Não era para ter jogo! Mas a bola rolou, o Atlético jogou bem, venceu o América de Cali por 3 a 1 e se classificou

Foto: Pedro Souza / Atlético

Simplesmente, não era para ter colocado a bola em jogo! Uma das partidas mais estranhas dos últimos anos. Jogadores de ambas as equipes, aparentemente, não desejavam a continuação de um jogo de futebol que estava prejudicando a saúde deles. Com muitos protestos no lado de fora, todas as pessoas presentes sofreram com o gás lacrimogêneo lançado pela polícia nos arredores do estádio Romelio Martínez. O jogo foi paralisado em muitos momentos para os jogadores se recuperarem, mas a arbitragem, juntamente com a Conmebol, não optaram pela suspensão do jogo. O clima estava ruim, a partida foi triste e apenas a vitória atleticana, com dois belos gols, animou a noite.

Nesta quinta-feira, 13, o Atlético venceu o América de Cali-COL por 3 a 1 fora de casa, em jogo válido pela 4ª rodada da Libertadores. A partida aconteceu em Barranquilla, no estádio Romelio Martínez, e ficará marcada na história do futebol sul-americano como o jogo que deveria ter sido suspenso por causa dos protestos.

Dentro de campo, com os gols de Hulk, Arana e Vargas, o Galo venceu o time colombiano novamente e se classificou para a fase final da Libertadores. Com 10 pontos conquistados, o Atlético abriu três pontos de vantagem na liderança para o Cerro Porteño-PAR e está garantido no mata-mata. Consequentemente, o América de Cali está praticamente eliminado da Libertadores.

Um jogo vergonhoso

Excepcionalmente, nesta noite, o Blog não irá analisar questões táticas e técnicas do jogo. A partida foi completamente atípica e os jogadores não devem ser julgados ou criticados por erros. O Atlético falhou na marcação em alguns momentos, jogou muito bem na parte ofensiva e mereceu a vitória, mas a análise, desta vez, será voltada para a situação histórica e vergonhosa que aconteceu neste duelo.

Os jogadores não carregam a culpa. A grande questão da noite foi a arbitragem e a confederação sul-americana não pensarem nos profissionais, nos pais de família, nas pessoas de verdade que estavam ali a trabalho. A Conmebol não se responsabilizou e tampouco interviu em um jogo que teve presença de gás lacrimogêneo durante 90 minutos. Uma vergonha inadmissível. Um jogo que ficará marcado com uma mancha. Não era para ter acontecido!

Foram diversas paralisações, retomadas sem acordo com os protagonistas – os jogadores, obviamente – e uma partida que mostrou o foco da Conmebol: é apenas a bola rolando que importa. Nada mais está em jogo para a confederação. É ridículo a situação que chegou o futebol sulamericano. Jogadores atuaram debaixo de gás danoso à saúde. Esportistas sofreram durante 90 minutos, em uma partida que poderia ter sido remanejada ou suspensa após ver que não era possível jogar.

A mancha deste jogo é toda da Conmebol e da arbitragem. O árbitro uruguaio Andrés Cunha, o presidente da Conmebol Alejandro Domínguez e todos os envolvidos nesta noite histórica ficarão marcados. Não tinha sentido jogar futebol. Uma partida não pode acontecer com rojões e gás atrapalhando a sua vista e a sua respiração. O esporte foi deixado de lado e os responsáveis devem ser cobrados. O futebol não pode ser isso e ponto final.

América de Cali-COL x Atlético

Mesmo com todas estas questões históricas citadas anteriormente, o jornalismo deve informar como foi o jogo e, como de costume, o Blog Bola Pra Frente traz detalhadamente cada lance da importantíssima vitória atleticana.

O Atlético entrou em campo com a formação prevista e antecipada pelo pré-jogo do Blog. Sem contar com novos desfalques, Cuca colocou em campo a força máxima e fez apenas uma mudança no time titular: Jair no lugar de Allan. Sendo assim, o Galo contou com Everson, Guga, Rabello, Alonso e Arana; Jair, Tchê Tchê e Nacho Fernández; Savarino, Hulk e Keno.

O primeiro tempo

O início movimentado

O jogo começou com uma ótima pressão atleticana. Aos 3, o Galo chegou pela direita: Guga tocou para Jair, o volante encontrou Hulk e o artilheiro atleticano achou Tchê Tchê entrando na área. O camisa 37 do Galo bateu cruzado e Keno empurrou para as redes, mas a arbitragem marcou, corretamente, o impedimento.

Mesmo com um equilíbrio do América de Cali, o Atlético chegou e marcou o primeiro gol. Aos 19, Keno fez a jogada pela esquerda, cruzou e a defesa do adversário cortou. No rebote, Guga chegou com a perna esquerda e chutou. A bola bateu em Quiñones e foi para a linha de fundo. Na cobrança de escanteio curto, Arana tocou para Nacho Fernández e o argentino fez um belíssimo cruzamento para encontrar a cabeça do camisa 7 do Galo. Hulk antecipou e cabeceou com força, sem chances para Graterol: 1 a 0 para o Atlético e 5º gol do centroavante atleticano na Libertadores.

O Galo estava melhor e abriu o placar, no entanto, o América de Cali conseguiu empatar a partida no minuto 23. Após erro na marcação, Carrascal puxou um contra-ataque fatal, onde o América estava com quatro atacantes contra três defensores atleticanos. Carrascal tocou para Santiago Moreno, atleta que estava com muita liberdade dentro da área. Junior Alonso chegou na marcação, mas o camisa 16 driblou e bateu de perna esquerda no canto de Everson. Gol de Moreno em falha atleticana e empate do América de Cali: 1 a 1 no placar.

Muito gás, muitas paralisações e pouco futebol

O jogo paralisou várias vezes por muitos minutos após o gol de empate. Anteriormente, a partida havia sido interrompida por pouco tempo, mas os efeitos do gás lacrimogêneo não deixavam os jogadores nas condições ideais. Os atletas tentaram parar, ficaram dentro do vestiário durante mais de 10 minutos e todos, aparentemente, pediam pela interrupção da partida, mas o árbitro forçou o jogo até o minuto 61.

Em meio a esta vergonha imposta pelo árbitro Andrés Cunha e pela Conmebol, Atlético e América de Cali tentaram jogar futebol e tiveram alguns lances animados no fim de um 1º tempo maluco.

Aos 51, Savarino ganhou a dividida na direita, tocou para Hulk e o artilheiro do Galo passou para Nacho Fernández. O armador atleticano encontrou Keno na esquerda e o camisa 11 do Galo, dentro da área, bateu forte de canhota. A bola foi alta e o goleiro Graterol fez uma grande defesa.

No minuto 53, em outro contra-ataque do América de Cali, Adrián Ramos foi lançado e Everson abafou o atacante adversário quase na linha de fundo. No rebote, Vergara fez grande jogada e conseguiu o escanteio. Na sobra do tiro de canto, Hulk roubou a bola e correu pelo campo todo. Ao chegar na área, o camisa 7 tocou para Nacho Fernández e o argentino bateu. O goleiro Graterol fez outra grande defesa, desta vez no meio do gol após chute rasteiro de Nacho.

A paralisação final do 1º tempo

O jogo continuou e se aproximava do fim. Aos 56, Tchê Tchê recebeu na esquerda, tocou para Nacho Fernández e o armador deu um lindo passe em meio a defesa do América de Cali. Hulk foi encontrado com muita liberdade, dentro da área, mas apenas recuou para a defesa de Graterol. E neste momento ficou evidente a situação vergonhosa em que a partida estava inserida.

Logo após o chute ruim, Hulk caiu, já que não aguentava os efeitos do gás. Simultaneamente, depois de fazer a defesa, Graterol também pediu para que o jogo fosse paralisado. A partida ficou parada por alguns minutos e o árbitro chamou os jogadores de volta, visto que faltavam dois minutos para encerrar o 1º tempo.

Como forma de protesto, os defensores do América de Cali tocaram de um lado para outro, a fim de não praticar o futebol e apenas encerrar este primeiro tempo em que o futebol ficou em segundo plano, infelizmente.

O segundo tempo

Arana + Savarino = golaço

De forma equivocada e surpreendente, o jogo retornou após mais de 20 minutos de intervalo. A situação não estava muito melhor, mas o juiz ordenou que a partida voltasse a acontecer.

Já no primeiro minuto da etapa final, Arana tabelou com Hulk e cruzou para a área. Nacho Fernández fez corta-luz e Keno chegou batendo, mas a bola passou ao lado da trave direita do goleiro do América. No minuto 4, Guga cabeceou no meio-campo e Hulk recebeu nas costas da defesa. O atleta tentou encobrir o goleiro adversário, mas o chute do artilheiro foi para fora.

Aos 8, Savarino gingou para cima da marcação e fez um ótimo cruzamento para a área. A jogada foi linda e a bola encontrou Guilherme Arana na 2ª trave. O lateral dominou, ajeitou e bateu no ângulo de Graterol. Um lindo gol do camisa 13 do Galo: 2 a 1 no placar.

O Galo chegou algumas vezes, mesmo com o cansaço evidente. Aos 25, Savarino cobrou uma falta sofrida por Arana – após bela arrancada do lateral – e obrigou Graterol a fazer uma grande defesa. No minuto 28, Tchê Tchê lançou Keno e o camisa 11 deu um corte seco na marcação. Após o drible, Keno bateu e Graterol fez mais uma ótima defesa.

América de Cali tentou reagir, mas Vargas apareceu

O time colombiano estava sumido na partida. Porém, com o cansaço dos atleticanos, o América melhorou e assustou a massa alvinegra. Aos 31, Moreno fez boa jogada pelo meio e bateu travado por Igor Rabello. No rebote, o volante Paz chutou de fora da área, a bola desviou e bateu na trave de Everson. No minuto 44, uma falta foi batida na área e Ortiz cabeceou. Everson fez uma bela defesa na última chegada do América de Cali.

Já nos acréscimos, aos 47, o zagueiro Kevin Andrade foi expulso e deixou o seu time com um a menos. E o Atlético aproveitou para definir a sua vitória. Aos 51, Diego Tardelli puxou contra-ataque e tocou para Eduardo Vargas. O chileno deu um lindo toque por cima do goleiro e empurrou para as redes de “peixinho” Mais um golaço e fim de uma partida muito estranha: 3 a 1 no placar do estádio Romelio Martínez.

O Atlético volta a campo no próximo domingo, 16, contra o América, na 1ª partida da final do Mineiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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