Reinaldo e Hulk | Não “deixaram” o rei conquistar, mas o herói buscou o Brasileirão

Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

O atleticano não imaginava que uma ligação tão intensa seria criada em 2021. Givanildo Vieira de Sousa chegou no início do ano, demorou algumas partidas para se adaptar ao futebol brasileiro e, depois de se acostumar, se afirmou como o grande jogador do país na temporada. Hulk decidiu vários jogos, deve levantar a taça de campeão do Brasileirão nos próximos dias – precisa de dois pontos em três partidas – e é o novo ídolo atleticano.

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Curiosamente, há pouco mais de 40 anos, um jovem de 23 anos chamado José Reinaldo de Lima esteve próximo da conquista do Campeonato Brasileiro. Porém, não deixaram o rei conquistar a taça, em uma das maiores polêmicas do futebol. Em um confronto bem conturbado frente ao Flamengo, o time mineiro saiu de campo sem o título. Com isso, Reinaldo encerrou a sua passagem pelo Galo em 1985 e não conseguiu erguer o troféu do Brasileirão.

O rei merecia a taça. O herói também merece. Reinaldo encerrou a sua carreira como jogador e não conseguiu o feito mais almejado. O jejum atleticano segue até o primeiro ano de Hulk. O camisa 7 é o destaque de um time que tende a ser campeão na próxima semana e encerrar com o jejum de 50 anos.

O título do Brasileirão já seria emblemático por si só. Mas a comemoração de Hulk, olhando para Reinaldo nas tribunas, tornou esta conquista ainda mais especial.

Rei(naldo)

Uma geração de atleticanos que tem mais de 50 anos se lembra perfeitamente de José Reinaldo de Lima atuando. Um gênio dentro de campo e também fora das quatro linhas. Um jogador que nunca deixou de se posicionar contra a Ditadura Militar e que sempre esteve bem posicionado para marcar gols. O maior artilheiro da história do Atlético. O ídolo de gerações. É o rei.

Por causa deste talento incomparável, várias famílias que torcem para o Atlético fizeram questão de contar a história do rei para os mais jovens. O sentimento de injustiça devido às polêmicas frente ao Flamengo em 1980 e 1981 ainda faz parte do coração do atleticano. Reinaldo e aquela geração brilhante fizeram por merecer feitos ainda maiores, mas a glória não foi permitida.

A comemoração de sempre de um rei! Foto: reprodução intenet.

Mesmo sem o título de campeão do Brasileirão de 80, Reinaldo fez história e é o maior ídolo alvinegro. São 255 gols em 475 jogos pelo Atlético, se consolidando como o maior artilheiro da história do Galo. É o rei. É um jogador único e o atleticano tem saudades.

O tempo passou e Reinaldo envelheceu, como esperado. Mesmo assim, o ídolo atleticano estava no último domingo, 28 de novembro, no Mineirão, onde ele se tornou rei nas décadas de 70 e 80 e presenciou os dois gols de Hulk, o herói que irá fazer justiça com os próprios pés.

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Hulk, o herói atleticano

Tantos jogadores especiais passaram pelo Atlético depois de 1980. Marques e Guilherme marcaram época, Ronaldinho e companhia colocaram os seus nomes na história na Libertadores e Diego Tardelli também é lendário. Mas todos “bateram na trave” e não conseguiram entregar a taça de campeão – que deveria ter sido conquistada em 1980 – para Reinaldo.

Entretanto, um herói está vingando toda esta história e está muito próximo de conseguir a taça para o Clube Atlético Mineiro. Givanildo Vieira de Sousa é o nome dele, um jogador que está protagonizando uma linda história. Hulk é a cara deste provável título atleticano.

O herói atleticano foi apresentado no início de fevereiro deste ano e já entrou em campo com a camisa alvinegra em incríveis 64 partidas. Porém, ainda mais espetacular que o número de jogos é a estatística de gols marcados: Hulk já balançou as redes 32 vezes, ou seja, tem uma média absurda de fazer um gol a cada dois jogos. No Brasileirão, o camisa 7 disparou como artilheiro e marcou 17 gols, sendo cinco tentos nas últimas três partidas atleticanas, ou seja, na hora da decisão, ele esmagou.

Hulk não se escondeu durante o ano de 2021 e se mostrou preparado para fazer história. Vingar é o papel de um herói e combina perfeitamente com o lema alvinegro: Galo forte e vingador. Givanildo é o grande nome de uma conquista emblemática que irá colocar, na próxima semana, mais uma taça na galeria atleticana, fazendo justiça à geração de Reinaldo e companhia.

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Um encontro de gerações

O rei estava nas tribunas e se emocionou com os dois gols do herói. No gol da virada, o segundo do Atlético e do camisa 7 na partida, Hulk fez questão de correr na direção do camarote que Reinaldo estava. Com o punho direito cerrado e erguido, Givanildo homenageou o maior e mostrou que estava entendendo a importância deste gesto para o atleticano.

Uma simples comemoração, mas trata-se de um gesto que tem um valor muito maior. A resistência sempre foi o tema das manifestações de Reinaldo, e Hulk, ao repetir o punho cerrado e erguido, evidencia que o Atlético resistiu. Em meio às dificuldades, o time mineiro resistiu nos últimos 40 anos. Entre as injustiças e a desordem, o time mineiro está muito próximo de encerrar um jejum de meio século. O Galo e a resistência são sinônimos. Uma torcida que torce contra o vento nunca deixará de acreditar. E foi assim que o Atlético chegou em 2021 e está próximo do bicampeonato do Brasileirão.

Representando todos os torcedores, Reinaldo foi flagrado algumas vezes chorando nas tribunas. Uma simples filmagem do cinegrafista que representa bastante para o atleticano. Não deixaram o rei ser campeão, porém ele estava no Mineirão, presenciando a história ser escrita pelo herói.

Ainda no fim na partida frente ao Fluminense, Reinaldo e Hulk conversaram e o rei afirmou que o herói está nos corações dos atleticanos para sempre. Ele tem razão e também possui propriedade para falar, visto que estará sempre no coração do torcedor alvinegro. Reinaldo é histórico. Hulk está escrevendo a sua história. Eles ainda estão em patamares diferentes, porém se entendem. São gigantes. É o rei, o herói e mais uma linda história atleticana.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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