O brasileiro verá as Eliminatórias para torcer pelo Brasil ou para torcer pelos jogadores dos seus clubes?

O craque do Atlético, Hulk, está de volta à Seleção. O atleticano irá torcer pelo Brasil ou exclusivamente pelo jogador? Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Por Pedro Bueno

Os torcedores dos times mais fortes do Brasil terão uma folga de quase duas semanas dos seus clubes do coração, visto que a CBF, realizando algo que deveria ser obrigação, adiou as partidas das equipes que possuem atletas convocados. Por isso, o Atlético, Flamengo e o Palmeiras, por exemplo, jogaram no fim de semana do dia 29 e só entrarão em campo novamente no dia 12 de setembro, duas semanas depois.

Portanto, estas duas semanas de pausa serão marcadas por muitas discussões acerca da sequência de temporada do futebol brasileiro. Qual equipe irá vencer mais títulos? É possível um time dominar os três grandes campeonatos como Atlético e Flamengo almejam? As contratações do Corinthians irão dar efeito imediato? Estas duas semanas servirão para muitos debates e poucos jogos.

E a grande razão desta pausa é a Seleção Brasileira. Para atuar contra Chile, Argentina e Peru, o técnico Tite convocou alguns jogadores, porém os clubes do Campeonato Inglês barraram a viagem dos seus jogadores para a América do Sul, por causa da COVID-19. Por isso, o treinador do Brasil convocou ainda mais jogadores que atuam por aqui, como Edenílson e Hulk.

Em atrito com a sua torcida há anos e com uma vaga praticamente garantida para a Copa de 2022, o Brasil jogará pelas Eliminatórias e, aparentemente, não existe uma grande animação dos torcedores para ver a camisa amarela em campo. Nestas partidas, os torcedores irão torcer pelo Brasil ou pelos jogadores dos seus clubes?

A situação do Brasil

O Brasil entra em campo nesta noite pelas Eliminatórias. Fora de casa, a Seleção Brasileira enfrenta o Chile nesta quinta-feira, 02 de setembro, às 22:00, e o jogo contará com transmissão da TV Globo e do SporTV.

Com seis vitórias em seis jogos, o Brasil já abriu 10 pontos para o 5º colocado, primeira vaga que não garante um lugar na Copa de 2022, ou seja, é quase impossível que o Brasil fique fora. Além disso, são 16 gols feitos e apenas dois tentos sofridos em seis jogos. Portanto, o Brasil tem um domínio absurdo dentro da competição, porém contará com um desafio nesta Data FIFA que vai além de qualquer torneio.

Depois de duelar com o Chile, fora de casa, o Brasil enfrenta a Argentina no domingo, 05, às 16 horas, em São Paulo. O maior clássico do futebol de seleções, como de costume, valerá mais do que três pontos. Enquanto os Hermanos desejam chegar mais próximo do Brasil na tabela, a Seleção Brasileira quer dar o troco da final da Copa América em julho, onde a Argentina venceu, dentro do Maracanã, por 1 a 0 e ergueu a taça.

Torcer para o Brasil

Existe uma discussão entre os amantes do futebol quando as datas FIFA se aproximam: o quão atrativo é o futebol de seleções. Para alguns, as disputas entre países acarretam diversas histórias e é sempre prazeroso assistir. Para outros, os jogos entre seleções que não possuem tempo para treinar significam partidas sem a arte do futebol. Estas escolhas e maneiras de analisar são feitas de forma individual, ou seja, cada um pode pensar como desejar.

A grande questão dos jogos da Seleção Brasileira é que, por inúmeros motivos, o amor pelo “país do futebol” diminuiu bastante. Por causa do fatídico 7 a 1, devido às atuações mais pragmáticas do time de Tite e até mesmo por movimentações políticas que usam a camisa amarela, o Brasil está bem distante de uma lua de mel com o seu torcedor durante o ciclo pré-Copa.

Portanto, os torcedores, certamente, não acordaram nesta quinta-feira, 02, pensando: hoje tem jogo do Brasil! De forma nenhuma. Muitos nem se lembram que o país irá entrar em campo em um confronto complicado frente ao Chile. A grande chave desta situação é a falta de proximidade entre a própria CBF, envolvida em diversas polêmicas e investigações, e o torcedor brasileiro.

É claro que o torcedor, apaixonado pelo futebol, quer torcer pelo seu país, porém existem obstáculos que a própria confederação não enxerga. Fazer com que o Brasil volte a ser o Brasil é algo que os saudosistas – aqueles que são apaixonados por momentos do passado – buscam, visto que uma parcela da população nem se importa com os jogos da Seleção.

Torcer para os jogadores dos seus clubes

É claro que a generalização feita anteriormente é um pouco exagerada. Ainda existe, principalmente nas gerações mais jovens, vários torcedores empolgados com a Seleção. Porém, para o bem do time que veste a camisa amarela, é importante uma maior conexão entre jogadores e torcida. Para isso, além de mostrar mais vontade dentro de campo e voltar a vencer – obviamente, visto que o torcedor brasileiro é muito resultadista -, a torcida precisa se identificar com os jogadores e é neste processo que entra os jogadores dos clubes do coração.

Por causa das restrições do coronavírus, os jogadores da Premier League não se apresentaram e o Brasil perdeu várias peças. Por isso, Tite fez uma nova convocação e deu ainda mais espaço para os jogadores que atuam no Brasil. Este processo é importantíssimo para o torcedor brasileiro assistir a partida com mais identificação. Porém, é necessário perguntar: você verá a partida para torcer para o Brasil ou para torcer pelos jogadores do seu clube?

Com um provável ataque formado por Gabigol, Hulk e Neymar, o Brasil irá contar com o grande nome da atual geração e dois atletas que estão em equipes bem populares no Brasil. Por isso, uma pergunta surge: o atleticano ou o flamenguista que estiver vendo a partida irá comemorar um gol de Hulk com cruzamento de Guilherme Arana da mesma forma que reagirá ao gol feito por Gabigol em passe de Everton Ribeiro?

A resposta é individual, obviamente, porém o clubismo deixa claro que os vínculos afetivos com os times são tão maiores que a ligação com a Seleção durante as Eliminatórias que farão com que os torcedores reajam de formas distintas nestas duas possibilidades.

Enfim…

Esta foi uma análise completamente subjetiva sobre a torcida dos apaixonados por futebol. Obviamente, cada torcedor tem o direito de comemorar e vibrar com o gol de quem quiser, assim como tem o poder de decidir se irá ver o jogo do Brasil ou não. No entanto, esta insatisfação recorrente do torcedor com a Seleção deveria fazer a CBF revisar alguns pontos.

A falta de identificação dos torcedores com os jogadores não é culpa dos atletas e nem da torcida, mas sim de uma confederação que organiza as partidas e não valoriza o próprio país. É certo que em vários lugares deste imenso território brasileiro, principalmente fora dos grandes centros, os jogadores são idolatrados e seria algo único para estes torcedores terem o prazer de ver os craques em campo.

No entanto, além do alto preço do ingresso em jogos em grandes centros, sempre que é possível o Brasil faz jogos ao redor do mundo, em países alternativos da Ásia, com o único intuito de arrecadar dinheiro. Em muitos momentos nas nossas vidas, o dinheiro se torna mais importante que a nossa história. E, aparentemente, a CBF não entendeu o quão danoso é o que estão fazendo com o Brasil. Uma pátria sem torcida é apenas onze jogadores entrando em campo de forma aleatória. Um país pentacampeão é – muito – maior que isso.

Enfim, cada pessoa pode escolher se verá ou não as partidas do Brasil. Da mesma forma que o torcedor irá decidir se irá torcer pela Seleção ou exclusivamente pelo destaque dos jogadores dos seus clubes. A grande questão é a identificação. O processo que a seleção está passando é perigoso para o futuro e requer atenção desde já.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Ronaldo

Nem uma coisa e nem outra! Quero que a seleção se lasque, bem como esses jogadores que não são bons exemplos para ninguém!!!!