Quatro atleticanos, dois palmeirenses e um flamenguista: a data FIFA desfalca os favoritos novamente

Capitão, titular e xerife: Alonso ficará fora das duas próximas partidas do Galo. Foto: Pedro Souza / Atlético

O irônico da data FIFA é que, em vez de animar o torcedor, ela acaba enfurecendo os brasileiros. Como o “país do futebol” não paralisa as competições da forma que as grandes ligas do futebol mundial fazem durante os jogos das seleções, as melhores equipes são sempre prejudicadas por terem atletas selecionáveis.

A discussão é chata e se repete com frequência, enquanto a solução é evidente: mudar o calendário, optar por menos jogos dos estaduais e deixar brechas para que as competições não aconteçam durante a data FIFA. No entanto, todos os anos, a realidade é a mesma: calendário aprovado, ano começa e poucas pessoas reclamam, porém, na primeira convocação que realmente atrapalhe o seu clube, todos se revoltam.

Depois de várias polêmicas em outubro, quando os grandes favoritos tiveram jogadores convocados pela Seleção Brasileira, Tite optou por não convocar atletas que atuam no Brasil – a exceção é o goleiro Gabriel Chapecó, do Grêmio. Entretanto, esta atitude não mudou a realidade da reta final do Brasileirão, já que os clubes possuem jogadores estrangeiros que foram convocados.

O Atlético terá quatro desfalques. Já o Palmeiras contará com duas baixas. Desta vez, por causa da lesão de Arrascaeta, apenas um jogador se ausentará do Flamengo. Em rodadas finais, as convocações irão, infelizmente, atrapalhar o futebol brasileiro, mais uma vez.

Os desfalques

A Seleção Brasileira resolveu não “incomodar” os favoritos ao título do Brasileirão e os prováveis convocados para vestir a amarelinha não foram lembrados. Everton Ribeiro, Guilherme Arana, Gabriel Barbosa e Weverton são frequentemente selecionados, mas acabaram ficando de fora e irão atuar pelos seus times enquanto a Seleção entra em campo.

No entanto, o mais estrangeiro time do futebol brasileiro sofrerá com quatro desfalques. O Atlético não contará com o chileno Eduardo Vargas, o venezuelano Jefferson Savarino, o paraguaio Junior Alonso e o equatoriano Alan Franco. Os três primeiros atletas foram titulares na última partida e Alonso é até o capitão alvinegro, ou seja, são cruciais. Já Alan Franco fará falta, porém não é um jogador que está sendo usado com frequência, visto que o time possui sete estrangeiros e uma regra impõe que os clubes relacionem apenas cinco por partida nas competições nacionais – Dylan Borrero, Nacho Fernández e Zaracho são os estrangeiros não convocados.

Já o Palmeiras terá duas baixas para os próximos jogos de Brasileirão, além da preparação para a final da Libertadores. O capitão paraguaio Gustavo Gómez e o uruguaio Joaquín Piquerez foram convocados e desfalcam a defesa palmeirense – ambos são titulares.

Por fim, o Flamengo conta com apenas uma ausência por causa de convocações. Maurício Isla foi chamado e irá representar o Chile, deixando o talentoso Matheuzinho na ala-direita – vários torcedores já clamam, em situações normais, pelo jovem como titular na vaga de Isla. Certamente, Giorgian de Arrascaeta também seria lembrado, mas respeitando a recuperação do atleta, o Uruguai não o convocou.

As partidas

As seleções sul-americanas entram em campo em duas oportunidades nas próximas semanas: na quinta-feira, dia 11, e na terça-feira, dia 16. Logo, os convocados ficarão fora da 31ª rodada, que acontecerá no dia 10, da 32ª rodada, que ocorrerá no fim de semana do dia 14, e possivelmente da 33ª rodada, que irá acontecer no dia 17, logo após a última partida dos atletas pelas suas seleções. Logo, todos os clubes já estão certos que ficarão sem os seus atletas por duas rodadas.

O Palmeiras, vice-líder do Brasileirão, enfrentará o Atlético-GO, no dia 10, em casa, o Fluminense, no dia 14, no Maracanã e, possivelmente, o São Paulo, no dia 17, como mandante, sem contar com Gustavo Gómez e Piquerez. Eles irão atuar pelas suas seleções no dia 16 e alguma logística ainda não divulgada pode diminuir o prejuízo palmeirense, visto que eles poderiam atuar no terceiro jogo desta sequência.

O mesmo vale para o Flamengo, equipe que pode tentar buscar Mauricio Isla para ter o atleta no meio da próxima semana. O time carioca duelará com o Bahia, no dia 11, em casa, com o São Paulo, no dia 14, fora de casa, e com o Corinthians, na noite de 17 de novembro, em casa, ou seja, Isla pode retornar contra o Timão, dependendo da logística.

Da mesma forma que os seus adversários, o Atlético está certo que não contará com os seus atletas por duas partidas. Porém, o caso do time mineiro é diferente. Por causa de encaixes no calendário, a rodada do fim de semana atleticana foi adiada e o time folgará. O Galo enfrentará o Corinthians, no dia 10, em casa, e o Athletico-PR, no dia 16, fora de casa, ou seja, o time não jogará no fim de semana, mas atuará na terça-feira, 16, o mesmo dia que Alonso, Franco, Savarino e Vargas estarão atuando pelas suas seleções. Portanto, não é possível traçar uma logística para eles retornarem a tempo.

Enfim…

O Atlético terá quatro desfalques em duas partidas importantes. O Palmeiras contará com duas baixas em dois ou três jogos cruciais do Brasileirão. Já o Flamengo não poderá usar Isla em duas ou três partidas. Logo, todos serão prejudicados.

Na verdade, o grande prejudicado é o futebol brasileiro. Ver os apoiadores dos clubes torcer contra os seus atletas durante a convocação para evitar desfalques é algo prejudicial para a própria seleção. Enquanto isso, em novembro, o Campeonato Brasileiro está afunilando e os melhores clubes perdem os seus destaques.

Como dito anteriormente, a reformulação do calendário é o melhor caminho, porém não irá acontecer na próxima temporada. As reclamações surgirão em 2022 novamente e os melhores clubes perderão boas peças em momentos cruciais.

A história se repete e a desorganização do futebol brasileiro fica evidente. É injusto que o líder Atlético tenha quatro ausências, assim como os outros concorrentes também ficarão sem titulares. O Brasileirão é prejudicado e a CBF não se preocupa. A situação é, em resumo, triste e irônica.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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