A bola tocou no braço? O juiz reiniciou o jogo antes do pênalti? Confira as polêmicas da partida entre Cruzeiro e Operário

O lance de Marco Antônio. Reprodução TV Globo

Mesmo sendo disputadas em um torneio de pontos corridos, algumas partidas alimentam polêmicas até o fim do ano. Aparentemente, Cruzeiro e Operário será mais um jogo “eterno”, visto que as reclamações, alegações e discussões aumentam a cada momento.

Dentro de campo, a Raposa e o Fantasma empataram por 1 a 1 na noite de quinta-feira, 16 de setembro, em um jogo que ficaria marcado pela excelente atuação do goleiro Simão. No entanto, os torcedores ficaram discutindo, desde o apito final, a anulação do gol cruzeirense e até o lance do pênalti de Eduardo Brock retornou à discussão.

Vendo as reclamações dos seus torcedores e o possível prejuízo pelas decisões do árbitro junto ao VAR, o Twitter oficial do Cruzeiro até fez uma série de publicações no fim da noite passada. Com alguns vídeos e reclamações em forma de texto, além do compromisso de ir à CBF reclamar destas situações, a rede social do clube detalhou dois lances que aconteceram na última noite, os quais o Blog também irá esmiuçar.

O toque no braço

Obviamente, o lance mais polêmico da partida foi o último, o qual anulou um gol muito comemorado por Marcelo Moreno aos 51 do segundo tempo, ou seja, um tento que acarretaria uma vitória para o Cruzeiro.

O lance

Aos 51, Wellington Nem tentou entrar na área e ficou sem a bola. Na sobra, Marco Antônio dominou, fez uma boa assistência para Marcelo Moreno e o atacante chapou no canto esquerdo do goleiro, sem chances para o ótimo arqueiro Simão. A torcida, os jogadores e, principalmente, o atacante boliviano comemoraram muito, mas a euforia foi substituída pela apreensão.

Depois do gol de Marcelo Moreno, os times discutiram bastante, houve um princípio de briga e o Operário pediu um toque no braço de Marco Antônio no domínio, antes da assistência. Após muita confusão e sem haver uma conclusão sobre a infração cometida ou não, a partida ficou parada por mais de dez minutos até a decisão do árbitro Rodrigo Dalonso: gol anulado e empate decretado com muita polêmica.

A polêmica

A grande discussão surgiu depois que o jogo ficou paralisado por mais de dez minutos e, só depois disso, Rodrigo Dalonso foi convocado para ir ao VAR. Mesmo sem uma imagem tão clara, o árbitro definiu que o toque no braço deveria ser marcado. Desta maneira, a torcida cruzeirense ficou bastante revoltada.

O Cruzeiro faz questão de alegar que as imagens são inconclusivas e que a responsabilidade é 100% do árbitro, ou seja, o VAR não poderia interferir sem estar certo sobre a falta. A regra diz que quando o juiz de vídeo não consegue afirmar se a infração aconteceu ou não, a marcação de campo deve ser mantida. Logo, a equipe afirma que o árbitro da partida decidiu pelo toque no braço sem uma imagem que deixasse clara a irregularidade.

No entanto, a noite da quinta-feira ganhou novos argumentos na discussão porque a TV Globo, dona dos direitos de imagem do Brasileirão Série B, divulgou um vídeo que mostra o lance com mais clareza. É necessário ressaltar que o VAR não teve acesso ao vídeo e ele foi divulgado depois do fim do jogo pela televisão, ou seja, a gravação não interferiu na decisão do árbitro. Muitas pessoas, por meio da rede social, ainda afirmam que a bola bateu no ombro, porém a gravação também chama a atenção pelo movimento de Marco Antônio, visto que a bola foi para frente. Um lance muito polêmico. Deixe a sua opinião!

O reinício antes do pênalti

Além da discussão acerca do gol anulado de Marcelo Moreno por causa do possível toque no braço de Marco Antônio, o Cruzeiro ressaltou outra “injustiça” que aconteceu na última partida. O clube colocou nas suas redes sociais o vídeo abaixo e alegou que o árbitro autorizou o recomeço do jogo, mas depois mandou parar e foi olhar o VAR para analisar o pênalti cometido por Eduardo Brock.

Vídeo dísponível no Twitter do Cruzeiro.

A grande questão é que o juiz de vídeo não pode interferir depois de haver qualquer paralisação e reinício do jogo, ou seja, o lance envolvendo Eduardo Brock e Djalma Silva aconteceu anteriormente e, assim que a bola saiu pela lateral, o juiz deveria ter paralisado a partida, aguardando a recomendação de revisão do VAR. Entretanto, o árbitro indicou que o jogo deveria ser recomeçado e, segundos após a cobrança, pediu para voltar e aguardar, acarretando a curiosa ira dos jogadores do Operário, visto que os atletas queriam prosseguir na jogada.

Imagem disponível no Twitter do Cruzeiro.

O pênalti é indiscutível. Eduardo Brock chutou as costas de Djalma Silva e o árbitro deveria ter visto em campo. Porém, a alegação cruzeirense é que, após mandar reiniciar a partida, o juiz não pode voltar atrás e revisar a jogada anterior. A reclamação do clube mineiro faz sentido, contudo, para uma conclusão mais fundamentada, seria necessária a divulgação dos áudios entre o árbitro de vídeo e o juiz de campo, visto que o reinício de Rodrigo Dalonso poderia ter sido motivado por um problema na comunicação entre os responsáveis pela arbitragem.

É necessário repetir: o pênalti é quase uma unanimidade, mas o protocolo foi realmente mal exercido. A principal questão deste lance é entender o porquê que o juiz ordenou que o lateral fosse batido.

Erros que levaram ao acerto?

Uma grande discussão nestes “tempos modernos” de VAR é sobre o erro. Vale mais a pena ter erros que levam ao acerto ou acertos que levam ao erro? A discussão seria longa levando em consideração esta pergunta, porém é necessário pontuar algumas questões da partida entre Cruzeiro e Operário.

O pênalti de Eduardo Brock existiu e a arbitragem não viu em campo. Teoricamente, visto que não foi divulgado o áudio do VAR, o juíz de vídeo estava analisando o lance quando Rodrigo Dalonso ordenou, de forma equivocada, que o lateral fosse cobrado. Um erro do árbitro, pois foi pênalti, mas a alegação cruzeirense é que, após o reinício, ele não pode voltar atrás. Embasado na regra, a reclamação da Raposa tem fundamento, mas a discussão anterior retorna: é melhor erros que levam ao acerto – como o equívoco de Rodrigo Dalonso ao voltar atrás depois de reiniciar a partida – ou acertos que levam a erros – caso o árbitro não voltasse atrás para revisar o pênalti?

É certo que a discussão é longa e esta pergunta não cabe exatamente ao lance do Marco Antônio. O toque existiu, mas ainda é bem discutível se foi no ombro, na manga da camisa ou realmente no braço. Cada torcedor ou analista possui uma opinião e trata-se de uma lance que renderá longas discussões, ainda mais pelo valor deste gol.

Polêmicas que possui uma grande culpada: a CBF. A responsável pelo futebol brasileiro ainda não profissionalizou os árbitros e os juízes possuem outra profissão, ou seja, é muito complicado exigir boas atuações deles. É necessário pensar nisso!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Bruno Arruda

Sou cruzeirense e para mim o certo é certo. Penlati bem marcado, toque no braço. Inclusive, pelo primeiro lance que vi na TV já tive essa impressão. E pela imagem divulgada para mim também é claro que o toque está na ponta da manga, o que indica o meio do antebraço. Como no Blog do Victor Martins: Não é por causa da arbitragem diante do Operário que o Cruzeiro vai ficar mais um ano na Série B

elvis

Cruzeirense? Falando que o lance que discute toque no braço foi pênalti??? Sei…