Com 0,17% de chances de subir, o Cruzeiro deve ter humildade para reconhecer o seu momento e projetar a Série B de 2022

Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Por Pedro Bueno

Em algumas situações, o futebol é palco de algumas realizações quase impossíveis. Para isso acontecer, além da sorte, a equipe precisa ter méritos e, aparentemente, não é este o caso cruzeirense. Apenas um grande milagre coloca o Cruzeiro na Série A de 2022 e, sendo realista, o pensamento deve ser confirmar a permanência na segunda divisão do Campeonato Brasileiro e já começar a projetar o próximo ano na Série B.

É um momento inacreditável para um clube tão gigante, ao mesmo tempo que esta crise existe há três anos e, pelo visto, muitas pessoas ainda não entenderam a real situação cruzeirense. O time está afundado em dívidas e não conseguiu se reerguer no âmbito do futebol com as tentativas controversas da atual diretoria.

A situação é caótica, porém ignorar a realidade é a pior forma de enfrentar tudo isso que está acontecendo. Atualmente, a Raposa necessita urgentemente compreender todos estes problemas. O prazo de validade dos discursos rasos, os quais falam de um time gigante que irá se reerguer rapidamente, foi extrapolado novamente.

O Cruzeiro precisa de mais de 10 vitórias em 12 jogos. A equipe tem 0,17% de chances de subir, segundo os cálculos da UFMG. A verdade machuca os torcedores cruzeirenses, mas a missão da Raposa deve ser se garantir na Série B de 2022.

Filme repetido

A atual gestão, comandada por Sérgio Santos Rodrigues, assumiu o clube no meio do ano passado e organizou o clube para a Série B de 2020 e 2021. Com ideias distintas da realidade, o presidente é um dos grandes responsáveis pela atual situação, visto que jogadores e comissões técnicas foram alteradas e o filme está sendo reprisado.

Em 2020, Enderson Moreira começou a Série B no comando, foi demitido e Ney Franco assumiu. A torcida protestou bastante quando o treinador foi contratado, mas o presidente Sérgio Santos Rodrigues bancou a contratação. Durou pouco, visto que foi muito mal. Ney Franco saiu e o Cruzeiro buscou um comandante experiente e vitorioso, já com passagem pelo time: Luiz Felipe Scolari. Felipão chegou, o time engrenou e a torcida se animou, porém os problemas voltaram a aparecer e a equipe voltou a tropeçar. Com isso, a Raposa brigou apenas pela permanência na Série B.

Em 2021, Felipe Conceição começou a Série B no comando, foi demitido e Mozart assumiu. A torcida protestou bastante quando o treinador foi contratado, mas o presidente Sérgio Santos Rodrigues bancou a contratação. Durou pouco, visto que foi muito mal. Mozart saiu e o Cruzeiro buscou um comandante experiente e vitorioso, já com passagem pelo time: Vanderlei Luxemburgo. Luxa chegou, o time engrenou e a torcida se animou, porém os problemas voltaram a aparecer e a equipe voltou a tropeçar. Com isso, a Raposa está brigando apenas pela permanência na Série B.

O filme repetido não é acaso. Esta instituição não pode repetir erros tão grandes em duas temporadas seguidas. Falta a luz no fim do túnel para os cruzeirenses. A situação é dramática e inaceitável.

Buscar o milagre ou pensar em 2022?

O mais apaixonado torcedor, talvez, ainda pense que é possível voltar à Série A. Porém, levando em consideração a matemática, as chances cruzeirenses são, praticamente, impossíveis. Com 0,17% de chances de subir, a Raposa precisa de um milagre, visto que não depende só de si.

Caso o CRB, quarto colocado, mantenha o aproveitamento de 56,4%, o time alagoano chegará aos 64 pontos nesta Série B. Logo, o Cruzeiro, equipe que está em 14º, com 31 pontos, precisaria de 33 pontos em 36 disputados, ou seja, a matemática indica milagres, mas a realidade é que o time não irá conseguir o acesso.

Além da difícil missão matemática, o futebol da Raposa não indica nada diferente. A equipe está jogando mal e venceu apenas seis das 26 partidas disputadas, ou seja, o time triunfou em só 23% das partidas. Não aparenta ser agora que a equipe irá arrancar em uma sequência mágica. A realidade é olhar para a parte de baixo da tabela, garantir a permanência na Série B, visto que está apenas cinco pontos à frente do Brusque, 17º colocado, e já projetar 2022.

Porém, o planejamento para 2022 não deve ser feito de qualquer forma. O pensamento deve ser diferente. Frases soltas e apenas falar que o Cruzeiro é gigante e sairá desta situação não adiantará. O clube precisa de ações efetivas. Repetir 2020 e 2021 é muito fácil e provável. Sair deste buraco parece algo quase inalcançável depois de ver discursos dos gestores cruzeirenses. Para o bem da instituição, 2022 tem que ser diferente e o fim de 2021 deve ser o início desta mudança.

Humildade para ressurgir

Segundo o dicionário Aurélio, o adjetivo humildade significa modéstia, respeito e consciência das próprias limitações. Ser humilde não é um problema, e sim uma qualidade. Entender até qual ponto você pode chegar é necessário. Obviamente, sonhar é algo prazeroso, mas compreender a sua situação e os seus próximos passos é o caminho ideal em cada situação.

O curioso do parágrafo acima é que serve tanto para as nossas vidas, como para o Cruzeiro Esporte Clube. Obviamente, a equipe mineira não gostaria de estar assim, mas existem responsáveis: desde os primeiros gestores que fizeram contratos bem contestáveis, até os atuais que seguem errando. Em meio a esta “roda gigante” de problemas cruzeirenses, o time ainda não entendeu a sua realidade: o Cruzeiro está próximo de se garantir na terceira temporada seguida longe da elite do futebol brasileiro.

As dívidas chamam a atenção, porém a Raposa poderia estar melhor dentro de campo. Contratações controversas, trocas de treinador com constância e quase nada de futebol bem praticado: esta é a realidade cruzeirense. Enquanto as pessoas não entenderem o que é o Cruzeiro atualmente, o time não sairá do buraco.

O Cruzeiro Esporte Clube não deixará de ser gigante. Os títulos e a história seguirão ao lado da equipe. Ao mesmo tempo que o atual momento também fará parte da história. Desde 2019 em crise, a Raposa precisa entender o que está acontecendo para corrigir. Isso não é comum, mas está sendo normalizado. Até quando será aceitável passar mais uma temporada longe da Série A?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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José Antonio

Pedir “humildade” para modinhas vaidosas, arrogantes e soberbas é um pouco demais…. Basta ler o texto pra ver que a arrogância continua… Repete à exaustão a palavra “gigante” que, no caso, não pode ser aplicada a um time que vai completar três anos consecutivos na SEGUNDONA, isso se não cair pra SÉRIE C!!!!! Um time com mais de 200 processos trabalhistas, um time que em 65 rodadas na SEGUNDA DIVISÃO sequer conseguiu ficar uma única vez entre os dez primeiros, um time que não pode contratar ninguém pro causa de calotes não pagos que foram parar na FIFA. “Gigante”???

Marcelo

O seu raciocínio tá melhor que o texto… Definição de GIGANTE, deve ser relacionado as DÍVIDAS!

José Antonio

Não às DIVIDAS mas à capacidade de pagá-las….

EDFERN

Muito lúcida a colocação “o atual momento também fará parte da história”.

Nada apaga passado bom, nem ruim. Decisões novas pra desafios novos, assim como o Coelho e o Galo estão fazendo… especialmente no Galo

Igor Hotz

BONITA ANÁLISE, MAS ONDE ESTÃO OS 3 FILHOS DE UMA PUTA QUE ARRASARAM O CLUBE.. WAGNER PIRES LADRÃO E INCOMPETENTE.. ITAIR BANIDO.. E SÉRGIO BATORÉ IMPRESTÁVEL.. ESPERAR POR JUSTIÇÃ, NO BRASIL E IGULA ESPERAR COBRA CRIAR ASAS E VOAR..TERIA QUE HAVER UM EXEMPLO.. OS 3 FILHOS DE UMA PUTA DENTRO DE UM CAIXÃO, PARA SERVIR DE EXEMPLO PARA OS CLUBES DA SÉRIE A ATÉ A SÉRIE D…

Rubens Eymard Alves

Humildade passou longe das maricotas. Chamam o Mineirão de Toca 3 sem ter nem um tijolo do estádio.

Roni Fragoso

Humildade esta que a torcida do patético está herdando? Seria este o verbo “cruzeirar”? Afinal, se não fosse o Rubens Menina teria saído o estádio de vocês? Só que a maioria adora arrotar e falar que o dinheiro para a construção é do galo. Então porque se chama Arena MRV? A nossa soberba, que aliás era justificável até 2019, tendo em vista que o que nos separava era muito grande em termos de história e títulos, simplesmente mudou de lado. Mas assim como nós, vocês ainda vão pagar um preço por isso, em breve. E hoje já cai uma parte da fantasia diante do Palmeiras.