Não pensar no sucessor de Fábio é um caminho preocupante para o futuro do Cruzeiro

Fábio está próximo de completar 1000 jogos. E depois que ele parar, quem vai assumir? Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Por Pedro Bueno

O Cruzeiro está de férias, passando por um importante momento estrutural da equipe, o qual envolve a SAF (Sociedade Anônima de Futebol), e contratando diversos jogadores. Mesmo sem pagar as dívidas e com a punição do transfer ban ativa, a Raposa já fechou com dez jogadores.

O goleiro Jailson, o lateral Pará, os zagueiros Maicon, Mateus Silva e Sidnei, os volantes Fernando Neto, Filipe Machado e Pedro Castro, o meia João Paulo e o atacante Edu serão atletas do Cruzeiro em 2022. Logo, a equipe já está passando por um processo de reformulação, já contratou “quase um novo time” e visa uma temporada melhor sob comando de Vanderlei Luxemburgo. No entanto, uma contratação motiva uma reflexão sobre o futuro cruzeirense.

Fábio Deivson Lopes Maciel é o maior jogador da história do Cruzeiro e chegará a inacreditável marca de mil jogos com a camisa azul celeste em 2022. Mesmo não sendo cria da base da Raposa, o atleta é titular de forma ininterrupta desde 2005 e é um jogador que dispensa elogios. Porém, com 41 anos, Fábio se aproxima da aposentadoria e uma mudança na meta cruzeirense, após 16 temporadas com o mesmo goleiro, não será fácil.

Por isso, pensar no sucessor de Fábio seria a melhor forma de já ir trabalhando a transição para finalizar esta era tão marcante. No entanto, ao contratar Jaílson, goleiro de 40 anos, para ser reserva de Fábio, o Cruzeiro só adia um problema que pode se tornar ainda maior.

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O ótimo Jaílson

O Cruzeiro foi ao mercado e buscou vários jogadores que estavam livres no mercado. A intenção é não negociar com outros clubes, a fim de evitar a taxa de transferência. O momento financeiro da equipe segue muito ruim e pensar apenas nos salários é a melhor forma da Raposa realizar contratações.

Em meio a estes dez reforços, Jaílson é um dos atletas mais vitoriosos. O goleiro de 40 anos demorou para desponta e rodou por diversos clubes do interior de São Paulo – e pelo Ceará -, antes de chegar ao Palmeiras. Em 2014, Jaílson foi contratado pelo Verdão e levou duas temporadas para brilhar, mas se destacou bastante a partir de 2016.

Mesmo sendo terceiro goleiro, Jailson assumiu a meta do Palmeiras depois da lesão de Fernando Prass e das falhas de Wagner, não sentiu a pressão da titularidade de um time tão tradicional como o Verdão e terminou o Brasileirão invicto: 14 vitórias e cinco empates em 19 jogos, rendendo a ele o prêmio de melhor goleiro do Campeonato Brasileiro de 2016, justamente na sua primeira oportunidade na elite – o Palmeiras foi campeão do Brasileirão.

Logo, Jailson é um ótimo jogador. Nenhum goleiro faz mais de 100 partidas com a camisa palmeirense sem talento. O arqueiro tem muita habilidade e fez até boas partidas em 2021, mostrando que não está sentindo a idade.

Jailson não é um problema para o Cruzeiro, mas também passa longe de ser uma solução. Ele seria uma boa contratação para qualquer clube que não contasse com um goleiro já veterano que precisa de um jovem sucessor.

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A contratação de um goleiro veterano

Jailson é um ótimo goleiro e é uma boa contratação para quase todos os times do Brasil. No entanto, no Cruzeiro, o contexto indicava que a melhor contratação seria um goleiro mais jovem, a fim de substituir o arqueiro mais espetacular da história cruzeirense.

A Raposa já tem um goleiro veterano que está próximo da aposentadoria. Fábio tem 41 anos e caminho para o seu último ano como profissional, teoricamente. A tendência é que Jailson, com 40 anos, também esteja próximo de encerrar a sua carreira. Os dois irão se aposentar juntos? Não faz sentido.

Durante a temporada de 2021, por exemplo, Fábio ficou fora de apenas uma partida, a qual ele estava suspenso. Portanto, mesmo com a idade avançada, o arqueiro não está com problemas físicos, teve ótimas atuações no ano e está mantendo o mesmo nível.

Logo, Fábio não deve dar muitas oportunidades para Jailson jogar em 2022. Obviamente, se houver uma lesão, o Cruzeiro sabe que conta com um ótimo e experiente goleiro no banco de reservas. Esta é a única justificativa para a contratação de outro goleiro veterano.

O Cruzeiro Esporte Clube tem dois ótimos arqueiros. Porém, ao somar a idade deles, o resultado passa dos 80 anos. Isso coloca o futuro da meta cruzeirense em jogo.

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Deveria haver um real sucessor

Ao ter dois goleiros com a idade avançada, o Cruzeiro pensa apenas em curto prazo. É claro que a equipe deve focar bastante na temporada de 2022, visto que o retorno para a Série A é urgente. No entanto, criar uma dúvida em relação ao futuro de uma posição tão importante como goleiro é um caminho bem preocupante.

No futebol, o arqueiro reserva é aquele jogador que praticamente não entra em campo. Por exemplo, Lucas França só jogou duas vezes em 2021: quando Fábio foi expulso e quando o titular estava cumprindo suspensão. Por causa disso e levando em consideração que Fábio irá atuar em quase todas as partidas, Jailson terá poucas oportunidades no ano.

Sendo assim, o Cruzeiro, ao saber que Fábio está próximo de encerrar a sua carreira, deveria ter contratado algum goleiro que, se fosse talentoso, poderia ficar pelos próximos cinco anos pelo clube, por exemplo. Um jovem arqueiro que usaria 2022 para aprender várias coisas com Fábio. Mas não. A equipe buscou um goleiro que também está perto de se aposentar.

Jailson não é um problema. Trata-se de um grande goleiro. Mas, sabendo das dificuldades enfrentadas por Palmeiras e São Paulo, quando Marcos e Rogério Ceni se aposentaram, o Cruzeiro deveria ter procurado algum nome mais jovem para realizar esta transição.

É certo que não será fácil substituir uma lenda, mas o clube deve pensar nisso. Deixar para resolver este problema apenas quando Fábio e Jailson se aposentarem pode comprometer a década cruzeirense, visto que o atleta que defende a meta é quem mais precisa de confiança dentro de campo.

É, não pensar em um sucessor de Fábio se tornou um caminho preocupante para o futuro do Cruzeiro.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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