VAR e nada mais: em jogo sonolento, Atlético e Boca empatam por 0 a 0 na Argentina e a decisão fica para BH

Um empate sem graça e sem gols. Foto: Pedro Souza / Atlético

Os atleticanos passaram os últimos 45 dias ansiosos pela importante partida frente ao Boca Juniors no mítico estádio La Bombonera, porém o jogo não entregou sequer 10% da expectativa dos amantes do futebol. O duelo entre dois tradicionais times da América do Sul não contou com qualidade de nenhuma das equipes e o placar, o qual não foi alterado, evidenciou isso. O 0 a 0 foi resultado de dois times inoperantes e sem criatividade, e, infelizmente, o único lance mais chamativo envolveu a arbitragem, em lance discutível. Dentro de campo, faltou futebol e a decisão ficou para o jogo do Mineirão.

Nesta terça, 13, o Atlético enfrentou o Boca Juniors, fora de casa, e o placar do estádio La Bombonera marcou 0 a 0 do início ao fim do jogo. Este duelo foi válido pela 1ª partida das oitavas de final da Copa Libertadores da América de 2021. Devido ao empate sem gols, o Galo segue com o tabu de nunca ter vencido os Xeneizes na Argentina.

Com o resultado, a decisão ficou realmente para Belo Horizonte na próxima terça-feira, 20, às 19:15. Enquanto o Atlético terá ao seu lado o mando de campo e o descanso de não se deslocar para a partida, o Boca Juniors terá a vantagem de se classificar com qualquer empate com gols, ou seja, para o Galo chegar às quartas de final diretamente, o time precisará da vitória no Mineirão. Por causa do critério de desempate – o gol fora de casa -, o empate sem gols leva a decisão para os pênaltis e, em caso de 1 a 1, 2 a 2, ou outro empate com gols, o Boca se classifica em BH. Obviamente, quem vencer se classifica.

O jogo e as atuações individuais

O futebol apresentado pelas equipes ficou aquém até mesmo do pensamento do mais pessimista torcedor do Atlético ou Boca Juniors. Ambos os times não apresentaram repertório ofensivo, não mereceram vencer e não aproveitaram os piores momentos do adversário. O Atlético dominou os primeiros 25 minutos e os últimos 15, enquanto o Boca Juniors dominou o fim do 1º tempo e boa parte da 2ª etapa, no entanto, os clubes tropeçaram nos próprios erros e passaram longe de levar perigo ao gol do rival. Everson fez somente uma boa defesa nos acréscimos da 1ª etapa e Rossi sequer sujou o seu uniforme.

Infelizmente, mais uma vez, um jogo de Libertadores ficou marcado apenas pela arbitragem. É indiscutível que o árbitro Andrés Rojas fez uma partida terrível, visto que os jogadores “quase apitaram o jogo”. E o lance central da partida foi o gol de González aos 34 do 1º tempo, em um lance em que Briasco empurrou Nathan Silva. O atacante do Boca Juniors colocou as duas mãos nas costas do zagueiro atleticano e deu margem para a revisão do juiz de vídeo, mas o lance é discutível, já que algumas pessoas podem entender que o contato do atacante não acarretou o desequilíbrio do defensor. Dentro de campo, o árbitro mandou seguir e confirmou o gol, porém anulou após ver o lance no VAR.

Em resumo, o jogo foi muito ruim e o Atlético, com um elenco que possui, poderia entregar mais futebol. Aparentemente, o time de Cuca ficou esperando o adversário, mas não conseguiu explorar nenhum contra-ataque. Entendendo a improvisação do zagueiro Junior Alonso pela esquerda e devido a mais uma ótima partida de Mariano, destaque atleticano na partida, o Boca Juniors tentou atacar pela direita – esquerda da defesa -, com Villa ou Pavón. Cabe ao Atlético visualizar os erros cometidos e apresentar um futebol melhor para alcançar as quartas de final. O Galo tem mais time, mas não mostrou mais futebol. Como a decisão é na próxima terça-feira, o Atlético terá pouco tempo, todavia deve evoluir muito. Ao trabalho, Galo!

Boca Juniors x Atlético

A grande surpresa da escalação atleticana foi a ligeira volta do argentino Nacho Fernández. O meio-campista ficou fora das duas partidas anteriores por causa de uma lesão muscular e retornou ao time justamente contra o seu ex-rival. O camisa 26 do Atlético ainda voltou aos gramados como capitão do Atlético. O restante da equipe foi bem parecida com a escalação esperada: Everson; Mariano, Nathan Silva, Réver e Junior Alonso; Allan, Tchê Tchê, Zaracho e Nacho Fernández; Savarino e Hulk.

O 1º tempo

A partida começou bem devagar, onde nenhuma das equipes criou boas oportunidades. O primeiro chute foi aos 6, quando Zaracho interceptou na saída do Boca e Hulk arriscou, porém o arremate de fora da área não teve a direção do gol. No minuto 15, houve uma boa trama entre Nacho e Hulk, e o armador atleticano cruzou. Tchê Tchê estava dentro da área e cabeceou, mas a tentativa do camisa 37 bateu no seu próprio ombro e foi um recuo para o goleiro Rossi.

Já o Boca Juniors finalizou com mais perigo aos 28, em um momento em que, pela primeira vez na partida, os Xeneizes estavam melhores em campo. O meio-campista Rolón teve muita liberdade no meio, arriscou um chute cruzado de fora da área e a bola passou próxima da trave direita de Everson. No minuto 32, o zagueiro Marcos Rojo chutou de muito longe, a tentativa teve a direção do gol e o goleiro do Atlético encaixou com tranquilidade.

Dois minutos depois, aos 34, o Boca Juniors balançou as redes atleticanas. Após boa jogada de Pavón pela direita, onde passou com facilidade por Junior Alonso, o camisa 31 do Boca fez o cruzamento e Nathan Silva cortou mal, após ser empurrado por Briasco. Na sequência, Réver caiu prematuramente na dividida aérea com González e o camisa 23 cabeceou duas vezes, balançando as redes após saída tardia de Everson. O árbitro confirmou o gol, mas, depois de seis minutos, o VAR chamou o juiz e ele anulou o gol do Boca Juniors por causa da falta de Briasco em Nathan Silva.

Depois do gol, o Boca Juniors tentou dominar a partida, mas o Atlético chegou com perigo aos 42: Hulk fez boa jogada individual, porém a finalização do atacante canhoto com a perna direita foi devagar e Rossi encaixou sem problemas. O time argentino ainda chegou nos acréscimos, aos 46, quando Pavón teve liberdade pelo meio e cruzou para González cabecear de “peixinho”. O camisa 23 quase marcou outro gol, no entanto, desta vez, Everson fez uma linda defesa e definiu o 0 a 0 no placar no fim da 1ª etapa.

O 2º tempo

Depois de uma 1ª etapa devagar, a 2ª parte foi ainda mais sonolenta. O Boca Juniors até começou atacando com Villa, logo no 1º minuto: o ponta cruzou e Briasco ganhou de cabeça da defesa atleticana, mas não acertou a direção do gol. Os Xeneizes chegaram novamente aos 11, quando o mesmo Villa fez a jogada pela direita e cruzou. A bola foi cortada por Réver e assustou Everson, visto que o corte do zagueiro passou próximo do travessão atleticano.

O Atlético não conseguiu se encontrar na 2ª etapa e fez uma trama mais organizada aos 6, em boa construção de Savarino e Nacho, onde o camisa 26 encontrou Zaracho na área, mas o cruzamento rasteiro do argentino, que buscava Hulk, foi cortado pela defesa.

Em meio a uma atuação ruim do Galo, o técnico Cuca promoveu mudanças: aos 22, Dylan Borrero, Jair e Vargas entraram nas vagas de Zaracho, Allan e Savarino, respectivamente; no minuto 31, Réver saiu após cair de mau jeito e deu lugar ao lateral Dodô – com isso, Alonso retornou à zaga -; por fim, Nacho deixou o campo aos 45 para a entrada de Calebe.

Após as modificações atleticanas, o limitado Boca Juniors não conseguiu atuar e o Atlético chegou, mas esbarrou na sua própria falta de criatividade. O time mineiro não havia finalizado no 2º tempo até o minuto 37 e chutou três vezes de fora da área, os únicos três arremates do Atlético na parte final. Aos 37, Dylan arriscou de muito longe, após rebote de escanteio, e isolou. No minuto 42, Hulk pediu e recebeu no meio, mas a sua finalização de esquerda não contou com a direção certa. No fim, o time chegou com Jair, após passe de Tchê Tchê, e o chute do volante atleticano passou mais próximo da meta, mas ainda sem incomodar o goleiro Rossi. Por isso, fim de um jogo chato e um empate sem gols.

O Atlético volta a campo no próximo sábado, 17, às 19 horas, contra o Corinthians, na Neo Química Arena.

Números da partida

Boca Juniors x Atlético
46% Posse de bola 54%
9 Finalizações 6
4 Finalizações no gol 2
6 Escanteios 1
0 Impedimentos 0
23 Faltas 17
314 Passes 403
278 (88%) Passes certos 365 (91%)
Fonte: Footstats

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Marcone Daher

O Cuca é um técnico fraco, medroso. A diretoria tem que o demitir urgente, fica ele e o picareta do irmao dele sem saber o que fazem.Um absurdo como se pode dois vigaristas desses serem tecnicos de um time com a potencia do galo.