“São Simão”, VAR e uma grande polêmica: Cruzeiro apenas empata com o Operário por 1 a 1 em Sete Lagoas

Depois de parar em Simão, Moreno foi protagonista do lance final. Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Não faltarão assuntos para serem discutidos após o fim deste jogo entre Cruzeiro e Operário. A equipe mineira parou em Simão, goleiro do time paranaense, diversas vezes e o arqueiro tinha tudo para ser o protagonista da partida – até ser beatificado pela torcida do clube de Ponta Grossa. Porém, as defesas milagrosas de “São Simão” foram ofuscadas pelo último lance. Marcelo Moreno marcou o gol da vitória aos 51 da segunda etapa e vibrou bastante, porém, depois de doze minutos de pausa e diversas polêmicas, o VAR recomendou a revisão para o árbitro Rodrigo Dalonso e o gol foi anulado. Muitas reclamações e a realidade bate na porta cruzeirense: mais um empate.

Nesta quinta-feira, 16 de setembro, o Cruzeiro recebeu o Operário em Sete Lagoas e o placar marcou 1 a 1. A partida foi válida pela 24ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro e aconteceu na Arena do Jacaré, com a presença da torcida.

Com o resultado, a Raposa alcançou o seu incrível 12º empate em 24 rodadas, ou seja, a metade das partidas do time mineiro terminaram com o marcador igual. A equipe chegou aos 30 pontos e subiu uma posição, deixando o CSA para trás, porém, se o time alagoano pontuar ou o Brusque vencer, o Cruzeiro perde a 12ª colocação conquistada neste início de rodada. Já o Operário conquistou o 34º ponto e, novamente, não venceu.

O jogo e as atuações individuais

É complicado falar do futebol em si depois de uma confusão como esta que finalizou a partida entre Cruzeiro e Operário, porém é necessário tentar. Vale destacar que a equipe mineira fez um primeiro tempo ruim, só chegou com perigo na falha bisonha do Operário – bem aproveitada por Claudinho – e viu uma boa recuperação do limitado time paranaense. No entanto, a segunda parte foi inteiramente dominada pela Raposa e Luxemburgo teve méritos: com muita ousadia, o técnico colocou vários atacantes e o time finalizou 12 vezes nos 45 minutos finais – foram só quatro chutes no primeiro tempo.

No entanto, depois de ressaltar a irregularidade cruzeirense dentro de campo, é importante falar um pouco sobre o fim da partida. O Cruzeiro fez um gol marcante com Marcelo Moreno, em bela assistência de Marco Antônio. No entanto, o jovem, cria da base do Cruzeiro, dominou a bola próxima do braço. As imagens não são tão conclusivas e, por isso, houve uma demora de mais de dez minutos. É vergonhoso uma partida de futebol ficar parada por tanto tempo. Este é o ponto principal.

Sobre a decisão do juiz de confirmar ou não o gol, o toque no braço é sempre complicado de analisar e as imagens não são claras. O VAR demorou, mas concluiu que o árbitro havia cometido um equívoco ao confirmar o gol de Moreno. Com isso, Rodrigo Dalonso voltou atrás e anulou o tento de Moreno.

A discussão não deve ser o toque ou não de mão, mas sim a utilização do juiz de vídeo e a reação de todos os envolvidos. A pausa foi enorme durante a partida e isso é inadmissível, assim como a postura dos atletas e das comissões técnicas. Após o gol, o campo de jogo ficou marcado por muita confusão, brigas e nada que realmente pertence ao esporte. É claro que a decisão favorável ou desfavorável irrita o time, mas a desnecessária demonstração de virilidade após a decisão chama a atenção, como Giovanni Piccolomo chutar latas de lixo e derrubar tudo a caminho do vestiário – este lixo, certamente, será recolhido por alguém que não estava envolvido em nada na partida. Portanto, sobraram erros de todas as partes em uma partida que ficará marcada por estas polêmicas.

Cruzeiro x Operário

Antes da partida, o Blog destacou que o Cruzeiro tinha três dúvidas: armação, ponta e referência. Com isso, Vanderlei Luxemburgo optou por Claudinho, Dudu e Marcelo Moreno para as respectivas funções, em vez de Giovanni, Bruno José e Thiago (ou Rafael Sobis), jogadores que foram preteridos e ficaram no banco. Logo, a Raposa entrou em campo com Fábio; Raúl Cáceres, Ramon, Eduardo Brock e Matheus Pereira; Adriano e Rômulo; Claudinho, Wellington Nem e Dudu; Marcelo Moreno.

O primeiro tempo

O jogo começou bem devagar. Aos 4, Marcelo Moreno arriscou de fora da área e a bola passou ao lado da meta de Simão. O Operário só reagiu no minuto 15, quando Leandro Vilela também errou a direção da finalização em um chute de longa distância. No entanto, o chute errado acarretou a jogada do gol cruzeirense.

Na cobrança do tiro de meta, Fábio deu o balão, Marcelo Moreno escorou de cabeça e Fabiano, lateral do Operário, teve a oportunidade de recuar para o goleiro, porém não conseguiu, vacilou de forma bisonha e Claudinho aproveitou. O camisa 49 do Cruzeiro estava pressionando, bateu de primeira com a perna esquerda, contou com o desvio no próprio Fabiano e a bola entrou encobrindo Simão. Uma falha grotesca. Um gol que mostra muita vontade de Claudinho: 1 a 0 para o Cruzeiro.

Após o gol, Claudinho até tentou duas vezes, mas ambas não levaram perigo. Aos 18, o artilheiro da noite bateu de perna esquerda e a bola foi para fora. No minuto 42, o meia chutou de longe e a bola foi bloqueada por Rodolfo Filemon, zagueiro que caiu nocauteado.

Enquanto isso, o Operário cresceu na partida e dominou os minutos finais até empatar o jogo. Aos 25, Marcelo bateu uma falta com direção do gol e Fábio encaixou. Seis minutos depois, Filemon ajeitou e Thomaz bateu, mas foi travado por Eduardo Brock.

Contudo, o zagueiro cruzeirense falhou logo depois. Aos 35, um lançamento da defesa encontrou Djalma Silva na área, o atleta escorou para trás e a jogada não prosseguiu. Porém, Djalma foi derrubado por Eduardo Brock e, visto que o árbitro não marcou nada, o VAR chamou para uma revisão. Depois de analisar o vídeo, o juiz assinalou o pênalti, pois Brock chutou as costas de Djalma Silva dentro da área. Na cobrança da penalidade máxima, Paulo Sérgio bateu no canto esquerdo de Fábio, goleiro que foi para a direita. Gol do Operário: 1 a 1 no placar e fim de um primeiro tempo equilibrado.

O segundo tempo

São Simão

O Cruzeiro voltou melhor para a etapa final, mas parou em Simão. Aos 4, depois de disputa na área de Adriano, Rômulo encontrou Wellington Nem na meia-lua e o camisa 21 da Raposa arriscou com muito perigo. A “chapada” de Nem com a canhota foi no canto direito de Simão e o goleiro voou para fazer a defesa. Oito minutos depois, Rômulo puxou contra-ataque, tocou para Marcelo Moreno e o boliviano bateu, mas Simão defendeu. Para fechar a ótima sequência de defesas, aos 17, Adriano recebeu na área e bateu muito bem, porém o goleiro do Operário estava atento e fez uma grande defesa no seu ângulo esquerdo – a arbitragem marcou incorretamente o impedimento depois deste lance.

Precisando do resultado, o técnico Vanderlei Luxemburgo promoveu mudanças na equipe. Aos 13, Felipe Augusto, Giovanni Piccolomo e Marco Antônio entraram nas vagas de Dudu, Claudinho e Raúl Cáceres, respectivamente. No minuto 28, Thiago substituiu Matheus Pereira – Felipe Augusto e Rômulo assumiram as laterais da Raposa. Por fim, no minuto 35, Adriano saiu para a entrada de Rafael Sobis, em uma tentativa ousada da Raposa.

O jogo foi se arrastando sem grandes chances. Aos 21, Giovanni bateu de fora da área e isolou. No minuto 27, Rafael Longuine recebeu no meio, girou e bateu, mas Fábio fez a defesa. Sete minutos depois, Giovanni encontrou Thiago e o atacante finalizou, porém errou a direção.

Depois de alguns lances sem tanta animação, Simão se tornou, de vez, o grande jogador da partida. Aos 36, Felipe Augusto cruzou, Marcelo Moreno cabeceou muito bem e Simão fez a defesa no seu canto esquerdo. No rebote, mesmo com o goleiro caído, Wellington Nem hesitou, não bateu e tocou para Moreno. O boliviano bateu de primeira e Simão, novamente, pegou, desta vez com o pé. Quatro minutos depois, a bola foi cruzada na área, Simão cortou e Rafael Sobis devolveu para a área. Marcelo Moreno recebeu, girou e finalizou com força, porém Simão fez mais uma intervenção.

A polêmica

Para bater Simão, apenas uma grande flechada, porém o final não foi tão animador como o gol. Aos 51, Wellington Nem tentou entrar na área e ficou sem a bola. Na sobra, Marco Antônio dominou, fez uma boa assistência para Marcelo Moreno e o atacante chapou no canto esquerdo do goleiro, sem chances para Simão. A torcida, os jogadores e, principalmente, o Flecheiro Azul comemoraram muito, mas a euforia foi substituída pela apreensão.

Depois do gol de Marcelo Moreno, os times discutiram bastante, houve um princípio de briga e o Operário pediu um toque no braço de Marco Antônio no domínio, antes da assistência. Após muita confusão e sem haver uma conclusão sobre a infração cometida ou não, a partida ficou parada por mais de dez minutos até a decisão do árbitro Rodrigo Dalonso: gol anulado e empate decretado com muita polêmica.

O Cruzeiro volta a campo no próximo domingo, 19, às 16 horas, contra o Vasco, no RJ.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Luis

A regra muda conforme o time? É isso? Porque desde 2020 que toque até a borda da manga da camisa curta não é mais mão… mas parece que a galera anda faltando ás aulas da international board…..

International Board (IFAB)… – Veja mais em https://www.uol.com.br/esporte/colunas/lei-em-campo/2020/04/07/regras-no-futebol-mudam-ombro-passa-a-ser-diferente-de-braco-nas-infracoes.htm