De Victor a Zaracho: as obras de arte que classificaram o Atlético para as semifinais da Libertadores

De Victor a Zaracho em uma obra de arte eternizada por Michelangelo. Arte: Renan Duarte. Fotos: Daniel Teobaldo e Reuters.

Por Pedro Bueno

Possivelmente, os torcedores não tiveram noção de quão lindo foi o gol que eles presenciaram na noite passada, 18 de agosto. Talvez, os atleticanos que estiveram no Independência em 30 de maio de 2013 também não entenderam rapidamente o tamanho do feito de um goleiro. O santo salvou há mais de oito anos. O jovem argentino brilhou na noite passada.

É claro que a intenção não é comparar a história feita pelos jogadores com a camisa do Atlético, porém Victor Leandro Bagy e Federico Matías Javier Zaracho fizeram história com belos movimentos que podem ser definidos como uma obra de arte. Assim como o histórico Michelangelo fez no século XVI, em “A Criação de Adão”, os jogadores do Atlético tocaram a bola e entraram para a eternidade.

Foi um simples movimento aos 47 do 2º tempo, em 30 de maio de 2013, depois de pular para o lado direito e a bola ir no meio em cobrança de pênalti. O goleiro Victor levantou a saudosa perna esquerda e isolou a bola, salvando o Atlético de uma cruel eliminação para o Tijuana. Um lance eterno. Uma jogada que canonizou um goleiro.

3002 dias depois, também em um duelo das quartas de final da Libertadores, a bola foi levantada na área por Hulk com muita precisão e o meio-campista Zaracho fez algo quase indescritível, como uma boa obra de arte. Após fazer o lançamento para Hulk no início da jogada, o argentino correu mais de 50 metros até a área, deu um voleio perfeito, em alta velocidade, e balançou as redes do River Plate. Um gol marcante. Um tento histórico.

Obviamente, Michelangelo e Victor já estão marcados na eternidade e ninguém nunca se esquecerá dos seus feitos. O pintor com as suas obras de arte e o goleiro com os seus milagres atleticanos. Já Zaracho é jovem e ainda tem caminhos a serem trilhados pelo Atlético, inclusive com a possibilidade de títulos importantes nesta temporada. Para colocar este gol no mais importante lugar da memória do atleticano, todo o time deve lutar, lutar, lutar, como diz o próprio hino do clube, e ir em busca da Glória Eterna, lema da Copa Libertadores da América.

Enquanto isso, os atleticanos tentam entender o que aconteceu na noite passada. Assim como em 2013, o Atlético disputará a semifinal da Copa Libertadores da América. Mas o jogo da última quarta foi um atropelo com golaços contra a forte equipe do River Plate. É quase impossível descrever. Portanto, cabe ao torcedor apreciar quão marcante foi a noite do dia 18 de agosto de 2021.

Um pouco sobre o jogo

Para não ficar preso apenas nas obras de artes que estão eternizadas na memória do atleticano, é importante destacar as atuações dos outros jogadores de um time que fez a sua melhor exibição em 2021.

Começando por Everson, o goleiro deve ser reconhecido como o melhor atleta destes confrontos contra o River Plate: foram defesas impressionantes de um goleiro que foi ovacionado por uma torcida que o criticava bastante.

Na linha de defesa, Nathan Silva se destaca cada dia mais e é titular absoluto do Atlético. Com oito cortes, três interceptações e 100% nos duelos aéreos, o zagueiro se destacou nas estatísticas e na atuação, visto que jogou desde os 13 da 1ª etapa pendurado com um cartão amarelo porque corrigiu um erro de Mariano e cometeu uma falta importante.

Já Junior Alonso segue em grande fase depois da chegada de Nathan e ajuda, tanto na construção, quanto na defesa, visto que desarmou incríveis quatro vezes na partida. Nas laterais, Mariano e Guilherme Arana não apoiaram muito, mas se garantiram na defesa e deixaram o ataque se destacar.

Curiosamente, a dupla de volantes do Atlético está se encaixando no momento certo. Com muitos méritos de Cuca, Allan e Jair estão atuando em alto nível e o treinador, aparentemente, encontrou a forma ideal para que estes talentosos atletas atuem juntos.

No ataque, é necessário começar pelo mais apagado deles, mas que também fez uma ótima partida: Eduardo Vargas não marcou gols e nem deu assistências, mas se movimentou bastante, correu taticamente, abriu espaços e está em boa fase.

Por fim, Jefferson Savarino, Matías Zaracho e Givanildo Vieira de Sousa: o trio que acabou com a partida. Zaracho marcou dois gols, correu, marcou e foi o cara da partida. Savarino deu duas assistências, se movimentou e mostrou, novamente, que é o jogador ideal para os duelos grandes. Já Givanildo, ou melhor, Hulk é um atleta impressionante: são 18 gols e 11 assistências em 40 jogos pelo Galo e ele é, sem dúvidas, o melhor jogador do futebol sul-americano na atualidade.

Além da ótima atuação coletiva do Atlético e dos méritos do técnico Cuca, é necessário finalizar a análise engrandecendo a postura do River Plate. O time de Marcelo Gallardo não jogou bem e mereceu a eliminação, mas se comportou como esportistas, não cometeram faltas agressivas, não brigaram e merecem o respeito atleticano.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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