Cruzeiro de volta à Arena do Jacaré: veja números e relembre partidas marcantes em Sete Lagoas

A partida mais marcante da Arena do Jacaré: o 6 a 1. Foto: Douglas Magno/Agência Estado

O cruzeirense voltou às arquibancadas em 20 de agosto, na importante vitória frente ao Confiança. Depois disso, o clube atuou apenas mais uma vez – contra o CRB – e irá enfrentar o Goiás nesta terça, feriado de 7 de setembro, ambas as partidas fora de casa. O Cruzeiro voltará a mandar um jogo em Minas Gerais em 11 de setembro, mais de 20 dias depois da partida frente ao time sergipano, a qual contou com um Mineirão com mais de quatro mil pessoas.

No entanto, neste intervalo entre os jogos como mandante, a Prefeitura de Belo Horizonte proibiu jogos na capital mineira por causa dos protocolos equivocados, os quais também não foram seguidos pelas torcidas de Atlético e Cruzeiro. Por isso, BH não poderá receber jogos até uma segunda ordem do prefeito Alexandre Kalil.

Sabendo da importância de ter a torcida no estádio, o Cruzeiro, único time que possui público nas competições nacionais – Atlético e Flamengo só contaram com a torcida na Libertadores -, alterou o local da partida e contará com os seus apaixonados apoiadores. Por causa da proibição, o Mineirão não poderá receber, mas a Raposa agiu e a Arena do Jacaré irá sediar a partida do sábado da próxima semana, dia 11, às 11 da manhã, contra a Ponte Preta.

A CBF confirmou a alteração de BH para Sete Lagoas, cidade que fica a 70km da capital, e o Cruzeiro espera contar com pouco mais de cinco mil torcedores. A capacidade do estádio é de 13 mil pessoas e a equipe pode vender 30%, o que seria menos de quatro mil ingressos. No entanto, o Corpo de Bombeiros de MG irá analisar se a capacidade da Arena do Jacaré pode ser de 18 mil, ou seja, aumentaria a carga de ingressos para mais de cinco mil. O Democrata, administrador do estádio, e o Cruzeiro aguardam estas análises na próxima semana.

Necessidade de melhorar como mandante

Antes de falar exclusivamente sobre a importante volta do Cruzeiro à Arena do Jacaré, é prioridade destacar a necessidade de ter regularidade dentro de casa. Sonhando com uma arrancada no 2º turno, a equipe não pode deixar escapar pontos em Minas Gerais, visto que enfrentar equipes fora de casa, em campos desconhecidos, é um risco incontrolável. Por isso, é uma obrigação da Raposa melhorar os números como mandante.

Nesta Série B de 2021, a equipe mineira realizou 10 jogos em casa: venceu apenas duas vezes, empatou em incríveis seis oportunidades e perdeu duas partidas, ou seja, conseguiu apenas 12 dos 30 pontos disputados (40%) – quarta equipe que menos pontuou em casa. Com 15 gols feitos e 17 sofridos, a Raposa também ostenta o terrível fato de ter saldo negativo como mandante.

Para evidenciar que este problema não é exclusivo desta temporada, o Cruzeiro terminou a Série B de 2020 como o terceiro time que menos conquistou pontos em casa, à frente somente de Botafogo-SP e Oeste, equipes rebaixadas que ficaram em 19º e 20º.

Portanto, é necessário melhorar urgentemente estes números em casa. Até por isso, o Cruzeiro custeou o tratamento do gramado da Arena Jacaré, visto que deve se sentir realmente em casa e a qualidade do “piso” é crucial para as atuações no futebol. A equipe ainda possui nove jogos como mandante e precisa pontuar em todas as partidas.

Números na Arena do Jacaré

A volta a Sete Lagoas é marcante por inúmeros motivos, visto que o torcedor cruzeirense poderá acompanhar o clube e estes apoiadores da Raposa possuem ótimas lembranças da Arena do Jacaré. Durante o fim do Brasileirão de 2010, toda a temporada de 2011 e início de 2012, o Mineirão e o Independência estavam em reforma e o Cruzeiro atuou na cidade vizinha – durante a década, o clube mandou alguns jogos lá de forma esporádica.

Para animar os atuais jogadores que buscam uma arrancada, o Cruzeiro tem bons números na Arena do Jacaré. Na história, o clube jogou no estádio inaugurado em 2006 em 57 jogos: conseguiu a vitória em 36 partidas, houve dez empates e saiu de campo derrotado em 11 oportunidades. Além disso, o saldo cruzeirense é bem positivo: são 124 gols marcados e apenas 51 sofridos.

Com um bom aproveitamento de 63,1% em Sete Lagoas, o Cruzeiro possui números chamativos na Arena do Jacaré e o atual elenco poderá melhorar estas estatísticas. Contudo, estes jogadores, dificilmente, se aproximarão dos maiores artilheiros cruzeirenses no estádio. Com 14 gols na Arena, o argentino Montillo e os brasileiros Wallyson e Wellington Paulista são os artilheiros da equipe na cidade vizinha.

Jogos marcantes em Sete Lagoas

Com bons números e prestes a voltar a um local marcante para o Cruzeiro, se faz necessário destacar alguns jogos históricos da Raposa no estádio.

Quase o título de 2010 com uma grande atuação

A reta final do Brasileirão de 2010 contou com o deslocamento cruzeirense para Sete Lagoas. Além disso, a Raposa estava em ótima fase e lutou até a última rodada em busca do título do Brasileirão, mas o Fluminense ergueu a taça. No entanto, na 36ª rodada, precisamente em 21 de novembro de 2010, o Cruzeiro venceu o Vasco por 3 a 1, em uma grande atuação mineira. Com o estádio lotado, a equipe marcou três gols em 32 minutos da partida e definiu o placar. Roger, com um golaço, Henrique e Edcarlos marcaram.

A revanche contra o Estudiantes

Obviamente a derrota para o Estudiantes, em 2009, ainda machuca bastante o torcedor cruzeirense. Porém, dois anos depois daquela fatídica final, os times se enfrentaram pela fase de grupos da Copa Libertadores da América e o Cruzeiro atropelou. Em 16 de fevereiro de 2011, a Raposa venceu o rival argentino por 5 a 0 na Arena do Jacaré e conseguiu devolver um pouco da dor do vice-campeonato de 2009. Nesta goleada, Roger, Montillo (duas vezes) e Wallyson (duas vezes) marcaram e sentiram o gosto da revanche. Um atropelo histórico!

O título Mineiro

Depois de perder o jogo da ida, o Cruzeiro se recuperou, venceu a partida da volta pelo resultado necessário e ergueu a taça na Arena do Jacaré. Contra o seu maior rival, o Atlético, em 15 de maio de 2011, a Raposa precisava vencer, conseguiu e comemorou bastante o único título do estádio, visto que nenhuma outra final foi realizada na Arena do Jacaré. Com muito drama, os gols de Gilberto e Wallyson saíram depois dos 30 do 2º tempo e o Cruzeiro venceu o Galo por 2 a 0. Por isso, o torcedor cruzeirense soltou o grito: é campeão!

O 6 a 1

A grande partida da história da Arena Jacaré. O clássico mais marcante de Minas Gerais. Em 04 de dezembro de 2011, o Atlético já estava garantido na Série A e encontrou o desesperado Cruzeiro, na última rodada do Brasileirão. Se vencesse, o Galo rebaixaria, pela primeira vez na história, o seu grande rival. No entanto, como todos sabem, a história da partida foi bem diferente. Desde o primeiro minuto do clássico que encerrou o Brasileirão de 2011, a Raposa se impôs – mesmo sem Montillo e Fábio -, mostrou que estava disposta a fazer qualquer coisa pela vitória e conseguiu a maior goleada cruzeirense sobre o rival: 6 a 1. Os gols históricos do Cruzeiro foram marcados por Anselmo Ramon, Everton, Fabrício, Leandro Guerreiro, Roger e Wellington Paulista.

O último jogo

Para finalizar, é importante relembrar que o Cruzeiro atuou, como visitante, na Arena do Jacaré nesta temporada. Na 3ª rodada do Campeonato Mineiro deste ano, o Cruzeiro enfrentou o URT em Sete Lagoas e venceu por 2 a 0. Os gols foram marcados por Manoel, zagueiro que já deixou a equipe, e Marcinho, meio-campista que está sendo reserva. A vitória em 6 de março deste ano, frente ao time de Patos de Minas, foi a primeira do time na temporada e a primeira do já demitido treinador Felipe Conceição.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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