Hulk, Léo Pereira e todos os outros atletas do futebol brasileiro, reflitam: o antijogo não deveria ser normal

Foto: Flickr oficial do Flamengo.

Por Pedro Bueno

Segundo o dicionário Aurélio, o conceito de antijogo pode ser definido por “qualquer recurso antidesportivo em que se pretende tirar vantagem da violência ou malícia, para retardar o andamento da partida ou desequilibrar emocionalmente o adversário”.

Logo, são ações que confrontam o espírito do futebol. Em qualquer competição, independentemente do esporte e da importância da disputa, é esperado que os atletas se respeitem, ou seja, o antijogo deve estar distante. No entanto, o futebol, principalmente no Brasil, contrapõe toda a expectativa acerca do respeito.

São todos os clubes. Sem nenhuma exceção. Todas as equipes possuem mecanismos de antijogo que já são esperados pelo torcedor. O goleiro pede atendimento em vários momentos, o atleta que será substituído exige o auxílio da maca e outras tantas maneiras de ganhar tempo, em vez de jogar futebol.

É cultural, assim como é equivocado. Normalizar este tipo de comportamento e falar que “faz parte” é mais uma maneira de deixar o nosso futebol atrás do esporte praticado em vários países europeus. O jogo deve acontecer e todos os jogadores do futebol brasileiro, incluindo Hulk e Léo Pereira, deveriam entender isso.

Flamengo x Atlético

O clássico entre os dois melhores clubes do futebol brasileiro terminou com uma triste sensação: faltou futebol. O Flamengo venceu o Atlético por 1 a 0 e se aproximou da liderança – 10 pontos de diferença, com dois jogos a menos -, mas a partida em si deixou a desejar. Faltou qualidade, ao mesmo tempo que houve um excesso de reclamações e discussões.

Após o apito final, Hulk reclamou para o repórter do Premiere acerca do antijogo praticado pelo Flamengo. Segundo o atacante, os jogadores flamenguistas, com destaque para Diego Alves, fizeram muita cera e conseguiram amarrar o jogo com paralisações. O camisa 7 do Galo, que fez uma partida bem ruim, ainda afirmou que a arbitragem foi mal a não conseguir coibir este antijogo. Hulk ainda fez questão de ressaltar que aquela reclamação não era justificativa para a derrota, mas sim uma reclamação por causa do jogo extremamente parado.

Logo na sequência, Léo Pereira, zagueiro flamenguista que fez uma ótima partida, falou sobre o tema e respondeu de forma curiosa. Primeiramente, o atleta resolveu alegar que eles sofreram recentemente com alguns times que os confrontaram daquela forma no Maracanã. Depois disso, Léo disse que faz parte do jogo e ainda alegou que os seus companheiros estavam realmente com problemas. Mesmo assim, o zagueiro fala que é normal ganhar um tempo porque o time está na frente do placar, porém Léo Pereira destacou que o Flamengo não praticou o antijogo.

É necessário discordar do zagueiro. O Flamengo praticou o antijogo, assim como todos os outros times do futebol brasileiro fazem quando estão ganhando. A situação poderia ser, facilmente, invertida, já que o Atlético faria cera caso estivesse ganhando. A questão é o contexto que irritou e o camisa 7 não pensou nas vezes que Everson fez cera neste Brasileirão.

A cultura equivocada

O Atlético jogou mal e mereceu a derrota, ao mesmo tempo que reclamou corretamente do antijogo mal coibido pelo árbitro Anderson Daronco. Isto ficou claro, visto que Diego Alves ganhou vários minutos na reta final. No entanto, a reclamação perde a sua importância ao reparar que todos os atletas fazem isso e não é algo exclusivo do clássico entre Galo e Flamengo.

O atendimento ao goleiro é a forma que os times estão ganhando mais tempo, visto que o arqueiro não pode deixar o campo para se recuperar. Por isso, os médicos entram e ficam por alguns minutos “curando” um goleiro que acabou de fazer uma defesa. As quedas são teatrais e fazem parte de uma cena que acaba prejudicando o futebol, já que paralisa e esfria o jogo.

Não é legal ver jogador fingindo. Não é necessário romantizar esta situação. Muitos dizem que faz parte do futebol brasileiro, mas, ao mesmo tempo, criticam o nível do nosso futebol.

A constante prática deste antijogo, o qual é feito por todos os clubes, deixa o futebol mais chato e sem objetivo. Buscar o gol, atacar, se defender e fechar espaços para não deixar o rival chegar são estratégias válidas e futebolísticas. Cair, fingir lesão e exigir o atendimento médico não são artimanhas que melhoram o futebol. É algo cultural, mas não é algo incorrigível. E, na verdade, o futebol brasileiro precisa melhorar isso.

A próxima rodada

O Flamengo enfrenta o Athletico-PR na próxima terça-feira, 02, às 16 horas, na Arena da Baixada. Caso o Furacão faça bastante cera e não tente jogar, os flamenguistas irão reclamar do antijogo ou irão afirmar que “é normal ganhar tempo”?

O mesmo vale para o Atlético, equipe que duela com o Grêmio na quarta-feira, 03, às 21 horas, no Mineirão. Se estiver vencendo por um gol de diferença, os jogadores atleticanos irão utilizar o antijogo que foi tão criticado no clássico?

É possível entender que sim, porque o futebol possui estas hipocrisias. O time reclama em um dia e pratica no outro. É necessário refletir acerca disso. Estas práticas podem garantir vitórias, mas jogar futebol é a melhor estratégia, sempre. Pelo bem do esporte e da evolução do futebol em terras brasileiras, é necessário evoluir.

No entanto, o que é mais importante: assumir que todos os times erram e tentar evoluir, ou reclamar ou normalizar a situação depois do jogo? Ir contra a prática do esporte, por meio do antijogo, nunca será a melhor maneira de jogar o futebol. Pensem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Geoff Aquino

Muito lucidez na reportagem. A cera, encenação e o fingimento está muitíssimo exagerado e o futebol perde muito com isso. É o único esporte que vejo tanto teatro, facilmente notamos que é pura falsidade. Até quando autoridades vai autorizar isso sem punição de cartão?

Elias

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cristiano marques

E quando o goleiro Everson faz cera, em todos os jogos, irritantemente, é valido?
Para o torcedor do Atlético deve ser.
Tudo mimimi.