O buraco é, realmente, mais embaixo! Cruzeiro perde para o Remo por 3 a 1 em BH e pode se aproximar do Z-4

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

A situação é caótica, porém pode piorar. A afirmação anterior é bastante dramática e preocupante para os torcedores cruzeirenses, os quais seguem apoiando o clube, mas a realidade indica que o buraco é, realmente, mais embaixo, visto que a Raposa pode se aproximar da zona do rebaixamento. O Cruzeiro Esporte Clube está vivendo um pesadelo e, aparentemente, o fim não está próximo, visto que há a possibilidade de um agravamento no atual momento. Com dois gols sofridos nos últimos minutos, a Raposa perdeu mais uma dentro de casa. A situação atual é catastrófica, mas que foi cavada pela própria incompetência do clube.

Nesta noite de quinta-feira, 28 de outubro de 2021, o Cruzeiro recebeu o Remo no Independência e perdeu por 3 a 1. Os gols foram marcados por Eduardo Brock, para a Raposa, e Anderson Uchôa, Jefferson e Ronald para o Remo. A partida foi válida pela 32ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro e o time paraense venceu os dois duelos frente a Raposa neste ano.

Com o resultado, o Cruzeiro está na 13ª posição e ainda pode despencar na tabela. O time mineiro foi ultrapassado pelo próprio Remo, visto que possui apenas 39 pontos. A situação pode piorar já que Operário e Ponte Preta ainda não jogaram na rodada, ou seja, a Raposa pode terminar a rodada na 15ª colocação. Outro agravante é que os clubes do Z-4 também jogarão, ou seja, a diferença do Cruzeiro para o 17º colocado, primeiro clube dentro da degola, pode cair para apenas quatro pontos. Um cenário bastante preocupante para a equipe azul celeste.

O jogo e as atuações individuais

A falta de repertório ofensivo somada às mudanças ruins e à desatenção defensiva é a conta perfeita para explicar o 3 a 1 no placar. O volume cruzeirense foi maior, mas ter mais a bola e finalizar mais vezes não é uma certeza que o time fará mais gols. O domínio foi inofensivo, pela falta de estratégias, e o ataque do Cruzeiro ainda encontrou o inspirado goleiro Thiago Coelho na meta do Remo.

A grande questão é que o Cruzeiro não conseguiu mostrar nenhuma organização para chegar e levou perigo apenas em bons chutes, os quais não foram acarretadas por tramas bem organizadas. O time tem muitos pontos a serem corrigidos e Luxemburgo, certamente, sabe disso, mas o treinador também tem culpa, visto que mexeu de forma equivocada e não teve velocidade na etapa final.

O Cruzeiro jogou melhor e, mesmo assim, perdeu de forma merecida, visto que o Remo aproveitou as suas chances para concluir em gol e Fábio nada pôde fazer. A Raposa controlou, mas pouco fez, ou seja, tentou e não saiu do lugar. Dentre as atuações individuais, o zagueiro Ramon merece um infeliz destaque: o defensor fez mais uma terrível partida e não faz por merecer a titularidade incontestável dentro do Cruzeiro. O segundo gol surgiu após um erro infantil cometido por Ramon.

Cruzeiro x Remo

O técnico Vanderlei Luxemburgo já entrou em campo sabendo que teria sérios problemas logo na escalação, visto que os dois únicos laterais que atuam pela esquerda estavam fora. Com as lesões de João Victor e Matheus Pereira, o Cruzeiro teve que entrar em campo com Felipe Augusto improvisado na ala. As outras novidades cruzeirenses foram os retornos de Adriano e Giovanni, meias que ficaram fora frente ao Botafogo por causa do acúmulo de cartões. Com isso, a Raposa entrou em campo com Fábio; Rômulo, Ramon, Eduardo Brock e Felipe Augusto; Adriano, Lucas Ventura e Giovanni Piccolomo; Bruno José, Thiago e Vitor Leque.

O primeiro tempo

Domínio inicial do Cruzeiro

Como de costume, o Cruzeiro começou em cima, mas não apresentou a qualidade necessária no passe final. Aos 2, Raimar tirou mal a bola pela esquerda e deu nos pés de Vitor Leque. O jovem ajeitou e arriscou de fora da área. O chute foi bom e Thiago Coelho pulou no seu canto esquerdo para fazer a defesa. No escanteio seguinte, Rômulo cobrou e Ramon cabeceou para fora.

No minuto 9, em falta bem próxima da área, Eduardo Brock acertou a barreira. Quatro minutos depois, Giovanni Piccolomo bateu de longe e Thiago Coelho encaixou. Na sequência de arremates cruzeirenses, aos 15, Lucas Ventura roubou, tocou para Thiago e o centroavante também finalizou de fora da área, mas o goleiro do Remo espalmou para a linha de fundo.

A equipe mineira seguiu tentando. No minuto 22, Thiago foi lançado por Rômulo, entrou na área e tentou cruzar, mas bateu muito forte na bola. Aos 28, o mesmo Rômulo cobrou escanteio e Brock cabeceou, porém não testou bem. Três minutos depois, Thiago Coelho errou a saída de jogo, deu nos pés de Bruno José e o camisa 16 bateu, contudo o goleiro do Remo fez a defesa novamente.

Os gols no fim da etapa inicial

Enquanto o Cruzeiro finalizou diversas vezes, o Remo chegou em poucas oportunidades. Aos 17, depois da defesa cruzeirense rebater, Matheus Oliveira arriscou de fora da área e errou a direção. O mesmo aconteceu com Gedoz em cobrança de falta, no minuto 26, quando o armador do Remo não acertou o alvo.

No entanto, mesmo não dominando e com pouquíssimas chegadas, o Remo abriu o placar. Aos 38, Felipe Gedoz cobrou escanteio pela esquerda e a zaga tirou. No rebote, Lucas Siqueira subiu, cabeceou e deu assistência para um chute de felicidade rara. Anderson Uchôa bateu de primeira e acertou o canto esquerdo de Fábio. A bola até quicou em frente ao goleiro, deixando o chute ainda mais indefensável. Um belo gol para abrir o placar: 1 a 0 para o Remo no Independência.

O gol poderia ser um “balde de água fria” no time cruzeirense, porém a Raposa reagiu ainda no primeiro tempo, coroando uma etapa com 11 finalizações. Em cobrança de falta de Giovanni aos 45, a bola percorreu toda a área e Vitor Leque ajeitou para trás, encontrando Eduardo Brock. O zagueiro bateu de primeira, com a canhota, e acertou uma finalização que não poderia ser defendida por Thiago Coelho. O VAR até revisou a jogada, visto que a bola bateu na mão de Vitor Leque após o toque de cabeça, mas o árbitro entendeu que a jogada foi normal e confirmou o tento do Cruzeiro. Logo, gol de Eduardo Brock e 1 a 1 no placar no fim da primeira etapa.

O segundo tempo

O Cruzeiro ficou no quase

Logo após o intervalo, o técnico Vanderlei Luxemburgo promoveu a primeira mudança no time mineiro: Bruno José deixou o campo para a entrada de Wellington Nem. E o Cruzeiro chegou próximo do gol da virada no minuto 2, quando Thiago fez jogada pela direita e o cruzamento rasteiro passou pela área. Na sobra, Felipe Augusto dominou e bateu de perna esquerda, no canto direito de Thiago Coelho. O goleiro do Remo fez uma bela intervenção e jogou a bola para a linha de fundo.

Precisando de virar a partida, Luxa adiantou o time logo aos 11. O técnico optou por tirar o volante Adriano e colocar o centroavante Marcelo Moreno, deixando o atacante boliviano e Thiago juntos. E o jovem atacante cruzeirense quase marcou no minuto seguinte. Depois de corte errado da defesa, Thiago arriscou de primeira, acertou uma grande finalização e Thiago Coelho fez a defesa.

E as referências cruzeirenses apareceram novamente aos 17, quando Vitor Leque cruzou, Thiago cabeceou e a bola bateu em Moreno. O lance foi estranho e teve a direção correta, mas, em cima da linha, Thiago Coelho defendeu.

Aos 19, Marcelo Moreno recebeu na direita e bateu de canhota. A bola desviou na marcação e Wellington Nem concluiu, sem chances para o goleiro do Remo. No entanto, o camisa 21 estava impedido e o gol foi corretamente anulado pelo bandeirinha. Ainda em um bom momento, a Raposa chegou aos 23: Giovanni arriscou de fora, Moreno desviou com a cabeça e a bola tirou tinta da trave direita de Thiago Coelho.

O restante da partida e a virada no apagar das luzes

Enquanto o Cruzeiro teve boas mudanças e algumas tramas ofensivas nestes 25 minutos iniciais, as chegadas do Remo foram mais tímidas. Aos 8, Arthur Santos arriscou de longe e não acertou o alvo. Cinco minutos depois, Thiago Ennes foi ao fundo e tentou o cruzamento, mas errou o levantamento e quase encobriu Fábio, goleiro que foi obrigado a fazer boa defesa. No minuto 16, Lucas Tocantins bateu firme de fora da área e Fábio encaixou no centro do gol. Aos 35, já na reta final da partida, Anderson Uchôa recebeu de Gedoz e arriscou, mas, desta vez, o chute não estava tão calibrado.

Já o Cruzeiro deu uma desacelerada e Luxemburgo aproveitou para fazer as suas últimas substituições na partida: Rafael Sobis substituiu Thiago aos 30 da segunda etapa e Dudu entrou na vaga de Vitor Leque aos 41.

As mudanças cruzeirenses não surtiram efeito e foi o Remo que fez dois gols na reta final. Aos 42, Ramon errou no momento de cortar e a bola ficou com Marcos Júnior na intermediária. O jogador, que havia acabado de entrar, rolou para Lucas e o camisa 8 abriu para Jefferson. O atacante recebeu na esquerda, gingou para cima de Rômulo e bateu cruzado. O chute foi forte, desviou na luva de Fábio e na trave esquerda, antes de morrer no fundo das redes: 2 a 1 para o Remo.

E o clube paraense conseguiu aumentar a vantagem antes do fim do jogo. Aos 47, Marcos Júnior recebeu livre no meio e deu um lindo passe para Ronald na esquerda. O camisa 15 do Remo, outro jogador que havia acabado de entrar em campo, acelerou pela esquerda e bateu da mesma forma que Jefferson havia chutado cinco minutos antes: cruzado e com bastante força. O chute foi, novamente, indefensável e balançou as redes de Fábio: belo gol de Ronald para decretar o 3 a 1 no placar.

O Cruzeiro volta a campo na próxima segunda-feira, 1º de novembro, às 19 horas, contra o Londrina.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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