Atlético | Dosar o cansaço, trocar a “chave” e retomar as boas atuações: as missões de Cuca nas próximas semanas

Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

O torcedor do Atlético ficou chateado com a derrota para o Atlético-GO na noite deste domingo. E o atleticano tem razão ao ficar insatisfeito, visto que o time não jogou bem e a partida contou com a arbitragem confusa de Raphael Claus. No entanto, o revés frente ao Dragão – 2 a 1 no placar – não foi tão ruim ao olhar a tabela por causa do tropeço flamenguista.

Assim como na 24ª rodada, quando o Galo perdeu pontos para a Chapecoense, mas o Flamengo também tropeçou contra o Red Bull Bragantino, os dois melhores times do Brasileirão deslizaram na mesma noite. Mais cedo, o Atlético perdeu para o Atlético-GO e o Fla poderia se aproximar em caso de vitória. No entanto, o time carioca empatou, dentro de casa, com o Cuiabá e tirou apenas um ponto de vantagem.

Por causa disso, os comandados de Cuca seguem na liderança já que conquistaram 56 pontos em 26 partidas disputadas. Já o Flamengo tem dez tentos a menos – 46 -, mas está com dois jogos atrasados em relação ao Atlético, ou seja, pode se aproximar do Galo e ficar quatro pontos atrás se vencer os confrontos adiados.

A vantagem segue muito considerável: são dez pontos de distância. Porém, pelo bem do Atlético nesta reta final, é necessário pontuar algumas missões que Cuca terá nas próximas semanas. O técnico deve ter o intuito de dosar o cansaço dos seus atletas, trocar a “chave” para a outra competição e retomar as boas atuações.

Dosar o cansaço

Não é exclusividade do Atlético nesta reta final de uma temporada tão puxada, mas é bem evidente que o clube mineiro está bem desgastado. O cansaço chegou de vez ao elenco alvinegro e isto está claro nas últimas partidas. Nacho Fernández foi reserva de duas partidas seguidas – ambas em casa -, com o objetivo de recuperar a forma física ideal. Jair, jogador que tem um longo histórico de lesões, foi poupado na noite de domingo, frente ao Atlético-GO. Esta é a realidade atleticana.

O Galo já disputou 59 partidas na atual temporada e possui de 14 a 16 jogos até o fim de 2021, dependendo do desempenho na Copa do Brasil. Logo, o time de BH realizará mais de 70 jogos em um ano atípico, visto que 2021 começou com a temporada passada e o Atlético disputou o título do Brasileirão de 2020 no início de janeiro. Em resumo, somando as 59 partidas da atual temporada com os confrontos da temporada 2020 que foram disputados neste ano, o Atlético disputou o 70º jogo em 2021. Por isso, o desgaste é completamente compreensível e deve ser pauta de discussões sobre o momento do clube.

Mesmo estando na liderança do Brasileirão, o Atlético tropeçou nas quatro últimas partidas longe de Belo Horizonte e precisa recuperar a confiança fora de casa. A grande questão é que os duelos como visitante exigem muito mais fisicamente por causa dos gramados diferentes e irregulares. Portanto, se faz necessário ter um time 100% fisicamente e Cuca não está contando com uma parte do seu elenco, principalmente no setor ofensivo. Diego Costa está aprimorando a forma física. Savarino e Vargas estão lesionados. Além disso, Mariano também está fora por lesão.

É um fato: o Atlético está frouxo, mas não deve se abater. Com o grande elenco que possui, Cuca deve ser muito inteligente e preciso nas rotações para dosar o cansaço. A partida ruim de Zaracho contra o Atlético-GO é mais uma evidência que o Galo está com as “pernas pesadas”. Rodar o time em meio às decisões é complicado, contudo será necessário.

Trocar a “chave”

Os atleticanos e todos que entendem minimamente de futebol sabem que o grande objetivo do clube alvinegro na temporada é o Brasileirão. O jejum que está prestes a completar 50 anos é um trauma antigo do Galo e os investidores colocaram bastante dinheiro a fim de fazer história. O elenco sabe: erguer a taça do Brasileirão pelo Atlético seria a glória máxima pelo clube e os atletas estão lutando por este objetivo.

No entanto, é necessário desligar a “chave” do Brasileirão por alguns dias e ligar a “chave” da Copa do Brasil. O time mineiro é semifinalista da competição nacional e é o grande favorito ao título ao lado do Flamengo, equipe que enfrenta o Athletico-PR. Nas próximas duas quartas-feiras, o Galo duela com o Fortaleza, sendo que a primeira partida, no dia 20, é no Mineirão.

Se classificar para a final é um importante resultado futebolístico, mas também um grande feito econômico. Como premiação, ou melhor, como direitos televisivos por jogar a final, o clube já garante 23 milhões e pode levar 56 milhões de reais se for campeão, valor que será somado ao montante já garantido por chegar à semifinal de 15,15 milhões.

Portanto, a questão competitiva e o âmbito financeiro pedem que o Atlético foque nos confrontos frente ao Fortaleza, mesmo que o Brasileirão esteja perto da Cidade do Galo, devido à vantagem na liderança. Por isso, a grande missão de Cuca é fazer com que os seus jogadores “troquem naturalmente a chave” e joguem todas as partidas com o mesmo desejo de vencer. Qualquer título é importante para a história de qualquer clube, ou seja, o Atlético deve lutar por todas as taças.

Retomar as boas atuações

Trocar a “chave” das competições é importante para competir nas duas frentes restantes. Dosar o cansaço é crucial para deixar que os jogadores não se lesionem. Porém, o grande objetivo de Cuca nas próximas semanas une estes dois pontos anteriores e destaca o maior desejo dos torcedores alvinegros: que o Atlético retome as boas atuações.

O Galo não está jogando tão mal assim, ao mesmo tempo que o time não tem a obrigação de encantar em todas as partidas. Porém, algumas atuações aquém acabam decepcionando o torcedor e acarretando resultados ruins. Por isso, retomar as boas atuações é o melhor caminho para alcançar os troféus neste final de ano.

Os tropeços frente Atlético-GO e Chapecoense, além da eliminação para o Palmeiras e as vitórias suadas contra Internacional e Santos, deixam claro que alguns pontos devem ser ajustados. Obviamente, os desfalques e o desgaste dos atletas atrapalham, mas questões táticas e técnicas devem ser reparados com urgência. O Galo já esteve mais confiante no próprio desempenho e Cuca tem o objetivo de devolver esta confiança aos atletas.

Uma troca de formação, retornando ao 4-3-3, por exemplo, é uma possibilidade, porém um maior número de variações, principalmente no ataque, deve ser o intuito do treinador. O Atlético tem que apresentar mais artifícios quando enfrentar linhas defensivas bem fechadas, como o Atlético-GO apresentou e como o complicado time do Cuiabá deve apresentar no próximo final de semana.

O Cuca tem trabalho e o Atlético tem boas chances de ser campeão. Foco no trabalho, Galo!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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