Dois meses depois de sair, Matheus Barbosa ainda é o artilheiro do Cruzeiro. Qual é o problema do ataque da Raposa em 2021?

Marcelo Moreno é vice-artilheiro na temporada. Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Infelizmente para os torcedores do Cruzeiro, não faltam evidências para confirmar mais uma temporada ruim do clube. Desde o desempenho em casa até a parte defensiva, alguns fatos podem ser usados para demonstrar quão decepcionante está sendo o 2021 cruzeirense. No entanto, um fato chama a atenção: a artilharia.

Há mais de dois meses, a Raposa perdeu o seu volante titular, o qual foi, desde o início da sua curta passagem por BH, bem contestado. Matheus Barbosa recebeu uma proposta do Atlético-GO em 21 de julho e deixou o Cruzeiro após marcar sete gols em 27 jogos. A artilharia era dele na época e, mesmo 60 dias depois, o goleador máximo da Raposa no ano continua sendo Matheus Barbosa.

É curioso que o time busque uma recuperação, ao mesmo tempo que não tenha confiança na parte ofensiva, ou seja, esta recuperação tende a não acontecer, visto que qualquer ressurgimento no futebol depende do bom desempenho no ataque e muitas bolas na rede. O Cruzeiro ainda não se encontrou no ataque e, consequentemente, não se encontrou na temporada.

Matheus Barbosa ainda é o artilheiro. Outros atletas perseguem o número de sete gols, mas ninguém possui a confiança para buscar este posto. Qual é o problema do ataque da Raposa?

A artilharia

Ele precisou de 27 jogos de fevereiro até julho para alcançar sete gols. Com um bom posicionamento, o volante Matheus Barbosa balançou as redes adversárias várias vezes e deixou o clube em alta. O curioso não é a saída do meio-campista que estava emprestado, mas sim a falta de qualidade da parte ofensiva da equipe, a qual segue perseguindo os números de Matheus Barbosa.

  • Matheus Barbosa (já deixou o clube) : 7 gols;
  • Marcelo Moreno: 6 gols;
  • Felipe Augusto: 5 gols;
  • Bruno José: 4 gols;
  • William Pottker (já deixou o clube) e Rafael Sobis: 3 gols;
  • Airton (já deixou o clube), Giovanni Piccolomo, Marcinho, Ramon e Thiago: 2 gols;
  • Guilherme Bissoli, Jadson, Manoel (os três atletas anteriores já deixaram o clube), Claudinho, Léo Santos e Raúl Cáceres: 1 gol;
  • 2 gols contra.

Logo, como é possível observar acima, apenas quatro atletas que seguem no clube marcaram mais do que dois gols nesta temporada: Bruno José, Felipe Augusto, Marcelo Moreno e Rafael Sobis. São quatro atacantes, porém eles não estão em uma fase tão confiável. O time mineiro ainda sofre para decidir algumas partidas, visto que estes atletas não vivem um bom momento.

E a artilharia de Matheus Barbosa é a melhor evidência do mau momento ofensivo da Raposa. Mesmo dois meses depois da sua saída, ninguém conseguiu fazer mais gols que ele. O volante que infiltrava bastante na área pela Raposa segue como líder de gols marcados em um gigante como o Cruzeiro. Isso não pode ser correto. Até quando a própria equipe e os seus apaixonados torcedores não irão confiar nem nos seus atacantes?

Qual é o problema do ataque?

Obviamente, a justificativa para o mau momento do ataque do Cruzeiro pode ser a falta de pontaria. É uma razão válida e alguns treinamentos devem fazer a parte ofensiva evoluir. No entanto, o problema ofensivo cruzeirense vai além desta questão do fundamento.

A falta de confiança no ataque é algo que está presente em cada partida do Cruzeiro. O time não consegue prosseguir nenhuma grande trama ofensiva e, fora os gols de pênaltis, não existe um padrão de gols da Raposa, isto é, os tentos cruzeirenses são bem variados, visto que eles acontecem mais por acaso do que em jogadas trabalhadas.

Quando é possível observar semelhança nos gols de uma equipe, é imaginado que os atacantes se programam para realizar determinada jogada. Todavia, os gols da Raposa acontecem de qualquer forma, sem nenhuma ideia prévia. A falta de confiança dos próprios atacantes segue levando a novos problemas ofensivos, ou seja, esta questão se torna uma “grande bola de neve”.

O preço deste problema

O problema vai aumentando e a instituição paga o preço. Mesmo jogando bem, Marcelo Moreno ainda não emplacou tantos gols com a bola rolando como era esperado e Rafael Sobis ainda não conseguiu jogar bem em 2021, estando em uma fase terrível. Nas pontas, Bruno José faz boa temporada, porém não é tão assertivo nas finalizações, enquanto Felipe Augusto, autor de cinco gols, é um dos jogadores mais contestados do elenco cruzeirense. Por fim, Wellington Nem até vive um bom momento, todavia não marcou nenhum gol pela Raposa.

O preço que é pago pelo Cruzeiro tende a ser mais um ano de permanência na Série B do Campeonato Brasileiro. Por causa da irregularidade de todo o time, além do mau momento ofensivo, a Raposa está 13 pontos atrás do quarto colocado da segunda divisão do Brasileirão. Existe possibilidade matemática de subir? Sim. Porém, esportivamente é quase impossível.

O melhor caminho para o Cruzeiro é se organizar, desde a defesa até o ataque, pensando no próximo ano. O time não vive um bom momento financeiro e esportivo e sequer possui confiança em dias melhores. A situação é crítica, assim como a fase do ataque. A Raposa precisa melhorar, ou seja, a equipe precisa de gols. Os atacantes devem “se ligar”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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