Um roteiro único, um roteiro atleticano: de vilão a herói, Everson classifica o Atlético nos pênaltis contra o Boca Juniors

Everson, o herói da classificação! Foto: Staff Images / CONMEBOL)

Talvez não fosse possível um roteiro tão atleticano quanto esse. O torcedor do Galo culpou e agradeceu o mesmo jogador em um intervalo de menos de uma hora. Everson falhou no gol de Weigandt e poderia ser o vilão de mais uma atuação fraca do Atlético. Porém, o VAR chamou, o juiz anulou o gol do Boca Juniors por impedimento e o goleiro se redimiu na decisão de pênaltis. Com duas defesas, muita provocação e um belíssimo gol para sacramentar a classificação, Everson foi o nome do Atlético e o time de Cuca está nas quartas de final da Copa Libertadores da América.

Nesta terça, 20, o Atlético empatou com o Boca Juniors sem gols novamente e o jogo foi decidido nos pênaltis: depois do 0 a 0, o Galo venceu os Xeneizes por 3 a 1 na marca da cal e eliminou o tradicional time argentino. Este jogo realizado no Mineirão foi válido pela partida de volta das oitavas de final da Copa Libertadores da América de 2021.

Com o resultado, o Atlético está entre os oito melhores clubes da competição continental. Além da linda história de Everson, a partida reservou muita tensão, disputa e pouco futebol. Mesmo assim, o Galo está nas quartas de final e enfrentará Argentino Juniors ou River Plate, ambas equipes argentinas – o adversário será decidido na noite desta quarta-feira, 21, às 21:30.

Os jogos e as atuações individuais

Faltou futebol de ambas as equipes no confronto. Sobrou faltas, reclamações e polêmicas. Além disso, houve a quantidade certa de sorte para um jogador: Everson foi de “quase” vilão a herói nesta partida e colocou o Atlético na próxima fase após uma atuação bem ruim. Torcedores, é possível exaltar a vaga e comemorar, porém, é necessário ressaltar que o Atlético pode e deve entregar mais futebol nas próximas fases, visto que o objetivo do clube é a “Glória Eterna”.

Para buscar o título da Libertadores, o técnico Cuca terá que corrigir alguns pontos. O Atlético, mais uma vez, não fez uma boa partida e não se impôs contra um adversário bem mais limitado. Obviamente, a vaga é do time mineiro e a classificação é o resultado deste confronto, porém as atuações sem criação e sem brilho assustam. Em alguns momentos da partida, foi visto um time concentrando jogadas no meio e dependendo de alguma trama individual dos seus destaques, mas Hulk, Nacho Fernández e Savarino não estavam bem novamente. Se quer ir mais longe, o jogo coletivo inexistente destes 180 minutos contra o Boca deve sumir do Atlético.

O resultado final foi bom, visto que o Atlético está nas quartas de final, ao mesmo tempo que a atuação foi fraca e decepcionou os seus torcedores. Mesmo assim, alguns jogadores conseguiram se destacar e o principal nome está na zaga. Nathan Silva foi um dos melhores atletas em campo e cortou muitas vezes, tanto na jogada aérea quanto no chão. O jovem defensor mal chegou e, aparentemente, é o dono da posição. Allan e Tchê Tchê foram bem importantes na partida na marcação e se desdobraram.

Além deles, é óbvio que Everson merece um destaque único. O goleiro falhou e deve corrigir o fundamento. Porém, como ser humano que é, o arqueiro se concentrou, fez uma boa defesa logo após a falha e se mostrou bastante confiante nas penalidades máximas. Na 1ª cobrança, Everson esperou e Rojo marcou. Na sequência, Everson esperou e defendeu chute de Villa. Na 3ª, o goleiro pulou e defendeu a bola de Rolón após muita provocação. Na 4ª batida, Izquierdoz se sentiu pressionado e isolou. Na cobrança final, Everson bateu melhor que todos os outros jogadores, acertou o ângulo e mostrou que o atleticano deve acreditar nele. Este é o lema da torcida: acreditem, torcedores!

Atlético x Boca Juniors

Como adiantado pelo Blog, o Atlético poupou poucos jogadores no final de semana, mas estes poupados – Nacho e Savarino – estariam disponíveis para enfrentar o Boca Juniors. Já o zagueiro Réver ficou no banco como opção. Em contrapartida a estes atletas disponíveis, o volante Jair ficou fora até mesmo dos suplentes por causa de uma lesão. Por isso, Cuca colocou em campo Everson; Mariano, Nathan Silva, Alonso e Dodô; Allan, Tchê Tchê, Zaracho e Nacho Fernández; Savarino e Hulk.

O 1º tempo

Início atleticano e equilíbrio argentino

O Atlético começou a partida com muita intensidade e pressionando o adversário no campo de ataque. Consequentemente, o Galo chegou com perigo mais cedo. Logo no 1º minuto, Mariano recebeu de Nacho Fernández na direita, foi ao fundo e cruzou para trás. A bola passou pela área e encontrou Dodô. O lateral atleticano arriscou de fora da área, mas pegou mascado e o goleiro Rossi encaixou com tranquilidade.

No minuto 3, Tchê Tchê interceptou um passe e iniciou uma grande jogada. Nacho recebeu, tocou para Hulk e o atacante atleticano devolveu para Tchê Tchê. Em transição rápida, o camisa 37 do Atlético fez o passe vertical e a bola encontrou os pés de Zaracho, nas costas da defesa. O meio-campista argentino entrou na área em velocidade e teve uma grande chance, porém Zaracho bateu fraco e o goleiro Rossi fez a defesa na saída. O Atlético ainda chegou aos 10, em chute de longa distância de Allan, o qual foi travado pela defesa adversária, mas, depois disso, o Boca ressurgiu em campo.

Após o bom início atleticano, os Xeneizes foram crescendo em campo. Aos 17, o Boca arrematou pela 1ª com Pavón, mas a bola subiu demais. Nos minutos 19 e 21, a equipe argentina chegou com mais perigo, porém, nas duas jogadas, os atletas do Boca Juniors estavam impedidos e o bandeirinha marcou os impedimentos com uma certa demora.

Com o domínio das ações ofensivas entre os minutos 20 e 30, o Boca tentou chegar, todavia não conseguia criar grandes jogadas. Aos 23, Pavón cruzou na área e Briasco disputou com Nathan Silva, no entanto o zagueiro atleticano foi mais esperto e cortou. Três minutos depois, em escanteio cobrado pela direita, Izquierdoz cabeceou e a bola foi para fora.

Defesas bem postadas

As duas equipes tentavam produzir chances mais reais, porém, as próprias defesas bloquearam todas as tentativas. Aos 32, Savarino recebeu de Allan e bateu cruzado para fora, contudo, novamente, a arbitragem permitiu a finalização mesmo com um impedimento claro para depois anular a jogada. Dois minutos depois, o Atlético organizou uma boa trama com muitos passes e a defesa do Boca desarmou. No rebote, na entrada da área, Allan bateu e a defesa xeneize bloqueou o chute. Aos 40, após ótima invertida de Hulk para Nacho Fernández, o meia argentino bateu, entretanto, mais uma vez, a defesa do clube argentino bloqueou a finalização.

Já o Boca tinha muita dificuldade para organizar qualquer jogada e acertou o alvo apenas no minuto 41. Em tabela de Villa pelo meio, o ponta bateu chapado, no canto esquerdo de Everson, e o goleiro fez uma importante defesa, empurrando a bola para a linha de fundo. Com muitas faltas e com a marcação aguerrida de ambas as partes, o 1º tempo foi se arrastando até o fim sem alterações no placar.

O 2º tempo

Tensão com faltas e gol anulado

A etapa final começou com o mesmo cenário: muitas faltas, pouco futebol e nenhuma trama organizada dos dois clubes. Até o minuto 15 da 2ª parte, cada equipe havia finalizado apenas uma vez – sem a direção correta – e o jogo ficava parado pela reclamação dos dois times.

No entanto, no minuto 16, o Boca Juniors abriu o placar, mas, assim como no jogo da ida, o VAR chamou e a arbitragem anulou o gol xeneize. Em cobrança de falta de Villa, Everson poderia encaixar a bola com tranquilidade e falhou. Com o rebote, Weigandt bateu sem goleiro e abriu o placar.

Entretanto, após uma pausa de nove minutos – onde houve muita discussão, análise do juiz de vídeo e até expulsão do ídolo Victor, membro da comissão técnica atleticana -, o árbitro da partida anulou o gol por causa do impedimento de González, atleta que esbarrou em Everson e estava em posição irregular, ou seja, a arbitragem entendeu que o meio-campista do Boca Juniors interferiu na jogada. Por isso, o impedimento foi assinalado, o gol de Weigandt foi anulado e o goleiro Everson, que falhou bisonhamente na jogada, se sentiu aliviado.

Na sequência da anulação do gol, Eduardo Sasha entrou na vaga de Tchê Tchê e criou uma ótima chance rapidamente. Em contra-ataque, o camisa 18 do Atlético viu Savarino aberto na direita e tocou para o venezuelano bater cruzado, mas a bola do ponta foi pela linha de fundo. O Boca respondeu em seguida: aos 29, Villa cobrou falta direto e Everson socou a bola; na saída de jogo seguinte, o Atlético perdeu a bola e Pavón recebeu no meio, porém a finalização do habilidoso jogador do Boca só passou perto da trave direita de Everson.

Minutos finais

Na tentativa de mexer na sua equipe, aos 34, Cuca colocou Alan Franco e Dylan Borrero nas vagas de Zaracho e Savarino. O jogo foi se arrastando com as duas equipes pensando nas penalidades máximas e no longo período de acréscimos que os times iriam encarar.

A equipe atleticana chegou com perigo com os jogadores descansados aos 45. Em trama pela direita, Dylan Borrero tabelou com Alan Franco e a promessa colombiana do Galo chegou ao fundo do campo. Com inteligência (ou sorte), Dylan bateu forte para o meio da área e a bola foi na direção da meta do Boca, obrigando Rossi a fazer uma defesa no “susto”.

Já nos acréscimos, aos 51, para a cobrança dos pênaltis, o treinador Cuca colocou Calebe e Hyoran nas vagas de Allan e Dodô, jogadores já desgastados. Com isso, a partida seguiu se arrastando até a decisão de pênaltis.

Decisão de pênaltis

  • Na 1ª cobrança do Atlético, Hulk bateu e acertou a trave direita de Rossi;
  • Na 1ª cobrança do Boca, Marcos Rojo bateu no canto esquerdo de Everson e fez;
  • Na sequência, Nacho Fernández cobrou no meio do gol e marcou;
  • Seguindo, Villa bateu no meio do gol, Everson esperou e pegou no meio do gol;
  • Na 3ª cobrança, Junior Alonso bateu no canto esquerdo do goleiro, que foi para o lado direito, ou seja, gol atleticano;
  • Na 3ª cobrança do Boca, Everson provocou bastante e pegou o chute de Rolón no seu canto direito;
  • Na sequência, Hyoran foi para a batida e escorregou, isolando a bola;
  • Seguindo, Izquierdoz bateu e isolou;
  • Para finalizar, o próprio goleiro Everson bateu com precisão, no ângulo direito de Rossi: um golaço e a classificação atleticana.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Comentários

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carlos soares olivei

ERRADO! O herói nos dois jogos foi o VAR.

BRUNNER BARROS QUINTAO PESSOA

Concordo. O Único herói foi realmente o VAR, que anulou os 2 gols.
Agora, para mim, o único vilão, o único inimigo, é esse lixo de Cuca.
O cara é péssimo. Não consegue acertar o time. É mesmo assim, essa diretoria medíocre não toma nenhuma atitude. Técnico lixo, presidente lixo, diretoria lixo.
A única certeza é que se continuar assim, teremos mais um ano sem nenhum título.
E sejamos honestos, time pra isso nós temos.

Leonardo Almeida

Sempre temos histórias parecidas (esta no mesmo jogo). Em 2013, no jogo contra o Tijuana, Leonardo Silva falhou, fez o penalty que São Victor agarrou e na final da Libertadores fez o gol de empate. A história, de alguma forma, se repete

9x2!

O importante é que despachamos o freguês argentino que caiu de boca!

9x2!

Minha luz e minha TV a cabo foram cortados. Alguém aí sabe dizer quanto foi o jogo do Remo e a classificação da SEGUNDA DIVISÃO?