O clássico evidencia a importância da dupla “SavaHulk” para o Atlético e uma possível variação tática do América 

A dupla SavaHulk segue decidindo. Foto: Twitter do Mineirão

No bairro do Horto, em Belo Horizonte, precisamente na Arena Independência, América e Atlético protagonizaram um clássico na noite do último sábado, 10. As equipes fizeram um jogo bem equilibrado, mas o Galo, com um time superior, chegou mais próximo do gol e, por consequência, fez o gol da vitória. Resultado: 1 a 0 para o Atlético. Porém, o jogo deixou duas reflexões acerca da atuação dos times: a importância da dupla “SavaHulk” para o Atlético e uma possível variação tática do América.

Dentro de campo, o jogo foi bastante equilibrado do início ao fim. No 1º tempo, o América marcou um gol anulado e o Atlético perdeu um gol incrível com Eduardo Sasha e Junior Alonso, zagueiro que atuou como lateral-esquerdo e acertou o travessão. Já na 2ª etapa, Cuca mexeu bem no time e o Galo fez o gol aos 23 do 2º tempo: Hulk arrancou pelo meio, tocou para Savarino e o venezuelano deixou o jovem Dylan Borrero na cara do gol. O colombiano empurrou para as redes, fez o seu primeiro gol pelo Galo e definiu o placar: 1 a 0 para o Atlético.

Com o resultado, o time de Cuca ganhou a posição do Athletico-PR e está em 3º no Campeonato Brasileiro. Com 22 pontos, o Atlético está um ponto atrás do vice-líder Red Bull Bragantino e está três tentos atrás do Palmeiras, 1º colocado do Brasileirão. Já o América, está bem próximo da zona do rebaixamento com nove pontos conquistados: o Coelho é o 16º e está apenas dois pontos à frente do Sport, 1º time dentro da zona do rebaixamento.

A importância da dupla “SavaHulk”

Obviamente, as contratações de Hulk e Nacho Fernández colocaram o Atlético em outro patamar, mas um venezuelano segue fazendo a diferença no time alvinegro: Jefferson Savarino está se tornando o “melhor amigo” de Hulk dentro de campo. Com muita facilidade para se entender, a dupla SavaHulk decidiu várias partidas, principalmente na Libertadores, e, cada dia mais, a importância individual deles fica clara.

Na partida frente ao América, Hulk começou no banco, visto que estava em uma longa sequência de partidas, e entrou apenas aos 19 do 2º tempo. Ainda na etapa inicial, Savarino havia produzido boas chances, como o passe perfeito para Sasha perder uma boa chance dentro da área, e faltava um companheiro como Hulk. O curioso é que os atletas foram protagonistas de um gol que não foi assinalado por eles.

Aos 23 da 2ª etapa, quatro minutos após Dylan Borrero e Hulk entrarem, o artilheiro atleticano arrancou pelo meio, viu Savarino entrando na área e tocou. O venezuelano fez uma linda assistência – passou por debaixo das pernas do defensor – e o jovem Dylan Borrero empurrou, sendo presenteado pela dupla SavaHulk.

E é justamente nesta potencialização de jogadores como Dylan que está a importância desta dupla de atacantes, ao mesmo tempo que evidencia a necessidade de poupar estes atletas. Hulk estava bem desgastado pela sequência de partidas e Cuca agiu corretamente ao deixar ele no banco. Isso deve acontecer com Savarino daqui alguns jogos.

A dupla SavaHulk não é boa apenas entre eles. Os jogadores são inteligentes e conseguem potencializar jovens atleticanos. Consequentemente, os resultados e as atuações do Atlético melhoram. E o Galo precisará desta dupla nas próximas terças-feiras, visto que o time mineiro enfrenta o Boca Juniors nos dias 13 e 20, às 19:15, pelas oitavas de final da Copa Libertadores da América. O Atlético contará com mais exibições de gala de SavaHulk?

A possível variação tática do América

É evidente que o América perdeu mais uma partida como mandante e a proximidade à zona do rebaixamento preocupa o torcedor. Porém, o clássico frente ao Atlético deixou uma boa resposta tática para o treinador Vagner Mancini. E, como declarado por ele após o jogo, o técnico também ficou satisfeito com as suas mudanças táticas e a tendência é o time mineiro continuar com um esquema bem “moderno”.

Após atuar em algumas partidas em um 4-2-3-1, o técnico Vagner Mancini ousou e entrou contra o Atlético em um 3-4-1-2, esquema bastante utilizado no futebol europeu. Por exemplo, o Chelsea, time inglês, foi campeão da Champions League utilizando esta formação. É claro que Mancini não busca o nível de atuação dos gigantes europeus, mas certamente existe a inspiração e o treinador deve buscar melhorar algumas questões deste esquema que pode proporcionar variações interessantíssimas.

Para atuar em uma linha de três defensores, Mancini optou pelo jovem zagueiro Zé Vitor, atleta da base que atuou como profissional justamente no clássico. Obviamente, o atleta não teve uma atuação perfeita, até mesmo pelo nervosismo, mas a linha de três zagueiros possibilita uma maior cobertura, protege a defesa e potencializa a atuação dos defensores. Por exemplo, o zagueiro Ricardo Silva foi um dos melhores em campo no clássico frente ao Atlético. Além disso, o esquema coloca os alas bem avançados, onde eles devem atacar e defender com a mesma intensidade, e com meio-campistas que não ficam tão sobrecarregados e podem atacar, visto o trio de defensores atrás deles.

Portanto, o curioso do esquema moderno utilizado pelo América é que o 3-4-1-2 possibilita variações dentro do próprio jogo. Por exemplo, a equipe tende a se defender em um 5-3-2, formação que, no mínimo, oito jogadores estarão compactados. Após se defender, o ataque contará com diversos atletas, sendo dois atacantes, um meia criador, dois alas dando amplitude, além da chegada de dois meio-campistas. Portanto, trata-se de um esquema que possibilita ser ofensivo e defensivo sem mexer nas peças, ou seja, para uma boa utilização, basta ter jogadores que compreendam estas variações.

E este é o principal ponto de Mancini. O treinador, após perder para o Atlético, declarou que utilizará as semanas com apenas treinamentos para desenvolver esta formação. Três zagueiros significa segurança defensiva aliada com a possibilidade de ser ainda mais ofensivo, contrariando certos estereótipos. Não é certo que o América conseguirá desempenhar corretamente esta formação, porém são possibilidades interessantes e curiosas, principalmente no futebol brasileiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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