Cruzeiro Empate Clube: Giovanni e Moreno tentaram, mas Sobis desperdiçou e, mesmo dominando a partida, a Raposa tropeçou novamente

Rafael Sobis perdeu uma grande chance na partida. Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

São 18 pontos em 18 jogos, ou seja, média de um ponto por partida. Um ponto é igual a um empate. São nove partidas como mandante neste 1º turno e seis empates. Novamente, o empate apareceu. Além de ter a pior defesa da Série B – juntamente com o Confiança -, o Cruzeiro “ostenta” o fato de ser o time que mais empatou: nove placares iguais em 18 partidas. Enfim, o Cruzeiro Empate Clube não é um simples trocadilho, mas sim uma forma de ilustrar o momento caótico vivido pela Raposa.

Na tarde deste sábado, 14 de agosto, o Cruzeiro recebeu o Sampaio Corrêa no Independência e o placar marcou 1 a 1. O jogo foi válido pela 18ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro e contou com os gols de Marcelo Moreno e Watson.

Como dito anteriormente, o Cruzeiro possui 18 pontos em 18 jogos e a terrível média de um ponto por partida – logo, o aproveitamento segue em 33,3%. Na 16ª posição, a Raposa perdeu um lugar e terminará a rodada nesta colocação, visto que o Vila Nova tem os mesmos 18 pontos e possui uma vitória a mais, por isso está no 15º lugar, e o Vitória, primeiro clube dentro da zona do rebaixamento, tem apenas 14 pontos e não alcança o Cruzeiro. Já o Sampaio Corrêa está em 4º com 30 pontos conquistados.

Rafael Sobis desperdiçou

Não é possível começar uma análise da partida entre Cruzeiro e Sampaio Corrêa sem falar da jogada que aconteceu aos 26 da 1ª etapa. Neste lance, os torcedores da Raposa estavam certos que a bola iria entrar. Por outro lado, a torcida da Bolívia Querida contava com uma intervenção milagrosa do bom goleiro Mota para salvar aquele gol claro. No entanto, o time mineiro não abriu o placar e nem o arqueiro do Sampaio fez a defesa.

Com amplo domínio ofensivo, o Cruzeiro pressionava bastante durante a metade da 1ª etapa. Aos 26, Wellington Nem acelerou pela direita e encontrou Giovanni Piccolomo na entrada da área. O meio-campista estava muito bem, gingou para cima de Watson, deixou o marcador no chão e viu que Rafael Sobis estava livre pela esquerda. Dentro da área, o camisa 10 recebeu e estava bem próximo do gol, com liberdade e com toda a meta à frente para bater. Porém, Sobis errou.

O experiente atacante, simplesmente, isolou. Rafael Sobis recebeu um ótimo passe de Giovanni Piccolomo, estava livre e teve a grande chance do jogo. Naquele momento, a partida estava empatada e só o Cruzeiro estava jogando. Aquele gol acarretaria um duelo bem diferente, visto que o Sampaio Corrêa, em nenhum momento, se impôs e, se saísse atrás, teria que atacar.

Enfim, um gol inacreditável perdido por Rafael Sobis. Uma chance desperdiçada que pode ter custado uma vitória.

Giovanni e Moreno tentaram

O Cruzeiro empatou novamente e Rafael Sobis perdeu uma grande chance, porém o time não foi tão mal. A Raposa teve o domínio da partida e teve dois grandes destaques por motivos diferentes: Giovanni Piccolomo e Marcelo Moreno.

Começando pelo meio-campista, Giovanni mostrou, novamente, que deve ser titular do Cruzeiro. Além disso, para aguentar os 90 minutos atuando em alto nível, o camisa 28 não pode ser escalado como segundo volante, mas sim como armador da Raposa. E ele faz por merecer a titularidade. Nesta partida, Giovanni Piccolomo foi o grande articulador do Cruzeiro e os bons momentos da Raposa passaram pelos seus pés. Segundo o SofaScore.com, o meio-campista cruzeirense distribuiu cinco passes decisivos, mas deu apenas uma assistência, ou seja, Giovanni fez a parte dele e os companheiros perderam.

Assim como Giovanni, outro atleta que tentou e conseguiu entregar um bom futebol, novamente, foi Marcelo Moreno. O boliviano começou no banco e entrou na 2ª etapa. A atuação dele foi incomparável com os outros atacantes: Felipe Augusto, Rafael Sobis e Wellington Nem estiveram bem abaixo e o centroavante cruzeirense melhorou a parte ofensiva. Além do gol marcado de cabeça, em ótimo cruzamento rápido batido por Giovanni, aos 24 do 2º tempo, Moreno também entregou muita vontade, fez pivô e pediu para que os companheiros confiassem nele, frase dita durante a comemoração do gol que o boliviano fez. Assim como os companheiros, o treinador Luxemburgo deve confiar nele e colocar Moreno como titular.

Além destes dois jogadores, é necessário destacar duas boas notícias cruzeirenses na partida: Adriano e Claudinho. O volante, cria da base, entrou como titular e ditou o ritmo do time. Adriano atuou melhor que Flávio, o seu concorrente, e deve ter continuidade. Já Claudinho entrou bem e ajudou o Cruzeiro na parte ofensiva. O ex-atleta da Ferroviária é bem contestado – com razão – pela torcida cruzeirense, mas teve um bom desempenho nesta tarde e merece mais minutos nas próximas partidas.

O problema do empate

Claramente, o problema de empatar é deixar dois pontos para trás. Mas a problematização é diferente: o critério de desempate pode ser importante no futuro e o ânimo de vencer também faz falta.

Ao iniciar, é necessário perguntar: empatar é melhor que perder? Obviamente. Porém, o Cruzeiro é o time que menos perdeu na 2ª parte da tabela – desde o 11º até o lanterna -, e, mesmo assim, está muito mal no campeonato. A equipe acumula apenas três vitórias em 18 jogos, ou seja, até perde menos que os adversários, mas não consegue vencer.

Um problema visível de uma equipe que apenas empata é que o número de vitórias é critério de desempate. Com nove empates em 18 jogos, a equipe ficará atrás de qualquer adversário que possuir a mesma pontuação, visto que venceu menos. Isso pode ser explicado em uma conta simples: enquanto algumas equipes vencem uma partida e perdem duas, somando três pontos, o Cruzeiro empata três jogos e soma os mesmos três pontos, mas acaba se atrapalhando e ficando atrás de adversários. Isso pode fazer muita diferença no fim de um campeonato tão equilibrado.

Além disso, com nove empates em 18 jogos, o Cruzeiro, claramente, não está animado com a sua atual situação e a falta de vitórias acaba prejudicando isso. A parte emocional da equipe, quando não consegue vencer, fica debilitada e prejudica a sequência. Por isso, voltar a vencer e se arriscar, em busca do triunfo mesmo empatando, é a tarefa cruzeirense.

O azar anda junto com a incompetência

Sim, o Cruzeiro é muito azarado. Aos 13 da 2ª etapa, Norberto bateu de bico e Mota ficou apenas olhando a bola tocar, caprichosamente, na trave. Em outras oportunidades, Mota fez boas defesas e foi o nome do jogo: foram oito intervenções do goleiro do Sampaio Corrêa. Muitos cruzeirenses dizem que os goleiros adversários, contra o Cruzeiro, se transformam, porém este ótimo desempenho dos rivais e as bolas na trave não podem ser justificadas apenas pelo azar e pelo acaso. O azar anda junto com a incompetência.

A falta de capacidade de alguns jogadores somada às escolhas erradas do treinador, não esquecendo das decisões totalmente equivocadas da diretoria, fazem parte de um combo perfeito que resume a incompetência cruzeirense. O time mineiro não consegue deixar a parte de baixo da tabela da Série B por culpa do próprio clube. Desde a gestão até o atleta, todos os envolvidos possuem responsabilidade e, como é notável, seguem errando bastante.

Nesta partida, a incompetência defensiva ficou muito clara no gol do Sampaio Corrêa, o qual ocorreu aos 40 da 1ª etapa. O lateral-direito Watson começou a jogada pelo seu lado e centralizou a trama, driblando com muita facilidade Felipe Augusto. Watson acelerou pelo meio, recebeu a marcação de Jean Victor e abriu para o seu companheiro Jean Silva. Neste momento entra o erro grotesco da marcação. Enquanto Watson correu e entrou na área para finalizar e abrir o placar, o ala-esquerdo cruzeirense, Jean Victor, não acompanhou e deu o espaço necessário para o Sampaio Corrêa marcar. A incompetência acarretou o gol do rival.

Enfim, um desempenho aceitável cruzeirense, mas alguns erros individuais acabaram levando o clube ao empate. Enquanto a Raposa finalizou 25 vezes, o Sampaio Corrêa só chutou em quatro oportunidades e acertou o gol somente no tento marcado por Watson, ou seja, a equipe mineira dominou e não conseguiu sair com a vitória. Isso não pode acontecer novamente. O Cruzeiro precisa voltar a vencer. Ao trabalho, Raposa!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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