Menos de três finalizações certas por jogo: o problema ofensivo do Atlético no Brasileirão vai além dos desfalques

Após organizar a defesa, Cuca tem a urgente missão de arrumar a parte ofensiva. Foto: Pedro Souza / Atlético

Por Pedro Bueno

O momento atleticano exige mudanças. O time mineiro conquistou apenas um ponto na última semana e, mesmo muito desfalcado, as atuações não são justificáveis. O Galo jogou muito mal contra Chapecoense, Ceará e Santos e as derrotas foram consequência de uma equipe inofensiva em campo. Obviamente, os 14 desfalques por causa das seleções e devido à COVID-19 prejudicaram, mas o problema ofensivo atleticano vai além das ausências: a média de finalizações certas por jogo é menor que três chutes corretos.

As pretensões atleticanas obrigam melhorias. O clube alvinegro não pode se acomodar e pensar que apenas a volta de Nacho Fernández, por exemplo, irá resolver os problemas. Um time tão forte, com ótimos jogadores e com a real ambição de conquistar algum grande campeonato neste ano não pode acertar o gol adversário em menos de três oportunidades por jogo.

Os números preocupam porque a temporada irá ficar ainda mais complicada daqui a duas semanas, visto que a Copa do Brasil e a Libertadores irão reiniciar e o Atlético estará brigando em três frentes. Atualmente, o time de Cuca está em 8º no Brasileirão e o desempenho preocupa os seus torcedores mais do que a pontuação. O Atlético de Hulk e companhia joga mal, não mostra repertório ofensivo e não passa confiança.

As partidas

O Atlético disputou sete partidas neste Brasileirão e conquistou dez pontos: três vitórias, um empate e três derrotas. A questão é que os triunfos foram consecutivos entre a 2ª e a 4ª rodada e os últimos três jogos foram sem vitórias: um empate e duas derrotas consecutivas. E a questão que mais preocupa é o fraquíssimo desempenho ofensivo nestes sete jogos iniciais do Campeonato Brasileiro.

  • 30/05: perdeu para o Fortaleza: 13 chutes, 4 arremates com direção do gol e 1 gol;
  • 06/06: venceu o Sport: 10 chutes, 1 arremate com direção do gol e 1 gol;
  • 13/06: venceu o São Paulo: 9 chutes, 2 arremates com direção do gol e 1 gol;
  • 16/06: venceu o Internacional: 6 chutes, 2 arremates com direção do gol e 1 gol;
  • 21/06: empatou com a Chapecoense: 14 chutes, 2 arremates com direção do gol e 1 gol;
  • 24/06: perdeu para o Ceará: 16 chutes, 6 arremates com direção do gol e 1 gol;
  • 27/06: perdeu para o Santos: 11 chutes, 3 arremates com direção do gol e 0 gols;

Portanto, nas sete partidas iniciais, o Atlético finalizou 79 vezes, sendo que apenas 20 chutes foram no gol adversário, ou seja, uma média de 11,2 finalizações por partida e apenas 2,85 chutes corretos por jogo, um número muito preocupante.

Além disso, é possível concluir que a cada quatro chutes, só uma tentativa tem a direção correta, e o time mineiro precisa finalizar 13 vezes para sair um gol. O único dado positivo é que a cada 3,3 chutes certos, o Galo balança as redes, ou seja, quando acerta, o chute é bom. No entanto, como o time acerta muito pouco, marcar nas poucas chances que tem é quase uma obrigação deste forte elenco.

Mais números

Com seis gols feitos e sete sofridos, o Atlético é o único time da 1ª parte da tabela do Brasileirão com saldo negativo. Ao analisar os 13 melhores times do torneio, o time de Cuca tem o 2º pior ataque, atrás apenas do Atlético-GO, equipe que fez cinco gols, mas sofreu só dois tentos, ou seja, está mais equilibrado que o Galo – os times se enfrentam nesta semana.

Um dado curioso é que o Atlético marcou gol nas seis primeiras rodadas do Brasileirão, mas ainda não conseguiu fazer dois gols em uma mesma partida nesta edição do torneio. O único time que também não marcou dois gols em um jogo neste Campeonato Brasileiro é o América, ou seja, dentre os 20 clubes da elite do futebol brasileiro, somente o Galo e o Coelho não balançaram as redes duas vezes em uma mesma partida. Minas Gerais urge por melhorias.

Outro número interessante foi destacado pelo Footstats após o fim da 5ª rodada. Naquela altura, o Atlético estava entre os primeiros colocados e havia acabado de tropeçar após três vitórias seguidas. A questão é que nas cinco partidas iniciais, o Atlético saiu na frente em todas, foi para o intervalo vencendo e deslizou na 2ª parte em duas oportunidades – Fortaleza e Chapecoense. A grande questão para a queda de nível foi a quantidade de finalizações: nestas cinco primeiras partidas, o Atlético chutou corretamente apenas quatro vezes no 2º tempo, ou seja, em média, o Galo conseguiu 0,8 finalizações certas nestas etapas finais. Preocupa e preocupa muito.

O problema ofensivo vai além dos desfalques

Os números evidenciam algo perceptível em campo: o ataque atleticano está desconectado e desorganizado. Não existem tramas padronizadas. O Atlético “está sempre pronto” para atacar de forma aleatória e esperar que Hulk decida com um chute ou Nacho Fernández deixe algum companheiro em ótimas condições – Keno também poderia ser um destes jogadores, mas vive um terrível fase.

O futebol é coletivo. A individualidade faz parte, decide jogo e é importante, mas não pode ser o único meio para chegar às vitórias.

Como visto anteriormente, o Atlético teve, em média, 0,8 finalizações no 2º tempo em partidas que saiu na frente no placar. O time se acomodou com a vantagem ou não teve preparo físico para continuar em cima? Como não é possível concluir sobre a preparação física realizada internamente na Cidade do Galo, a primeira hipótese é tida como a principal razão para o 2º tempo ruim atleticano nestas cinco primeiras partidas do Brasileirão. Um time forte como o Atlético não pode se acomodar, não pode tirar o pé e não deve atrair o adversário. O equilíbrio entre o ataque seguir em cima e a defesa postada é o grande objetivo de Cuca.

E o treinador atleticano tem alguns bons feitos, como a organização defensiva, mas não conseguiu dar sequência à evolução. O time ainda está bem frágil e com pouca organização. Os desfalques fazem falta, mas o time pode apresentar um futebol muito melhor. Falta coletivo, porque baixas, em uma temporada tão complicada, irão existir. O Atlético montou um elenco forte para que 22 jogadores possam estar aptos e cabe à comissão técnica criar uma tática para todos.

Faltou brilho, inspiração, criatividade e inteligência nas últimas partidas. O Atlético protagonizou partidas ruins e a parte ofensiva esteve mal. O time não pode depender apenas de um ou outro nome. O Galo investiu bastante em vários jogadores e todos devem ajudar a arquitetar boas jogadas. Obviamente, a recuperação na temporada está em tempo, visto que a terra não foi arrasada. Só não se atrase, pois semanas com três tropeços, como a última, podem prejudicar uma temporada. Ao trabalho, Atlético!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Claúdio Rodolfo

Contrataram um gestor de elenco e não um treinador.

ZÉ DE MINAS

Keno e Vargas,não dá mais. È um time sem criatividade e sem raça.

Brunner Pessoa

manda esse lixo de cuca e cia embora pelo amor de deus

geraldo

A torcida aplaudiu a vinda do Cuca esperando um raio cair no mesmo lugar duas vezes. kkkk