Conceição vence Mozart e evidencia que, mesmo contestáveis, os técnicos não são os principais culpados pelo momento do Cruzeiro

O técnico Mozart foi batido pelo seu antecessor, Felipe Conceição. Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Por Pedro Bueno

Um curioso encontro aconteceu na noite de terça-feira: o ex-técnico do Cruzeiro, Felipe Conceição, enfrentou o seu sucessor, Mozart Santos. E o resultado mostrou que o problema cruzeirense nas últimas temporadas não é somente o treinador. Em um jogo em que a Raposa não finalizou na direção certa, o Remo fez um belo gol e mereceu os três pontos. Com a vitória de Conceição, algo fica evidente: os técnicos que passaram e o treinador que está no comando são, obviamente, contestáveis, porém não são os principais culpados pelo trágico momento que o Cruzeiro está passando. Existem várias questões que estão por trás dos trabalhos dos treinadores.

Nesta terça-feira, 20, o Cruzeiro visitou o Remo no estádio Baenão, em Belém, e perdeu para os donos da casa por 1 a 0, visto que Victor Andrade marcou um belíssimo gol aos 23 da 1ª etapa. Este jogo foi válido pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B.

Com a derrota e com outros resultados da noite, o Cruzeiro voltou para a zona de rebaixamento. Com 11 pontos em 13 jogos, a Raposa está em uma crise terrível e agora ocupa a 17ª posição, dois pontos à frente do lanterna da competição e 12 tentos atrás do 4º colocado, antigo objetivo cruzeirense que a realidade indica que será, praticamente, impossível buscar. Já o Remo alcançou a sua terceira vitória seguida, está em 11º com 16 pontos e vive um bom momento com Felipe Conceição.

O jogo

É possível afirmar algo: o goleiro do Remo, Vinicius, não precisará lavar o seu uniforme após o jogo desta terça, 20, já que o Cruzeiro não acertou o alvo e ele sequer “sujou a camisa”. Este exagero higiênico tem a intenção de ressaltar que, mesmo com a desvantagem no placar desde o minuto 23 do 1º tempo, o Cruzeiro não conseguiu aproveitar os 56% de posse de bola para concluir com perigo e terminou o jogo com 11 finalizações, sendo todas sem a direção do gol. Um número assustador.

Dentro de campo, o jogo teve poucas tramas bem organizadas, mas o Remo conseguiu o seu objetivo. Em jogada que começou com Victor Andrade e passou por Felipe Gedoz, Thiago Ennes cruzou para a área e o próprio Victor Andrade estava livre para dar um lindo voleio. Belo gol da cria da base do Santos, em chute sem chances para Fábio alcançar e jogada em que Rômulo ficou apenas assistindo o camisa 9 do Remo finalizar. A equipe paraense ainda levou perigo em chute cruzado de Gedoz, no fim do jogo, mas Fábio fez a defesa.

Já o Cruzeiro seguiu com seu jogo inoperante. Sem ideias e sem organização, a Raposa continua atuando por uma bola aérea bem cruzada por Marcinho para ver se alguém balança as redes. Até por isso, o artilheiro da equipe na temporada e na Série B é o volante Matheus Barbosa. E falando neste atleta, o camisa 17 da Raposa foi expulso de forma infantil aos 25 da 2ª etapa, comprometendo um jogo já muito ruim do Cruzeiro.

São sete jogos seguidos sem vitórias. O time completará um mês sem vencer no próximo dia 24. São duas derrotas em sequência. A equipe marcou gols em apenas um confronto dos últimos cinco. O Cruzeiro Esporte Clube está de volta à zona do rebaixamento para a Série C e a crise aparenta estar longe do término.

Os técnicos são contestáveis…

Começando pela parte que os treinadores são contestáveis, é necessário afirmar que esta troca incessante de técnicos no Brasil é ruim para quem comanda, para quem é comandado e, principalmente, para quem assiste. As equipes demoram algumas rodadas para entender a nova ideia do treinador e é claro que trocar técnicos toda semana não ganha título, visto que longos trabalhos costumam dar mais resultados do que times que trocam sempre de treinador.

Porém, os últimos técnicos da Raposa são realmente contestáveis e o trabalho ruim fica claro. Em 11 jogos pelo Cruzeiro, Mozart venceu dois jogos, empatou cinco duelos e foi derrotado quatro vezes, um aproveitamento terrível de 33,3%. Na última partida, o treinador promoveu cinco mudanças no time que perdeu para o Avaí, não deu continuidade a jogadores que estavam sendo regulares – como Léo Santos e Lucas Ventura – e ainda deu oportunidade para atletas que sequer foram contratados com a intenção de ter oportunidade rapidamente – como Dudu.

Assim como Mozart, Felipe Conceição, Ney Franco, Enderson Moreira e tantos outros treinadores recentes da Raposa estão errados em diversas escolhas. Todos estes anteriores mereceram a demissão por causa do desempenho muito ruim. Não foi confirmado por ninguém do Cruzeiro, mas muitas pessoas imaginam que Mozart está correndo riscos de perder o cargo e só não foi demitido por causa da regra que impede que a Raposa contrate outro treinador após mais uma demissão.

Os técnicos são realmente contestáveis e devem ser cobrados, mas…

… mas não os principais culpados

A grande conclusão da partida é que os técnicos são contestáveis, mas não são os principais culpados, visto que Felipe Conceição iniciou bem no Remo e já somou mais vitórias nas últimas três rodadas que o Cruzeiro nesta edição da Série B.

Em um ambiente de futebol, existem diversos setores que influenciam no momento da equipe. Obviamente, a comissão técnica e os jogadores são amplamente responsáveis por qualquer mau desempenho, visto que são os atletas que atuam e (não) fazem os gols, e são os membros da comissão técnica que treinam estes jogadores. No entanto, o atual momento cruzeirense e a intensa troca de jogadores e treinadores indicam que estes personagens em campo não são os principais culpados pelo desastre que o Cruzeiro vive.

Fora de campo, a omissa diretoria cruzeirense, comandada por Sérgio Santos Rodrigues, segue achando que é “normal” estar disputando na parte debaixo da tabela desde a temporada passada. São mais de 50 jogos na Série B e o Cruzeiro Esporte Clube soma mais derrotas que vitórias na história da competição, além do fato de nunca ter ficado na primeira parte da tabela da 2ª divisão.

No início desta Série B, Sérgio Santos Rodrigues afirmou que “não importa como começa, mas sim como termina”. No atual momento, após ⅓ de campeonato, é possível concluir que o início ruim não é um momento cruzeirense, mas sim a realidade da equipe. É triste para o apaixonado torcedor, porém a diretoria aparenta, cada dia mais, estar perdida nas suas obrigações e escolhas.

Na última noite, depois da derrota frente ao Remo, Rafael Sóbis e Rômulo foram à entrevista coletiva e afirmaram que os jogadores estão lutando ao lado de Mozart e companhia. A intenção é melhorar para colocar o Cruzeiro no seu devido lugar. Ainda na terça-feira, estes jogadores receberam uma quantia atrasada do seu salário. Mas é muito pouco. Os verdadeiros culpados da crise cruzeirense são os antigos gestores que roubaram o time e estes que estão gerindo a Raposa neste momento, com muita omissão, desequilíbrio e falta de organização.

A realidade

“Finge que paga e eu finjo que jogo”. Esta frase de Vampeta, ex-jogador que foi pentacampeão mundial, deixa claro para o torcedor cruzeirense qual é o tamanho do problema acarretado pela falta de pagamento. Além disso, o problema estrutural na Toca da Raposa é cruel: vários funcionários que ganham pouco – menos de dois mil reais, por exemplo – também estão com os vencimentos atrasados e os próprios jogadores, os quais têm condição financeira bem melhor, estão ajudando na sobrevivência, conforme Marcelo Moreno confirmou dias atrás.

Os técnicos fracos e com escolhas estranhas têm culpa. Mozart deve melhorar bastante para conseguir ter paz no comando do Cruzeiro.

Os jogadores sem muita vontade e qualidade também são culpados. Mesmo sem os salários em dia, os atletas se comprometeram a ajudar o Cruzeiro e muitos estão deixando a desejar.

Porém, ninguém é mais culpado pelo atual momento que a diretoria. Rodrigo Pastana pouco fez desde que chegou. Já Sérgio Santos Rodrigues e companhia podem ser comparados ao famoso Mestre dos Magos, personagem do desenho infantil Caverna do Dragão, pois os responsáveis pela Raposa sempre desaparecem na hora mais importante.

A situação do Cruzeiro precisa de uma solução e a troca de treinador não irá resolver. E só para deixar claro, a solução deve ser urgente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Tiago Pereira

Resumindo acabou cruzeiro!

9x2!

É que tá faltando proteína no lado podre da lagoa. Os jogadores estão desnutridos.