112 dias depois, o líder perdeu! Em jogo marcado por polêmica, lei do ex e erro crucial, Atlético perde para o Atlético-GO por 2 a 1

A comemoração do gol da vitória do Dragão. Foto: Bruno Corsino ACG

O atleticano sabia que, uma hora ou outra, a sequência de jogos sem perder no Brasileirão ia se encerrar. O time havia sido derrotado no torneio pela última vez em 27 de junho de 2021 e protagonizou a melhor série invicta da sua história nos pontos corridos: foram 18 jogos, com direito a incríveis 14 vitórias neste intervalo. No entanto, a invencibilidade no Campeonato Brasileiro chegou ao fim neste domingo após uma atuação ruim atleticana.

Além do desempenho aquém, a partida ficará marcada por uma grande polêmica de arbitragem, a lei do ex de Nathan Silva, atleta que marcou contra o Atlético-GO, seu clube até o meio do ano, e pelo erro crucial de Tchê Tchê, falha que acarretou o primeiro gol do Dragão. Uma derrota que dói, mas a “gordura” atleticana foi criada justamente para deslizes.

Nesta noite de domingo, 17 de outubro, o Atlético perdeu para o Atlético-GO por 2 a 1 no estádio Antônio Accioly, casa do time goiano. A partida foi válida pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro e o clube de Goiânia pôde devolver, em partes, a derrota sofrida por 4 a 1 no primeiro turno.

Com o resultado, o Atlético segue na liderança e com uma vantagem considerável. Como o clube mineiro parou nos 56 pontos, o Flamengo pode se aproximar e ficar com 48 pontos no fim desta rodada, mas o time carioca está apenas empatando com o Cuiabá no momento do fechamento desta matéria. Caso vença, o Fla reduz a diferença para oito pontos e é importante destacar que o clube rubro-negro tem dois jogos a menos que o rival. Logo, por causa da derrota, os atleticanos devem torcer ainda mais contra o seu grande adversário no torneio. Já o Atlético-GO subiu um degrau e assumiu a 11ª posição com o triunfo.

O jogo e as atuações individuais

A decisão da arbitragem aos 5 do primeiro tempo foi bem controversa e condicionou toda a partida? Sim. Mas nada justifica o desempenho bem abaixo do esperado do time de Cuca. O árbitro Raphael Claus foi chamado pelo VAR para ver o toque na mão de Baralhas, em cruzamento de Nacho, mas o árbitro continuou com a sua impressão de que o toque não foi faltoso. Alguns pênaltis já foram marcados desta mesma maneira no Brasileirão, inclusive nesta 27ª rodada. Porém, a decisão foi feita e a atuação atleticana merece uma atenção maior do que a arbitragem, visto que cabe a Cuca melhorar o seu time para a reta final, enquanto é dever da CBF preparar melhor os seus árbitros e rever os diferentes critérios.

Dentro de campo, o Atlético não conseguiu furar o bloqueio defensivo do time goiano e as tramas rasteiras foram quase inexistentes. O time mineiro atacou por meio das bolas aéreas, em diversos cruzamentos, já que as tabelas foram impedidas pela dura marcação do Atlético-GO. Com o “chuveirinho”, a equipe alvinegra não progrediu, não conseguiu dominar a partida como deveria e acabou perdendo o controle do confronto.

O ponto principal desta derrota que fez o Galo sair de campo com um revés foi a desatenção: os jogadores não se mostraram tão concentrados no jogo como em alguns duelos recentes. Neste ponto entra o infeliz erro de Tchê Tchê: o meia estava fazendo uma partida aceitável, mas errou um passe curto de forma inexplicável e iniciou a jogada do gol de empate do Dragão. Outros jogadores, como Arana e Hulk, não conseguiram criar boas chances, ficaram nervosos com os próprios erros e acabaram se desconcentrando. Uma derrota que pode ter sido condicionada pela decisão do juiz, mas a atuação ruim justifica os pontos perdidos.

Atlético-GO x Atlético-MG

Bem desfalcado na parte ofensiva e sem o seu lateral-direito titular, mas com o retorno dos selecionáveis, Cuca promoveu algumas mudanças. Na defesa, Guga, Alonso e Arana voltaram à escalação inicial, enquanto, no meio, Jair descansou, Tchê Tchê o substituiu e Nacho retornou ao time titular. Com isso, o Atlético entrou em campo com Everson; Guga, Nathan Silva, Junior Alonso e Arana; Allan, Tchê Tchê, Nacho Fernández e Zaracho; Keno e Hulk.

O primeiro tempo

A polêmica e os chutes de fora

A partida começou com uma grande polêmica. Aos 5, em cobrança de escanteio curto, Nacho cruzou na área com a sua ótima perna esquerda e o volante Baralhas subiu com os braços abertos. A bola bateu na mão direita do camisa 8 do Dragão, porém o árbitro Raphael Claus não viu a infração. Logo depois, o VAR recomendou a revisão, o juiz assistiu o lance novamente no vídeo e, mesmo assim, mandou seguir a partida, visto que, para Claus, o pênalti não deveria ser marcado. No entanto, a comentarista de arbitragem do SporTV, Janette Mara Arcanjo, disse que a penalidade máxima deveria ter sido marcada.

O time atleticano ficou nervoso pela não-marcação do pênalti, mas seguiu em cima, pressionando bastante. No minuto 11, em outra cobrança de escanteio curto, Nacho cruzou e Junior Alonso cabeceou para fora. No minuto seguinte, Hulk foi ao fundo e rolou para Arana bater, porém o chute do lateral alvinegro subiu mais que o desejado. Aos 19, Arana roubou a bola, Tchê Tchê acelerou o contra-ataque, tocou para Keno e o camisa 11 deu um lindo passe para Hulk, mas o centroavante não alcançou a bola.

Com a tensão do jogo, o Atlético não conseguiu chegar com perigo e Fernando Miguel não trabalhou na primeira etapa. No minuto 30, Hulk fez a jogada pela direita, rolou para Tchê Tchê e o meia bateu, mesmo com Arana livre na esquerda. A defesa rubro-negra bloqueou o chute de Tchê Tchê. Já aos 41, Keno escorou para Zaracho bater de fora da área, mas a defesa bem postada do Dragão também bloqueou o chute do argentino. Por fim, três minutos depois, Arana protagonizou boa trama pela esquerda, foi ao fundo e cruzou para a área. Nacho Fernández tentou chegar com a sola da chuteira, mas não deu certo e Fernando Miguel ficou com a bola.

As raras, contudo, boas chances do Dragão

O Atlético-GO atacou pouco o Galo na primeira etapa. O baixo volume ofensivo do time goiano já era esperado visto o desnível entre os dois elencos, entretanto, as melhores chances da primeira etapa foram do time da casa.

Aos 31, o Dragão finalizou pela primeira vez. André Luís fez boa jogada pela direita, levou para o meio e bateu forte, mas a defesa atleticana bloqueou. Dois minutos depois, Janderson foi lançado, ganhou a dividida e saiu cara a cara com Everson. O atacante do Atlético-GO até tentou, mas o goleiro do Galo abafou e evitou o gol do adversário.

No rebote da boa intervenção de Everson, o centroavante Zé Roberto ficou com a bola, resolveu arriscar de fora da área e acertou um ótimo chute. A bola ainda quicou em frente ao gol de Everson, mas o goleiro alvinegro fez mais uma grande defesa e espalmou a bola para a linha de fundo. No escanteio, a bola bateu em Guga e foi nas mãos do arqueiro do Galo. Enfim, primeiro tempo sem gols no Antônio Accioly.

O segundo tempo

A lei do ex

Com a mesma pegada da etapa inicial, todavia com uma criação um pouco melhor, o Galo chegou forte e conseguiu abrir o placar nos 15 minutos iniciais da segunda etapa. Aos 7, Guga tocou para Zaracho e o argentino rolou para Arana bater de fora da área, mas Fernando Miguel encaixou.

Quatro minutos depois, em um bom contra-ataque, Nacho tocou para Hulk e o atacante, depois de acelerar pela direita, recuou para o camisa 26. Nacho Fernández fez ótimo cruzamento para Alonso e o zagueiro, que estava na área, pela esquerda, tentou escorar para o meio, buscando Zaracho. Entretanto, a defesa do Atlético-GO afastou.

Porém, três minutos depois, a zaga do Dragão viu o seu velho conhecido marcar o gol do Galo. Aos 14, Nacho Fernández cobrou um escanteio pela direita, colocou a bola na cabeça de Nathan Silva e o zagueiro testou firme para o fundo das redes. Com muita impulsão, o defensor marcou o seu terceiro gol neste Brasileirão, o segundo nos últimos dois jogos, e não comemorou, visto que estava emprestado ao Dragão neste ano e demonstrou respeito ao ex-clube. Gol de Nathan Silva para abrir o placar. A lei do ex estava ativa: 1 a 0 para o Atlético.

O Galo até chegou novamente aos 18, quando o Dragão deu espaço, Allan lançou Hulk e o artilheiro devolveu, por meio de uma cavadinha, para o volante chutar, mas o canhoto Allan tentou de direita e furou. Porém, o Galo não pressionou da forma ideal e viu o Atlético-GO crescer e marcar com Janderson e Oliveira.

A virada

Aos 20, apenas seis minutos depois de assumir a liderança do placar, o Atlético bobeou e assistiu o Atlético-GO empatar. Na saída de jogo alvinegra, Tchê Tchê errou um passe de menos de dois metros para Nathan Silva na defesa. O volante falhou bisonhamente, a defesa atleticana estava mal postada e o Dragão aproveitou imediatamente. Marlon Freitas interceptou o passe de Tchê Tchê, deu um passe perfeito para Janderson e o camisa 7 bateu na saída de Everson. Um gol inteligente do Atlético-GO que aproveitou o erro do rival: 1 a 1 no placar.

Com a necessidade de vencer, o técnico Cuca promoveu mudanças. Aos 24, Dylan Borrero e Eduardo Sasha entraram nas vagas de Keno e Tchê Tchê; oito minutos depois, Zaracho saiu e Calebe entrou; por fim, no minuto 38, Hyoran substituiu Guga. Entretanto, esta última substituição aconteceu após o segundo gol do Atlético-GO.

Com inteligência, o Dragão continuou pressionando o desatento time mineiro. Aos 35, a equipe mandante conseguiu um escanteio pela direita, cruzou e Everson tirou. No rebote, nenhum defensor marcou Janderson e a liberdade dada acarretou em um belo passe do autor do primeiro gol. A bola do camisa 7 passou por toda a área e encontrou os pés de Oliveira. O camisa 15, que tinha entrado três minutos antes, dominou e bateu forte no canto direito de Everson. O goleiro nada pôde fazer: gol de Oliveira para virar a partida. 2 a 1 no placar do Antônio Accioly.

Minutos finais

Em meio aos gols atleticanos, o Atlético havia chegado em trama de Sasha e Borrero, mas o colombiano acabou isolando o arremate aos 27. E a sequência de jogadas do time mineiro não teve perigo, visto que o Galo não conseguia encontrar espaços e estava pressionado, pois o clube não perdia há 112 dias.

Aos 39, Hyoran cobrou um escanteio curto e finalizou de fora da área, mas a bola passou por cima da meta de Fernando Miguel. Dois minutos depois, Calebe chutou de longe também, com a perna direita, e o meia canhoto não conseguiu acertar o alvo. No minuto 45, Nacho tabelou com Guga e bateu de fora, mas Fernando Miguel estava bem posicionado e encaixou. Já nos acréscimos, precisamente aos 48, Nacho cobrou uma falta e acertou a barreira.


Enfim, o Atlético não conseguiu levar perigo, praticamente não fez Fernando Miguel trabalhar e não fez por merecer o gol de empate. Méritos do Atlético-GO que aproveitou as chances e venceu.

O Galo volta a campo na próxima quarta-feira, 20, às 21:30, contra o Fortaleza, no Mineirão, em jogo válido pela semifinal da Copa do Brasil de 2021.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Baiano

esse frango mija pra tras.

Brunner

Culpa desse técnico de ,erda que o galo tem hj. Esse maldito desse Cuca não faz nada, só mexe errado e fica comendo unha e conversando fiado com esse lixo de Cuquinha. Já era pra terem sumido do Galo. Dois inuteis. Duas merdas. Mais um ano sem ganharmos nada, graças as esse 2 pilantras e essa diretoria que não faz nada

marcio pereira de lima

se não cortar os saltos altos , o cavalo paraguaio voltará para a fila.