Mesmo jogando mal, Cruzeiro tem boas chances, mas erra bastante, empata com o Vila Nova por 0 a 0 e segue no Z-4

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

São oito jogos consecutivos sem vitória. Serão, no mínimo, 36 dias sem o apaixonado torcedor cruzeirense comemorar após um jogo. A equipe marcou gol em apenas um jogo nas últimas cinco partidas. Além de todos estes números assustadores, o Cruzeiro Esporte Clube segue na zona de rebaixamento para a Série C e continua atuando muito mal. Porém, mesmo jogando mal nesta partida frente ao Vila Nova, a Raposa desperdiçou tantas chances que o placar poderia ser diferente. Seria um jogo para vencer, mesmo sem convencer. No final das contas, o time de Mozart nem venceu e nem evoluiu. Um pesadelo permanece sendo o cenário do time azul celeste nesta Série B.

Neste sábado, 24, o Cruzeiro enfrentou o Vila Nova no estádio Onésio Brasileiro Alvarenga e o placar do OBA – abreviatura do estádio em Goiânia – não foi alterado. O 0 a 0 entre o Tigre e a Raposa foi válido pela 14ª rodada do Brasileirão e é notável que o tradicional time de Minas Gerais não vence uma partida desde a 6ª rodada.

Com o resultado, o Cruzeiro conseguiu se estabilizar em um local: no Z-4. A questão é que esta estabilidade é justamente no lugar que o time não deveria estar. Na 18ª posição, com 12 pontos em 14 jogos, a Raposa pode até voltar à vice-lanterna até o fim da rodada, visto que o 19º colocado, Brasil de Pelotas, enfrenta o Avaí na noite de domingo e precisa de apenas um empate para ultrapassar a equipe de Mozart. Já o Vila Nova abriu três pontos de vantagem para a zona do rebaixamento e está em 14º, com 15 pontos.

O jogo e as atuações individuais

O Cruzeiro poderia ter vencido o Vila Nova? Sim, era só aproveitar as boas chances. E de quem seria o mérito? Na verdade, seria demérito do Vila Nova, equipe que não conseguiu atacar no 2º tempo e deu espaço para o seu rival, principalmente após a saída de um defensor para a entrada de um atacante. Sendo assim, quem são os culpados por mais um tropeço cruzeirense? Os atletas e a comissão técnica, visto que, mesmo com boas chances, o Cruzeiro não jogou bem. É imaginado que a comissão técnica valorize esta atuação – esta matéria foi fechada antes da coletiva de Mozart -, porém o torcedor não deve “comprar esta ideia”, já que o time não jogou bem e poderia ganhar apesar da atuação fraca.

A “culpa” é de todos por causa de um simples motivo: o time mineiro não teve um bom jogo coletivo e nem individual. Obviamente, o goleiro Fábio foi o destaque individual porque fez uma belíssima defesa no início da partida, mas, em resumo, o jogo cruzeirense foi bem ruim. O atacante Thiago ganhou a chance de ser titular e batalhou bastante, no entanto, a cria da base perdeu pelo menos três gols e ficou devendo. Já vários outros jogadores sequer apareceram e não acrescentaram nada no coletivo. Um jogo patético de várias peças cruzeirenses, como Rafael Sobis, camisa 10 que deu apenas nove passes certos em 63 minutos em campo, ou seja, uma média terrível de somente um passe certo a cada sete minutos.

Mesmo com os culpados individuais, o grande destaque negativo da partida é Mozart, novamente. Um treinador de futebol é responsável pela organização coletiva e tática da sua equipe. Para isso, são necessários treinamentos, entrosamento e entendimento dos jogadores. Como é possível observar, os treinos não estão resultando em nada, não há entrosamento, visto que cada dia o técnico opta por uma escalação, e, dentro de campo, aparentemente, os jogadores não entendem a sua função. Um exemplo claro de escolha contestável de Mozart é Marcinho, meio-campista que estava bem, só não havia sido titular na estreia do técnico e hoje sequer entrou em campo. Escolhas equivocadas que estão deixando a equipe em uma situação inacreditável. O Cruzeiro não pode normalizar este momento terrível.

Vila Nova x Cruzeiro

Como de costume e para aumentar a insatisfação de boa parte da torcida cruzeirense, o técnico Mozart promoveu mais mudanças no time titular. Desta vez, o técnico mudou até o esquema tático, voltou com três zagueiros e colocou no banco de reservas o meio-campista Marcinho, um dos melhores jogadores da equipe nas últimas partidas. Portanto, o time azul celeste entrou em campo com Fábio; Ramon, Rhodolfo e Eduardo Brock; Raúl Cáceres, Lucas Ventura, Rômulo e Felipe Augusto; Bruno José, Thiago e Rafael Sobis.

O 1º tempo

O início da partida ficou marcado por um claro domínio do Vila Nova que chegou com perigo rapidamente. Após algumas finalizações sem direção correta, a equipe goiana chegou com Lucas Mazetti pela direita e o estreante inverteu para William Formiga. O ala-esquerdo dominou dentro da área e cruzou para Henan cabecear. O atacante, dono da camisa 9, subiu sozinho e obrigou Fábio a fazer grande defesa no canto esquerdo do goleiro. No rebote, Alan Grafite tentou, mas a zaga, desta vez, estava atenta e bloqueou.

Após os bons 20 minutos iniciais do Vila Nova, o Cruzeiro equilibrou a partida e chegou com perigo três vezes. Logo no minuto 20, Bruno José tocou para Thiago e o atacante bateu cruzado. Georgemy fez a defesa em dois tempos. Seis minutos depois, Bruno José deu um passe muito semelhante, contou com a falha da zaga e Thiago chegou ao fundo pelo lado direito. O centroavante cruzou, Rafael Sobis “voou” na bola e tentou um voleio com a perna esquerda, mas, mesmo bem livre, o arremate de Sobis foi na direção equivocada.

A última boa chegada da Raposa na 1ª etapa aconteceu aos 33, quando Felipe Augusto acelerou pela direita e cruzou para a área. A zaga tentou tirar, mas Sobis tocou para Thiago e o centroavante ajeitou para Rômulo. O meio-campista bateu de primeira e acertou a trave, na única trama bem organizada pelo Cruzeiro no 1º tempo.

Em meio às tentativas cruzeirenses, o Vila Nova chegou algumas vezes, mas sem grande perigo. No minuto 20, Alan Grafite até recebeu um belo passe de Dudu e dominou dentro da área, mas Eduardo Brock fechou e ele bateu no meio do gol, facilitando o movimento de Fábio. A última boa chegada do Vila aconteceu aos 42, visto que William Formiga foi ao fundo e cruzou rasteiro para a área. A bola encontrou os pés de Renan Mota, atleta que estava livre, dentro da grande área, e a zaga do Cruzeiro apenas acompanhou o erro do camisa 22: Renan Mota bateu mascado, com a perna esquerda, e a bola passou ao lado da meta de Fábio. Fim de um 1º tempo ruim.

O 2º tempo

A etapa final começou com as mesmas características: muito equilíbrio e pouco futebol. No minuto 9, na queda de um jogador do Vila Nova, Lucas Ventura acabou lesionando o tornozelo e teve que deixar o campo – Flávio o substituiu. As duas equipes tentaram algumas trocas de passe após o intervalo, mas o jogo estava concentrado no meio-campo e os times não tinham criatividade suficiente para chegar com perigo. A título de exemplo, a 1ª finalização no gol do 2º tempo aconteceu apenas no minuto 39, em cabeceio fraco de Ramon e defesa tranquila de Georgemy.

Com a necessidade de vencer, o técnico Mozart promoveu duas mudanças aos 18: Guilherme Bissoli e Wellington Nem entraram nas vagas de Bruno José e Rafael Sobis. O Vila Nova até tentou chegar com mais perigo em uma sequência de escanteios aos 20, mas Xandão errou o movimento da letra em um bom cruzamento rasteiro de Renan Mota.

O jogo estava parado até que o Cruzeiro apareceu com o seu centroavante da base. No minuto 32, Thiago puxou um bom contra-ataque para o Cruzeiro e tocou para Felipe Augusto, mas o camisa 22 dominou muito mal e “jogou fora” todo o contra-ataque. No lance seguinte, Wellington Nem encontrou Norberto na direita e o lateral cruzou para a área, encontrando a cabeça de Thiago. O centroavante cabeceou forte, sem a direção do gol, e lamentou uma boa chance perdida. Logo após esta trama, aos 33, Mozart promoveu a última mudança do Cruzeiro: Giovanni Piccolomo entrou na vaga de Rômulo.

Higo Magalhães, técnico do Vila Nova, até tentou adiantar o seu time com a entrada de um atacante na vaga de um defensor, mas foi o Cruzeiro que chegou com perigo. Aos 45, Guilherme Bissoli cruzou pela esquerda e Thiago cabeceou muito mal, perdendo uma boa chance. Dois minutos depois, após “cochilo” da zaga, Thiago recebeu de Bissoli novamente e bateu na saída de Georgemy, goleiro que fez uma ótima defesa. Aos 50, Thiago encontrou Bissoli, mas o atacante bateu mal com a perna esquerda. Visto que nenhum dos times conseguiu balançar as redes, o 0 a 0 seguiu no placar até o fim do jogo.

O Cruzeiro enfrenta o Londrina na próxima sexta-feira, 30, às 21:30, no Mineirão.

Números da partida

Vila Nova x Cruzeiro
46% Posse de bola 54%
14 Finalizações 13
3 Finalizações no gol 4
6 Escanteios 1
1 Impedimentos 1
15 Faltas 19
356 Passes 441
281 (79%)Passes certos 358 (81%)
Fonte: SofaScore.com

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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