Viciado em empatar! Com o travessão como protagonista, Cruzeiro empata com o Guarani por 1 a 1 e segue em 15º

Foto: Thomaz Marostegan/Guarani FC

Parece repetição, mas não é. O Cruzeiro Esporte Clube empatou novamente na Série B. Pela 14ª vez na edição de 2021, já superando os 13 empates da equipe no ano passado, a Raposa não perdeu, mas também não venceu o seu adversário. Mais um empate de uma equipe que segue descendo e que se consolidou na perigosíssima 15ª posição, colocação que está bem próxima da zona do rebaixamento. E, desta vez, o protagonista não foi a defesa falhando e muito menos a arbitragem. Neste jogo, o travessão chamou a atenção: duas finalizações da Raposa e um chute do Guarani pararam no poste superior. Azar somada à desatenção: mais um tropeço do time mineiro que é viciado em empatar.

Nesta quarta-feira, 29 de setembro de 2021, o Cruzeiro empatou com o Guarani por 1 a 1 no Estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, no estado de São Paulo. Este jogo foi válido pela 27ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro e foi o terceiro jogo seguido entre as equipes que terminou em empate.

Com apenas um ponto conquistado, a Raposa continua com a mesma vantagem para a zona do rebaixamento e vê o G-4 ainda mais distante – na prática, o grupo de acesso é inalcançável. Com 32 pontos em 27 jogos, o Cruzeiro, dono da 15ª posição, está cinco pontos à frente do Londrina, o 17º colocado, e 14 pontos atrás do CRB, primeiro clube dentro do G-4. A distância segue aumentando para os clubes que irão subir de divisão, mas os jogadores seguem discursando que irão brigar pelo acesso, mesmo em uma situação quase inacreditável. Para exemplificar o mau desempenho, mais de 50% dos jogos do Cruzeiro na Série B terminaram em empate. Já o Guarani terminou a rodada na sexta posição, com 42 pontos.

O jogo e as atuações individuais

O notório cantor cruzeirense, Samuel Rosa, da banda Skank, afirmou em uma música: bola na trave não altera o placar. E o time mineiro sentiu isso ao sair de campo com o empate. Na reta final da partida, o Cruzeiro acertou o travessão em duas ótimas finalizações dos seus zagueiros: Ramon, de cabeça, e Eduardo Brock, em cobrança de falta, balançaram o travessão de Rafael Martins. No entanto, o Guarani também acertou o poste superior na primeira etapa, logo depois da Raposa abrir o placar. Em resumo, um jogo bem movimentado, mas que faltou qualidade técnica e sobrou azar dos dois clubes.

O Cruzeiro entrou em campo com uma escalação bem contestável, visto que alguns jogadores não passavam muita confiança em determinadas funções, além da utilização do jovem Vitor Leque no ataque. No entanto, a atuação foi aceitável, com alguns destaques. Por exemplo, Vitor Leque fez uma boa partida e mostrou que pode ser uma boa opção para o banco de reservas. Um aspecto tático que chamou a atenção foi a pressão na saída de jogo do adversário, visto que a Raposa não faz isso com constância, mas surtiu efeito em alguns momentos frente ao Guarani.

A grande questão é que o Cruzeiro não possui regularidade dentro de campo. O time tem alguns bons momentos, porém não consegue imprimir a mesma qualidade durante os 90 minutos e as quedas de rendimento são fatais. Além disso, as falhas defensivas seguem aparecendo, como é possível ver no gol do Guarani. Mal marcado por Rômulo, Bruno Sávio cruzou e encontrou o lateral-direito Matheus Lodke dentro da área. O autor do gol foi o grande destaque da partida porque teve muita liberdade para atacar um setor que contava com Eduardo Brock, Felipe Augusto e Vitor Leque. Para garantir a permanência na Série B, o Cruzeiro precisa se acertar e jogar bem durante toda a partida. Esta irregularidade mantém o clube na atual situação caótica.

Guarani x Cruzeiro

Com alguns desfalques e com jogadores sem a condição física ideal para os 90 minutos, como Bruno José, Vanderlei Luxemburgo promoveu várias mudanças na equipe titular. O técnico mudou os alas – colocou Rômulo e Felipe Augusto -, escalou Flávio e Lucas Ventura no meio-campo e deu a primeira oportunidade como titular do time principal para Vitor Leque, jovem de 20 anos. Logo, a Raposa entrou em campo com Fábio; Rômulo, Ramon, Eduardo Brock e Felipe Augusto; Lucas Ventura, Flávio e Giovanni Piccolomo; Claudinho, Marcelo Moreno e Vitor Leque.

O primeiro tempo

O Cruzeiro não teve o controle da posse de bola no primeiro tempo, contudo foi muito assertivo e saiu com a vantagem mesmo finalizando só quatro vezes. Logo no minuto 11, Felipe Augusto cruzou na área e a defesa do Guarani jogou a bola para a linha de fundo. Na cobrança de escanteio, Rômulo colocou a bola na cabeça de Ramon e o zagueiro testou forte, sem chances para o goleiro Rafael Martins. Um belo gol do zagueiro Ramon: 1 a 0 para o Cruzeiro em Campinas.

A equipe mineira foi dominada após abrir o placar, mas chegou em outras duas oportunidades. Aos 32, Giovanni tocou para Felipe Augusto e o ponta canhoto bateu forte de fora da área, mas a bola balançou as redes apenas pelo lado de fora. Cinco minutos depois, Marcelo Moreno, atacante que estava bem isolado, recebeu, limpou a marcação e arriscou, todavia Rafael Martins encaixou.

Já o Guarani dominou o primeiro tempo, teve 63% de posse de bola e finalizou nove vezes, mas não balançou as redes de Fábio. Aos 13, Júlio César recebeu a bola na esquerda, levou para o meio e bateu forte. O ótimo chute explodiu no travessão de Fábio. Quatro minutos depois, Bidu cruzou e Matheus Ludke tentou de cabeça, mas errou a direção do gol.

No minuto 27, Bruno Sávio fez ótimo lançamento para Matheus Ludke, ala que ganhou de Lucas Ventura, porém o seu chute parou em Fábio, já que o goleiro cruzeirense saiu muito bem e a zaga afastou o perigo. Aos 31, Régis tocou para Rodrigo Andrade, o atacante finalizou de fora da área e não acertou a direção do gol. Ainda na pressão, o Guarani chegou aos 45, quando Matheus Ludke entrou na área e até driblou Fábio, porém o goleiro e a defesa fecharam bem e Ludke não teve espaço. Lucas Ventura foi muito esperto, cortou o perigo e fez com que o primeiro tempo terminasse com 1 a 0 no placar do Cruzeiro.

O segundo tempo

Empate do Bugre e gol anulado da Raposa

Para a etapa final, apenas o Guarani mexeu na equipe e, além da mudança na defesa, o time alterou a postura, visto que o Bugre empatou o jogo rapidamente. Aos 4, Bruno Sávio recebeu na esquerda, fez o drible e cruzou para a área com perfeição, buscando algum companheiro na segunda trave. Matheus Ludke recebeu, dominou com a barriga e, mesmo sendo destro, bateu com a perna esquerda. O chute feito quase dentro da pequena área foi indefensável para Fábio. Logo, empate do Guarani em ótima jogada de Matheus Ludke e Bruno Sávio, destaques da equipe já no primeiro tempo: 1 a 1 no placar.

Precisando se recuperar na partida, o Cruzeiro mudou pela primeira vez aos 9 do segundo tempo, quando Luxemburgo colocou Bruno José na vaga de Claudinho. E a mudança quase deu certo. Primeiramente, a Raposa chegou com Marcelo Moreno no minuto 13, quando o boliviano recebeu cruzamento de Giovanni, dominou e chutou, mas foi bem bloqueado pela defesa. Três minutos depois, Brock lançou Rômulo na direita, o camisa 27 cruzou na área, o goleiro tirou mal e Bruno José marcou um lindo gol, encobrindo Rafael Martins. A bola balançou as redes, mas o impedimento de Rômulo, no início da jogada, já havia sido assinalado pelo bandeirinha e, alguns minutos depois, a irregularidade foi confirmada pelo VAR.

Depois disso, o Guarani tentou a virada três vezes, assustando a torcida cruzeirense. Aos 22, Andrigo recebeu de Régis e bateu forte de perna esquerda. Fábio fez uma grande defesa neste arremate. Já no minuto 26, o goleiro da Raposa ficou assustado e só olhou o chute de fora da área de Bruno Silva que desviou na defesa e foi no seu contrapé. Felizmente para Fábio, a bola foi para fora. Dois minutos depois, a zaga cruzeirense cortou um cruzamento e Andrigo deu uma bicicleta, mas a tentativa foi cortada pelo cabeceio de Brock. Na sobra, Matheus Ludke, autor do gol do Bugre, finalizou de fora e Fábio encaixou.

Travessão nos minutos finais

Precisando de um gol para levar três pontos para Minas Gerais, o técnico Vanderlei Luxemburgo promoveu outras três mudanças. Aos 27, Vitor Leque deixou o campo e Keké entrou. Dez minutos depois, Ariel Cabral e Raúl Cáceres substituíram Giovanni Piccolomo e Lucas Ventura.

E, curiosamente, mesmo com as mudanças mais defensivas, o Cruzeiro chegou com perigo nos minutos finais. Aos 39, em uma “reprise” do gol marcado, Rômulo cobrou um escanteio pela direita e Ramon subiu com muita liberdade. Porém, desta vez, o zagueiro cruzeirense acertou o travessão com um forte cabeceio. Dois minutos depois, Bruno Silva errou no meio-campo, Rômulo lançou Marcelo Moreno e Bidu, para salvar o Guarani, agarrou e derrubou o atacante da Raposa. A falta era para cartão vermelho, porém, novamente, o auxiliar marcou corretamente o impedimento. Com uma longa pausa, o VAR confirmou a irregularidade de Marcelo Moreno, atleta que estava ligeiramente adiantado.

Porém, nos acréscimos, Bidu não conseguiu fugir da expulsão. Após falta dura em Rômulo, o já amarelado camisa 6 do Guarani recebeu a segunda advertência e, consequentemente, o vermelho. Na sequência, aos 50, Andrigo tentou de fora da área e a bola passou próxima da trave direita de Fábio.

No apagar das luzes, o Cruzeiro quase marcou um golaço com Eduardo Brock. Aos 54, o zagueiro cobrou uma falta com muita força e bem colocada, mas Rafael Martins voou e fez uma linda defesa. A bola ainda explodiu no travessão e assustou todos os torcedores. No entanto, “bola na trave não altera o placar” e o jogo ficou empatado por 1 a 1.

O Cruzeiro volta a campo no próximo domingo, 03 de outubro, às 11 da manhã, contra o Brasil de Pelotas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments