“Chuva” de erros resulta em 16º empate: em casa, Cruzeiro empata com o Vila Nova por 1 a 1 e segue ameaçado

Choveu bastante, mas o campo não foi o culpado. Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Choveu bastante em Belo Horizonte. O jogo até ficou marcado pela paralisação no início da primeira etapa, a qual durou 38 minutos. O campo estava em uma situação crítica no início da partida, porém a drenagem do Independência funcionou e a chuva natural não foi o problema. A grande questão da partida foi a chuva de erros do time mineiro.

O Cruzeiro errou mais de 100 passes, acertou o gol apenas três vezes e só esteve realmente perto de balançar as redes no pênalti bem convertido por Giovanni Piccolomo. É muito pouco para um time caro que precisa, urgentemente, deixar para trás qualquer risco de cair para a Série C. No entanto, com o futebol apresentado e com o 16º empate em 33 jogos na segunda divisão, é claro que a situação será dramática até as últimas rodadas.

Nesta segunda-feira, 1º de novembro de 2021, o Cruzeiro recebeu o Vila Nova no Independência e o placar marcou 1 a 1. O empate desta noite foi válido pela 33ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro de 2021 e o time mineiro empatou as duas partidas frente à equipe goiana na temporada.

Com o resultado, o Cruzeiro fica ainda mais ameaçado de rebaixamento, principalmente se os adversários vencerem na rodada. A equipe mineira chegou aos 40 pontos em 33 jogos e está na 14ª posição, porém pode perder uma posição para a Ponte Preta. Mas a grande preocupação cruzeirense é a possibilidade de Brusque e Londrina se aproximarem. As equipes que estão em 16º e 17º, respectivamente, possuem 35 pontos e ainda jogam na rodada, ou seja, podem diminuir a vantagem da Raposa para dois pontos. Além disso, o Cruzeiro enfrenta estes dois times nas próximas rodadas, isto é, a pressão pode ser ainda maior nestas partidas, visto que pode valer a sobrevivência na Série B. Já o Vila Nova está em 10º lugar.

O jogo e as atuações individuais

A chuva chamou a atenção por causa do volume excessivo. Se o campo estava daquela forma no início da partida, a cidade de Belo Horizonte, certamente, ficou caótica. No entanto, dentro de campo, o campo molhado não é desculpa para mais uma atuação decepcionante. O Cruzeiro passa longe de atuar razoavelmente bem e se mostra cada dia mais incapaz de protagonizar boas tramas. Um grupo de jogadores que pratica futebol aleatoriamente seria a definição perfeita para as últimas partidas cruzeirenses, visto que eles não apresentam entrosamento, qualidade, tática e nenhuma outra característica esperada por um time profissional.

A situação se torna dramática pela tabela, mas também pela forma que a equipe se comporta. Mesmo apoiado pelos seus torcedores, a equipe azul celeste não jogou com raça, vibrou e mostrou determinação. Na verdade, a atuação cruzeirense, novamente, caminhou para o lado oposto: um time desligado que sonha com alguma bola parada para marcar um gol. É muita ineficiência para uma equipe tão grande. A situação é preocupante e caótica.

Dentre a terrível atuação coletiva, alguns jogadores foram abaixo do que estavam apresentando recentemente. O volante Lucas Ventura estava se destacando nas últimas rodadas, porém não estava bem nesta noite e até cometeu um pênalti bizarro ao chutar o adversário, sem que a bola estivesse sendo disputada. O seu companheiro Adriano também não fez um bom jogo, mas o atleta que mais estava abaixo era Giovanni Piccolomo: mesmo com o gol marcado, o camisa 28 não estava bem e errou alguns passes cruciais – foram 15 passes errados durante o jogo. Enfim, uma atuação muito ruim da Raposa.

Cruzeiro x Vila Nova

Sem contar com os “titulares” Matheus Pereira e Vitor Leque, Vanderlei Luxemburgo teve que fazer mudanças: Wellington Nem entrou na vaga ofensiva, enquanto Felipe Augusto foi mantido na ala-esquerda. A outra mudança do técnico da Raposa foi na zaga: Léo Santos ganhou uma oportunidade como titular na vaga de Ramon. Com isso, o Cruzeiro entrou em campo com Fábio; Rômulo, Léo Santos, Eduardo Brock e Felipe Augusto; Lucas Ventura, Adriano e Giovanni Piccolomo; Wellington Nem, Thiago e Bruno José.

O primeiro tempo

Chuva, brilho de Fábio e paralisação

A etapa inicial já levou alguns minutos para iniciar por falta de iluminação e devido à forte chuva. Segundo Adroaldo Leal, jornalista da Rádio 98FM, os refletores foram desligados antes do início do jogo para que fossem religados com o uso dos gerados, evitando queda de energia. A ideia acerca da iluminação até deu certo, mas o campo estava tão molhado que a bola não rolou durante os 12 minutos jogados depois do apito inicial.

A partida se iniciou, mas ambos os times sofreram bastante com diversas poças d’ água espalhadas pelo gramado. Aos 10, em rebote depois de escanteio, Bruno José finalizou de fora da área e a bola bateu em Rafael Donato, bloqueando a primeira finalização do jogo. No lance seguinte, o atacante Clayton foi lançado nas costas da defesa, aproveitou a bola parada na poça e bateu de fora da área. O chute foi bom, mas Fábio fez uma defesa ainda melhor e salvou a equipe mineira.

Logo no minuto 12, o árbitro decidiu acatar o pedido dos atletas e paralisou o jogo, visto que era impossível praticar futebol com o gramado naquela situação. A partida ficou paralisada por 38 minutos, até que a chuva diminuiu de intensidade e os jogadores voltaram. Obviamente, o campo estava molhado, mas o gramado apresentava melhores condições e o confronto entre Cruzeiro e Vila Nova recomeçou.

A retomada com pênaltis

A partida reiniciou com o campo mais seco, porém sem boas tramas. A primeira jogada mais animada aconteceu aos 28, quando a bola foi cruzada na área e Alesson tentou uma bicicleta. No entanto, no movimento, o jogador do Vila Nova foi atingido por um chute de Lucas Ventura, sem a bola estar em disputa. Como estava dentro da área, o “pontapé” de Nonoca foi revisado pelo VAR e o árbitro assinalou a penalidade máxima. Na cobrança, Clayton bateu no canto esquerdo de Fábio, goleiro que pulou para a direita e só viu a bola entrar: 1 a 0 para o Vila Nova no Horto.

Na sequência, a Raposa reagiu e chegou mais próximo do gol adversário. Aos 32, Rômulo cobrou escanteio, Léo Santos escorou de cabeça e Felipe Augusto completou de carrinho, mas a bola foi para fora. Quatro minutos depois, Thiago tocou para Wellington Nem e o ponta fez uma ótima finta, enganando o marcador. O camisa 21 conseguiu driblar e foi derrubado pelo zagueiro Rafael Donato. Imediatamente, o árbitro marcou outro pênalti, contudo, desta vez, para o Cruzeiro. Na cobrança, Giovanni Piccolomo cobrou muito bem e o lance foi muito semelhante ao gol do Vila Nova: bola no lado esquerdo do goleiro, enquanto Georgemy pulou para a sua direita. Gol de empate do Cruzeiro, gol de Giovanni Piccolomo: 1 a 1 no placar.

O restante da primeira etapa não contou com boas jogadas e os minutos finais se arrastaram. O chute de longe do autor do gol, Giovanni Piccolomo, aos 41, foi a única finalização nestes minutos finais do tempo inicial.

O segundo tempo

As jogadas iniciais e as substituições

Assim como na primeira etapa, os 45 minutos finais começaram sem intensidade e ambos os times apresentavam dificuldades para criar chances realmente reais. Aos 3, Alesson recebeu e ajeitou para Arthur Rezende finalizar de fora da área. No entanto, o chute do camisa 8, com a perna esquerda, foi para fora. O time chegou novamente no minuto 17, quando a bola foi cruzada por Pedro Bambu e o mesmo Arthur Rezende bateu com força, mas Rômulo bloqueou o voleio que o camisa 8 tentou.

Já o Cruzeiro chegou aos 6, quando a zaga do Vila Nova “bateu cabeça” e Felipe Augusto recebeu a bola em boas condições, dentro da área. O camisa 22 da Raposa poderia tocar para o meio, contudo optou por bater cruzado e chutou muito mal – a bola foi parar na lateral oposta. No minuto 12, Wellington Nem cobrou um escanteio curto, ficou com a bola, entrou na área e bateu forte. O goleiro Georgemy fez a defesa em dois tempos.

Precisando da vitória, Luxemburgo promoveu algumas mudanças. Aos 14, Marcelo Moreno substituiu Bruno José. No minuto 25, Adriano saiu e Norberto entrou, colocando Rômulo no meio-campo. Já no fim da partida, aos 43, Flávio, Keké e Marcinho entraram nas vagas de Rômulo, Wellington Nem e Giovanni Piccolomo, respectivamente.

Algumas finalizações e nada de gol

O Cruzeiro tentou algumas finalizações, mas não levou perigo. No minuto 20, Giovanni fez um bom drible, levou para a perna esquerda e isolou. Três minutos depois, Felipe Augusto cruzou, a zaga tirou e a bola ficou nos pés de Wellington Nem. Com uma certa lentidão, o camisa 21 ajeitou o corpo e finalizou quando já estava marcado. Logo, o chute poderia ter sido feito com mais liberdade, porém Nem demorou e não levou perigo na finalização, visto que a bola subiu bastante. Ainda nas suas tentativas de longe, precisamente aos 38, Giovanni chutou forte de fora da área e Georgemy afastou para o lado.

Já o Vila Nova teve uma grande chance de fazer o segundo gol aos 32 da segunda etapa. Em escanteio cobrado por Dudu pela esquerda, Rafael Silva cabeceou na primeira trave e a bola chegaria aos pés de Rafael Donato, que apenas empurraria para as redes. Todavia, Lèo Santos alcançou a bola, desviou levemente e tirou a bola do zagueiro do time goiano. Quatro minutos depois, Arthur Rezende cobrou uma falta na área e Rafael Donato cabeceou, mas Fábio fez a defesa. No minuto 40, Willian Formiga cruzou com perfeição e Rafael Silva cabeceou, mas o atacante não acertou a testada.

O jogo se arrastou sem nenhuma outra boa finalização de ambos os clubes, decretando assim o placar de 1 a 1. O Cruzeiro volta a campo na próxima sexta-feira, 05 de novembro, às 21:30, contra o Londrina, fora de casa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Túlio Pereira

No Cruzeiro, são peladeiros organizados profissionalmente que estão jogando…pura realidade.