50 anos em cinco minutos: os gols de Keno, a virada épica do Atlético e um jogo eterno

A reação de Keno ao perceber que ele havia marcado um gol histórico. Foto: Pedro Souza / Atlético

Há mais de meio século, o presidente Juscelino Kubitschek traçou metas e prometeu fazer 50 anos em cinco. Em 2021, o Atlético conseguiu mudar esta frase histórica e ser ainda mais rápido, pois 50 anos foram resolvidos em cinco minutos.

Um jejum que desgastou gerações de atleticanos. Uma seca de meio século que incomodou diferentes jogadores. 50 anos que machucaram até mesmo os torcedores que nasceram depois. Mas tudo chegou ao fim em um intervalo de cinco minutos.

Aos 27 do segundo tempo, o Bahia estava vencendo o Atlético por 2 a 0 na Fonte Nova. O estádio baiano pulsava e o Tricolor de Aço estava próximo da vitória frente ao líder do Campeonato Brasileiro. Porém, o Galo é forte e vingador. Em um intervalo de cinco minutos, Hulk empatou, Keno brilhou e marcou duas vezes para se colocar na eternidade.

Uma virada épica. Um jogo que várias gerações de atleticanos irão se lembrar. Foi sofrido e foi espetacular. O Atlético virou uma partida complicada em um curto espaço de tempo, venceu por 3 a 2 fora de casa e soltou o grito de bicampeão do Campeonato Brasileiro na noite de quinta-feira, 02 de dezembro de 2021.

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O início do duelo

A partida contou com tempos completamente distintos. A etapa inicial foi sonolenta com apenas duas tramas atleticanas, enquanto o Bahia chegou apenas em uma finalização para a linha de fundo. Já o segundo tempo foi maluco, ficou marcado por cinco gols e uma comemoração histórica do Clube Atlético Mineiro.

Logo no início do duelo, o Galo começou em cima e chegou com perigo aos 4. Em tabela com Hulk, Keno, o camisa 11 que viria a ser o protagonista da conquista, finalizou de fora da área e obrigou Danilo Fernandes a fazer uma grande defesa.

Depois disso, o primeiro tempo perdeu ritmo e ficou bem morno. O Atlético chegou novamente com Nacho Fernández, aos 39, quando o argentino entrou na área, chutou forte e o goleiro do Bahia fez uma grande defesa. Cinco minutos depois, Rodriguinho cabeceou com perigo, encerrando um primeiro tempo desanimado.

Já nos 45 minutos finais, o jogo ficou mais aberto e o Bahia aproveitou as brechas para fazer dois gols. Aos 16, Luiz Otávio subiu bastante e cabeceou no ângulo esquerdo de Everson. Quatro minutos depois, Matheus Bahia cruzou, Gilberto antecipou a marcação de Alonso e escorou para o gol. 2 a 0 para o Tricolor de Aço aos 20 da segunda etapa.

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A virada épica

Algumas coisas só acontecem com o Clube Atlético Mineiro. E aconteceu. Aos 22, Nacho Fernández – atleta que estava gripado e jogou no sacrifício – e Vargas deixaram o campo para a entrada de Eduardo Sasha e Nathan. E estas mudanças somadas ao ímpeto atleticano resultaram em uma virada épica.

Aos 26, Sasha recebeu passe de Nathan, girou logo após entrar na área e foi derrubado. Pênalti corretamente marcado e corretamente convertido por Hulk no minuto seguinte. O artilheiro do Brasileiro chegou ao 18º gol após cobrar forte no canto esquerdo de Danilo Fernandes, goleiro que escolheu o lado direito. Gol do Galo e o empate estava próximo.

E aconteceu logo no minuto seguinte. Aos 28, Mariano fez ótima inversão para Keno e o ponta começou a sua caminhada para se eternizar. O camisa 11 dominou na esquerda, levou para o meio e chapou no ângulo, marcando um lindo gol. Empate atleticano e uma energia única que apenas dois gols em dois minutos resultam.

Com a vontade evidente de virar a partida em cima de um adversário que já “estava nas cordas”, o Atlético seguiu em frente e Hulk puxou um contra-ataque aos 32. O artilheiro tocou para Nathan e o meio-campista, novamente, teve muita inteligência para encontrar Keno na entrada da área. O camisa 11 dominou com a perna esquerda, a bola subiu e Keno acertou de primeira, em cheio. Uma finalização única. Um chute que encerrou um jejum de 50 anos. Uma batida que foi no canto direito de Danilo Fernandes e incendiou o país. Gol de Keno e uma virada épica: 3 a 2 para o Clube Atlético Mineiro, campeão do Campeonato Brasileiro de 2021.

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Um jogo eterno

A virada épica se tornou um jogo eterno após o apito final. Keno marcou dois gols inacreditáveis e o Galo ganhou. Sim, o Galo ganhou novamente. O Atlético encerrou um jejum de 18 anos sem vencer na Bahia para acabar com uma seca de 50 anos do Brasileirão. Foi sofrido. Foi Atlético Mineiro.

O camisa 11 do Atlético foi o protagonista da partida porque balançou as redes duas vezes: empatou e virou. Keno se colocou na história atleticana de uma forma emblemática. Um baiano nascido em 1989 entendeu tudo que passava no coração dos mineiros desde 1971. O ponta fez uma das suas melhores partidas pelo Atlético, auxiliou muito na marcação, principalmente na primeira etapa, e decidiu o jogo com dois belos gols. Keno se eternizou e colocou todo o elenco em outro nível da história alvinegra.

Cuca também se fez presente em outro jogo eterno. Depois de “libertar” o Atlético em 2013, em uma saga inacreditável, o técnico mexeu muito bem no time quando estava perdendo por 2 a 0 e virou o jogo. Uma virada inacreditável que resultou no grito de “é campeão”.

Por fim, Hulk também merece destaque. O artilheiro não fez uma grande partida, mas apareceu no momento certo: quando o Galo estava cabisbaixo, Hulk cobrou o pênalti e recolocou o time nos trilhos para buscar uma vitória.

Enfim, um jogo eterno com diversos protagonistas. Mariano, Tchê Tchê, Nathan e Sasha também se destacaram, até porque Allan, Diego Costa, Jair e Savarino sequer viajaram para a Bahia e o elenco se desdobrou com os desfalques. Um plantel vencedor que fez por merecer uma partida histórica.

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Haja comemoração!

Depois de uma virada épica e um jogo eterno, o atleticano merecia comemorar. A Praça Sete foi tomada por milhares de atleticanos em uma noite de quinta-feira que os torcedores soltaram o grito tão esperado. O bicampeonato é alvinegro e a torcida merece, após 50 anos, gritar bem alto. O sonho de vários mineiros foi realizado neste 02 de dezembro de 2021.

Foi sofrido porque nada é fácil para o atleticano. Foi prazeroso porque uma massa apaixonada sabe curtir cada minuto de uma glória. As conquistas atleticanas são emblemáticas assim como os respectivos roteiros. O Atlético se faz protagonista em momentos que nem os mais otimistas torcedores acreditavam.

Quando Leonardo Silva cometeu um pênalti contra o Tijuana, os atleticanos se assustaram, mas, no fundo, acreditaram. Victor se imortalizou.

Quando Newell ‘s Old Boys e Olimpia venceram por 2 a 0, os atleticanos se assustaram, mas, no fundo, acreditaram. Desta vez, Guilherme, Leonardo Silva, Victor e um elenco libertador se colocaram na história.

Quando Corinthians e Flamengo venceram por 2 a 0 em casa e abriram o placar no Mineirão, os atleticanos se assustaram, mas, no fundo, acreditaram. Duas viradas e dois placares por 4 a 1 resultaram em uma Copa do Brasil emblemática.

Quando o Bahia abriu 2 a 0 aos 20 do segundo tempo, os atleticanos se assustaram, mas, no fundo, acreditaram. Hulk diminuiu e Keno foi o protagonista com dois gols.

O Atlético construiu mais uma noite épica para coroar uma conquista marcante. O Galo é campeão do Campeonato Brasileiro de 2021!

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Eraldo

É o Galo a la JK, 50 em 5. Não esqueçamos, o Galo é 13.