Em vez de ganhar velocidade, as entradas de Moreno e Sobis no 2º tempo freiam o Cruzeiro

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Por Pedro Bueno

Quando você está treinando o time do seu bairro em um campeonato da cidade, você opta por colocar um jogador rápido na etapa final ou alguém mais técnico? Uma outra pergunta, porém direcionada àqueles que gostam de videogame: você coloca um velocista ou algum atleta mais lento no segundo tempo? A resposta tende a ser óbvia.

Para aproveitar o cansaço do adversário, os técnicos – e qualquer comandante amador, como os exemplos anteriores – tendem a optar por peças mais ligeiras nos 45 minutos finais. A intenção é simples e direta. Os titulares são mais talentosos e cansaram os adversários no primeiro tempo. Com isso, os jogadores que entrarem na etapa final irão encontrar um sistema defensivo mais lento e desgastado. Logo, a tendência é que os velocistas encontrem espaços com maior facilidade.

Obviamente, não trata-se de uma receita. O futebol é imprevisível e cabe ao treinador entender cada contexto das partidas. No entanto, as mudanças feitas por Vanderlei Luxemburgo na partida desta noite de quinta-feira, 28 de outubro, mostram que o técnico não encontrou a melhor opção. Em vez de acelerar, as entradas de Moreno e Sobis no 2º tempo frearam o Cruzeiro.

A noite passada

O Remo entrou em campo com um sistema defensivo bem pesado e com o zagueiro Romércio, dono da camisa 3, sem estar 100% fisicamente. Com um bom ímpeto ofensivo nos primeiros 60 minutos, o ataque cruzeirense, certamente, conseguiu cansar a defesa do time paraense, tanto que o goleiro Thiago Coelho foi o grande destaque, enquanto a defesa não estava bem.

Portanto, as mudanças do segundo tempo deveriam contar com jogadores mais velocistas para ajudar o time mineiro. Certo? Não para Vanderlei Luxemburgo. O experiente treinador enxergou o jogo de uma forma diferente e colocou em campo Marcelo Moreno, Rafael Sobis – dois atacantes com a idade já avançada – e Wellington Nem, ponta que está com problemas físicos.

Com estas mudanças, o time mineiro perdeu velocidade no campo de ataque e levou pouquíssimo perigo após os 20 da segunda etapa. Enquanto isso, o Remo, treinado por Felipe Conceição, conseguiu interpretar que o sistema defensivo cruzeirense é lento e estava cansado. Logo, seria uma boa explorar as brechas com pontas rápidos. E deu certo para o Remo.

As mudanças do Cruzeiro

Logo no intervalo, Luxemburgo tirou um ponta de 23 anos, que corre bastante, e colocou um atleta de 29 anos que está com sérios problemas físicos. Bruno José saiu e Wellington Nem entrou.

Aos 11, o técnico da Raposa optou por um centroavante pesado de 34 anos, tirando um volante articulador de 21 anos, que fez boas partidas recentemente. Marcelo Moreno substituiu Adriano.

Já no minuto 30, o jovem atacante Thiago, de apenas 20 anos, deu lugar ao experiente e contestado Rafael Sobis, atleta de 36 anos que vive um mau momento. Na sua última parada, Luxemburgo tirou Vitor Leque e colocou Dudu, mas a partida já estava quase no fim.

A grande questão é que as três primeiras substituições “aumentaram” seis, 13 e 16 anos no Cruzeiro, isto é, a equipe mineira envelheceu bastante a cada mudança e perdeu mobilidade. Com isso, a defesa desgastada do Remo não encontrou dificuldades para marcar os jogadores mais lentos do Cruzeiro e conseguiu encontrar espaços nos contra-ataques, visto que Luxemburgo adiantou o seu time tirando um volante, mas não deu mobilidade ao ataque.

As mudanças do Remo

Enfrentando uma equipe que foi ficando mais estática a cada pausa para substituições, a comissão técnica do Remo entendeu que algumas mudanças poderiam surtir o efeito ideal. E o perfil das mudanças do time paraense foi bem claro: velocistas para correr e um lançador para abrir o jogo para estes garotos.

Jefferson, atleta de 24 anos, entrou aos 25 da segunda etapa – um momento que o Cruzeiro já não estava conseguindo jogar – e marcou o gol da virada aos 43. A jogada do importante tento do Remo começou nos pés de Marcos Júnior, atleta que também saiu do banco. O ex-meia do Vasco tem 26 anos e é um passador que provou o seu talento em ambos os gols, visto que iniciou o tento de Jefferson e deu a assistência para o terceiro gol.

O autor do último gol foi Ronald. Nascido em 2002, o camisa 15 do Remo entrou no fim da segunda etapa, mostrou muita qualidade e marcou o terceiro tento do seu clube, após receber ótimo lançamento de Marcos Júnior. Depois do lançamento, Ronald percorreu, em alta velocidade, boa parte do campo, antes de finalizar cruzado no gol de Fábio.

A conclusão é evidente

O Remo colocou em campo jovens jogadores que correram nos minutos finais e marcaram dois gols. O Cruzeiro optou por atletas mais experientes, pesados e lentos. A técnica de Marcelo Moreno, Rafael Sobis e Wellington Nem não sobressaíram e o placar torna isso evidente.

Em uma divisão tão física como a Série B, contar com jogadores rápidos na segunda etapa é a chave para muitos times. Por isso, medalhões possuem tanta dificuldade para desenvolver um bom futebol na divisão de acesso. Para vencer alguns jogos, a velocidade é mais importante que a técnica, visto que estes velocistas colocam a bola na frente e chegam com facilidade à área adversária.

É necessário pontuar que não foram apenas as mudanças de Luxemburgo que acarretaram a derrota frente ao Remo. Porém, o elenco do Cruzeiro possui diversos jogadores que não possuem qualidade e nem físico que a Série B exige, ou seja, estes atletas estão fazendo hora extra na Raposa.

O pensamento acima não irá resolver nenhuma partida e não colocará o Cruzeiro na Série A rapidamente. Porém, pensar em um elenco mais físico e veloz, em vez de “cadenciadores” que não progridem, pode ser uma boa ideia para a formação do próximo elenco cruzeirense.

A missão

O Cruzeiro possui uma grande missão na reta final: vencer duas das seis partidas restantes. Depois disso, a equipe mineira estará garantida na Série B e sem riscos de cair para a Série C. A partir deste momento, a reflexão acerca das opções de Vanderlei Luxemburgo são cruciais para formar um elenco para atuar na divisão de acesso em 2022.

Não basta afirmar que deseja formar um time de Série A para jogar a próxima Série B. O Cruzeiro está mantendo jogadores que possuem “nome” há anos e não conseguiu retornar à elite. É hora de repensar estas estratégias.

O jogo desta quinta-feira foi resolvido por Jefferson e Ronald, atletas de 24 e 19 anos, enquanto as entradas de Marcelo Moreno e Rafael Sobis, atacantes multicampeões e talentosos de 34 e 36 anos, acabaram piorando o Cruzeiro.

As substituições frearam a Raposa. A velocidade e o vigor físico são características cruciais na Série B. Indo para a sua terceira temporada na divisão de acesso, é esperado que o Cruzeiro entenda a sua realidade e forme um elenco que realmente briga pelo acesso, visto que, até este momento, o time não esteve nem próximo do G-4 da competição.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Comentários

Subscribe
Notify of
guest
1 Comentário
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments
trackback

Google

Here are some links to web-sites that we link to simply because we think they are really worth visiting.