Um resultado monumental! Defesas de Everson, protagonismo de Nacho e inteligência de Allan e Hulk garantem vitória do Atlético sobre o River

Foto: Pedro Souza / Atlético

Um simples 1 a 0 pode ser gigante para a história de um clube e para a campanha ao ver todas as adversidades. O Atlético nunca havia vencido uma partida de mata-mata de Libertadores na Argentina. Tabu quebrado. O Atlético venceu um rival complicado fora de casa nas quartas de final da Libertadores. Resultado conquistado.

O Galo visitou o River Plate de Marcelo Gallardo, equipe dominante na última década sul-americana, e fez um 1º tempo bem defensivo, mas se soltou na 2ª etapa, dominou a partida e mereceu a vitória no Monumental de Núñez. Um grande passo em busca da semifinal da competição foi dado com um resultado monumental no Monumental, mas, mesmo assim, o time mineiro deve estar atento no jogo de volta.

Na noite desta quarta-feira, 11 de agosto, o Atlético venceu o River Plate-ARG por 1 a 0, em jogo válido pela partida de ida das quartas de final da Copa Libertadores da América de 2021. O duelo aconteceu no mítico estádio Monumental de Núñez, ou seja, o time mineiro visitou Boca e River nesta Libertadores e saiu de Buenos Aires invicto e sem ser vazado.

Com o resultado positivo, o Atlético levou uma ótima vantagem para Minas Gerais. Depois de vencer fora de casa, o time alvinegro se classifica se não for vazado, ou seja, a defesa pode garantir a vaga. Portanto, o Galo alcança as semifinais com qualquer vitória, obviamente, e empate. O River Plate precisa vencer o Atlético no Mineirão: qualquer triunfo classifica, exceto a repetição de um 1 a 0, placar que levaria o confronto para os pênaltis.

Defesas de Everson

Para falar sobre a boa atuação atleticana, é necessário começar pelo melhor jogador em campo – eleito pela Conmebol – e o único atleta que esteve bem durante os 90 minutos: o goleiro Everson.

Durante o 1º tempo, o Atlético começou bem, mas viu o River crescer a partir dos 25. Com isso, o time mineiro não saía e concedia espaço para o organizado time de Gallardo. Mesmo em meio à atuação sem tanta pegada do Galo nos minutos finais do 1º tempo, Everson esteve presente, fez duas grandes defesas e, graças a ele, o Atlético levou o empate para o intervalo. Na etapa final, com uma clara recuperação atleticana, o arqueiro do Galo teve menos trabalho, porém, quando foi exigido, fez mais duas importantes intervenções.

A grande atuação de Everson começou em um lance que foi até complicado ver a sua defesa por causa da velocidade do chute. Após uma saída de jogo ruim atleticana, no minuto 23 da 1ª etapa, o lateral Angileri teve liberdade e chutou muito forte de fora da área. A bola explodiu na trave, porém uma câmera de trás evidenciou a grandiosa defesa feita por Everson, visto que o arqueiro saltou, deu um leve desvio e a bola foi na trave.

Para terminar a partida sem sofrer gols, mais uma vez, o Atlético ainda contou com três enormes defesas do seu goleiro. Aos 43 do 1º tempo, Carrascal achou Álvarez na área e o atacante bateu cruzado, bem rasteiro, mas Everson espalmou e evitou o gol do time argentino. Aos 11 da 2ª etapa, no minuto anterior ao gol atleticano, Braian Romero arriscou de canhota e o goleiro espalmou novamente. Por fim, logo após a expulsão de Nacho, Álvarez bateu a falta com muito perigo e Everson novamente afastou. Uma atuação irretocável do goleiro atleticano!

Protagonismo de Nacho Fernández

O protagonismo do camisa 26 do Atlético começou bem antes da bola rolar. Logo na divulgação da escalação, a importância de Nacho Fernández ficou evidente: assim como nos duelos frente ao Boca Juniors, o argentino foi capitão do Atlético contra o River Plate. Na entrada em campo, o meio-campista cumprimentou cada ex-companheiro e, principalmente, o seu ex-técnico Marcelo Gallardo. Em um longo abraço, o treinador e o jogador demonstraram muito respeito um pelo outro.

No entanto, a bola rolou e Nacho Fernández foi o grande nome positivo e negativo do jogo – até por isso, o prêmio de melhor em campo da Conmebol ficou com o goleiro Everson. No 1º tempo, Nacho marcou bastante, mas não conseguiu criar boas chances de ataque, visto que o time mineiro estava bem retraído. Porém, após uma conversa eficaz no intervalo, o Atlético voltou bem melhor para a etapa final, pressionou o River Plate e Nacho Fernández mostrou todo o seu talento.

Logo no minuto 8 da 2ª etapa, Nacho Fernández deu uma assistência linda, nas costas da defesa adversária, para Eduardo Vargas marcar, porém o chileno bateu em cima de Armani. Quatro minutos depois, no contra-ataque seguinte à importantíssima defesa de Everson no chute de Braian Romero, o Galo fez o seu gol com o brilho do argentino. Nacho começou a jogada, abriu para Zaracho na direita e o seu compatriota cruzou para a área. Com muita inteligência, Hulk ajeitou de cabeça e Nacho Fernández bateu forte e seco, no canto esquerdo de Armani. Um gol importantíssimo, porém uma comemoração acanhada do camisa 26 por um motivo: a lei do ex.

A partida do ex-atleta do River Plate estava muito boa: além do gol, o jogador ditou o ritmo do ótimo 2º tempo atleticano. Porém, aos 36 da etapa final, Nacho Fernández foi expulso. O jogador, que sempre ajuda na marcação, dividiu uma bola com Angileri, mas o atleta atleticano chegou atrasado, com a sola da chuteira na perna do adversário. O árbitro não viu, porém o VAR chamou, colocou o lance em câmera lenta e o juiz expulsou Nacho Fernández. Para muitos, a imprudência do camisa 26 deveria ter sido advertida apenas por um cartão amarelo, mas o protagonista acabou sendo expulso.

O Galo não terá Nacho no jogo da volta, mas, pelo menos, contou com o brilho do meio-campista na ida. Certamente, os torcedores do River sentiram saudades da sua genialidade.

Inteligência de Allan e Hulk

Em meio à excelente atuação atleticana na 2ª etapa, dois nomes se destacaram e protagonizaram o possível gol mais lindo da Libertadores, no entanto, por capricho, a bola explodiu no travessão e o gol não aconteceu. Aos 21 da 2ª etapa, Arana tocou para Hulk, ligando um contra-ataque, e o camisa 7 deu um lindo passe de letra para Allan – a bola ainda passou entre as pernas do marcador. Com liberdade e com muita inteligência, o volante Allan viu o goleiro Armani adiantado, bateu do meio da rua e fez milhões de corações pararem – torcedores do Atlético e do River Plate ficaram apenas olhando, espantados pela qualidade do camisa 29. No entanto, por detalhes, a bola de Allan bateu no travessão, impedindo um gol antológico.

A bola ter tocado no travessão, ao invés de ter balançado as redes de Armani, foi muito lamentado por todos os atleticanos e principalmente pelo volante Allan. O atleta vive o seu melhor momento no Atlético, é peça fundamental do meio-campo do Galo, fez outra grande partida contra o River Plate – foi intenso na marcação do início ao fim – e o gol seria uma coroação deste grande momento. O futebol tem destas e o meio-campista, mesmo em grande forma, persegue o seu 1º gol pelo time mineiro – curiosamente, Allan só marcou um gol na carreira, quando ainda jogava na Finlândia.

O golaço de Allan também contou com um passe genial no início: Hulk teria dado, naquele lance, a sua 2ª assistência na partida. O seu passe de letra não foi somado às estatísticas, visto que a bola de Allan bateu no travessão, porém o camisa 7 do Galo contabilizou a sua 10ª assistência na temporada com muita inteligência. No gol de Nacho Fernández, Zaracho cruzou e Hulk mostrou toda a sua qualidade para ajeitar de cabeça. A assistência foi tão boa que, mesmo saindo da cabeça do atacante, a bola foi no lugar certo e Nacho bateu de primeira. É importantíssimo contar com a qualidade de Hulk!

Por fim, mas não menos importante, o Atlético teve outros destaques nesta atuação monumental no 2º tempo. Nathan Silva é um zagueiro pronto e aparenta ter uma experiência que ele ainda não tem, ou seja, o defensor não sente as grandes partidas e está jogando muito. Mariano é o dono da posição no lado direito e, mesmo com alguns erros na 1ª etapa, fez uma partida muito boa, desarmou bastante e impediu boas chegadas do River pelo seu lado mais forte. Jair se recuperou após ficar perdido no 1º tempo e fez uma etapa final excelente. O mesmo vale para Arana e Zaracho, mas estes jovens jogadores mostram que ainda podem render muito dinheiro para o Atlético, visto que o lateral e o meio-campista têm muito talento. Em resumo, uma grande atuação atleticana!

Um passo foi dado, mas deve ter atenção

A atuação atleticana no 2º tempo foi muito boa e compensou a postura defensiva do 1º tempo. Não é possível afirmar que o Atlético esteve mal e desorganizado nos 45 minutos iniciais, porém a etapa final evidenciou que o Galo poderia jogar melhor e jogou. Além do resultado positivo e das atuações individuais destacadas, o resultado dá ainda mais confiança para um personagem atleticano: Cuca.

O comandante da equipe errou ao compactar tanto a sua equipe na 1ª etapa, mas, mesmo com o 0 a 0 no placar, Cuca alterou o plano de jogo do Atlético depois do intervalo e a equipe pressionou mais, atacou mais e mereceu vencer em Buenos Aires. A lição desta partida – o time pode atacar com maior frequência – será muito importante para a sequência da temporada atleticana e principalmente para o jogo da volta, visto que o Galo não precisará ficar tão recuado.

São vários elogios e todos merecidos, porém o jogo já acabou. O Atlético venceu e agora o pensamento é outro. Primeiramente, o líder do Brasileirão enfrenta o Palmeiras neste sábado, 14, ás 19 horas, no Mineirão. Depois, o pensamento volta a ser o River Plate. Um passo em busca da semifinal foi dado e a vitória, além de importantíssima, foi histórica, porém o time mineiro deve ter muita atenção, visto que exemplos de recuperação do River não faltam.

Assim como a Copa Libertadores, o River Plate é traiçoeiro. Sob comando de Marcelo Gallardo, o time argentino já conseguiu proezas inimagináveis contra fortes clubes brasileiros. Em 2015, o rival atleticano, o Cruzeiro, venceu o River no Monumental por 1 a 0, mas acabou perdendo por 3 a 0 em casa. Foi eliminado nas quartas. Em 2018, o Grêmio também venceu por 1 a 0 na Argentina, mas perdeu por 2 a 1 no RS e foi eliminado na semifinal. No último ano, o Palmeiras venceu por 3 a 0 na Argentina e sofreu bastante, mesmo se classificando, pois perdeu para o rival por 2 a 0 em São Paulo.

O jogo não está resolvido. O River não se entrega. Uma batalha entre Atlético e River Plate acontecerá na próxima quarta-feira, 18, às 21:30, no Mineirão. É certo que não faltará apoio da massa e raça dos jogadores!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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