“Por que tem que ser tão sofrido?” A romântica relação entre o Atlético e as conquistas

Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

Boa parte dos torcedores atleticanos se lembram de uma frase do narrador Mário Henrique, o Caixa, no fim da partida frente ao Flamengo na Copa do Brasil de 2014. Após Luan marcar o quarto gol atleticano e o time alcançar o placar de 4 a 1 novamente – já havia vencido o Corinthians nas quartas pelo mesmo resultado -, o locutor da Rádio Itatiaia perguntou:

“Por que tem que ser tão sofrido assim para esse povo preto e branco?

A pergunta ainda não possui uma resposta. Ninguém sabe explicar porque o atleticano tem que sofrer tanto para se aproximar de um troféu. No entanto, esta forma de caminhar atrás de uma conquista redimensiona a glória conquistada.

Em exemplos recentes, a Libertadores da América de 2013 não foi um torneio comum. A Copa do Brasil de 2014 também não contou com fatos rotineiros. Nada é fácil para o Atlético, assim como tudo é épico e emblemático porque é a forma que a instituição encara cada situação.

Existem vários pontos românticos por trás de cada conquista atleticana e isso é bonito, visto que deixa marcas em todos os torcedores, indo além do público alvinegro.

Entretanto, o sofrimento não é algo necessário. O Atlético está se aproximando do título do Brasileirão sem sofrer como nas outras situações, mas o torcedor está tão ansioso que o sofrimento é provocado pelos próprios apoiadores. É curioso. É Clube Atlético Mineiro.

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As noites épicas

Podem sair pelas ruas do Brasil, encontrar amantes do futebol, independentemente da cidade, e perguntar sobre a Libertadores de 2013. Várias pessoas afirmarão que até torceram pelo Atlético na época, visto a história enfrentada pelo time mineiro na competição. Além disso, boa maioria contará onde estava quando Victor defendeu o pênalti com o pé, quando Guilherme fez o gol no apagar das luzes e quando Gimenez acertou a trave do Mineirão.

São noites épicas que estão na história do futebol brasileiro. O mesmo vale para as viradas inacreditáveis que aconteceram em menos de um mês no fim de 2014. Naquela Copa do Brasil, o Atlético desafiou o impossível, se viu em uma desvantagem de 0-3 em duas oportunidades e buscou a virada em casa. O Galo bateu os gigantes Corinthians e Flamengo por causa do talento da equipe e principalmente devido ao apoio da massa atleticana. Dois placares mostrando 4 a 1 e o Atlético chamou a atenção de todo o Brasil.

Para ser campeão não é necessário toda esta parte romântica por trás, porém, aparentemente, este roteiro faz parte do clube mineiro. É melhor escapar do mantra “se não for sofrido, não é Atlético Mineiro”, mas em algumas oportunidades é impossível. Felizmente, estas noites épicas evidenciam o tamanho das conquistas atleticanas.

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Não foi sofrido, mas…

Por que falar sobre este assunto agora? Então, esta resposta é simples. O Atlético está próximo de um título que não conquista há 50 anos, ou seja, uma geração de torcedores nunca viu o time erguer a taça do Brasileirão, e a liderança está sendo controlada pela própria equipe alvinegra.

Na primeira colocação desde a 15ª rodada, quando venceu o Juventude no primeiro turno, o Atlético terá apenas mais quatro jogos e possui uma vantagem de oito pontos, isto é, apenas uma queda de rendimento inacreditável tira a taça das mãos atleticanas.

Dentro de campo, o Galo se mostra um time concentrado, capaz de controlar partidas e não sofreu. Obviamente, o time mineiro tropeçou algumas vezes – 11 deslizes em 34 partidas -, mas nada que levasse a massa atleticana ao sofrimento. O título está encaminhado por causa da regularidade da equipe e o Brasileirão tende a ser conquistado nas próximas semanas, visto que o time mineiro precisa de cinco pontos nos 12 restantes.

A caminhada até ficar bem próximo da taça do Brasileirão foi longa, mas não foi sofrida. Mesmo assim, é necessário destacar que a noite passada foi marcante, com um sofrimento raro em 2021 para os atleticanos.

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A noite de 23 de novembro

Nem o mais pessimista torcedor imaginaria uma terça-feira tão insana quanto este 23 de novembro de 2021. A disputa por meio dos pontos corridos é considerada um modelo que não tem noites épicas, mas os acontecimentos da noite passada “enlouqueceram” alguns atleticanos.

A partida do Flamengo começou mais cedo e terminou o primeiro tempo sem alterações no placar. Já o Atlético encerrou uma etapa inicial mais movimentada com o Palmeiras e já estava 1 a 1. Porém, quando o jogo atleticano foi para o intervalo, vários fatos na partida do time carioca chamaram a atenção dos atleticanos.

Aos 13 da segunda etapa, Vitinho marcou o primeiro gol flamenguista. Dois minutos depois, Jhonata Robert foi expulso. No minuto 29, o mesmo Vitinho fez o segundo gol flamenguista e a situação do Grêmio aparentava ser irreversível: dois gols de desvantagem e um jogador a menos. Porém, em um intervalo de sete minutos, a equipe reagiu e empatou.

A grande questão é que o Grêmio empatou com o Flamengo ao mesmo tempo em que o Atlético cometeu um pênalti contra o Palmeiras. Na cobrança, Everson fez a defesa. No entanto, para completar a montanha-russa alvinegra, no lance seguinte, o goleiro atleticano falhou de forma bizarra e o Palmeiras fez o seu segundo gol.

Hulk empatou alguns minutos depois, mas estes momentos emocionantes que aconteceram nos dois jogos, ao mesmo tempo, lembraram o atleticano das noites épicas que levam ao título.

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Se não sofrido, também pode ser Atlético Mineiro

Não existe uma regra por trás deste sofrimento. O Atlético não será campeão apenas quando sofrer. Em uma visão geral, o Brasileirão não foi tão sofrido para o torcedor atleticano e o título deve ser decretado na próxima semana. Contudo, existe um sentimento que está fazendo o atleticano sofrer: a ansiedade.

O torcedor está muito ansioso, querendo garantir esta taça rapidamente, e acaba aumentando o tamanho deste “sofrimento”. No entanto, esta ansiedade não precisa fazer parte de uma análise fria. O Atlético não perdeu no mês de novembro, estava em uma sequência de cinco vitórias seguidas até empatar com o Palmeiras e precisa de cinco pontos nos 12 restantes. Além disso, com uma vitória, o Atlético obriga o Flamengo a ter 100% de aproveitamento nas quatro rodadas finais.

Logo, não deve ser sofrido e o título alvinegro tende a ser conquistado nos próximos dias. A ansiedade, obviamente, faz parte do cotidiano dos atleticanos, mas é possível ressaltar: não é mais uma questão de “se”, mas é uma questão de quando o Atlético será campeão do Brasileirão.

Em meio a toda esta provável conquista, a romântica relação atleticana com as glórias volta a ser destaque porque a forma que a torcida encara a caminhada até o troféu faz com que esta taça também seja épica, além do claro jejum.

A paixão atleticana faz com que cada defesa, cada arremate e cada gol do rival se torne ainda mais emblemático. Uma torcida que torce contra o vento não deixaria de ser protagonista de uma conquista deste tamanho. Haja romance e haja sofrimento. Tudo é épico no Atlético, assim como o que está acontecendo em 2021 é muito especial. Aproveitem, atleticanos!

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Vinicius Matos Araujo

Parece mais sofrido porque são muito eventuais. Essa romantização do sofrimento atleticano é uma desculpa pra falta de títulos, todo clube vencedor teve seus títulos sofridos também! Abraços

Teobaldo

Concordo, mas em contrapartida a empáfia disfarça o sofrimento, uma vez que o arrogante morre internamente, mas não revela o choro (aquele que aparece na hora de dormir, com as luzes apagadas, e somente uma lágrima rolando, reconheces?) nem sob tortura. O arrogante até se acostuma com o chorume entrando pelas ventas, mas nunca desce do salto (eu conheço um que está há anos nessa situação).

Jandui Tupinambás

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