Não têm defesa? Com falhas repetidas, Cruzeiro e Guarani empatam por 3 a 3 no Mineirão

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Aparentemente, Cruzeiro e Guarani não têm defesa. Os times que se enfrentaram no Mineirão nesta noite de quarta-feira, 30 de junho de 2021, precisam urgentemente de organizar a parte defensiva. O jogo de seis gols contou com falhas repetidas, onde os adversários se aproveitaram dos erros dos rivais para produzir este placar. O Cruzeiro, mandante da partida, só marcou gols por meio de escanteios e deu muito espaço para o time campineiro criar à frente da área. Mais uma atuação ruim da Raposa. Mais um tropeço em casa. E, consequentemente, o Cruzeiro se encontra mais próximo do Z-4: o lanterna da Série está dois pontos atrás do time de Mozart.

Nesta quarta-feira, 30, Cruzeiro e Guarani duelaram no Mineirão e o placar do Gigante da Pampulha indicou um empate por 3 a 3. O curioso é que o jogo da 8ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro de 2021 teve o mesmo placar da 21ª rodada da 2ª divisão de 2020, onde os times se enfrentaram em Belo Horizonte. Em 09 de novembro do ano passado, no mesmo Mineirão, as equipes empataram por 3 a 3, mesmos números desta noite.

Com o resultado, as equipes ficaram, praticamente, nas mesmas posições: a Raposa e o Bugre desceram um degrau na tabela. O Cruzeiro está em 14º, com oito pontos conquistados em oito jogos, e se encontra em uma situação delicada: dois pontos à frente do lanterna da competição e sete pontos atrás do 4º colocado, ou seja, a briga é na parte de baixo da tabela. Já o Guarani perdeu uma posição e está em 10º, com dez pontos em oito jogos.

O jogo e as atuações individuais

O empate com muitos gols entre Cruzeiro e Guarani pode ser resumido por três palavras: falhas defensivas repetidas. A Raposa sofreu o 1º gol em bola aérea, mas o 2º e o 3º tento foram semelhantes: o time mineiro deu muita liberdade para o adversário pensar à frente da área. Já o Bugre sofreu três gols em bola aérea – o 1º foi contra – e não conseguiu encaixar a marcação. A culpa dos seis gols é toda da defesa – excluindo os dois goleiros -, visto que a forma que os times marcaram foi, praticamente, inexistente.

A diferença vista nas estatísticas – Cruzeiro finalizou dez vezes, enquanto o Guarani chutou em 22 oportunidades – é resultado de uma atuação cruzeirense que, além de ruim defensivamente, não foi boa na parte ofensiva. Sim, a Raposa fez três gols e teve seus méritos nas jogadas aéreas. Porém, o time não triangulou, não criou e nenhum atleta do Cruzeiro pode ser elogiado nas construções. Com isso, o Guarani atuou melhor, chegou com mais perigo e finalizou mais do que o dobro que o seu rival, mesmo estando fora de casa. É necessário repensar este desempenho.

Como dito anteriormente, o Cruzeiro conseguiu a façanha de marcar três gols na partida e não teve um destaque ofensivo. Rafael Sobis e Bruno José foram mal e não conseguiram produzir nada. Felipe Augusto só foi importante na recomposição. Marcinho deu “duas assistências” – uma foi para o gol contra -, porém não conseguiu produzir muito com a bola rolando. Mesmo assim, além dos destaques negativos para os jogadores, o técnico Mozart merece críticas, pois colocar Rômulo na vaga de Marcinho acabou com qualquer chance cruzeirense. Já na parte defensiva, Fábio não falhou, no entanto, o restante da parte defensiva foi muito mal e assistiram o adversário jogar. Léo Santos tirou várias bolas aéreas, mas o Cruzeiro estava em uma noite terrível e desarmou apenas 11 vezes, enquanto o Guarani desarmou em 20 oportunidades. Faltou vontade, intensidade e, principalmente, inteligência.

Cruzeiro x Guarani

Sem contar com o zagueiro Ramon, suspenso, e com o lateral-direito Raúl Cáceres, fora por causa de uma infecção no ouvido, o técnico Mozart teve que mudar o seu esquema de jogo: o 3-5-2 deu lugar ao 4-3-3 na escalação inicial. Além disso, Rômulo estava atuando mal e o técnico promoveu a volta da cria da base Adriano. Logo, Mozart colocou em campo Fábio; Norberto, Léo Santos, Paulo e Matheus Pereira; Matheus Barbosa, Adriano e Marcinho; Bruno José, Rafael Sobis e Felipe Augusto.

O 1º tempo

Guarani bem, mas Cruzeiro virou

Logo no início, aos 4, Régis arriscou de fora da área e a bola desviou em Léo Santos. Com a mudança de trajetória, Fábio quase foi surpreendido e cedeu o escanteio. Na cobrança, o meio-campista ex-Cruzeiro colocou na cabeça de Bruno Sávio e o camisa 11 tinha muita liberdade na 1ª trave, entre Rafael Sobis e Felipe Augusto. Bruno Sávio cabeceou bem, acertou o ângulo direito de Fábio e balançou as redes: 1 a 0 no Mineirão.

O Guarani até chegou com perigo novamente aos 16, quando Júlio César teve muita liberdade, lançou Matheus Davó e o camisa 30 cruzou, mas Bidu chegou atrasado para completar. No minuto 18, o Cruzeiro reagiu e conseguiu um escanteio. Na cobrança, Marcinho cobrou e o gigante Léo Santos passou pela bola sem cabecear, mas o zagueiro Thales acabou cabeceando contra a própria meta. Gol contra do Guarani e empate cruzeirense: 1 a 1 no marcador.

Naquele momento, mesmo com o jogo empatado em 1 a 1, o Cruzeiro não havia finalizado, visto que o gol feito tinha sido contra. Só que o 1º chute da Raposa foi fatal. Aos 22, Marcinho cobrou um escanteio pela direita novamente e, desta vez, Léo Santos subiu muito alto para testar. O cabeceio do estreante foi forte, sem chances para o goleiro do Guarani, e virou a partida para a Raposa: 2 a 1 no placar.

Guarani empatou, mas o Cruzeiro ressurgiu

Com a desvantagem no placar, o Guarani teve que sair atrás do empate. Aos 24, Bruno Sávio recebeu no meio e arriscou de fora da área e a bola foi para fora. No entanto, este lance era apenas um ensaio para o gol de empate. Seis minutos depois, o mesmo Bruno Sávio recebeu com muita liberdade e bateu forte na direção do gol. A bola bateu na sola da chuteira de Matheus Barbosa e “matou” o goleiro Fábio, que não conseguiu defender no seu contrapé: 2 a 2 no Gigante da Pampulha.

Após o gol, pela 1ª vez na partida, os times se acalmaram um pouco e o jogo ficou mais cadenciado. Aos 36, Marcinho cobrou falta lateral e bateu direto na direção do gol. Gabriel Mesquita espalmou, evitando um gol de falta. No minuto 42, Marcinho recebeu na intermediária, gingou e arriscou. A bola passou perto da meta de Gabriel Mesquita.

Logo na sequência, o Cruzeiro ressurgiu com um gol oriundo de escanteio pela terceira vez na partida. Aos 44, Rafael Sobis bateu escanteio na área e Matheus Barbosa estava com muita liberdade na área. O artilheiro cruzeirense na temporada testou forte e balançou as redes do Bugre: 3 a 2 no placar de um 1º tempo, simplesmente, maluco.

O 2º tempo

Mais um empate

A segunda etapa começou mais calma e o Guarani dominou as ações ofensivas, mesmo sem ser tão incisivo para chegar com perigo. Aos 7, após bom cruzamento rasteiro de Bidu, Júlio César tentou empurrar para as redes, mas errou a direção.

Já o Cruzeiro foi finalizar pela 1ª vez no minuto 18, quando Matheus Barbosa chutou do meio-campo e errou a tentativa de surpreender o goleiro rival. No minuto 21, após pressão na saída de jogo do Bugre, Rafael Sobis arriscou de fora da área e errou a direção do gol.

Com mais de 70% de posse de bola, o Guarani precisava de uma trama individual para chegar, visto que as jogadas coletivas não estavam dando resultado. E uma bela trama deu certo. Aos 22, Régis começou a jogada na intermediária, tabelou com Davó – o atacante devolveu de calcanhar – e entrou na área com muita tranquilidade. O ex-Cruzeiro passou por Léo Santos e tocou por cobertura na saída de Fábio. Um golaço de Régis. A lei do ex vigorou no Mineirão e empatou a partida: 3 a 3 no placar.

Minutos finais

Depois do gol de empate, os times promoveram algumas substituições e o jogo teve poucas chances. O técnico Mozart colocou Airton, Giovanni, Jean Victor, Rômulo e Thiago nas vagas de Felipe Augusto, Matheus Barbosa, Matheus Pereira, Marcinho e Adriano, respectivamente. Os jogadores que entraram, assim como os que saíram, pouco fizeram em campo.

Após o gol, ambos os times não chegaram tão bem. Aos 26, após bate-rebate na área que Léo Santos tirou duas vezes na jogada aérea, Bidu bateu e a bola passou próximo da meta de Fábio. No minuto 30, Júlio César finalizou de fora da área e o seu chute “tirou tinta” do travessão da Raposa.

As duas equipes deixaram dois lances perigosos para os acréscimos. Aos 46, em contra-ataque do Cruzeiro, Airton acelerou e tocou para Thiago. O centroavante bateu na saída de Gabriel Mesquita e a defesa do arqueiro salvou o Guarani. No contragolpe seguinte, Allan Victor acelerou pela esquerda, levou para o meio e bateu rasteiro, no canto esquerdo de Fábio. O ídolo cruzeirense fez a defesa, espalmou para a linha de fundo e garantiu o empate em 3 a 3.

O Cruzeiro volta a campo no próximo sábado, 03, às 19 horas, contra o Brasil de Pelotas.

Números da partida

Cruzeiro x Guarani
51% Posse de bola 49%
10 Finalizações 22
4 Finalizações no gol 6
7 Escanteios 5
0 Impedimentos 1
19 Faltas 14
403 Passes 392
316 (78%)Passes certos 313 (80%)
Fonte: SofaScore.com

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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