Quem não faz, não sobe! Cruzeiro desperdiça chances, perde para o Avaí por 1 a 0 e cumprirá tabela na reta final desta Série B

Foto: Eduardo Valente/ISHOOT/Estadão Conteúdo

Certamente, todos já ouviram o ditado popular “quem não faz, leva”. O Cruzeiro desperdiçou diversas chances no primeiro tempo, incluindo uma oportunidade inexplicável perdida por Thiago e depois por Bruno José, e acabou levando o gol de Lourenço. Mas, possibilitando um trocadilho no ditado popular, é necessário pontuar que “quem não faz, não sobe”. Durante toda a temporada, o Cruzeiro apresentou problemas ofensivos e não conseguiu progredir. O resultado está claro: a Raposa estará na Série B pela terceira temporada seguida. A situação é dramática, mas a repetição de erros acarretou todo este caos.

Nesta noite de sexta-feira, 22 de outubro, o Cruzeiro perdeu para o Avaí por 1 a 0 na Ressacada, em jogo válido pela 31ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Com este resultado, o Leão deu sequência à série de 11 jogos invictos frente a Raposa – a equipe mineira não vence o time catarinense há mais de uma década.

Com o resultado, o sonho cruzeirense de retornar à Série A neste ano foi praticamente enterrado. Ainda não é possível afirmar nas contas matemáticas, mas é quase impossível que a Raposa consiga o acesso. Com 39 pontos em 31 rodadas, o Cruzeiro alcança, no máximo, 60 pontos, caso vença as últimas sete partidas. Logo, a equipe necessitaria que apenas três adversários alcançassem o número de 60 pontos, mas o quarto colocado Goiás já possui 52 tentos e precisa de apenas oito pontos para garantir que ficará à frente da Raposa. Por causa disso, a realidade indica: a Série B de 2022 contará com o Cruzeiro novamente. Enquanto isso, o terceiro colocado Avaí chegou aos 53 pontos com o triunfo e precisa de vencer apenas dois e empatar um dos últimos sete jogos para se garantir à frente do time mineiro.

O jogo e as atuações individuais

Foram 40 minutos bem jogados com muita intensidade, mesmo com os gols perdidos. Em contrapartida, foram 50 minutos de um futebol nada vistoso e apenas duas finalizações, já nos acréscimos da partida. O Cruzeiro começou bem, pressionou e teve a oportunidade de garantir o resultado na etapa inicial, mas sentiu a falta de Marco Antônio e, principalmente, Thiago, jogadores que se lesionaram no fim do primeiro tempo. As entradas de Wellington Nem e Marcelo Moreno acabaram com qualquer cruzeirense e o time “morreu” dentro de campo.progressão

O Avaí nem precisou forçar para chegar ao gol da vitória. Em um cruzamento na área, a defesa da Raposa ficou olhando e Lourenço cabeceou. O restante da partida contou com a bola sendo rolada de um lado para outro, sem nenhuma intenção do time catarinense, já que o resultado era positivo, e nem um pingo de vontade cruzeirense. E é justamente isso que não faz sentido. Se o elenco ainda acreditava no acesso, a vitória era o único resultado, mas, mesmo assim, o time não batalhou. Se a comissão técnica ainda acreditava no acesso, a vitória era o único resultado, mas, mesmo assim, optou por deixar Ariel Cabral e Flávio na construção de jogadas no segundo tempo. Era claro que não daria certo.

A conclusão que o Cruzeiro ficará na Série B acontecerá daqui algumas rodadas, quando o time se garantir na divisão de acesso porque não alcança o quarto colocado e nem é ultrapassado pelo 17º. No entanto, a conclusão pode ser feita imediatamente: a Raposa mostrou muita incompetência durante toda a Série B pelo segundo ano consecutivo e a derrota nesta partida é apenas um reflexo de um time que possui qualidade, mas passa longe de merecer as vitórias. Quem não faz, não sobe e o torcedor espera que o time aprenda as lições para um 2022 diferente.

Avaí x Cruzeiro

Com os desfalques de Adriano e Giovanni, jogadores que cumpriram suspensão nesta partida, e do próprio Vanderlei Luxemburgo, o Cruzeiro entrou em campo com mudanças no meio-campo e com Maurício Copertino no comando. As escolhas da comissão técnica cruzeirense para o meio foram Flávio e Marco Antônio, enquanto Bruno José retornou ao ataque. Com isso, a Raposa entrou em campo com Fábio; Rômulo, Eduardo Brock, Ramon e Matheus Pereira; Flávio, Lucas Ventura e Marco Antônio; Bruno José, Thiago e Vitor Leque.

O primeiro tempo

O bom início

A etapa inicial contou com 21 finalizações e foi bem animada desde os primeiros minutos. Aos 6, Bruno José dominou na esquerda, tirou da marcação e chapou com a perna direita. A bola fez uma linda curva e explodiu no travessão. No rebote, Thiago ficou com a bola, levou para a perna esquerda e finalizou, mas Glédson espalmou e Betão afastou o perigo, visto que Vitor Leque já estava chegando.

Já o Avaí chegou aos 16: após bom cruzamento de Edilson, Jean Cléber cabeceou e errou o alvo. Cinco minutos depois, Vitor Leque avançou no meio após erro do lateral Edilson, rolou para Marco Antônio e o meia tentou fazer o drible, mas foi travado pelo mesmo Edilson que se recuperou na jogada. No rebote, Flávio bateu e isolou. No lance seguinte, o atacante Rômulo foi lançado nas costas da defesa cruzeirense e finalizou, mesmo de longe. Com tranquilidade, Fábio fez a defesa.

Simplesmente, inacreditável

O lance mais inexplicável da partida aconteceu aos 25. Eduardo Brock fez ótimo lançamento para Thiago, atacante que estava livre nas costas da defesa, acelerou pelo meio e entrou na área. Na saída do goleiro, Thiago chutou e Glédson defendeu. No rebote, Thiago tentou novamente e Glédson defendeu de novo. Em mais uma sobra, o atacante finalizou e o goleiro fez a defesa, mas, desta vez, a bola passou um pouco pelo arqueiro e ficou na posição perfeita para Thiago rolar para Bruno José. O ponta cruzeirense estava entrando na área, viu o gol sem goleiro e bateu no seu canto esquerdo, porém o zagueiro Alemão estava lá e com os pés impediu que o chute entrasse. A bola ainda bateu na trave antes de sair para a linha de fundo. Foram quatro chances claras e o time mineiro não conseguiu abrir o placar.

Depois deste lance, o jogo deu uma leve esfriada. Aos 30, Edilson bateu falta de longe e errou a direção. Quatro minutos depois, Eduardo Brock também cobrou uma infração de longa distância e acertou o alvo, mas Glédson bateu roupa e a bola saiu da sua área. Aos 38, Copete recebeu no meio, levou para a canhota e errou. Sete minutos depois, Jadson fez um ótimo cruzamento para Bruno Silva e o volante furou dentro da área. Ainda no fim, o Avaí chegou com perigo, já que Copete tocou para Rômulo e o atacante girou e bateu, mas não acertou o alvo.

Os minutos finais cruzeirenses contaram com menos chegadas e duas substituições. Por lesões, Marco Antônio deixou o campo aos 37 e Wellington Nem entrou e, dois minutos depois, Marcelo Moreno substituiu o atacante Thiago. A única jogada mais animada cruzeirense nos minutos finais aconteceu aos 43, quando Bruno José avançou pela direita e cruzou, mas Alemão cortou antes que Moreno cabeceasse. Enfim, apito final para um primeiro tempo muito movimentado.

O segundo tempo

Após uma primeira etapa bem animada, com domínio cruzeirense, os 45 minutos finais começaram sem tantas emoções. No entanto, na primeira chance perigosa, o Avaí balançou as redes. Aos 12, Vinicius Leite, atleta que tinha acabado de entrar em campo, cruzou e encontrou a cabeça de Lourenço. O camisa 97 do Avaí teve muita liberdade, visto que Ramon e Rômulo ficaram perdidos e Bruno José, atacante que estava acompanhando na marcação, ficou apenas olhando. Com isso, Lourenço cabeceou forte e balançou as redes de Fábio: 1 a 0 para o Avaí.

Com a necessidade de virar a partida, o Cruzeiro fez a sua terceira e última pausa para substituições no minuto 18: Ariel Cabral e Marcinho entraram nas vagas de Lucas Ventura e Vitor Leque. Mas foi o Avaí que levou perigo em duas oportunidades. Aos 18, Diego Renan bateu lateral na área, Ramon errou o tempo de bola novamente e Lourenço cabeceou para trás, buscando o gol. Fábio espalmou e evitou mais um gol do camisa 97. No minuto seguinte, Vinicius Leite fez uma boa jogada pelo meio e finalizou em cima da marcação.

Estas foram as únicas boas tramas de um segundo tempo sonolento até os minutos finais. No entanto, com espaço para os dois clubes, os acréscimos pegaram fogo. Aos 46, Moreno foi lançado e Glédson saiu do gol socando a bola. No rebote, Bruno José ajeitou para Flávio bater e o volante recuou para a defesa de Glédson, na primeira finalização do Cruzeiro na etapa final. Dois minutos depois, Moreno foi lançado novamente e dividiu com o goleiro. Na sobra, Ariel Cabral arriscou e Glédson fez uma grande defesa no ângulo, mas o impedimento de Moreno já havia sido marcado. Aos 50, Copete acelerou pela direita e bateu com a canhota, mas Fábio fez a defesa e evitou o segundo gol do Avaí.

O Cruzeiro volta a campo na próxima quinta-feira, 28, às 21:30, contra o Remo, no Independência.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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HONEUR EVANGELISTA MONÇÃO

Não Sobis de jeito maneira. Tem de lutar para não descer mais um degrau no rumo do desaparecimento puro e simples… Tive uma professora, em BH, mal humorada e extremamente agressiva que agredia os alunos com palavras e expressões contundentes. Ela costuma dizer a alunos que não faziam os deveres de casa: “Moleque de ponta de rua; vagabundo; quem nasce p’ra dez réis, não chega a vintém”.