A curiosa transição no gol: o título que faltou para Fábio é a grande glória do seu substituto

Foto: Instagram do goleiro Rafael Cabral.

Por Pedro Bueno

Assim como a vida, o futebol traz algumas curiosidades e coincidências que merecem ser destacadas. Porém, se tratando da meta cruzeirense, boa parte dos torcedores não gostariam de novidades, curiosidades e coincidências.

Uma grande parcela da apaixonada torcida azul celeste desejava a manutenção do atleta que defendia o gol da Raposa desde 2005. Porém, a nova gestão, comandada por Ronaldo, não conseguiu chegar em um denominador comum com Fábio Deivison Lopes Maciel e o goleiro deixou o Cruzeiro.

A notícia ainda impacta porque é estranho pensar que não houve uma despedida para o jogador que mais vestiu a camisa azul celeste na história. Foram incríveis 976 jogos. Sim, ficaram faltando apenas 24 partidas para o emblemático jogo número 1000. Não será possível completar.

Por isso, o Cruzeiro atacou o mercado para buscar o substituto para um dos maiores jogadores da sua história. Aparentemente, a nova gestão cruzeirense garimpou de forma correta e encontrou um bom nome na segunda divisão da Inglaterra.

E é nesta contratação que está presente a grande curiosidade desta transição. Com uma carreira exemplar e vitoriosa, Fábio venceu quase tudo pela Raposa, porém faltou a Libertadores, competição que é a grande glória do seu substituto Rafael Cabral.

A transição

Fábio deixou o Cruzeiro. O fim da mais longa, linda e bem sucedida história de um atleta com o manto azul celeste foi mais melancólica do que precisava. Fábio e a nova gestão do Cruzeiro não entraram em um acordo e o goleiro deixou a equipe pela porta dos fundos. Desnecessário, mas este episódio não diminui a história magnífica feita pelo arqueiro.

Fábio Deivison Lopes Maciel foi titular da Raposa entre 2005 e 2021 de forma indiscutível. Foram 17 temporadas seguidas como goleiro de uma equipe tão grande como o Cruzeiro. Em meio a esta passagem histórica, Fábio foi bicampeão do Brasileirão, tricampeão da Copa do Brasil e heptacampeão do Campeonato Mineiro. Um jogador que dispensa elogios. Um goleiro que marcou época e tem uma legião de fãs. Uma carreira espetacular.

Fábio tem um currículo impressionante pelo Cruzeiro. No entanto, faltou apenas uma grande taça para vencer tudo que disputou pela equipe mineira. Fábio ficou com o vice-campeonato da Libertadores de 2009 e tende a encerrar a sua carreira sem o título continental. A curiosidade nesta transição cruzeirense está no fato que o torneio da América do Sul é justamente o grande título da carreira do substituto de Fábio.

Rafael Cabral chegou em Belo Horizonte, deve ser anunciado ainda nesta semana e tende a ser apresentado nos próximos dias, pois o Cruzeiro já entra em campo no dia 26 deste mês. A transição não será fácil, porque nunca é simples substituir um atleta histórico como Fábio, mas o novo arqueiro cruzeirense ostenta um grande feito que completou 10 anos recentemente: a conquista da Libertadores de 2011 pelo Santos de Neymar e companhia.

Um pouco sobre Rafael

Rafael Cabral Barbosa tem 31 anos – faz 32 em maio deste ano -, é cria da base do Santos e o Cruzeiro será a segunda equipe brasileira que o arqueiro irá defender. Ele deixou o Peixe em 2013 e foi para o Napoli. Ele permaneceu no time de Nápoles até 2018, quando foi para a Sampdoria, outro clube italiano. Depois de mais uma temporada na Itália, Rafael mudou os ares: foi para o Reading, equipe da segunda divisão da Inglaterra. Após duas temporadas e meia no Reino Unido, o atleta retornou ao futebol brasileiro.

Na sua carreira, Rafael conquistou a Copa e a Supercopa da Itália pela Napoli, o Superclássico das Américas pelo Brasil e foi multicampeão pelo Santos. Já no seu início de carreira, o goleiro se tornou titular em um time de garotos – Paulo Henrique Ganso e Neymar eram os grandes nomes – e Rafael conquistou o tricampeonato paulista, a Copa do Brasil de 2010, a Libertadores de 2011 e a Recopa Sul-Americana do ano seguinte.

E o auge do atleta foi justamente no Santos. No Napoli, Rafael Cabral teve um bom início e fez uma boa quantidade de partidas em 2014/15, porém acabou se tornando reserva e não conseguiu atuar com regularidade. O atleta só voltou a jogar um bom número de jogos quando foi para o Reading, onde foi titular em 2019/20 e 20/21, mas não estava sendo aproveitado com frequência na atual temporada: apenas sete partidas e ficou entre setembro e janeiro somente no banco. No entanto, como despedida, Rafael atuou pelo clube inglês em 08 de janeiro pela FA Cup.

O título que pode motivar

Rafael Cabral é marcado pela glória conquistada pelo Santos em 2011. Uma grande conquista que toma conta do seu currículo desde então. Por causa daquele ótimo desempenho e pela regularidade nos últimos anos na segunda divisão da Inglaterra, Rafael pode ser considerado um bom nome para substituir Fábio. Obviamente, as comparações devem ser evitadas, visto que Fábio é histórico, mas trata-se de uma boa escolha.

Fábio venceu tudo pelo Cruzeiro. É lendário. São 12 títulos que o colocam como parte importante da história de um clube gigante. No entanto, Fábio tinha um desejo evidente para esta temporada – o retorno à Série A – e uma ambição antiga – a Copa Libertadores da América. Devido aos ajustes da nova gestão, o goleiro não permanecerá para lutar por estes sonhos e a transição está acontecendo.

Rafael Cabral será o titular da meta cruzeirense em 2022. O goleiro que já conquistou a ambição antiga de Fábio tem a missão de realizar o desejo atual do ídolo cruzeirense: retornar à elite do futebol brasileiro. Não há outra missão. Esta é a meta e Rafael sabe disso.

O título da Libertadores de 2011 é a grande glória da carreira de Rafael Cabral e servirá como motivação. Nada a mais. O goleiro passará por uma enorme pressão por ser o sucessor de Fábio. Ele sabe que terá trabalho e, certamente, quer mostrar o seu talento dentro de campo rapidamente. Boa sorte, Rafael e Cruzeiro!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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romulo

Coitado do fábio. Decidiu jogar por quase 30 anos num time pequeno e nunca teve a oportunidade de ganhar um título internacional. Vai aposentar sem ter nenhum troféu internacional em sua estante. Mas são poucos msm q podem jogar em times grandes; a maioria é como o fábio, encerram a carreira só jogando em clubes pequeninos…

Alberino Venceslau Ribeiro

O caso do Fábio é o mesmo do Vitor do galo, sao bons jogadores mas nun ca jogaram em times grandes. Azar deles, quem nasce pequeno morre pequeno|