Sem prêmios individuais, mas amado pela torcida: Allan é o destaque “sem grife” do Atlético

Allan e a sua ótima perna esquerda. FOTO: PEDRO SOUZA / ATLÉTICO

Por Pedro Bueno

Mesmo em uma temporada irretocável, Allan Rodrigues de Souza tende a terminar o ano sem conquistar sequer um prêmio individual. Uma tremenda falta de sorte, mas uma falta de sorte das premiações, visto que vários troféus estariam em ótimas mãos de um dos grandes volantes do futebol sul-americano em 2021. Azar dos prêmios.

Allan está no auge do seu futebol e é amado pela torcida alvinegra. “Uh, uh, o Allan é pitbull”. O grito tomou conta do Mineirão e mostra que a massa realmente é apaixonada pelo futebol do volante de 24 anos. O camisa 29 é acima da média em vários fundamentos, como passe e interceptações, mas também demonstra muita raça, conquistando, desta forma, a torcida alvinegra.

Uma temporada perfeita de um primeiro volante indiscutível. Velocista, técnico e brigador: estas são as melhores definições de um jogador que está em outro patamar dentro do futebol brasileiro. Um atleta que não desiste de nenhuma jogada e, se necessário, entrará firme para desarmar o adversário. É um volante daqueles que conquistam a torcida, independentemente da participação em gols.

Allan é um dos poucos jogadores do elenco que ainda não possuem gols com a camisa alvinegra, mesmo jogando com regularidade. Mas não faz falta. A quantidade de tramas ofensivas que começaram nos seus passes curtos, inversões, lançamentos e, principalmente, nos desarmes é a melhor demonstração de quão importante o camisa 29 é para o time alvinegro, campeão do Brasileirão de 2021 e potencial vencedor da Copa do Brasil.

Injustamente, Allan não foi premiado individualmente, mas não faz diferença para o torcedor atleticano. A massa quer o pitbull em campo mais vezes, representando as cores alvinegras. Allan é especial!

As premiações

Na última semana, o Brasileirão chegou ao fim e várias premiações ganharam destaque. As cerimônias da ESPN, com a famosa premiação da Bola de Prata, e da CBF chamaram a atenção por reunir vários atleticanos. Hulk foi eleito o melhor jogador do campeonato em ambas as premiações, Arana, Alonso, Cuca, Jair e Nacho Fernández também foram unânimes nas seleções do campeonato e Mariano e Everson foram premiados pela ESPN.

Tudo certo e as premiações foram merecidas. No entanto, uma ausência em todas estas cerimônias chama a atenção, visto que o atleta jogou muito durante todo o Brasileirão. Allan viu Edenílson e Jair protagonizarem a dupla de volantes nas duas principais premiações, não recebeu nenhum prêmio individual e o seu ótimo desempenho não foi recompensado com a participação no time ideal do Brasileirão de 2021.

Obviamente, os jogadores não se importam tanto com estas ausências, visto que é apenas um prêmio e a taça mais importante já foi levantada – o troféu do Brasileirão. No entanto, receber uma honraria individual representa todo o seu esforço e valoriza as atuações do atleta. Allan ficou sem nenhum prêmio, mesmo após diversas partidas em alto nível.

Mesmo assim, o atleta seguiu concentrado em provar todo o seu talento e fez uma partida irretocável contra o Athletico-PR, na primeira partida da final da Copa do Brasil. Este é Allan, um volante determinado.

“Sem grife”

Logo na manchete, Allan é descrito como destaque “sem grife” do Atlético. A intenção desta definição é deixar claro que não existe tanta repercussão acerca dos feitos e das atuações do volante, mesmo ele indo muito bem e tendo técnica de sobra. Dentro do elenco alvinegro, os feitos de Arana, Diego Costa, Hulk, Keno, Nacho Fernández e até mesmo de Zaracho ganham muito mais evidência que as façanhas de Allan.

Uma razão evidente para esta falta de ênfase na fase de Allan é a sua posição. O camisa 29 tem a função de fazer a saída de jogo, ou seja, se aproxima dos zagueiros e faz passes verticais no início das tramas, sem participar efetivamente de gols. O volante passou toda a temporada com zero assistências e zero gols, visto que não se aproxima tanto da meta do rival e arrisca apenas chutes de fora da área.

Em comparação com companheiros defensivos, Allan sempre fica na defesa, visto que não apoia nos ataques para cobrir os jogadores defensivos que chegam à área – como Arana e Jair – e, nos lances de escanteio, onde os zagueiros sobem, o volante também fica na cobertura. Ele cobre, intercepta, recomeça as jogadas e faz ótimos lançamentos. Um volante completo.

Allan não tem grife porque é um atleta que não ataca e não faz parte do final das tramas de um ótimo time atleticano. Ele não participou de gols como Edenílson e Jair, mas é peça fundamental da ótima engrenagem alvinegra. Ele não foi tão protagonista como Arana, Hulk e Keno, porém foi crucial em diversas partidas. Allan é importantíssimo!

O carinho da torcida

Aparentemente, Allan não tem a grife necessária para ser chamado para a Seleção Brasileira e para ganhar destaque nacional. Porém, o camisa 29 não precisa disso para ter o carinho da torcida alvinegra.

Depois de um início ruim ainda sob comando de Dudamel, logo após a sua chegada – o Galo o contratou no início de 2020 junto do Liverpool, após bom empréstimo para o Fluminense em 2019 -, Allan colocou a cabeça no lugar, diminuiu as reclamações e está encerrando o ano de 2021 como um dos grandes nomes do fortíssimo elenco atleticano.

Praticamente nenhum torcedor é insano o suficiente para querer bancar Allan no atual momento. O volante é titular absoluto, com razão, e faz uma ótima dupla com Jair, visto que eles se completam.

Allan se destaca e ganha a torcida por causa da raça, determinação e vontade em cada dividida, porém o seu talento é incrível. Juntamente com os seus desarmes, carrinhos e interceptações, os seus passes curtos, lançamentos e inversões rápidas fazem com que Allan seja um dos melhores jogadores do Galo. Ele ficou sem os prêmios individuais, mas tem o carinho da torcida alvinegra: o camisa 29 merece ter moral de sobra!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Leonardo

Joga muito!

geraldo

Quando Allan chegou nunca imaginei que fosse jogar em alto nível. Era o rei do cartão amarelo. De fato pôs a cabeça no lugar e eu lendo este deste só me resta aplaudir o redator. Parabéns!

Caçador de urubosa

Sem dúvida, uma ausência estranha, mas a gente pensar q a premiação tenta ser o mais democrática, ñ concentrando tudo no CAMpeão, a ñ ser q esse seja o flamango…Quem vai entender, por exemplo, o tal Michael sim e o KENO não?…Keno foi decisivo prá valer campeonato, e em vários e vários jogos.

Cláudio Roberto

Cracaço de bola. O melhor volante do Galo na era dos pontos corridos. O melhor volante do Brasil!