Olhar tático | Transição rápida, talento e visão de jogo: a construção do golaço de Hulk após trama de Keno e Zaracho

Hulk e Keno comemorando o belo gol marcado pelo camisa 7. Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

A partida frente ao Fortaleza, certamente, deixou os torcedores do Atlético com o sorriso no rosto, até porque é improvável pensar nos gols atleticanos e não se animar. Foram golaços que devem ser admirados.

O chute de Arana após o rebote da falta é um dos gols mais bonitos da temporada pela rara felicidade. Já o arremate de Zaracho, depois do goleiro Felipe Alves socar a bola, também é de extrema qualidade, pois o argentino pega de primeira e encobre o arqueiro. No entanto, o golaço mais completo da partida é o terceiro tento alvinegro.

Uma jogada coletiva. Transição rápida, talento de sobra e visão de jogo: uma união que resultou em uma grande trama. Foram 22 segundos desde a retomada da bola na área defensiva até Hulk cabecear no campo de ataque e concluir a jogada. Em meio ao lance, o Atlético mostrou toda a sua velocidade para atacar logo após interceptar o passe do rival, além da qualidade de certos jogadores que correram o risco de perder a bola, mas prosseguiram para protagonizar um grande gol.

Um golaço que ficará na cabeça do torcedor alvinegro. Além disso, este gol servirá para todos entenderem conceitos táticos importantíssimos. Uma transição rápida bem feita quebra qualquer sistema defensivo e essa ação foi responsável pelo início de um gol que ficará marcado.

Transição rápida

Dentro do futebol, o termo transição ganhou muita popularidade nos últimos anos. Mas qual é a diferença entre contra-ataque e transição? Estes dois termos são diferentes, mas são simples de serem explicados no aspecto tático, já que o conceito de contra-atacar é extremamente popular.

A transição ofensiva é o período de 10 a 12 segundos após roubar a bola, ou seja, o seu time retoma o controle da bola e vai agir. Neste momento, a transição pode ser lenta ou rápida, dentro de um contra-ataque ou em um ato de cadenciar. Não importa. A questão é que a transição é o que é feito após recuperar a posse de bola. E foi justamente o que o Atlético fez muito bem feito e utilizou a transição rápida para protagonizar um ótimo contra-ataque.

No vídeo acima, é possível notar que o atleta do Fortaleza errou o passe e Guilherme Arana dominou, dentro da área defensiva, no momento “0:02” do vídeo. O lateral tocou para Allan e o volante atleticano, o ritmista do Galo, acelerou a jogada com dois toques: dominou e fez o passe rapidamente para Keno que estava no meio. Depois de quatro segundos, o ponta já havia dominado no meio-campo e começou a aproveitar que o Fortaleza estava atacando.

A velocidade no momento da transição tem o objetivo de pegar o adversário com “as calças curtas” e o Atlético conseguiu encontrar um desprevenido e aberto setor defensivo do Fortaleza. Keno acelerou pela esquerda, desvincilhou da marcação, tocou para Nacho e o argentino escorou para Hulk, atacante que também deixou a marcação para trás.

12 segundos depois de roubar a bola, no momento “0:14” no vídeo, o Atlético já se encontrava em uma ótima situação no ataque: Hulk, Zaracho e Keno estavam diante de apenas três defensores, ou seja, já se encontravam em uma ótima situação de mano a mano.

Talento e visão de jogo

Depois de realizar uma ótima e ligeira transição, o Atlético estava em boas situações, mas não era certo que a jogada seria perfeita. Além da questão tática, a decisão técnica dos jogadores é crucial, visto que eles protagonizam as jogadas. E neste golaço atleticano, as decisões tomadas no ataque contaram com muito talento.

Depois de Hulk passar pela marcação, ele tocou para Keno e a bola ficou entre o ponta e o zagueiro Titi. Com muita habilidade e com apenas um toque, Keno deu um lindo “drible da vaca” no defensor do Leão e estava com muita liberdade na intermediária. Livre de marcação, o camisa 11 teve a visão de jogo para encontrar Zaracho nas costas de Matheus Jussa e fez um passe por cima, de forma que a defesa não conseguiu interceptar.

Neste momento, 18 segundos depois de interceptar o passe na defesa, o Atlético conseguiu ter o controle da bola na área adversária. E o domínio de Zaracho foi acima da média. O camisa 15 “matou a bola” e tinha uma grande chance para bater no gol. Todos esperavam a finalização, mas Zaracho teve a visão de jogo e o talento para encontrar Hulk livre no outro lado.

Zaracho tinha a opção do chute, mas optou por cruzar para o seu companheiro. Foto retirada do vídeo da TV Galo.

Uma bola perfeita para o artilheiro cabecear. Hulk fez um ótimo movimento para concluir a jogada que ele já havia participado: queixo no peito, como manda o “manual do atacante” – certamente Dadá Maravilha, ídolo atleticano, ficou orgulhoso. Uma testada após uma linda assistência. Um golaço para ressaltar o talento e a visão de jogo dos atletas alvinegros.

O golaço

Uma construção tática, técnica e atleticana. O torcedor deve ficar empolgado e orgulhoso desta trama. A transição foi muito bem feita desde o início: passes rápidos e dribles que buscaram o ataque durante toda a ação. Esta transição bem realizada encontrou a defesa do Fortaleza bem aberta e o contra-ataque foi se desenhando, mas ainda contou com aspectos técnicos.

As decisões de Keno e Zaracho, além da dupla participação de Hulk, foram cruciais para toda a jogada. Um golaço que não aconteceu por acaso. Uma construção que não surge por sorte. São ótimas ideias. São jogadores talentosos. O futebol vai além de qualquer afirmação simplista e grandes jogadas merecem destaque.

O Atlético atravessou o campo e marcou em 22 segundos. Um ritmo avassalador de um time que está pronto para conseguir grandes feitos neste ano. Desfrutem, atleticanos!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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jose carlos teixeira

Esse é o Galo do “Eu acredito” e dos craques que compõe essa equipe que conta com pelo menos 25 craques titulares, nesse Galo não existe jogador reserva é tudo muito fantástico.