Calor, chutes na trave, milagre e golaço: Cruzeiro vence a Ponte Preta por 1 a 0 na Arena do Jacaré e respira

A vibração de quem sabe que fez um golaço: Bruno José definiu! Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

O jogo foi tenso do início ao fim, visto que a Raposa carregava a obrigação de vencer, principalmente por estar com a sua apaixonada torcida nas arquibancadas. Em Sete Lagoas, o Cruzeiro fez uma boa partida, mesmo com alguns momentos irregulares, e venceu uma partida bem animada: além do forte calor, houve cinco chutes na trave, um milagre do goleiro Fábio, já nos acréscimos, e um golaço de Bruno José. Com os três pontos, o Cruzeiro respira e ganha confiança por causa deste cenário peculiar da partida.

Neste sábado, 11 de setembro de 2021, o Cruzeiro venceu a Ponte Preta por 1 a 0 na Arena da Jacaré, em Sete Lagoas. O jogo foi válido pela 23ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. A vitória faz a Raposa completar o décimo jogo consecutivo sem perder.

Com o resultado, o Cruzeiro chegou aos 29 pontos e ganhou algumas posições. Atualmente no 13º lugar, a Raposa respira aliviada porque abriu uma diferença até considerável em relação aos clubes que estão sendo rebaixados: são seis pontos de vantagem para o Vitória. Já para o G-4, a diferença é de nove pontos, mas o Botafogo ainda joga na rodada. Já a Ponte Preta segue com apenas dois pontos de vantagem em relação ao 17º colocado.

O jogo e as atuações individuais

É certo que alguns cruzeirenses irão dizer que sobrou emoção por causa dos riscos corridos com as três bolas na trave do time campineiro. No entanto, é possível afirmar que foi um jogo muito mais animado do que era esperado. Em um confronto de dois times da parte de baixo da tabela da Série B, ainda mais com a alta temperatura às 11 horas da manhã, era esperado um confronto bem desanimado e “preguiçoso”. Contudo, a partida teve muitos lances interessantes.

Durante os 90 minutos, a trave balançou cinco vezes e a bola entrou apenas em uma oportunidade, ou seja, as equipes estavam bem, mas não acertaram o gol adversário por falta de capricho. Aliás, a terceira finalização no poste da Ponte Preta aconteceu nos acréscimos e um goleiro histórico evitou o tento com uma defesa espetacular. Fábio voou, fez uma bela intervenção, depois da bola desviar, e a tentativa da Macaca ainda bateu no travessão. Portanto, o goleiro cruzeirense evitou um dramático empate e garantiu três pontos cruciais para a caminhada da Raposa.

Entretanto, por uma razão óbvia, o acontecimento mais importante da partida saiu dos pés de Bruno José e foi uma obra de arte. O atacante que entrou no segundo tempo, acertou um puxeta perfeita e incendiou os 6 mil torcedores que compareceram à Arena do Jacaré. Ainda como destaque, é possível ressaltar uma boa movimentação de Claudinho e Marco Antônio, os bons lançamentos de Brock e, claro,o talento de Bruno José, visto que o seu gol melhorou a situação cruzeirense na Série B.

Cruzeiro x Ponte Preta

Vindo de dois empates seguidos, o Cruzeiro contou com novidades logo na escalação inicial. Mesmo com Marcelo Moreno à disposição, Vanderlei Luxemburgo optou por Thiago como titular e deixou Rafael Sobis no banco, junto com o boliviano. Além desta mudança, Giovanni e Bruno José perderam o espaço para Claudinho e Marcinho. Por isso, o Cruzeiro contou com Fábio; Raúl Cáceres, Ramon, Brock e Matheus Pereira; Adriano e Rômulo; Marcinho, Wellington Nem e Claudinho; Thiago.

O primeiro tempo

Só o Cruzeiro

Com o apoio da torcida, a equipe mineira começou em cima e levou perigo ao gol da Ponte Preta. Aos 5, Adriano fez um ótimo lançamento, Thiago recebeu na área e tocou para trás. Marcinho até que tentou e furou de forma bisonha, mas Wellington Nem aproveitou e bateu de primeira. A bola explodiu na trave esquerda de Ivan. Quatro minutos depois, Brock lançou Claudinho e o camisa 49 arriscou de esquerda, após levar da direita para o meio, porém errou o alvo.

Aos 12, o Cruzeiro fez uma bela jogada com o seu jovem centroavante. Em passe errado da Ponte Preta, Thiago interceptou, acelerou pelo meio, deu um lindo drible da vaca – ou meia-lua, como quiser – e bateu, na saída de Ivan. Porém, para impedir um belo gol, Ivan fez uma grande defesa. Seis minutos depois, Marcinho recebeu na esquerda e tocou para Matheus Pereira finalizar. A defesa bloqueou a tentativa do lateral e o chute seguinte, feito por Claudinho, ou seja, a zaga da Macaca fez belas “defesas”.

Já perdendo a intensidade apresentada, o Cruzeiro chegou em duas bolas paradas. No minuto 22, Eduardo Brock cobrou uma falta, mirou o canto do goleiro Ivan e a bola passou perto. Seis minutos depois, Marcinho também bateu uma falta, mas com um cruzamento certeiro na cabeça de Brock. O zagueiro testou e Ivan defendeu de uma forma incrível, mas o auxiliar assinalou impedimento de Brock.

Só a Ponte Preta

Depois de sofrer muita pressão cruzeirense, a Ponte Preta aproveitou a parada técnica e melhorou em campo. Aos 20, Marcelo Hermes arriscou de fora e Fábio pegou o primeiro arremate da Macaca na partida.

No minuto 31, Fessin costurou pelo meio, fez grande jogada e deu um toque de leve, para encontrar Moisés nas costas da defesa. A ótima assistência de Fessin colocou Moisés bem próximo do gol e ele arriscou, porém a bola foi para fora, sem encostar em Fábio. Dois minutos depois, André Luiz bateu de longe e a tentativa também não teve a direção correta. Na sequência, foi Moisés que tentou novamente, desta vez após aproveitar uma sobra, e não acertou o alvo.

E Moisés queria o gol de qualquer forma. Aos 36, depois de cruzamento de Felipe, lateral que recebeu de Richard, o camisa 21 dominou e bateu, mas errou a direção do gol novamente. No minuto 39, a Ponte Preta teve a sua melhor chance no primeiro tempo: Moisés, mais uma vez, acelerou, passou pela marcação do lado direito e bateu, porém Fábio pulou no seu canto direito e fez a defesa em um ótimo arremate da Macaca. Este foi o último lance de um primeiro tempo movimentado e bem dividido.

O segundo tempo

A irregularidade foi a questão principal do primeiro tempo. Por isso, Vanderlei Luxemburgo promoveu três substituições logo após o intervalo. Bruno José, Giovanni e Marco Antônio entraram nas vagas de Claudinho, Marcinho e Rômulo. 12 minutos depois, ainda no início da etapa final, Luxa colocou Moreno na vaga de Thiago e, aos 23, Flávio substituiu Adriano.

Ainda em campo, no primeiro minuto da parte final, Thiago recebeu um cruzamento na área e cabeceou para fora. Mas foi a Ponte Preta que assustou de verdade pela primeira vez nos 45 minutos finais: Fessin tocou para o meio e Marcos Jr. arriscou de fora, acertando o “pé” da trave de Fábio. Dois minutos depois, Moisés entrou na área, gingou, passou por dois e caiu ao dividir com Ramon, mas o árbitro e o VAR enxergaram que não houve irregularidade no lance e mandaram seguir.

O gol

O jogo esfriou um pouco depois desse bom início – Moreno cabeceou aos 15, mas não levou perigo – e só foi esquentar com uma pintura cruzeirense. Aos 16, Marco Antônio abriu para Wellington Nem e o jovem meio-campista, cria da base da Raposa, entrou na área e tentou bater. A defesa da Ponte Preta bloqueou, mas a bola acabou sobrando para Bruno José. Em um pequeno espaço, Bruno José resolveu fazer um belo movimento e acertou com primor. O camisa 16 deu uma puxeta e jogou a bola no canto direito de Ivan, sem chances para o goleiro.

Depois do gol, o Cruzeiro se concentrou na marcação e a Ponte Preta chegou por meio de levantamentos de Marcelo Hermes. Aos 23, Hermes cobrou uma falta pela direita e André Luiz cabeceou para fora. O mesmo aconteceu no minuto 39, mas, desta vez, Cleylton errou a direção da testada. Três minutos antes deste lance, a Macaca realmente assustou. Em mais uma cobrança de falta de Hermes, Ednei estava na segunda trave e bateu de perna direita, acertando o travessão.

Nos minutos finais, dois lances chamaram a atenção. Aos 44, Marco Antônio mostrou muita personalidade e bateu de fora da área, também balançando o travessão. Três minutos depois, já nos acréscimos, o experiente Camilo cobrou uma falta próxima à área, a bola desviou e Fábio voou para fazer uma grande defesa. A bola ainda acertou o travessão, chegando à quinta bola em um dos postes deste jogo. Enfim, uma defesa que vale uma vitória: fim de papo e vitória cruzeirense.

O Cruzeiro volta a campo na próxima quinta-feira, 16, às 19 horas, contra o Operário, também na Arena do Jacaré.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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