Em jogo ruim e com expulsão de Allan, América e Atlético empatam por 0 a 0 e a decisão fica para o Mineirão

Foto: Pedro Souza / Atlético

Se o América vencer no Mineirão, o Coelho levanta a sua 17ª taça do Campeonato Mineiro. Em caso de empate ou vitória alvinegra, o Atlético ergue o 46º título estadual e abre mais vantagem como maior campeão da competição. Este é o cenário da final após um empate sem graça, sem qualidade e sem gols. O 0 a 0 ficará marcado por um jogo travado, sem brilho de ambos os times e com muitas reclamações sobre a arbitragem. O lance capital da partida aconteceu aos 28 do 2º tempo, quando Allan foi expulso e o Atlético, após este lance, administrou e valorizou o empate sem gols que mantém a vantagem do Galo.

Neste domingo, 16, o América recebeu o Atlético e o jogo ficou em um empate sem gols. O placar do Independência marcou 0 a 0 na primeira partida da final do Campeonato Mineiro de 2021.

Com este resultado, a situação se mantém a mesma devido à vantagem atleticana. No próximo sábado, 22, às 16:30, no Mineirão, Coelho e Galo se enfrentam e quem vencer será campeão estadual. Em caso de mais um empate, o Atlético, por ter feito a melhor campanha, será campeão do Mineiro.

O jogo e as atuações individuais

Era uma final, mas a técnica apresentada não foi digna de uma decisão. América e Atlético são os times mais fortes de Minas Gerais, já mostraram muito talento durante a temporada – inclusive, o jogo da fase inicial entre os times foi muito bom – e poderiam travar um grande duelo. No entanto, o jogo foi fraco do início ao fim e foram apenas cinco finalizações certas, ou seja, os times estavam com o pé “fora da forma”. Além do jogo de volta, as outras competições da temporada de Coelho e Galo exigem apresentações mais qualificadas dos clubes.

Dentro de campo, cada time dominou – de forma calma e sem grande ímpeto ofensivo – cada tempo. O Atlético esteve melhor na 1ª etapa, porém teve apenas uma grande chance – Nacho bateu travado e depois Hulk obrigou Cavichioli a fazer uma boa defesa. Já o rival América jogou mais no 2º tempo e teve domínio da posse de bola, mas chegou com muito perigo apenas no chute de Bruno Nazário, o qual foi muito bem defendido por Everson. Faltaram triangulações, calma e organização das duas equipes. Um dia infeliz de Cuca e Lisca.

Nas questões das atuações individuais, é necessário falar sobre Allan. O atleta entrou no 2º tempo e trocou um possível gol pela expulsão – que foi justa pela falta cometida. Os atleticanos podem estar discutindo se a escolha de Allan foi a ideal, mas a possibilidade do placar ter se alterado em caso de prosseguimento da grande jogada de Ademir é enorme. Como pontos positivos no lado americano, Zé Ricardo e Diego Ferreira fizeram boas partidas, enquanto Igor Rabello e Nacho Fernández chamaram a atenção no Galo. Todavia, o jogo coletivo das duas equipes não funcionou e é necessário melhorar para a próxima decisão.

América x Atlético

O América entrou em campo com a formação esperada, enquanto o Atlético contou com uma escalação com mudanças.

Lisca escalou o Coelho com Matheus Cavichioli; Diego Ferreira, Anderson, Eduardo Bauermann e Marlon; Zé Ricardo, Juninho e Alê; Felipe Azevedo, Rodolfo e Bruno Nazário. Já o Galo de Cuca entrou na final com Everson; Guga, Igor Rabello, Alonso e Dodô; Rever, Tchê Tchê, Arana e Nacho Fernández; Savarino e Hulk.

O 1º tempo foi (bem) ruim

O Galo começou em cima do seu rival, mesmo com alguns problemas na organização – Réver não se encontrou na função de 1º volante. Aos 4, Guilherme Arana avançou pela esquerda e arriscou de fora da área. A bola desviou na marcação e foi para fora, na primeira jogada ofensiva da partida. No minuto 16, Hulk tocou para Arana e o camisa 13 encontrou Tchê Tchê na intermediária. O volante do Galo arriscou de perna esquerda e o goleiro Matheus Cavichioli fez a defesa no centro do gol.

Dois minutos depois, aos 18, o Atlético chegou com muito perigo. Após cruzamento de Savarino, Eduardo Bauermann tentou tirar e deu no pé de Nacho Fernández. O argentino aproveitou a falha do zagueiro americano e, na entrada da grande área, bateu com a perna esquerda. Anderson travou o chute e a bola voltou para Nacho. O camisa 26 tocou para Hulk e o artilheiro atleticano levou para a perna direita, bateu e obrigou Cavichioli a fazer uma grande defesa. Na sobra, a defesa do América tirou a bola e afastou o perigo.

Mesmo com mais posse de bola, o América não conseguia chegar com boas tramas: apenas duas finalizações na 1ª etapa e ambas sem direção. Enquanto isso, o Atlético seguia com mais volume ofensivo e chutou cinco vezes, porém a partida estava concentrada no meio-campo, sem grandes chances. Aos 32, Savarino tentou de fora da área e a bola subiu demais. No minuto 42, Zé Ricardo aproveitou corte da defesa atleticana e bateu, mas a bola foi longe da meta de Éverson.

Enfim, um 1º tempo com domínio ofensivo atleticano, posse de bola americana e, resumidamente, sem qualidade.

O 2º tempo das reclamações

Equilíbrio e reclamações

Logo após o intervalo, o Atlético voltou com Allan na vaga de Réver, visto que o zagueiro não foi bem como 1º volante e Cuca viu que a sua ideia não surtiu efeito na 1ª etapa. Mesmo com a modificação atleticana, o América voltou melhor e chegou com perigo no minuto 5.

O lateral-esquerdo Marlon chegou no fundo, fez um bom cruzamento e Everson cortou.No rebote, Bruno Nazário bateu imediatamente e o goleiro atleticano fez uma grande defesa, visto que ele estava retornando à meta e o chute do camisa 10 do América foi no “contrapé”. Na sequência, após bola cruzada na área, Everson saiu para encaixar e levantou muito a perna na dividida com Anderson. Os americanos pediram pênalti, mas o VAR revisou e concordou com a não-marcação da arbitragem.

Após este susto, o Atlético chegou duas vezes com Tchê Tchê como protagonista. Aos 13, após escanteio pela esquerda, o camisa 37 do Atlético cabeceou para o meio, a bola bateu na perna de Zé Ricardo e Tchê Tchê pediu pênalti. Corretamente, o árbitro mandou o jogo seguir. No minuto 16, Nacho Fernández acelerou pela direita e fez um ótimo passe para o meio-campista do Galo. Tchê Tchê entrou na área, Cavichioli o abafou e ele tentou driblar. No entanto, a bola acabou saindo pela linha de fundo.

Neste início de etapa final, foi visto muito equilíbrio e várias reclamações sobre a arbitragem. Além disso, algumas substituições aconteceram, já que os treinadores entenderam que os times precisavam ser modificados. O América colocou Ribamar e Ademir nas vagas de Felipe Azevedo e Bruno Nazário, enquanto o Atlético, após colocar Allan, optou por Eduardo Sasha e Diego Tardelli nos lugares de Dodô e Savarino.

A expulsão

Aos 22, o artilheiro do Mineiro apareceu. Após cobrança de falta de Alê, Rodolfo dominou e Guga estava na marcação. O camisa 9 do América fez um bom corte, driblou o defensor atleticano e bateu de perna esquerda. A bola tinha direção, mas Everson espalmou novamente.

No minuto 26, um lance ofensivo desencadeou um problema defensivo para o Atlético. Depois de cobrança de escanteio, Diego Tardelli estava na 2ª trave e finalizou. A bola bateu no braço de Zé Ricardo, mas o árbitro e o VAR visualizaram que o braço do volante do Coelho estava na posição natural, além de Zé Ricardo ter colocado os braços para trás. Por isso, a decisão, segundo o comentarista de arbitragem da TV Globo, foi correta.

Na sequência, o Galo bateu um novo escanteio, a defesa americana cortou e ligou um contra-ataque. Ademir acelerou, passou pelo último homem do Atlético, Allan, e o volante resolveu puxar o ponta do América. O árbitro expulsou o atleta atleticano, visto que Allan trocou o possível gol pelo cartão vermelho.

Com menos um atleta, Cuca colocou Alan Franco e Hyoran, a fim de recuperar o meio-campo. Pelo outro lado, o América optou por Leandro Carvalho, Lohan e Ramon e tentou pressionar nos minutos finais. Enquanto o Atlético segurou a partida e tomou muitos cartões amarelos por cera e reclamações, o Coelho foi para o ataque, mas não conseguiu levar perigo ao gol de Everson.

O fim do jogo

Um jogo ruim e escolhas equivocadas dos dois treinadores. O Campeonato Mineiro será decidido na próxima semana, no sábado, 22, e os dois elencos sabem que podem entregar um duelo com mais técnica. O Atlético terá, novamente, uma semana cheia e protagonizará um grande confronto no Paraguai pela Libertadores. Enquanto isso, o América contará, mais uma vez, com uma semana livre e os treinamentos de Lisca podem ajudar o seu time. Foco na taça, Coelho e Galo!

Números da partida
América x Atlético

57% Posse de bola 43%
8 Finalizações 12
2 Finalizações no gol 3
4 Escanteios 6
0 Impedimentos 2
8 Faltas 15
430 Passes 366
377(87,7%) Passes certos 324 (88,5%)
Fonte: Footstats

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