegou a hora de fazer história em outro Atlético e Godín está motivado. Com uma pré-temporada caprichada e com a dosagem bem-feita de partidas, o uruguaio pode fazer uma ótima temporada. Entretanto, a comissão técnica do time mineiro deverá ter um certa atenção com o atleta.

Godín não tem o mesmo vigor físico apresentado por Junior Alonso, um atleta que era, praticamente, insubstituível. Sob comando de Jorge Sampaoli, em uma temporada atípica por causa da pandemia e com poucas datas FIFA, Junior Alonso atuou em todas as partidas atleticanas entre o fim de julho e o início de outubro, quando foi convocado para o Paraguai, e ele foi substituído apenas no último jogo desta sequência – contra o Vasco, em 04 de outubro de 2020.

Enquanto atleta atleticano, Alonso demonstrou uma regularidade impressionante. Talvez esta parte física seja a grande perda atleticana. Não é possível ter uma certeza, visto que Godín pode surpreender, mas o alto número de jogos do futebol brasileiro podem assustar o físico do zagueiro que completará 36 anos.

A preparação realizada da forma correta pode ajudar, porém a mudança tende a causar um evidente impacto físico na defesa alvinegra.

Esportivamente

No entanto, este impacto físico tende a ser contornado com a categoria indiscutível de Diego Godín. Obviamente, a torcida alvinegra tinha um imenso carinho com o zagueiro canhoto que comandou o Atlético em um ano quase perfeito, porém o reforço uruguaio é muito superior, na questão técnica, na comparação com Junior Alonso.

Diego Godín esteve em quase todas as listas dos melhores zagueiros do mundo durante a década passada e possui qualidade de sobra. O tempo de bola, tanto no chão quanto na bola aérea, é algo que o defensor deve assustar positivamente os torcedores, visto que Godín é um exímio marcador, desarma com precisão e um excelente cabeceador, sendo até uma arma ofensiva.

Além da qualidade, dentro de campo Godín terá uma “função” ainda mais importante. Alonso chegou um pouco desconhecido no Brasil, já que não havia brilhado em grandes clubes, e somente as suas boas atuações pelo Galo o credenciaram como um dos grandes zagueiros do futebol brasileiro. Logo, com essas credenciais, Junior Alonso se tornou um defensor muito respeitado depois de alguns meses no Atlético. Em contrapartida, Diego Godín já pisará nos gramados brasileiros com muito respeito em volta.

O atleta uruguaio é conhecido mundialmente e impõe muito respeito por causa de toda a sua linda história construída no futebol. Em torneios que estão, pelo menos, um degrau abaixo das competições europeias, os atacantes tendem a ter um receio em partir para cima do defensor e Diego Godín deve aproveitar este respeito e se impor em campo.

Esportivamente, a mudança tende a ser um ganho alvinegro, visto que Godín está acima no quesito de habilidade.

Em resumo…

O Atlético perdeu a sua grande referência defensiva. Um zagueiro canhoto, habilidoso e sério. Junior Alonso marcou época no Galo e terá o carinho dos atleticanos para sempre.

No entanto, a venda, pelo valor ofertado, era algo inevitável. O time mineiro agiu da forma correta e repôs com um perfil diferente de jogador, mas com uma qualidade indiscutível, mantendo ainda Nathan Silva, Réver, Igor Rabello e repatriando Vitor Mendes.

Godín tem talento de sobra, é polivalente, visto que joga pela direita ou pela esquerda na defesa – algo crucial entre defensores – e dispensa mais comentários. A única dúvida é a parte física, quesito que equilibra com a sua qualidade acima da média.

O futuro indicará, mas com as opções de mercado e com a possível manutenção do restante do time titular, o Atlético foi bem no mercado e os torcedores devem ter mais alegrias com uma defesa comandada por um estrangeiro. Boa sorte, Godín!

Redação Bola pra Frente

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