Mudanças da CBF em relação às contratações forçará o Cruzeiro a alterar estratégia

O presidente Sérgio Santos Rodrigues foi o responsável pelas contratações equivocadas nos últimos anos. Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Uma mudança importante feita pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para a próxima temporada terá um grande impacto nas transferências e irá impor que os clubes tenham uma gestão ainda mais consciente nas contratações.

Segundo informações do GE, a CBF enviou um ofício aos clubes e às federações estaduais comunicando que, a partir de 2022, o futebol brasileiro contará com uma janela nacional de transferências. Trata-se de uma exigência da FIFA e os clubes brasileiros poderão registrar os seus reforços em apenas dois períodos específicos, assim como funciona boa parte do futebol mundial.

A mudança já era esperada por ser uma imposição da FIFA, porém não é uma boa notícia para gestões mais desequilibradas do futebol brasileiro. Por isso, estas alterações devem forçar o Cruzeiro a mudar as suas estratégias, visto que o time não poderá repetir o que foi feito em 2020 e 2021, quando o clube fez várias contratações durante o Campeonato Brasileiro.

Logo, as simples mudanças da CBF podem acarretar um necessário pensamento mais profundo da diretoria do Cruzeiro acerca das contratações, visto que o time não poderá passar a temporada corrigindo erros.

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As alterações da CBF

Seguindo as determinações da FIFA, a CBF, segundo o GE, comunicou que o futebol brasileiro contará com duas janelas de transferências – a mudança será válida em 2022 apenas para clubes da Série A e B. Anteriormente, estes períodos já existiam, mas apenas para jogadores que estavam no futebol internacional.

Com estas mudanças, qualquer jogador que tenha vínculo com algum clube brasileiro só poderá ser registrado pelo outro dentro das janelas de transferências, seguindo as determinações anteriores que levavam em conta apenas os atletas oriundos do futebol internacional. Logo, as contratações podem até acontecer enquanto a janela estiver fechada, mas os atletas não poderão ser registrados, isto é, não poderão entrar em campo.

As exceções são jogadores que não possuem contrato com qualquer clube ou que tenham rescindido o vínculo antes do fim da janela de transferência. Por exemplo, o atacante Diego Costa, atleta que havia rescindido com o Atlético de Madrid no fim de dezembro de 2020 e só assinou com o Galo em agosto de 2021, poderia ser apresentado normalmente, independentemente da janela, visto que ele estava disponível no mercado.

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As datas

As janelas de transferências irão abrir e fechar nas seguintes datas, sendo estes os únicos períodos que as contratações serão permitidas:

  • 19 de janeiro a 12 de abril;
  • 18 de julho a 15 de agosto;

Logo, as equipes poderão inscrever suas contratações para iniciar o estadual pelo clube, visto que os campeonatos começam em 26 de janeiro, ou seja, os reforços estarão à disposição. A janela de transferências do primeiro semestre se encerra logo após a primeira rodada da fase de grupos da Libertadores e da primeira rodada do Brasileirão Série A e B.

A segunda janela de transferências começará praticamente na virada de turno: antes da 19ª rodada da Série B e da 18ª rodada da Série A. A janela ficará aberta por apenas um mês, fechando logo após a 22ª rodada da primeira divisão e 24ª da segunda divisão.

Logo, entre abril e julho, no intervalo de três meses onde os clubes ficarão sem registrar novos jogadores, os clubes passarão por quase todo o primeiro turno do Brasileirão, fase de grupos das competições continentais, e 3ª fase e oitavas da Copa do Brasil.

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A Raposa e as suas contratações “urgentes”

As alterações irão acontecer e os clubes devem aproveitar o estadual para montar todo o elenco. Assim que iniciar o Brasileirão, as equipes ficarão três meses sem possibilidade de registrar um novo jogador e depois terá apenas um mês, ou seja, as decisões devem ser – bem – tomadas no início do ano. E é nesta questão que o Cruzeiro deve ficar atento.

Depois do rebaixamento de 2019, a equipe mineira passou por duas temporadas desastrosas na Série B do Campeonato Brasileiro. Em ambas as oportunidades, o time contou com três técnicos diferentes durante a segunda divisão, encerrou a temporada com um técnico medalhão e fez diversas contratações. E os reforços chegaram durante todo o ano. Com as mudanças da CBF, isso não poderá acontecer.

Em 2020, Airton, Arthur Caíke, Daniel Guedes, Giovanni Piccolomo, Rafael Luiz, Rafael Sobis e Willian Pottker foram contratações feitas pela Raposa depois do início da Série B. Em 2021, antes do transfer ban e na semana da 7ª rodada da Série B, o clube foi às compras, fechou com Dudu, Jean Victor, Keké, Léo Santos, Norberto, Rhodolfo e Wellington Nem.

Estas contratações desesperadas feitas pelo Cruzeiro não poderiam acontecer com as novas regras da CBF. A equipe mineira teria que esperar o prazo certo e não poderia usar estas contratações “urgentes” como válvulas de escape para a crise.

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O Cruzeiro deve mudar a estratégia

Por causa disso e buscando um ano melhor, o Cruzeiro deve mudar a estratégia para 2022. O time não pode entrar na Série B sem uma equipe formada, visto que o entrosamento é uma das principais maneiras de impor um bom futebol.

As contratações feitas pela Raposa devem estar unidas desde o início do Campeonato Mineiro, permitindo ajustes pontuais até a primeira rodada da Série B. Depois disso, a equipe passará 17 rodadas da segunda divisão sem alterações no elenco e mais um primeiro turno lutando contra o rebaixamento condicionaria toda a temporada cruzeirense, mais uma vez.

Por isso, o clube deve contratar corretamente e permitir alguns ajustes durante o Campeonato Mineiro. O Cruzeiro não tem a obrigação de vencer o estadual – Atlético e América possuem maiores responsabilidades na competição – e, por isso, deve usar os primeiros meses do ano para estudar o plantel formado. Caso sejam necessários ajustes, o time terá alguns dias pós-Mineiro para arrumar a casa para uma Série B que o time espera que seja diferente.

O Cruzeiro tem apenas um caminho em 2022: corrigir todos os erros cometidos em 2020 e 2021, arrumar a casa e voltar à Série A. Para isso, o primeiro passo é a organização. Depois de quitar a dívida do transfer ban, a equipe deve ir atrás de contratações realmente eficazes, a fim de não ter problemas com esta justa e pontual regra criada pela CBF. Atenção, Raposa!

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Carlos

O Cruzeiro e ou os outros 19 clubes da serie B e 20 da serie A né editor?